“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).
Introdução1.O Evangelho de João
apresenta o Verbo eterno como Deus, Criador e Revelador.
2.Ele se fez carne e revelou
de forma plena a glória do Pai, cheio de graça e de verdade.
3.Jesus, o verbo divino, é o
clímax da revelação do Pai, onde o invisível se tornou visível aos homens, o
eterno entrou no tempo e o insondável foi manifestado.
Metas do Estudo:
I) Explicar a preexistência e
a divindade do Verbo;
II) Mostrar a atuação do Verbo
na Criação e como fonte de vida e luz;
III) Ressaltar que o Verbo
encarnado é a plena revelação do Pai.
I. O Verbo como o Eterno Deus
O Verbo preexistente - A
expressão “Verbo” (gr. lógos) designa Deus, referindo-se à divindade
do Filho.
a) Os gregos - Pensavam ser um
princípio racional, impessoal, não como pessoa divina;
b) Os gnósticos - O via como
um ser intermediário, negando o mistério da encarnação;
c) No Arianismo - O verbo é um
ser criado, superior, não eterno com a mesma substância do Pai;
d) No Modalismo – O verbo não
é uma pessoa distinta, mas uma forma temporária do Pai, sem diferença real;
e) Na visão agnóstica (século
XIX) - O verbo é apenas um símbolo, uma ideia religiosa, sem realidade divina
objetiva.
Distinções entre o cético, o
agnóstico e o ateu:
“Cético: Questiona todas as afirmações. Agnóstico: Não
tem conhecimento se Deus existe ou não. Ateu: Não acredita que Deus
existe” (IA Google).
Notas Bíblicas:
a) João apresenta
o Logos como o próprio Deus Eterno - Jesus Cristo, o
Filho Unigênito do Pai (Jo 1.14; 3.16). Antes de tudo o que existe, o Verbo já
existia. Jesus não começou a existir em Belém, pois Ele é Eterno, coexistente
com o Pai desde o princípio (Cl 1.17).
b) João afirma que “o Verbo
estava com Deus” (Jo 1.1b) - A expressão grega pros ton
Theon (com Deus) comunica relacionamento face a face, ou seja, comunhão
pessoal e eterna entre o Verbo (Filho) e Deus (Pai). Indica uma distinção de
Pessoas dentro da unidade da Trindade (Dt 6.4; 1Jo 5.7). O Pai, o Filho e o
Espírito Santo não são formas sucessivas da Deidade aparecer, mas são Pessoas
coexistentes desde “o princípio” (Jo 1.2; 17.5).
c) O Verbo é da mesma essência
do Pai (Jo 10.30; 14.9) - João revela “o Verbo era Deus” (Jo
1.1c). A palavra grega para Deus (Theós) aparece sem o artigo
definido. Na estrutura grega, a ausência do artigo não implica indefinição ou
inferioridade. Essa construção enfatiza a qualidade ou a natureza do sujeito,
não um deus diminuto.
Portanto, o Verbo é como o
Pai: eterno (Jo 1.2) e criador (Jo 1.3). A expressão “o Verbo era Deus” ensina
que Jesus é da “mesma substância” do Pai, isto é, Deus em sua totalidade (Cl
1.15; 2.9).
II. O Verbo Como Criador
1.Agente da Criação - A
Bíblia declara que “no princípio, criou Deus” (Gn 1.1a). A expressão “criou”
traduz a palavra hebraica ‘bārā’, afirma que o universo foi criado por
Deus a partir do nada — do latim ex nihilo (Hb 11.3).
A doutrina de Deus como
Criador possui fundamentos tanto no Antigo Testamento (Sl 33.6; Is 45.12; Ne
9.6) quanto no Novo Testamento (At 17.24; Rm 1.20; Ap 4.11).
João no seu Evangelho, apresenta
Jesus também como Criador: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele
nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Este versículo enfatiza a divindade do
Verbo, uma vez que a criação é obra exclusiva de Deus (Cl 1.16,17). Desse modo,
o Filho é o agente ativo na Criação do universo (Hb 1.2).
A fonte da vida - O
apóstolo João enfatiza com clareza que “nele, estava a vida” (Jo 1.4a),
referindo-se ao Verbo eterno — Jesus Cristo. O logos divino é a fonte absoluta
e originária de toda forma de vida, tanto física quanto espiritual e eterna (Jo
3.36; 1Jo 5.11,12).
a) Denota a autossuficiência
do Verbo, uma característica específica da Divindade (At 17.25). Jesus não
depende de nada ou ninguém para viver. Trata-se da Asseidade de Deus.
b) Ele compartilha da mesma
substância divina: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também
ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Essa verdade afirma que a vida,
eterna e imutável, que está no Pai está igualmente no Filho, apontando para a
mesma essência dentre as Pessoas da Trindade (Jo 10.30; 14.9; 17.5).
A luz dos homens - “a
vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a
compreenderam” (Jo 1.4b,5). A metáfora da Luz simboliza o caráter de Deus,
porque nEle não há trevas alguma (I Jo 1.5).
a) Jesus é apresentado como a
Luz verdadeira (Jo 1.9). Ele não apenas possui luz; Ele é a própria Luz (Jo
8.12). Ele dissipa as trevas, ilumina os perdidos e revela o pecado (Mt 4.16;
Jo 3.19).
b) A declaração “as trevas não
prevaleceram contra ela” (Jo 1.5 — NAA) mostra que as forças do mal não
têm poder sobre Cristo. O verbo grego katalambánō pode ser traduzido
como “compreender”, “apoderar” ou “dominar”, e nesse caso expressa que as
trevas do pecado não podem resistir à Luz do Filho de Deus (Rm 13.12).
Subsídio - “A Vida Era a Luz
dos Homens”.
1) A vida (gr. zōē) é
um dos temas centrais do Evangelho de João, aparecendo 36 vezes. Jesus é
descrito como:
a) O Pão da Vida (Jo 6.35,48)
e a Água da Vida (Jo 4.10,11; 7.38). Suas palavras são palavras de vida eterna
(Jo 6.68). Ele é quem dá a vida (Jo 6.33; 10.10), e essa vida é um dom de
Cristo (Jo 10.28). Na verdade, Cristo é a vida (Jo 14.6). Em outras palavras, a
verdadeira vida encontra-se em Cristo e é experimentada por meio de um
relacionamento pessoal com Ele (Jo 17.3).
Em Jesus também podemos
tornar-nos filhos da luz (Jo 12.36) e andar na luz (I Jo 1.7).
III. O Verbo Como Revelação do
Pai
1.A encarnação do Verbo - João
também apresenta o Verbo como o supremo meio de autorrevelação do Pai: “o Verbo
se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14a). Esta
afirmação marca o ponto culminante da revelação divina: o Verbo se tornou homem
sem deixar de ser Deus (Fp 2.6-8). Deus é imutável, não altera sua
natureza nem o caráter.
2.A plenitude da
graça e da verdade - João, testemunha ocular da
encarnação do Verbo, declara ser a “glória do Unigênito do Pai, cheio de graça
e de verdade” (Jo 1.14b). A palavra “glória” (gr. dóxa) remete ao
conceito da shekinah — a presença gloriosa de Deus entre o seu povo
(Êx 40.34,35). Porém, enquanto a glória na Antiga Aliança se manifestava
parcialmente, em Cristo ela se mostra plenamente (Jo 2.11; 17.1-5).
3.O revelador do Deus
invisível - João afirma: “Deus
nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o
fez conhecer” (Jo 1.18). Aqui, o apóstolo enfatiza que Deus é invisível e
inacessível (Êx 33.20; I Tm 6.16). No entanto, o Verbo o revelou de forma plena
e perfeita.
Cristo é a autorrevelação
completa do Pai: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9).
Conclusão
1.Jesus Cristo é o Unigênito
que revela o Pai, sua glória, cheio de graça e de verdade (Jo 1.14).
2.A encarnação do Verbo não é
uma doutrina essencial da fé cristã, e nos chama à adoração e proclamação
daquEle que é a imagem visível do Deus invisível.
3.O Senhor Jesus é o clímax, a
perfeita revelação do Pai à humanidade.
Fontes da Pesquisa:
Lição EBD/CPAD – 1º trimestre
de 2026.
Bíblia Sagrada.
Anotações Pessoais.
Por Samuel Pereira de Macedo
Borges
Natal/RN, 08/02/2026.








