Mc 16.17-18: “E estes sinais
seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas
línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes
fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão”.
Jesus realizou o seu
ministério terreno, pregando o Evangelho do Reino, com curas, ressurreições de
mortos, expulsões de demônios e muitas maravilhas por onde andou. E Deus era
com Ele (At 10.38).
Ao enviar os discípulos,
deu-lhes autoridade para operar curas, milagres, expulsar demônios em seu nome
(Mt 10.1-16; Mc 3.13-15;16.15-18; Lc 9.1-6,9,17-20).
1) Estes sinais (gr. semeion) – Realizados
pelos discípulos de Jesus confirmam que a mensagem do Evangelho é genuína, que
o Reino de Deus chegou à terra com poder (Mt 10.7-8; Lc 10.9).
Pregar o Evangelho equivale a
uma batalha espiritual contra o mal. É vital que seja seguida por sinais
sobrenaturais, ou seja, da parte de Deus (Jo 2.11; Lc 4.31-36;41; Mc 16.15-20).
2) Dos sinais listados em Mc
16.17-18 - Ocorreram na Igreja Primitiva, exceto a
ingestão de veneno, ou não foi feito o registro bíblico.
a) falar novas línguas (At
2.4; 10.46; 19.6; I Co 12.30; 14);
b) expulsar demônios (At 5.15-16;
16.18; 19.11-12);
c) escapar da morte por picada
de serpente (At 28.3-5);
d) curar os enfermos (At
3.1-7; 8.7; 9.33-34; 14.8-10; 28.7-8).
3) Manifestações espirituais
devem continuar na igreja até a volta de Jesus. Sinais
de poder, de autoridade espiritual não foram limitados ao período da era
apostólica.
“Ficar em Jerusalém”, até que
do alto sejais revestidos de poder (Lc 24.49), é uma necessidade premente e
contínua na Igreja hodierna.
I Co 1.7 – Na Igreja de
Corinto havia manifestação de todos os dons. E em nenhum momento Paulo
desestimulou a busca de dons, doutrinou a respeito do amadurecimento no uso dos
dons. E acima de tudo, deve para prevalecer o amor no Corpo de Cristo, o
caminho ainda mais excelente (I Co 12.31; 13.1-13).
Na Igreja da Galácia, por
volta do ano 50 d.C., como havia forte influência de cristãos judaizantes,
minando o Evangelho da Graça, presos à prática da Lei, Paulo alertou para a
operação das maravilhas, milagres pela pregação da fé (Gl 3.5). Não era uma
mera troca de religião.
4) A pregação do Evangelho e as
Evidências do Reino de Deus - Os discípulos de Cristo não somente
deviam pregar o evangelho do reino e levar a salvação àqueles que creem (Mt
28.19,20; Mc 16.15,16; Lc 24.47), mas também concretizar o Reino de Deus, como
fez Jesus (At 10.38) ao expulsar demônios, curar enfermos, dá vista a cegos, ressuscitar mortos...
5) Realizar sinais é uma
promessa para a Igreja (Mc 16.15-20) – Efetuar milagres, curas, não
são dons especiais para apenas alguns crentes, mas que seriam concedidos a
todos os crentes que, em obediência a Cristo, dão testemunho do Evangelho e
reivindicam as suas promessas.
6) A ausência de sinais
sobrenaturais na Igreja - Não significa que Cristo falhou no
cumprimento de suas promessas. A falta, conforme Jesus declara em Mt 17.17-21,
está na vida dos seus seguidores: Fé apequenada e despreparo espiritual.
No início do século XX, afirmou
o pastor batista renovado, J. W. Hjertstrõm:
“O Cristianismo de hoje se
tornou o Sansão com as transas cortadas”.
Veja: https://samuca-borges.blogspot.com/2026/07/pr-john-wilhelm-hjertstrom.html
7)Cristo prometeu autoridade,
poder e sua presença nos acompanharão à medida que lutarmos contra o reino de
Satanás (Mt 28.18-20; Lc 24.47-49):
a) Devemos
libertar o povo do cativeiro do pecado pela pregação do evangelho, mediante uma
vida de retidão (Mt 6.33; Rm 6.13; 14.17);
b) E
pela operação de sinais e milagres através do poder do Espírito Santo (Mt 10.1;
Mc 16.16-20; At 4.31-33).
Subsídios ao tema:
I - Dom versus talentos
Dom – Dádiva; carisma, recursos extraordinários
concedidos à igreja pelo Espírito Santo. É ele o executor dos dons em nós
e através de nós, dos cristãos que creem e buscam.
Talentos – Representam habilidades naturais ou espirituais, tempo, recursos e oportunidades que cada pessoa recebe de Deus para utilizá-los na causa do Evangelho, a seu serviço.
II – Os Dons em Três Classes
1.Dons espirituais clássicos (I Co 12.27-31) - Palavra de sabedoria; Palavra de ciência; Discernimento; Fé; Curas; Maravilhas; Profecia; Variedades de línguas; Interpretação.
2.Dons assistenciais (Rm 12.6-8) - Contribuição; Serviço; Ensino; Exortação; Liderança; Misericórdia; Ajuda; Administração.
3.Dons ministeriais (Ef 4.11-12) - Apóstolos; Profetas; Evangelistas; Pastores e Mestres.
Nota 1 - É um erro exegético confundir o dom de profecia no NT, com o perfil do ministério profético do AT, uma vez que este durou até João Batista (Mt 11.13; Lc 16.16). João foi o último profeta da antiga aliança e cumpriu o papel de precursor do Messias, o que lhe rendeu ser o maior entre os homens, nascido de mulher (Mt 11.11). E o menor no Reino dos Céus é próprio Cristo.
Os dons foram dados à Igreja como
ferramentas espirituais, para que Ela se conduza pelo sobrenatural no poder do
Espírito. Do contrário, seria uma mera religião falando as verdades divinas,
sem autoridade na Terra, nem no mundo espiritual.
Lamentamos os cessacionistas não crerem assim. Parece-me que preferiram uma religião sociável ao invés de embates com as trevas.
Por outro lado, a Igreja como a
multiforme sabedoria de Deus comporta congregacionais, batistas, presbiterianos,
assembleianos, nazarenos, Deus é Amor, Wesleyanos, luteranos, anglicanos, etc.
Na Igreja Cristã também existem os chamados ministérios radicais que lidam com: Recuperação de drogados, de prostitutas, de moradores de rua, libertação de escravizados e até com tráfico de pessoas. Não é para todo cristão, é uma chamada específica. Aliás, Deus trabalha nas Escrituras com chamadas especiais para salvação e serviço. O seu intento é sempre salvar.
A Igreja e a sua voz profética – Não pode perdê-la em um mundo todo no maligno (I Jo 5.19), em meio gerações incrédulas, pagãs, perversas e iníquas.
III - Línguas Estranhas
Xenolalia - Segundo o teólogo Stanley Horton, “é o falar em línguas num idioma humano conhecido, estranho apenas a quem o fala”. No dia de Pentecostes, os crentes cheios do Espírito Santo falaram num idioma desconhecido para eles, mas, como a cidade de Jerusalém estava repleta de estrangeiros, estes puderam tomar conhecimento da mensagem do Evangelho em sua própria língua (At 2.1-13).
Glossolalia — (do gr. glosso, língua + lalia, falar em língua) - Dom sobrenatural concedido pelo Espírito Santo, que capacita o crente a fazer enunciados proféticos, ou louvar a Deus em línguas que são desconhecidas para quem fala e quem ouve. O ideal é que haja interpretação (I Co 14.26-28). Ou só edificará quem fala (I Co 14.2,4).
O falar em línguas como a
manifestação física do enchimento do Espírito Santo (At 2.4), foi um fenômeno
que não se restringiu a Atos 2, pois encontramos exemplo e instruções a
respeito da prática, ocorrendo na Igreja Primitiva (At 10.44-46; I Co 12.30;
14.5-6). E mais recente, em movimentos de despertamento espiritual que repercurtiram em chamas, fogo missionário pelo mundo.
As finalidades do Dom de Profecia –
Edificação, exortação e consolo (I Co 14.4). Inclusive Paulo doutrina sobre
dons mais importantes que outros, em função do coletivo na Igreja (I Co 13.31;
14.1-40). A profecia proferida na Igreja deve ser julgada, discernida, no
sentido de avaliação do conteúdo (I Co 14.29).
Quem profetiza deve ter
controle sobre o que faz (I Co 14.32). Não pode alegar ser um devaneio.
A manifestação do Espírito é
dada a cada um para o que for útil (I Co 12.7).
Nota 2 –
Cessacionistas negam principalmente os dons de profecias, línguas e interpretação
de línguas, alegando estar o cânon bíblico completo. Porém, pentecostais não
estão inserindo profecias, conteúdo do que Deus fala na atualidade ao cânon
sagrado. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. A experiência espiritual no
exercício e manifestações dos dons sempre devem se submeter ao crivo das
Escrituras Sagradas. A Palavra também recomenda não sermos ignorantes acerca
dos dons espirituais (I Co 12.1). E é para quem crê (Mc 16.17).
E oportuno mencionar Atos
2.38-39:
“E disse-lhes Pedro:
Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, em
remissão de pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa
vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos
quantos Deus nosso Senhor chamar”.
Nota 3 – No Adventismo
do Sétimo dia existe na pessoa da Ellen White o tal espírito da profecia, pondo
em equivalência ao cânon bíblico fechado (Antigo e Novo Testamento), suas profecias
e escritos. Isto é heresia. E há também acusações de plágios em relação aos seus
escritos.
Nota 4 – Na contemporaneidade,
merece atenção fazer distinções entre pentecostais clássicos e neopentecostais,
com forte influência das heresias contidas na Teologia da Prosperidade, focos
doentios em ministérios de libertação, manifestações com tentativas de
materializar a fé (sal grosso, rosa ungida, vestes ungidas, areia da terra
santa, orações do monte, fé na fé, lideranças neófitas, crescimento e governo eclesiástico
desordenado, lideranças sem submissão a outras lideranças maduras, etc.
Nota 5 – No
sermão do monte Jesus alertou quanto ao engano no ativismo religioso, fazendo da
religião, do evangelho um negócio, sem obediência, sem relacionamento com Ele.
Pode até ter dons, usar a autoridade do nome de Jesus, mas sem frutos dignos de
arrependimento não adentrará ao Reino de Deus (Mt 7.15-23).
Jo 14.12 – Enfim, a promessa
para os que creem é que poderão fazer maiores obras, sinais, feitos gloriosos
em seu nome (Jo 14.13-14). E sempre visando a sua glória e a expansão do Reino
de Deus neste mundo. Amém!
Fontes da Pesquisa:
Bíblia do Estudo Pentecostal.
Despertamentos e Testemunhos na
História da Igreja.
Por Samuel Pereira de Macedo Borges
Natal/RN, 14/08/2026.






