
“E vos vivificou, estando
vós mortos em ofensas e pecados”.
O sentido é de separação,
não de incapacidade para agir, reagir. O contexto esclarece e respalda essa
linha exegética.
a) Como mortos “andastes”, segundo
o curso deste mundo...(Ef 2.2). Aqui os mortos andam.
b) “Andávamos” nos desejos
da carne, fazendo a “vontade da carne e dos pensamentos” (Ef 2.3). Aqui andam,
tem desejo e vontade.
Rm 6.23 – “Porque o salário
do pecado é a morte...” Ou seja,
separação de Deus, enquanto que em Cristo podemos alcançar vida eterna. E cabe
ao homem responder o chamado ao arrependimento em vida (Mc 1.15). E Deus não
leva em conta o tempo de ignorância (At 17.30-31).
Is 59.2 – “Mas as vossas
iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados
encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça”.
a) Nitidamente, é no sentido
de separação, uma barreira causada pelos pecados e desobediência em Israel,
apontados pelo profeta.
b) Este foi problema de Adão
no Éden, morreu espiritualmente, separado de Deus, perdeu a comunhão com Deus
(Gn 3.22-24). Foi expulso do Éden.
E Deus, na sua presciência,
projetara a redenção (Gn 3.15), naquele momento lançou a maldição da queda sobre a terra (Gn
3.17). E resolveu a problemática do pecado no calvário (Jo 1.29;19.30; I Pd 1.18-20).
c) Rm 5.12 – “Pelo que, por
um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte
passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”.
d) Aliás, na Bíblia o
vocábulo morte sempre tem o sentido de separação, seja morte espiritual
(separação de Deus no pecado), morte física (separação da parte material das
imateriais) e morte definitiva na condenação perante o Juízo Final.
e) Rm 3.23 - “Porque todos
pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Destituídos (grego husteréo) no
sentido de falhar em atingir o alvo, ficar aquém da meta.
f) Na queda no Éden o homem
ficou com a imagem e semelhança do Criador maculada, manchada, não perdida
(como ensina o extremo da depravação total). Perdeu o padrão de santidade para estar
em comunhão com Deus. E somente por meio de Cristo, podemos nos achegar a Deus
(Jo 14.6). Requer a Graça do Pai, sangue do Filho e resposta pela fé do
arrependido.
g) A solução para a morte espiritual é o Novo Nascimento (Jo 3.3), sermos vivificados em Cristo (Ef 2.4-6).
A Redenção da cruz tem
alcance universal
O convite do Senhor Jeová,
através de Isaías, para Israel em pecado, assim o é para com o homem no pecado,
mediante a graça salvadora (Ef 2.8, Tito 2.11).
Isaías 1.18-19 - “Vinde,
pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a
escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como
o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o
melhor desta terra”.
Obviamente que o resgate da
queda humana também passa pelo crivo da misericórdia de Deus, foi Ele que proveu
o Plano Redentivo, à disposição de todos os homens (Jo 3.16).
Enfim, Rm 9.15-16 – “...compadecer-me-ei
de quem me compadecer e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim,
pois, isto não depende de quem quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece”.
O texto enfatiza a livre ação
da misericórdia de Deus. Sua compaixão ativa e transbordante, não merecível, nem pode ser deliberada, não controlada pelos seres humanos. A sua decisão de
usar de misericórdia é para com todos (Rm 11.32), uma vez que não faz acepção
de pessoas, de nação, raças, etnias, etc. E como todos pecaram, todos nós dela carecemos. Amém!
Por Samuel Pereira de Macedo
Borges
Natal/RN, 03/08/2026.





