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domingo, 5 de abril de 2026

Resumo Histórico AD Santa Cruz/RN.

 

Imagem google: 4 anos atrás. Pastoreio atual – Pr Manoel Xavier

Começando com os primeiros momentos da organização da Assembleia de Deus na capital potiguar.

Em abril de 1918, a AD em Natal recebia um pregador do evangelho, o irmão Adriano Nobre, eloquente e versado nas Escrituras, enviado pelos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren. Coube a esse evangelista a tarefa de implantar a AD no Rio Grande do Norte.

A Assembléia de Deus no RN – segundo a tradição oral – teve no evangelista Adriano Nobre, o seu primeiro pastor. O livro “História da Assembléia de Deus no Brasil”, entretanto, reserva essa primazia ao irmão José Estumano de Morais, enviado pela Igreja-Mãe (Belém/PA), em 1919.

Em 1922, o Pr. José Estumano de Morais teve que regressar a Belém, sendo substituído pelo irmão Josino Galvão de Lima, que pastoreou a Igreja até 1923.

Do decurso do ano de 1923, assumiu o pastorado de Natal o irmão Manoel Higino de Souza (irmão Manequinho), oriundo da Cidade de Nova Cruz/RN, o qual permaneceu no cargo até dezembro de 1924.

A respeito da AD em Santa Cruz/RN, por volta de 1920, passavam pela região pregando a Palavra de Deus, alguns trabalhadores do evangelho, os quais classificamos de pioneiros na evangelização da Microrregião do Trairi. Entre eles destacamos: o irmão Antônio de Assis, natural de Caiçara/PB. Este valoroso servo de Deus. evangelizava de Borborema/PB a Currais Novos/RN, a pé. Depois, marcaram presença nesta região, os irmãos Manoel Nicácio, Pr. Cajazeiras e mais tarde o irmão Severino Salomão.

O pastor Cajazeiras foi o primeiro obreiro local com residência fixa na cidade de Santa Cruz/RN. Conta-se que em seus dias, ele empenhava a sua aliança de casamento, para puder viajar pelo campo a fim de ministrar a Santa Ceia aos irmãos. Ao retornar trazia ofertas e dízimos e resgatava a sua aliança.


Pr Cajazeiras e família - acervo do Filho, o Pr Israel Caldas Sobrinho.

Em meados de 1924, testemunhava a salvação em Cristo, o irmão Benedito Amanso e esposa (crentes mais antigos que se conhece), Naqueles dias, conta-se que fizeram uma roda de pessoas à sua volta, para que ele deixasse o evangelho. Porém, "profetizava” o Sr. Miguel Cure (um siríaco): "este o Catolicismo já o perdeu". E realmente, o irmão Benedito Amanso veio a falecer mais tarde na cidade de Campo Redondo/RN, crente em Jesus. Ele descendia de escravos. Todavia, tinha propriedade no Mela Bode e vizinhanças, as quais foram tomadas pelo Coronel Ezequiel Mergelino de Souza (1866-1953), conforme confissão verbal ao irmão Humberto Leite.

No final de 1924, o irmão e missionário Bruno Skolimowsky, sucedeu a Manoel Higino e permaneceu no cargo até 1926, na AD em Natal.

Pastoreou a Assembleia de Deus no RN, o Pr. Francisco Gonzaga de 1926 a 1937.

Na década de 1930, o irmão Severino Salomão construiu um pequeno templo no bairro do paraíso, sendo, portanto, o primeiro nesta cidade. Infelizmente não se sabe o que se deu desta edificação. Salientamos que este homem de Deus muito sofreu pela causa do Senhor Jesus, em Santa Cruz. Os perseguidores chegaram ao ponto de sujar a frente do templo que construíra, com fezes humanas. Eram tão zombadores que fizeram um verso com o episódio. Sabe-se que quando saiu desta localidade, bateu os pés das sandálias, de tanto haver padecido por amor a obra de Cristo. Nesses dias houve também alguns crentes de mau testemunho, trazendo danos à reputação da Igreja. O Pastor presidente era o Pr. Clímaco Bueno Aza (1937-1940).

De 1940 a 1959, presidiu a Igreja no estado, o amado Pr. Eugênio Martins Pires.

Em 27.01.47, chegava em Santa Cruz/RN o casal José Marques Pinheiro e Joanita Pereira Pinheiro e encontraram três famílias evangélicas, sendo: João Dantas e Severina Dantas, Francisca do Vale (irmã Chiquinha), Josefa do Vale e suas filhas Eunice e Inês. Registre-se também que nos idos de 1948/49, o Pr Francisco Bezerra teve passagem, servindo ao Senhor,  por Santa Cruz e região.

Os cultos passaram a ser realizados na casa do Irmão José Marques e irmã Joanita (na antiga Rua Daniel), por cerca de 10 anos. Havia também um ponto de pregação no atelier do irmão José Marques, pois era alfaiate. Ao falecer o irmão José Marques, o padre Emerson de Negreiros, veio a sua residência perguntar a viúva, se ela não queria voltar para a Igreja Católica. E lhe disse a irmã Joanita: "Foi Deus quem me tirou de lá".

Agregaram-se à lgreja, anos depois, mais os irmãos: Humberto leite, Severino Santu e família, irmão Juvino e família, José Pereira e a irmã Conceição. E neste lar também eram realizados cultos. O irmão José Pereira sofreu um acidente por um Jeep, dirigido pelo filho do escrivão Manoel Soares e infelizmente morreu. 

Praticamente, a década de 50 é considerada pelo Irmão Humberto Leite, como o Primeiro Período Áureo da AD em Santa Cruz/RN.

O irmão Humberto, apesar de haver se mudado para Natal no ano de 1957, para estudar, e ali veio confessar a Cristo, seu Salvador e Senhor no dia 02.11.58. Entretanto, considerava o falecido irmão José Marques seu principal pai na fé, para ele homem exemplar e íntegro, com quem tinha uma amizade estreita, mesmo antes de se tornar um evangélico.

O servo de Deus Humberto Leite acompanhou a história da Assembleia de Deus em Santa Cruz, de 1958 a 1970, especialmente nos finais de semanas, quando se fazia presente aos trabalhos da Igreja. Seu genitor era o advogado e comerciante, o Dr. Jonas de Oliveira Leite. Advogou por 30 anos nesta cidade e veio a falecer em Natal, crente em Jesus.

Testemunhava o irmão Humberto que por cerca de 4 anos (1958-62), pregaram a Palavra, sem haver uma conversão sequer. Participou de cultos no campo de Santa Cruz, iluminados a lampiões. Hoje é evangelista da AD em Natal e professor universitário aposentado.

Naqueles dias, dava assistência aos trabalhos em Santa Cruz/RN, o evangelista Manoel Rodrigues de Menezes oriundo de Natal para ministrar a Santa Ceia. Este obreiro do Senhor, também assistia as seguintes localidades: Lajes Pintadas, Serra do Doutor, Bom Destino, Sitio Caldeirão e até Currais Novos. Nesses dias andava de ônibus, chamado a "sopa'. Sucedendo o Ir. Manoel R. Menezes, veio o Pr. Manoel Gomes Crispim, o qual vinha de Caicó/RN, alto sertão do estado.

Em 01.03.59, a Irmã Joanita, viúva do saudoso cooperador José Marques Pinheiro, se casou com o irmão José Rodrigues Borges. Este servo de Deus, continuou evangelizando, a exemplo do falecido. Dizia o Sr. Gastão: Se José Marques testificava, muito mais José Rodrigues Borges.

Narrou o Irmão José Rodrigues Borges que o *padre Emerson Deodato de Negreiros juntamente com o Cipriano Baraúna tentou levantar um tumulto contra ele, num dia da feira (sábado). Porém, ele sabiamente, não deixou o seu ponto comercial. O objetivo de tumulto era, possivelmente, o seu linchamento. Era do conhecimento de muitos que o tal Cipriano Baraúna costumava bater em crentes. E o padre Emerson, com palavras desabonadoras, era muito contra os evangélicos. Chamava os crentes de capa-verdes.

*Foi pároco de Santa Cruz/RN, posse em 13 de julho de 1952 e encarregado da Paróquia de Coronel Ezequiel, de 1960 a 1964.

Tomou posse, em 10.01.60, na direção da Igreja a nível estadual o querido Pr. João Batista da Silva de janeiro/1960 a maio/1993.

A década de 1960 ficou marcada na vida da Igreja Local, pelas muitas internações do irmão José Rodrigues Borges, no Hospital João Machado, em Natal. Este servo do Senhor sofria de esquizofrenia e ora estava bem, ora piorava. Porém, sempre manteve sua conduta cristã autêntica, digna de ser imitada.

Hoje reside em Natal e faz cerca de 27 anos que não mais necessitou se internar. E toda a sua família repete as palavras do profeta Samuel: "Até aqui nos ajudou o Senhor". Glória a Deus!

Nos idos de 1960, assistia aos trabalhos no campo de Santa Cruz, Currais Novos, Serra do Doutor, Campo Redondo e vizinhanças, o Pr. Francisco Bezerra da Silva. Época de profunda pobreza material. Esta foi sua segunda passagem por Santa Cruz/RN, sendo substituído pelo Irmão Manoel Matias (Pr. Bezinho), no ano de 1962.


Pr Bezinho, Pr Fco Bezerra e Jesiel seu filho - acervo Jesiel Bezerra.

No ano de 1963, pastoreava a Igreja em Currais Novos, o Pr. Miguel Ferreira Campos e assistia a obra do Senhor em Santa Cruz, Lajes Pintadas, Campo Redondo, Cruzeta, Cerro-Corá, São Vicente, Florânia, Parelhas, Carnaúba dos Dantas e Acari. Da geração mais nova, o Pr. Miguel Campos, foi o primeiro obreiro a fixar residência em Santa Cruz/RN, ocasião em que assumia o campo no ano de 1966 (ano de seca brava), com a finalidade de construir um templo no bairro do paraíso e o fez. Era localizado à Rua Antônio Rafael.

Sabe-se que o terreno foi doado pelo então político Pedro Severino que no dia seguinte encostou três milheiros de tijolos, pedras para o alicerce e inclusive mandou cavá-los. Mais tarde se converteu a Cristo, através de uma literatura, testemunhava o Pr. Miguel Campos.

Este templo foi edificado em meio as muitas perseguições. Conta-se que muitos dos perseguidores sofreram com o peso da mão de Deus, por causa da oposição à marcha dos evangélicos assembleianos no município. O Pr. Miguel Campos viajava, fazendo a obra de Deus, de animais, carros de feiras, recebendo todo tipo de críticas. Porém, Cristo, o Comandante da Igreja recompensou as dores, os padecimentos, os esforços do seu servo e de toda Igreja daqueles dias.

O templo foi inaugurado em 10.09.67, com uma grande festa: Banda de música de Natal, um ônibus de irmãos de João Pessoa e de Natal; descrentes doaram três carneiros. Enfim, houve 12 decisões para Cristo.

Destacaram-se em apoio material os irmãos, alguns ainda vivos, outros já falecidos: Hercílio, Augusto Fernandes (Naquela época vice-prefeito da cidade), João Emidio, José Guedes, José Jofre Dantas, José Rodrigues Borges, José Trajano e Humberto Leite que inclusive foi quem fez a escritura. Portanto, o período do Pr. Miguel Campos na área foi de 1963 a 1968, sendo de 1966 a 1968 somente em Santa Cruz/RN, saindo para Lajes do Cabuji. Atualmente o Pr. Miguel Ferreira campos está jubilado desde janeiro/94 e ainda é dirigente de congregações, na capital do estado.

De 28.02.68 a 28.02.76, tomou posse na AD em Santa Cruz/RN, o Evangelista Francisco Bezerra da Silva, vindo de Lages do Cabuji, sucedendo o Pr. Miguel Ferreira Campos.

Irmã Zelita, Diná, Pr Fco Bezerra, Augusto Fernandes, Pr João Inácio Sobrinho, Zulmira e o esposo José Trajano - acervo Jesiel Bezerra.

Ficaram sob sua responsabilidade os seguintes municípios: Jaçanã, Lajes Pintadas, Campo Redondo, Barros Preto, Coronel Ezequiel, São Bento Trairi, Lagoa das Maria e Serra do Doutor. Cumpriu o ministério de um verdadeiro evangelista, muitas vezes a pé e passava dias fora do seu tão amado lar, fazendo a obra do Senhor. Era homem humilde, simples, profundamente amoroso e de larga visão pastoral. Pena que nos seus dias, a situação material da Igreja era bastante precária, não podendo nem lhe dar um sustento familiar digno. Entretanto, investiu, gastou a si próprio na Seara do Mestre. Na sua gestão criou uma escola de arte, denominada Betesda, mais tarde Corte e Costura. Era localizada no bairro do paraíso. Saiu de Santa Cruz para São José do Campestre, ocasião em que foi consagrado a pastor. Hoje, já dorme no Senhor, aguardando a verdadeira recompensa. A viúva Joaninha Bezerra da Silva reside em Santa Cruz/RN, com parte da sua prole.

No dia 28.02.76 recebia o cajado da lgreja em Santa Cruz, o Pr. Firmino Luiz da Silva, até fevereiro/80. Durante o seu pastorado houve cerca de 200 batismos com o Espírito Santo em todo campo. Verificou-se certo crescimento da Igreja nos seus dias. Adquiriu um fusca para a Igreja, tendo em vista melhor assistir o campo e ao sair deixou o mesmo. Na cidade de Jaçanã, construiu um templo. Começou a construção do templo do centro da cidade, chegando a rebocá-lo por dentro. Registramos que o terreno desde templo foi doação do falecido irmão José Marques Pinheiro, primeiro esposo da Irmã Joanita. De Santa Cruz/RN, o Pr. Firmino Luiz foi pastorear a Igreja de Passa e Fica/RN.

Vindo de Canguaretama/RN recebeu o cajado do Pr. Firmino Luiz, o Pr. João Inácio Sobrinho, em março/80 até o ano de 1987.Entre suas realizações, pela providência de Deus, destacamos:

a) A conclusão do templo sede do campo e casa pastoral, ainda hoje localizados à rua João Bionor Bezerra, 72 - centro.

b) Em toda a sua área de atuação, construiu cerca de dez templos. Além de pastor, era mestre de obra, pedreiro, encanador, eletricista, marceneiro, pintor, enfim um varão polivalente.

c) Na sua gestão verificou-se um acentuado crescimento da Igreja.

Naqueles dias veio a ficar viúvo e logo adiante casou com a irmã Ivone. De Santa Cruz/RN foi para Nísia Floresta/RN, sua terra natal, de onde passou para o Senhor.

Em seguida assumiu o pastorado da AD em Santa Cruz/RN, o Pr. Francisco Cícero de Miranda, posse em junho/87 até junho/93, oriundo da Igreja Central na Capital. Na sua gestão, pela graça de Deus, houve um crescimento notável da Igreja. Se fez necessário, reformar o templo sede quando foi construída uma galeria com capacidade para cerca de 200 pessoas. Entre outras realizações, deste ministro do evangelho, sob a boa mão de Deus, mencionamos:

a) O primeiro Congresso da Mocidade. Presidia a juventude local o irmão Abel Pereira de Macêdo Borges;

b) Criação do CASE - Centro de Assistência Social Evangélico;

c) Construção do Educandário Evangélico Francisco Bezerra da Silva, com ensino de Pré a Oitava Série, Primeiro Grau menor. O terreno foi doação do irmão Abel Pereira Macedo Borges. O Educandário foi reconhecido pela Secretaria de Educação, cujo culto de ação de graças foi realizado em 09.03.96;

d) Implantação do programa Palavra Verdadeira, na Rádio Santa Cruz/RN, o qual veio atingir altos índices de audiência, na programação daquela emissora;

e) Adquiriu uma Combe equipada com som, visando a evangelização;

f) Construiu um novo templo no bairro do paraíso, uma vez que o que era localizado na Rua Antônio Rafael, fora vendido na gestão do Pr. João Sobrinho, visando concluir o atual templo sede.

De Santa Cruz/RN, o Pr. Miranda, assumiu na capital potiguar a direção do Departamento de Evangelismo e Missões - DEPEM, no templo central, além de uma série de outras atividades.

Substituiu o Pr. Francisco Cícero de Miranda na AD Santa Cruz/RN, a partir de junho/93, o Pr. Ivan Gonçalves e permanece até a presente data desta narração.

No ano de 1993, assumiu a presidência da Assembleia de Deus no RN, o Pr. João Gomes da Silva.

Na gestão do Pr. Ivan Gonçalves, queremos destacar:

a) A construção de um templo no Conjunto Cônego Monte;

b) Aquisição de uma casa pastoral, transformando a que havia anexo ao templo, em Departamentos da lgreja;

c) Organizou a documentação pendente relativa ao patrimônio da Igreja, reativou o CASE e o antigo ponto de pregação na Caiçarinha do Carneiro, área rural da cidade.

Finalizando, registramos desculpas pelas possíveis omissões de alguns dados que não tomamos conhecimento, outros anotados dentro de certa probabilidade cronológica. E no mais, devemos observar que este relato se trata apenas um RESUMO HISTÓRICO da Assembleia de Deus em Santa Cruz/RN, minha terra natal. Eis portanto, a razão da iniciativa de fazê-lo com amor, dedicação e responsabilidade.

Demais informações, nomes e atos, cooperações de muitos outros servos e servas de Deus, que fizeram a História da Assembleia de Deus em Santa Cruz/RN, que pelas limitações e desinformação aqui não constam, porém, um dia, na glória, diante do Tribunal de Cristo, certamente cumprir-se-á Apocalipse 22.12: "E eis que cedo venho.  E o meu galardão está comigo, para dá a cada um segundo a sua obra”. Amém!

Santa Cruz/RN, 25 de março de 1997.

Fontes Consultadas:

História da IEADERN

Irmã Joaninha Bezerra da Silva (viúva do saudoso Pr Francisco Bezerra da Silva).

Jesiel Bezerra da Silva

Pr Miguel Ferreira Campos

Pr Humberto Ferreira Leite

Irmão Paulo Tavares de França

Presbítero Antônio Justino Dantas

Irmã Joanita Pereira Borges e José Rodrigues Borges

Abraão Pereira Macêdo Rodrigues Borges

Irmão Mariano Justino Dantas

Irmã Léia Pereira de Macêdo Borges Dantas


Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Um servo de Deus!

Natal/RN, publicação no blog em abril/2026.

Mina Brejuí - No Seridó do RN.

 

“A Mina Brejuí, localizada em Currais Novos (RN), é a maior mina de scheelita (minério de tungstênio) da América do Sul. Fundada em 1943 durante a Segunda Guerra Mundial, foi crucial para o fornecimento de minério para a indústria do aço e material bélico. Hoje, é um complexo turístico e geossítio com museu e visitas às galerias subterrâneas.

A mina impulsionou a economia e a infraestrutura de Currais Novos e região desde 1943. Transformada em parque temático em 2004, oferece visitação guiada às galerias subterrâneas desativadas, o Museu Mineral Mário Moa Porto e o Memorial Tomaz Salustino (fundador).

A região da Mina Brejuí, que já foi visitada por mais de 53.600 turistas, é considerada um dos principais atrativos turísticos da cidade”.

Fonte: Facebook – Jeito Nordestino – Pesquisa em 05/04/2026.

Transcrito por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 05/04/2026.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Mártires de Cunhaú (Canguaretama – julho de 1645) e de Uruaçu (São Gonçalo – outubro de 1645), no RN.

O pesquisador e pastor Francisco Leonardo, especialista em história holandesa, teve acesso a textos originais e oficiais do governo holandês, relativo ao período Brasil Holandês.


Brasil Holandês (Século XVII, 1624–1654) - Concentração no nordeste brasileiro (Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte).

Entre 1630 e 1637 - Os holandeses estenderam o seu domínio pelo Nordeste brasileiro e conquistaram regiões como a Paraíba e o Rio Grande do Norte.

A partir de 1637 - Foi enviado pela Companhia das Índias Ocidentais o alemão Maurício de Nassau para administrar a colônia holandesa. Ele era um militar e foi indicado para assumir o cargo e aqui permaneceu até 1643.

Desfecho: 06/08/1661 - Tratado da Haia ou Paz de Haia - Firmado entre Portugal a República das Sete Províncias dos Países Baixos – atuais Países Baixos). Com a assinatura do tratado, os territórios conquistados pela Holanda no Brasil, renomeados como Nova Holanda (ou Brasil Holandês) foram formalmente devolvidos a Portugal em troca de uma indenização de oito milhões de florins (Wikipedia – Pesquisa em 03/10/2025).

Há alguns que, de má fé, defendem a história de que um pastor reformado calvinista a mando do governo Holandês, esteve à frente dos massacres. Vamos aos fatos da fonte citada.

1.Não foi o governo holandês que ordenou os massacres. O que ocorreu foi uma vingança por parte dos indígenas em reação às notícias que corriam sobre as crueldades dos portugueses, ajudados por uma tribo selvagem da Bahia.

2.Desde o início da revolta (13/06/1645), cada vez ficava mais claro que, onde quer que os portugueses restabeleciam seu poder, uma morte terrível esperava seus adversários, especialmente os Índios.

3.No Rio Grande, a população indígena consistia em grande parte de índios antropófagos (tapuias), sob a liderança do seu cacique Nhanduí. Para os holandeses, os tapuias significavam um bando de aliados um tanto inconstantes, pois eram um povo muito independente, que não aceitava ordens de ninguém, mas decidia por si o que era melhor para sua tribo.

4.Nesse contexto histórico havia um personagem, o alemão Jacob Rabbi, funcionário da Companhia das Índias Ocidentais. Veio com o Conde Maurício de Nassau em 1637. Posteriormente, casado com uma índia e muito amigo da tribo, servia como ligação entre eles e o governo holandês.

5.Entre os indígenas da região Nordeste, em geral, existia muito ódio contra os portugueses, pela lembrança dos acontecimentos anteriores à chegada dos holandeses, que eram considerados como os libertadores da opressão lusa. E por várias vezes esses índios quiseram aproveitar-se da situação de derrota dos lusos, para vingar-se deles.

6.Em 1637, depois de Maurício de Nassau conquistar o Ceará, os índios procuraram matar todos os portugueses da região, os quais foram protegidos pelos holandeses.

7.Em 1645, a mesma situação ocorreu no Rio Grande do Norte. Os tapuias sentiram que, com o início da revolta contra os holandeses, havia chegado a hora da verdade: eram eles ou os portugueses. No dia 15 de julho, começaram por Cunhaú, massacrando as pessoas que estavam na capela e posteriormente, numa luta armada, os restantes.

8.Quando, no dia 25 de julho, o governo holandês no Recife soube dos terríveis acontecimentos do Rio Grande do Norte, despachou o Rev. Jodocus à Stetten, pastor da Igreja Cristã Reformada e capelão do exército, com o capitão Willem Lamberts e sua tropa armada “para refrear os tapuias e trazê-los para (o Recife), a fim de poupar o país e os moradores (portugueses)”.

9.Os índios, porém, ficaram enfurecidos com os holandeses, não entendendo como estes podiam defender seus inimigos mortais, e até romperam a frágil aliança com os batavos. Antes de regressar para o sertão do Rio Grande, fizeram ainda outra incursão vingadora contra os portugueses, desta vez na Paraíba.

10.Enfim, mencionamos o fim dos tapuias e de Jacob Rabbi. Alguns meses depois do massacre, esse funcionário da Companhia das Índias Ocidentais, que havia recebido o mensageiro governamental, pastor Jodocus, de pistola em punho, foi morto por ordem do próprio governador da capitania do Rio Grande do Norte, Joris Garstman, em 04/04/1646.

11.O capitão Joris era casado com uma senhora portuguesa que havia perdido muitos parentes em Cunhaú. Quanto aos tapuias, após a expulsão dos holandeses e a restauração do domínio português, aqueles que não quiseram submeter-se à orientação político-religiosa de Lisboa foram massacrados, como diz o Dr. Tarcísio Medeiros, na “mais sangrenta guerra de extermínio que existiu neste Brasil”.

12.Portanto, a versão de que as barbaridades de Cunhaú e Uruaçu foram consumadas a mando do governo holandês, e ainda por cima orientadas por um pastor evangélico, simplesmente não corresponde à verdade.

Fonte: Artigo “As Lágrimas de Cunhaú”

Rev. Francisco Leonardo Schalkwijk

(Adaptação Rev. Ítalo Reis). 

(artigo enviado, via WhatsApp em 02/10/2025, pelo Irmão e amigo o presbiteriano Francisco Nizardo Silva).

Resumo Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 03/10/2025.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Café Filho (1899-1970).

João Fernandes Campos Café Filho (1899-1970), nascido em Natal RN e falecido no Rio de Janeiro. Foi advogado, jornalista e político brasileiro. 


           Café Filho - Retrato Oficial 1954

Pais: João Fernandes Campos Café e Florência Amélia Café.  

Era casado com *Jandira Fernandes de Oliveira Café.

              Imagem tcm.noticias.com.br

*Nascida em 17 de setembro de 1903, Jandira era a filha de Ovídio Fernandes de Oliveira e Joana Hercília Teixeira de Carvalho. Em 1919, ela jogava futebol feminino como volante do time do Centro Sportivo Natalense quando conheceu seu futuro marido João Fernandes Campos Café Filho.

João era treinador do time em que Jandira jogava. Atleta e apaixonado por futebol, foi ele quem procurou o Centro Sportivo em 1919 para sugerir a criação de um time de futebol feminino.

Em 1920, João abandonou o esporte para começar a trabalhar com jornalismo e Jandira o acompanhou. Os dois ex-atletas se casaram em 1931. De 1951 até 1954, ela foi a "segunda-dama" do Brasil enquanto o marido assumia o cargo de vice-presidente de Getúlio Vargas.

Filho único: Eduardo Antônio de Oliveira Café, militar (19-09-1943 // 20-08-1974), falecido na Bahia, em acidente aeronáutico a serviço.

Primeiros anos

Entre 1918 e 1919 atuou como o primeiro goleiro do Alecrim Futebol Clube.

Formação: Colégio Estadual do Atheneu Norte Riograndense, Grupo Escolar Augusto Severo.

Em 1917, mudou-se para Recife, passando a trabalhar como comerciário para custear os estudos na Academia de Ciências Jurídicas e Comerciais. Retornou a Natal sem concluir seus estudos superiores, mas, mesmo assim, baseado na sua experiência prática junto aos tribunais, prestou concurso para advogado do Tribunal de Justiça, obtendo êxito.

Em 1921, Café Filho, começou a atividade regular no campo do jornalismo, quando fundou o Jornal do Norte.

Em 1925, voltou a morar em Recife, tornando-se diretor do Jornal A Noite.

Em 1929, mudou-se para o Rio de Janeiro, tornando-se redator do jornal A Manhã. Durante a Revolução de 1930, Café Filho transferiu-se para o Rio Grande do Norte, onde foi nomeado chefe de polícia.

Afastado da chefia de polícia, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como inspetor no Ministério do Trabalho até julho de 1934.

Carreira política

Em 1923 candidatou-se a vereador, sua primeira experiência política e foi derrotado.

Em 1928 candidatou-se novamente quando mais uma vez perdeu a disputa, em meio a denúncias de fraude.

Café Filho participou da Aliança Liberal na campanha de 1930.

Em 1933, fundou o Partido Social Nacionalista (PSN) do Rio Grande do Norte, e alguns anos mais tarde, o Partido Social Progressista com outros políticos, entre eles, Ademar Pereira de Barros.

De retorno ao Rio Grande do Norte, em 1934 e 1945 foi eleito Deputado Federal.

Anteriormente, em 14 de outubro de 1937, sua residência foi invadida pela polícia e seu cunhado Raimundo Fernandes foi preso. Café ficou escondido até 16 de outubro, quando o deputado José Matoso de Sampaio Correia conseguiu asilo político na embaixada da Argentina.

De novembro de 1937 a maio de 1938 esteve exilado na Argentina, visando evitar prisão no Brasil, por denunciar com frequência, na Câmara, a iminência do golpe.

Resumo da Era Vargas:

Governo Provisório: 1930-1934;

Governo Constitucional: 1934-1937;

Estado Novo (golpe e período ditatorial): 1937-1945. E foi deposto.

Eleições de 1950

Naqueles dias, o governador de São Paulo e líder do Partido Social Progressista – Ademar de Barros, impôs o nome de Café Filho à vice-presidência como condição de apoiar a candidatura de Getúlio Vargas. A escolha do vice era desvinculada do presidente.

Getúlio resistiu pois o nome de Café Filho desagradava militares e a Igreja Católica, que o consideravam um político de tendências esquerdistas.

Café Filho foi contra a aplicação da Lei de Segurança Nacional em 1935.

Em outubro de 1937, foi contra o estado de guerra solicitado pelo Governo com base no Plano Cohen, falso documento para legitimar a ditadura do Estado Novo. No parlamento fazia campanha contra o cancelamento do registro do PCB e a extinção do mandato dos parlamentares comunistas, além de ser defensor do divórcio.

Na chapa com Getúlio Vargas, Café Filho foi eleito vice-presidente com uma diferença de 200 mil votos para o segundo colocado, Odilon Duarte Braga da União Democrática nacional (UDN).

Além de ser eleito vice-presidente naquela eleição, Café Filho também foi reeleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (algo possível na legislação eleitoral da época).

Na ocasião, conseguiu ser o deputado federal mais votado de seu estado com mais de 19 mil votos, superando políticos como Aluízio Alves, Djalma Marinho, Valfredo Gurgel, Jerônimo Dix-huit Rosado e José Augusto Bezerra Medeiros. 

Na qualidade de o 13º vice-presidente da República, 1951 a 1954, Café Filho também assumiu a função de presidente do Senado Federal no mesmo período.

Em 20 de setembro de 1951 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, lealdade e Mérito de Portugal.

Após o atentado da rua Tonelero, o país entrou em grave crise política. Café Filho sugeriu, então, a Getúlio Vargas, que ambos renunciassem ao governo simultaneamente, abrindo as chances para um governo interino de coalizão. Vargas disse a Café que consultaria amigos e pensaria a respeito; consultou o ministro da justiça, Tancredo Neves, que recomendou rejeitar o plano, afirmando que era um golpe de Café Filho.

Getúlio avisou a Café Filho que não renunciaria. Café Filho respondeu que, rejeitada sua proposta, não devia mais lealdade a Getúlio: "Caso o senhor deixe desta ou daquela maneira este palácio, a minha obrigação constitucional é vir ocupá-lo".

Em 24 de agosto de 1954, com o suicídio de Vargas, assumiu a presidência, exercendo o cargo até novembro de 1955. Em 26 de abril desse ano foi agraciado com a Grã-Cruz da Banda das Três Ordens.

Assim sendo, foi o 18º presidente do Brasil de 24 de agosto de 1954 a 8 de novembro de 1955.

Foi o único potiguar e o primeiro cristão presbiteriano a ocupar a Presidência da República do Brasil (junto com Ernesto Geisel, até então, os únicos evangélicos que presidiram o Brasil).

Seu governo foi marcante pelas medidas econômicas liberais comandadas pelo economista Eugênio Gudin, defensor de uma política econômica ortodoxa, reduzindo gastos públicos como combate às dificuldades da economia, além de limitar o crédito, criar uma taxa única de energia elétrica (Fundo Federal de Eletrificação) e a retenção automática do imposto de renda sobre os salários, tendo como norte o combate à inflação.

Segundo o site da Presidência:

"Destacaram-se, ainda, em sua administração a criação da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, a inauguração, em janeiro de 1955, da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso e o incentivo à entrada de capitais estrangeiros no país, que repercutiria no processo de industrialização que se seguiu".

Para ter apoio parlamentar, Café Filho declarava o caráter provisório do seu governo e que não possuía maiores pretensões políticas. Foi, portanto, um governo conciliador, com a participação de militares, empresários e políticos.

Em 3 de novembro de 1955 foi afastado da presidência em razão de um distúrbio cardiovascular, assumindo em seu lugar o presidente da Câmara, Carlos Luz, que foi deposto logo em seguida por tentar impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.

Após a presidência, Café Filho trabalhou em uma imobiliária no Rio de Janeiro até ser nomeado em 1961 pelo governador Carlos Lacerda para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da Guanabara. Permaneceu como ministro até a sua aposentadoria, em 1969.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de fevereiro de 1970. E foi sepultado no Cemitério São João Batista, daquela cidade.

A antiga Av. Circular, entre a Praia do Meio e a dos Artistas, hoje tem o seu nome, Av. Presidente Café Filho. E um museu dedicado à sua história, no bairro Cidade Alta.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org – Pesquisa em 17/11/2024.

Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Pesquisa em 17/11/2024.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 27/12/2024.

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