
João 19.30 – “E, quando Jesus
tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o
espírito.”
Introdução
1.A História da redenção
humana começa no Gênesis 3.15. E pela linhagem de Abrão seria bendita todas as
famílias da terra (Gn 12.3; Mt 1.17).
2.A Obra Redentora do Filho de
Deus está fundamentada na obediência, da encarnação ao calvário, submissão
completa de Cristo ao Pai e até a morte de cruz (Fp 2.8).
3.A expressão “está consumado”
– No grego significa foi feito, está feito, continuará feito. O sacrifício salvífico
perfeito, pleno.
I – Jesus e a sua humilhação
salvífica (Fp 2.5-8).
A humilhação do Filho revela
sua submissão, esvaziamento e obediência até a cruz.
a) Jesus “Aniquilou-se a si
mesmo” - Esta frase em grego corresponde
a ‘ekenōsen’ (verbo ‘kenoō’, derivado de ‘kenos’, ‘vazio’,
‘vão’), que literalmente significa ‘ele esvaziou-se’. Isso não significa que
Jesus renunciou sua divindade (isto é, a sua natureza plena como Deus), mas que
voluntariamente deixou de lado suas prerrogativas como Deus, incluindo sua
glória celestial (Jo 17.4-5), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (II Co 8.9),
direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o uso de seus atributos como Deus (Jo 5.19;
8.28; 14.10).
b) Ele desceu à condição mais
humilde e morreu como servo (II Co 8.9) - Em obediência ao Pai e em
favor dos pecadores, submeteu-se à humilhação da cruz (Hb 12.2). Revela a
Escritura que o primeiro Adão trouxe condenação pelo pecado; e, Cristo, o
segundo Adão, trouxe justiça por meio de sua perfeita obediência (Rm 5.19).
c) Jesus, não teve por ser usurpação
ser igual a Deus - Significa que Ele, voluntariamente, abriu
mão de seus privilégios e de sua glória celestial para viver na terra como
homem e, por fim, entregar a sua vida a fim de que pudéssemos ser salvos.
d) Jesus, além de despir-se da
sua glória, uma suspensão voluntária de suas capacidades e privilégios como
Deus, aceitou vivenciar o sofrimento humano – limitações, maus tratos,
ódio e, em última instância, a maldição da morte na cruz. [...] Ele suportou
tudo isto sem pecar. Ele nunca ofendeu ou desafiou a Deus Pai, nem fez qualquer
coisa errada de acordo com o padrão perfeito de Deus (Hb 4.15). É por esta
razão que Ele foi capaz de fazer o sacrifício perfeito e pagar a pena
definitiva e completa pelos nossos pecados, de uma vez por todas (I Pd
3.18).
A Visão Romanista do
Sacrifício de Jesus:
“...Assim, o sacrifício da
cruz e o sacrifício da Missa são um único sacrifício. Como ensina ainda o
Concílio de Trento: “Trata-se, com efeito, de uma só e idêntica vítima e o
mesmo Jesus se oferece pelo ministério dos sacerdotes, ele que um dia se
ofereceu a si mesmo na cruz. Neste divino sacrifício, que se realiza na Missa,
está contido e imolado de modo incruento o mesmo Cristo que se ofereceu uma só
vez de modo cruento no altar da cruz”. (https://paroquiabomjesus.org/horario-de-missas/2-uncategorised/190-o-sacramento-da-eucaristia-i).
Pesquisa em 13/02/2026.
Não é bíblico o entendimento
de que o sacrifício de Jesus na cruz e a celebração da Ceia do Senhor sejam o
mesmo evento. O primeiro é a causa do segundo. A eucaristia, a missa não é uma repetição
do seu sacrifício, porque foi perfeito, não necessária sua repetição, segundo
as Escrituras.
Hebreus 10.10 – “Na qual
vontade (do Deus Pai, Hb 10.9) temos sido santificados pela *oblação do corpo
de Jesus Cristo, feita uma vez.”
*Oblação (do latim oblatio –
ato de oferecer) – Significa uma oferta ou sacrifício voluntário apresentado a
Deus, representando entrega, adoração ou ação de graças.
Hebreus 10.12 – “Mas este,
havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentando para
sempre à destra de Deus.”
Segundo Hb 6.4-6 aqueles que
conscientes da fé em Cristo para salvação e recaem, afastam-se dessa fé, é o
mesmo que voltar a crucificar o Filho de Deus, uma afronta, um insulto a sua
dignidade de Senhor e Redentor. É muito grave diante de Deus.
Os elementos da Ceia do
Senhor, o pão e vinho, são figuras do corpo e do seu sangue, em memória,
anunciando sua morte até que venha, uma vez ressuscitado junto ao Pai. Ele
tinha o poder de dar e tornar a tomar de volta a sua vida (Jo 10.17-18). E
assim como no culto genuíno de adoração, Ele se faz presente, presente está
espiritualmente na celebração da Ceia, cujo liturgia tem aspectos que apontam
para o passado, presente e futuro.
II – Redenção - Cristo, a
causa da salvação eterna.
Jesus sendo consumado, veio a
ser causa de eterna salvação para todos que lhe obedecem (Hb 5.9; Hb 9.24-28).
A ineficácia do sacerdócio levítico.
a) O sumo sacerdote entrava no
Santo dos Santos uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur), levando
sangue alheio — o sangue de animais — para fazer propiciação por seus próprios
pecados e pelos do povo (Lv 16.11-15).
b) O ritual da expiação era repetido
anualmente porque não era suficiente para remover o pecado (Hb 9.25; 10.3-4).
c) O sumo sacerdote terreno
era uma figura (tipo) de Cristo, que é o real e eterno Sumo Sacerdote (Hb
2.17).
d) O santuário terreno era uma
sombra (Hb 8.5), mas Cristo entrou no céu mesmo (Hb 9.24-25), para interceder
por nós diante do Pai (Hb 8.1,2).
e) A entrada única de Cristo
no santuário com seu próprio sangue nos assegura uma eterna redenção (Hb 9.12).
f) Por ser imperfeito, o
sacerdócio levítico foi substituído por um superior, o sacerdócio de Cristo (Hb
7.23,24).
g) Diferente do sistema
levítico, a morte de Jesus foi definitiva, completa e eficaz: “assim também
Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28a). A
expressão “uma vez” gr. hápax) indica que não há necessidade de
repetição: o que Ele fez é perfeito e eterno (Hb 10.10).
h) A salvação não é por causa
dos méritos ou rituais, mas ela é plena e gratuita, alcançada pela fé na redenção
consumada por Jesus (Jo 19.30). Cristo, ao morrer, rasgou o véu que separava o
homem da presença de Deus (Mt 27.51). Ele é o novo e vivo caminho para o Pai (Jo 14.6; Hb 10.19-21).
I) A expressão “vicária” vem do
latim vicarius, que significa “em lugar de outro”. A morte substitutiva e vicária
de Cristo é inseparável da justiça divina (Rm 3.26). O pecado não pode ser
ignorado e precisava ser punido (Rm 5.21).
Rm 3.24 – Todo salvo é
justificado gratuitamente pela graça de Deus, pela redenção que há em Cristo
Jesus.
Rm 3.25 – Faz-se necessário fé
salvífica no sangue de Jesus onde está demonstrada, propiciada a justiça de
Deus para remissão de pecados.
Rm 4.25 - Jesus padeceu por
nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação.
Rm 5.1 – De modo que a
justificação é pela fé, não por méritos humanos. Aliás, pela fé abre-se a porta
da graça ao que crê (Rm 5.2; Ef 1.13; 2.8).
Portanto, eis as três colunas
da salvação: Graça, Sangue e Fé - Não há outro meio de salvação,
nenhum outro nome (At 4.12). A obra redentora de Cristo é única, suficiente e
vicária, garantindo a redenção a todo arrependido.
Ap 5.8-9 – Foi pelo sangue do
Cordeiro que foram comprados para Deus homens de toda tribo, língua, povo e
nações.
Quando Zinzendorf foi
questionado sobre o real motivo para tão expressivo e sacrificial movimento
missionário (Missões Morávias – século XVIII), baseado em Is 53.11 – “O
trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito...” respondeu: “Estamos indo buscar para o Cordeiro o
galardão do seu sacrifício.”
III – Jesus, nosso redentor, exaltado
junto ao Pai (Fp 2.9-11).
Recebido à destra do Pai - Após
sua humilhação voluntária, o Filho foi entronizado nos céus com glória eterna:
“pelo que também Deus o exaltou soberanamente” (Fp 2.9a). A exaltação de Cristo
está ligada à sua obediência perfeita (Fp 2.8).
a) O verbo “exaltou”
(gr. hyperypsōsen) denota uma elevação acima de toda medida.
Cristo não apenas venceu a morte, mas foi exaltado à posição suprema no
Universo. Ocupou o lugar de honra à destra do Pai — símbolo de autoridade,
glória e soberania (Hb 1.3).
b) Estar assentado ali
expressa o reconhecimento divino da obra completa do Filho (Jo 17.4,5).
Cristo não apenas voltou para o céu, Ele assentou-se no trono (Ap 3.21). Sua
exaltação garante nosso acesso à presença de Deus. Ele intercede por nós (Rm
8.34), e reina como Rei dos reis (Ap 19.16).
c) Cristo recebeu de Deus Pai
“um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Na Bíblia, o nome
carrega o sentido de caráter e autoridade. Dessa forma, dizer que Cristo
recebeu um nome sobre-excelente, a Escritura afirma que nenhuma autoridade,
seja visível ou invisível, se compara ao seu poder e posição (Ef 1.21a).
d) Jesus Cristo foi exaltado
acima de toda eminência do bem e do mal, e de todo título que se possa conferir
nessa era e no porvir (Ef 1.21b). Não existe poder algum que
seja maior e nem mesmo igual ao poder de Cristo (I Pd 3.22).
e) Portanto, o nome de Jesus
não é mero símbolo de fé, é uma fonte real de autoridade espiritual. O Senhor
delegou à Igreja o uso de seu nome, para curar, libertar, pregar e vencer as
forças do mal (Mc 16.17-18).
Soberania universal e retorno
triunfal - A Escritura revela que todas as criaturas se curvarão
diante do nome de Jesus (Fp 2.10). Essa verdade aponta para a plena soberania
de Cristo (At 2.36).
A confissão universal de que
“Jesus Cristo é o Senhor” se dará de duas maneiras:
a) voluntária - Por
aqueles que creem e servem a Jesus como Salvador (Rm 10.9,10);
b) compulsória - Por
aqueles que o rejeitaram, mas que o reconhecerão em juízo (Rm 14.11; Fp 2.11).
Jesus voltará para os que o
esperam para a salvação (Hb 9.28).
E virá em glória, poder e
juízo (Mt 24.30). Sua glória será reconhecida por todos — para salvação ou para
condenação. Ele voltará, triunfante, para buscar a sua Igreja e reinar
eternamente (Jo 14.2,3; Ap 11.15).
Conclusão
1.Jesus esvaziou-se de sua
glória, ofereceu-se em sacrifício vicário e foi exaltado pelo Pai, consumada a Redenção
Humana, completa, suficiente e eterna, revelando que Ele é digno de toda
adoração e obediência, como as demais pessoas da Trindade.
2.A sua missão abrange a
restauração do que está na terra e nos céus, ou seja, deste mundo material e no
mundo espiritual, de toda a Criação (Cl 1.20).
3.Portanto, Jesus autor e
consumador da fé – Ele tem todas as credenciais de Deus, Senhor e Salvador. Vivamos
como servos, adoradores daquEle que nos serviu com sua vida e nos salvou pelo
seu sangue. Amém!
Fontes da pesquisa:
Lição EBD/CPAD – 1º trimestre
de 2026.
Bíblia Sagrada.
Anotações de Estudos Pessoais.
Por Samuel Pereira de Macedo
Borges
Natal/RN, 13/02/2026.