
“Este é o meu Filho amado,
em quem me comprazo; escutai-o” (Mt 17.5b).
Introdução
Jesus Cristo, o Deus Filho,
é a revelação plena do Pai, centro da revelação divina e único mediador entre
Deus e os homens.
Ele não é um personagem
entre outros, mas o Deus encarnado. Pelas Escrituras, mediante a fé, podemos estudar
e contemplar a Divindade, a centralidade e a missão redentora do Deus Filho.
Textos chaves
Lc 1.35 - A concepção
virginal e a ação da Trindade.
Jo 1.1-3 - O Filho é Deus
desde a eternidade.
Hb 1.1-3 - O Filho como
revelação suprema do Pai.
Mt 17.2,3 - A glória divina
de Jesus na Transfiguração.
Fp 2.9-11 - Cristo exaltado
acima de todo nome.
At 4.12 - Cristo é o único
caminho para salvação.
I. A Divindade do Filho.
1.A Concepção Virginal de
Jesus - A concepção do Senhor Jesus foi um ato miraculoso.
Sobre isso, o anjo Gabriel explicou à virgem: “Descerá sobre ti o Espírito
Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1.35a). O
texto afirma que Jesus seria concebido pela ação do Espírito Santo e pela
sombra do poder de Deus. A expressão “sombra” (gr. episkiázō) refere-se
à presença divina (Êx 40.35). Assim, o Espírito Santo está vinculado à sombra
da “virtude” (gr. dýnamis), ou seja, ao poder de Deus. Isso indica que a
presença poderosa de Deus repousou sobre Maria, de modo que o menino concebido
pelo Espírito Santo seria chamado de Filho de Deus (Lc 1.35b). Dessa maneira,
observa-se, nesse evento, a manifestação da Trindade: o Pai, o Filho de Deus e
o Espírito Santo.
2.A Deidade do Filho - O
Senhor Jesus Cristo é, desde a eternidade, o único Filho de Deus e possui a
mesma essência e substância (gr. homooúsios) do Pai (Jo 10.30; 14.9).
Antes de nascer em Belém, o Filho já existia eternamente com o Pai: “No
princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo
1.1). Ele é a Segunda Pessoa da Trindade e foi enviado pelo Pai ao mundo (1Jo
4.9). Ele se fez carne, sem deixar de ser Deus, possuindo duas naturezas, a
divina e a humana, unidas numa única pessoa (Jo 1.14; Fp 2.6-11). Essa
união das duas naturezas é sem confusão, sem mudança, sem divisão e
sem separação (Concílio de Calcedônia, 451 d.C.). Ele é verdadeiro Deus e
verdadeiro homem (Rm 1.3,4; 9.5). Sendo Deus e homem, Jesus é o único mediador
entre Deus e a humanidade (1Tm 2.5).
3.Os Atributos Divinos de
Jesus - Como Segunda Pessoa da Trindade, Jesus possui todos os
atributos essenciais da Divindade.
a) Eternidade —
Jesus não teve começo, pois é eterno como o Pai (Is 9.6);
b) Imutabilidade —
Cristo, sendo Deus, não muda em seu ser ou caráter (Hb 1.12);
c) Onipresença —
Jesus declarou sua presença universal (Mt 18.20);
d) Onisciência —
Jesus conhece todas as coisas, inclusive nossos pensamentos (Jo 21.17);
e) Onipotência — Nada
é impossível para Ele (Ap 1.8).
Em suma, Jesus Cristo
manifesta em si mesmo todos os atributos que pertencem Deus Pai. Isso demonstra
de forma incontestável sua plena Divindade. Crer em Jesus como Deus é vital
para a fé cristã. Negar qualquer um desses atributos é negar a essência do
Evangelho (Jo 20.31).
II. A Centralidade de Deus
Filho.
A transfiguração foi uma
visão, um lampejo rápido para dá lucidez a glória da Divindade de Jesus. Foi
uma revelação especial sua Deidade aos três de seus discípulos e a confirmação
por parte de Deus Pai de tudo aquilo que Jesus havia feito e estava por fazer.
O próprio Cristo foi se revelando gradativamente em seu ministério (Mt 17.9).
1.A Glória Sobrenatural de
Jesus - Pedro, Tiago e João acompanharam Jesus até um alto
monte (Mt 17.1). Neste local, Jesus “transfigurou-se diante deles; e o seu
rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz”
(Mt 17.2). O verbo “transfigurar” é tradução do grego metamorphóō do
qual se originou o vocábulo “metamorfose” (transformação, mudança). Na ocasião,
Jesus revelou temporariamente a glória da sua natureza divina, com aparência
resplandecente. Um prólogo escatológico, um vislumbre do Cristo pós-ressurreto
e glorificado (Ap 1.6). Uma confirmação da união das duas naturezas de Cristo:
humana e divina, duas naturezas em uma só pessoa (Jo 1.14). Aqui, a divindade
de Jesus foi revelada. Uma manifestação visível da glória de Deus no Filho
encarnado (Fp 2.6-9).
2.A Aprovação do Deus Pai - A
transfiguração atinge seu clímax com a voz audível do próprio Pai: “eis que uma
nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz” (Mt 17.5a). A voz vinda da
nuvem — símbolo da presença de Deus (Êx 13.21) — ecoa as palavras já proferidas
no batismo de Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17;
17.5b). Essa repetição é significativa: o Pai confirma que Jesus é o seu Filho
eterno, não apenas em missão redentora, mas em natureza divina. A expressão “em
quem me comprazo” (gr. eudokēsa) revela que o Filho é aquEle em quem o Pai se
deleita (Is 42.1). A voz do Pai é uma afirmação da centralidade de Cristo (Jo
14.6) e sustenta a doutrina da Trindade, em que o Filho é Deus, gerado pelo Pai
e consubstancial com Ele (Jo 14.9,10).
Moisés e Elias testemunham
que Jesus é o tema central e o cumprimento definitivo das Escrituras (Lc
24.27). A presença deles atesta, é uma prova visível da superioridade de Jesus em
relação aos diversos personagens bíblicos (Hebreus capítulos 1 a 7).
O âmago da transfiguração – Neste
evento vemos: Moisés representação da lei; Elias, os Profetas e Jesus, o Cristo
de Deus, o Filho amado em quem o Pai se compraz e em voz audível testemunhou
dele. A Lei e os Profetas apontavam para o Messias, o Cristo que estava se
revelando no plano redentivo. E tudo convergia para Ele. E terminou assim a
transfiguração - “ninguém viram, senão a Jesus”, destacando que nossa fé deve estar
centrada em Jesus (Mt 17.8).
III. A Missão Redentora do
Deus Filho
1.O Filho, a Revelação Suprema/Maior - A
transfiguração é marcada, também, por uma ordem direta do Pai acerca do Filho:
“escutai-o” (Mt 17.5c). A declaração reflete a profecia de Moisés: “O Senhor,
teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a
ele ouvireis” (Dt 18.15). A Escritura deixa claro que esse Profeta prometido é
o próprio Cristo (Jo 6.14; At 3.20-23). A instrução — “escutai-o” — coloca o
Filho em posição de supremacia sobre as revelações anteriores (Lc 16.16; Jo
1.17,18). Não é Moisés (a Lei) e nem Elias (os Profetas) que devem ser ouvidos,
mas o Cristo (Hb 1.1,2). Esse evento sinaliza a transição entre a Antiga e a
Nova Aliança, centrada na pessoa do Filho (Cl 2.17; Hb 10.1). Logo, negar a
Cristo, ignorá-lo ou relativizar sua voz é rejeitar a autoridade de Deus (1Jo
5.12).
2.A Exclusividade de Cristo
na Redenção - Após a visão do Cristo transfigurado, a
Bíblia declara: “erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a Jesus” (Mt
17.8). Essa afirmação encerra uma verdade fundamental: Cristo é absolutamente
único e exclusivo na obra da redenção. A presença de Moisés e Elias cessou;
restou apenas Cristo. Ele é o cumprimento da Lei e dos Profetas (Mt 5.17). Toda
a Escritura aponta para Ele (Lc 24.27). Cristo não é meramente um Profeta; Ele
é o Deus revelado (Jo 14.9), o resplendor da glória divina (Hb 1.3). Ele é o
único mediador entre Deus e os homens (At 4.12; 1Tm 2.5). Seu sacrifício é
plenamente suficiente para reconciliar o pecador com Deus (Cl 1.20-22). Diante
de sua majestade, toda figura da Antiga Aliança se desfaz — somente Jesus
permanece.
3.O Aprendizado pela Experiência
- A
revelação da glória do Cristo no monte foi também um evento pedagógico para os
discípulos. Mais tarde, Pedro reconheceu o episódio como evidência
incontestável da majestade de Jesus: “mas nós mesmos vimos a sua majestade
[...] quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu
Filho amado, em quem me tenho comprazido” (2Pe 1.16,17). A transfiguração,
portanto, é o vislumbre do Reino, prenúncio da ressurreição, antecipação da
vitória final de Cristo, e o anúncio de seu triunfo escatológico sobre a morte
e todo domínio (Hb 1.8-12; Fp 2.9-11). Diante dessa glória, somos chamados a
contemplar e adorar a Cristo com fé e esperança (Hb 12.2).
Conclusão
1.Jesus, Ele é o Verbo
eterno feito carne, a revelação suprema do Pai e o único que pode reconciliar o
homem com Deus.
2.Jesus é digno de adoração,
obediência e seu nome deve ser anunciado como o único caminho para redenção
humana.
3.Negar sua Divindade ou
relativizar sua pessoa distorce o Evangelho, perdendo-se o centro e a essência
da fé cristã.
Fontes da Pesquisa:
Lição EBD/CPAD – 1º
trimestre de 2026.
Bíblia Sagrada.
Por Samuel Pereira de Macedo
Borges
Natal/RN, 31/01/2026.






