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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A noiva perdida pelo tétano.

 


Em 10 de junho de 1909, Emma Sullivan, de apenas dezenove anos, pisou em um prego enferrujado faltando apenas uma semana para seu casamento com Thomas Murphy. O prego perfurou profundamente seu pé. Emma lavou o ferimento com água, envolveu-o em um pano e seguiu com os preparativos do casamento. Ocupada demais para procurar um médico, ignorou a dor, determinada a concentrar-se na cerimônia que se aproximava.

Em 15 de junho, cinco dias após o ferimento, Emma começou a sentir rigidez na mandíbula. No início achou que fosse estresse causado pelo casamento e não deu importância. Mas, ao anoitecer, sua mandíbula travou completamente. As bactérias do prego haviam causado tétano, liberando toxinas que atacaram seu sistema nervoso. Sua mãe chamou um médico, que reconheceu imediatamente o temido trismo (lockjaw). Ele sabia que a doença era quase sempre fatal quando os sintomas apareciam. Emma não viveria para ver seu dia de casamento.

Em 16 de junho, Thomas visitou Emma enquanto seu estado piorava. Seu corpo ficou rígido, as costas arqueadas e ela passou a sofrer espasmos musculares agonizantes. Incapaz de falar, chorava e emitia sons através dos dentes cerrados. Thomas segurou sua mão, e ela apertou de volta, tentando se comunicar. Ambos sabiam que ela estava morrendo. Com o casamento marcado para o dia seguinte, Thomas tomou uma decisão devastadora: ele se casaria com Emma naquela mesma noite.

À beira da cama, Emma permanecia rígida, com a mandíbula completamente travada. O padre permitiu a cerimônia. Quando perguntado se ela aceitava Thomas como marido, Emma piscou uma vez, dizendo sim. Thomas pronunciou seus votos entre lágrimas, colocou a aliança em seu dedo endurecido e beijou sua mandíbula imóvel. Naquele momento, ele se tornou seu marido — mesmo enquanto ela morria diante dele.

Emma faleceu às 4h30 da manhã de 17 de junho de 1909 — a manhã do dia de seu casamento. Ela e Thomas haviam sido casados por apenas doze horas. Seus últimos momentos foram marcados por espasmos violentos e convulsões sufocantes, mas ela permaneceu consciente o tempo todo, ciente de seu destino, ciente de que aquele era seu dia de casamento e ciente de que Thomas agora era seu viúvo.

Quando os convidados chegaram à igreja naquela manhã, foram informados de que a noiva havia morrido. O casamento se transformou em um funeral. Vestidos com roupas de casamento, eles compareceram ao enterro de Emma em vez da cerimônia. Ela foi sepultada usando seu vestido de noiva, manchado de sangue pelos espasmos que dilaceraram seu corpo. Thomas permaneceu ao lado do túmulo, vestindo seu traje de casamento — marido por menos de doze horas, viúvo para o resto da vida.

A mãe de Emma jamais se perdoou, acreditando que deveria ter insistido para que a filha procurasse um médico. Com cuidados adequados, o tétano poderia ter sido evitado. Em vez disso, um simples prego enferrujado tirou a vida de sua filha em apenas sete dias. Thomas nunca se casou novamente. Ele usou sua aliança até morrer, em 1954, aos sessenta e quatro anos, fiel à memória de Emma por quarenta e cinco anos.

Antes de morrer, Thomas contou a história ao sobrinho:

“Casei com Emma em 16 de junho de 1909. Ela estava morrendo de trismo. Não conseguia falar. Corpo rígido. Mandíbula travada. Ela piscou para dizer sim quando o padre perguntou se ela me aceitava como marido. Morreu doze horas depois. No nosso dia de casamento. Eu a enterrei com o vestido de noiva. Tivemos doze horas de casamento. Ela passou essas horas morrendo. Eu passei essas horas vendo-a morrer. Usei esta aliança por quarenta e cinco anos. Nunca a tirei.”

O túmulo de Emma traz a inscrição:

“Emma Sullivan Murphy (1890–1909), Filha amada, Noiva e Esposa

Casou-se e morreu em junho de 1909.”

Thomas encomendou a lápide como o único memorial de seu casamento de doze horas. Quando morreu em 1954, foi enterrado ao lado dela, reunidos após quarenta e cinco anos — juntos para sempre, como haviam planejado no dia do casamento.

Fonte: Facebook – Estudos históricos - Publicado em 31/01/2026.

domingo, 5 de janeiro de 2025

A carta de *Pôncio Pilatos para Tibério César.

 *Governador da província romana da Judeia

Publicação no iephse.blogspot.com, em 20/02/2017.

Este é um reimpresso de uma carta de Pôncio Pilatos para Tibério César que descreve a aparência física de Jesus. As cópias estão na Biblioteca Congressional em Washington, D.C. É bem provável que tenha sido escrita nos dias que antecederam à crucificação.

Para Tibério César (Imperador romano de 14 a 37 da era cristã):

“Um jovem homem apareceu na Galileia que prega com humilde unção, uma nova lei no nome do Deus que o teria enviado. No princípio estava temendo que seu desígnio fosse incitar as pessoas contra os romanos, mas meus temores foram logo dispersados. Jesus de Nazaré falava mais como um amigo dos romanos do que dos judeus. Um dia observava no meio de um grupo um homem jovem que estava encostado numa árvore, para onde calmamente se dirigia a multidão. Me falaram que era Jesus. Este eu pude facilmente ter identificado tão grande era a diferença entre ele e os que estavam lhe escutando. Os seus cabelos e barba de cor dourada davam a sua aparência um aspecto celestial. Ele aparentava aproximadamente 30 anos de idade. Nunca havia visto um semblante mais doce ou mais sereno. Que contraste entre ele e seus portadores com as barbas pretas e cútis morenas! Pouco disposto a lhe interromper com a minha presença, continuei meu passeio mas fiz sinal ao meu secretário para se juntar ao grupo e escutar. Depois, meu secretário informou nunca ter visto nos trabalhos de todos os filósofos qualquer coisa comparada aos ensinos de Jesus. Ele me contou que Jesus não era nem sedicioso nem rebelde, assim nós lhe estendemos a nossa proteção. Ele era livre para agir, falar, ajuntar e enviar as pessoas. Esta liberdade ilimitada irritou os judeus, não o pobre, mas o rico e poderoso.

Depois, escrevi a Jesus lhe pedindo uma entrevista no Praetorium. Ele veio. Quando o Nazareno apareceu eu estava em meu passeio matutino e ao deparar com ele meus pés pareciam estar presos com uma mão de ferro no pavimento de mármore e tremi em cada membro como um réu culpado, entretanto ele estava tranquilo. Durante algum tempo permaneci admirando este homem extraordinário. Não havia nada nele que fosse rejeitável, nem no seu caráter, contudo eu sentia temor na sua presença. Eu lhe falei que havia uma simplicidade magnética sobre si e que a sua personalidade o elevava bem acima dos filósofos e professores dos seus dias.

Agora, ó nobre soberano, estes são os fatos relativos a Jesus de Nazaré e eu levei tempo para lhe escrever em detalhes estes assuntos. Eu digo que tal homem que podia converter água em vinho, transformar morte em vida, doença em saúde; tranquilizar os mares tempestuosos, não é culpado de qualquer ofensa criminal e como outros têm dito, nós temos que concordar – verdadeiramente este é o Filho de Deus.

Seu criado mais obediente, Pôncio Pilatos”.

Adendo do blog do samuca-borges.blogspot.com:

Jesus nasceu em Belém da Judeia, reinava Herodes, o grande (37 a.C. a 1 d.C.), sob o Império Romano, no governo o seu fundador e 1º Imperador César Augusto (27 a.C. a 14 d.C.).

Pôncio Pilatos foi um governador romano da província da Judeia, que condenou Jesus à morte por insistência dos sacerdotes judeus. Governou entre os anos 26 e 36 da era cristã. Como representante de Roma na região, resolvia questões administrativas, financeiras, militares e judiciais. 

Jesus sendo julgado por Pilatos, em pintura de 1881 do pintor húngaro Mihály Munkácsy.

É possível que Pilatos tenha sido nomeado pelo imperador Tibério César, que havia sucedido César Augusto. Tibério César foi o 2º imperador romano entre os anos 14 e 37 da era cristã. E viveu de 42 a.C. a 37 d.C.).


 Imperador romano Tibério César 

Fontes:

iephse.blogspot.com – Pesquisa em 27/08/2023.

ebiografia.com.br

Postado por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 05/01/2025.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Viúvas na Índia.

 

Segundo o censo de 1991, 8% de todas as mulheres da Índia são viúvas, o que significa cerca de 34 milhões de pessoas. Como o costume é o casamento das meninas muito novinhas, 50% das viúvas têm menos de 50 anos de idade.

No grupo acima de 60 anos, 64% das mulheres são viúvas, enquanto que apenas 6% dos homens são viúvos. Essa diferença brutal de gênero existe por causa da alta incidência de viúvos que se casam novamente, enquanto que um novo casamento, na prática, continua sendo uma opção bastante improvável para as mulheres.

Apesar dos números, sabe-se pouco sobre a vida dessas mulheres, na Índia. A marginalização as torna invisíveis. O que sabemos é que elas vivem em completa pobreza, desemprego, sem acesso aos meios de produção, sem educação formal e sofrendo por superstições que ainda estão bastante arraigadas na cultura indiana.

Em 1956, um ato hindu estabeleceu que as viúvas devem ser consideradas iguais a todas as mulheres, mas a tradição fala mais alto.

Por causa de todas privações que passam, as viúvas têm um índice de mortalidade 85% maior que as mulheres casadas. Apesar das péssimas condições dessas Casas de Viúvas, muitas preferem viver nelas do que ficar com a família do ex-marido, sendo constantemente abusadas sexual e fisicamente.

As Casas de Viúvas são empreendimentos mercenários, existem denúncias de que, apesar das mulheres viverem em completa miséria, os administradores fazem muito dinheiro, pedindo ajuda financeira e vendendo serviços sexuais das jovens viúvas.

“Sem um homem ao seu lado, uma mulher não tem respeito na sociedade indiana. Isso é parte da cultura patriarcal”, afirma uma militante do movimento de mulheres.

Parece incrível, mas isso tudo continua acontecendo hoje. Será que a gente não tem mesmo nada a ver com isso? Quando eu fui pra Índia, escrevi sobre a situação da mulher por lá (vejam ai abaixo), falando sobre as mulheres queimadas por causa dos dotes, e uma criatura me criticou porque eu devia me preocupar com as mulheres do Brasil.

Não consigo estabelecer fronteiras para a humanidade. Me preocupo do mesmo jeito com minhas amigas que vivem em favelas, no Brasil as viúvas indianas e as mulheres com AIDS na África. Somos todas irmãs.

O que é que a gente pode fazer? Falar no assunto, procurar saber o que fazem os grupos de mulheres. Se você faz doação, considerar doar para grupos que trabalham com essas mulheres. No mais, pelo menos se sensibilizar, acho que é um bom começo.

Fonte: http://sindromedeestocolmo.com - Pesquisa em 27/07/2012.


Por Samuel Pereira Macedo Borges

Natal RN, 14/11/2024.

domingo, 19 de maio de 2024

Chica da Silva

Chica da Silva (1732-1796) foi uma escrava brasileira alforriada que ficou famosa pelo poder que exerceu no arraial do Tijuco, hoje a cidade mineira de Diamantina. Manteve uma relação de concubinato com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira.

Chica da Silva foi uma negra que se tornou uma das mulheres mais importantes da sociedade colonial elitista de Minas Gerais do século XVIII.

Francisca da Silva nasceu no Arraial do Tijuco, atual cidade de Diamantina, Minas Gerais, em 1732, época em que o Brasil se tornou grande produtor de diamantes. Filha do português, capitão das ordenanças, Antônio Caetano de Sá e da africana Maria da Costa, foi escrava de um proprietário de lavras, o sargento-mor Manoel Pires Sardinha, com quem teve um filho chamado Simão Pires Sardinha, que alforriado pelo pai, recebeu seus bens em testamento.

Alforria e Luxo

Com 22 anos, Chica da Silva foi comprada pelo rico desembargador João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes, que chegou ao Arraial do Tijuco em 1753. Depois de alforriada, passou a viver com o contratador mesmo sem matrimônio oficial. Chica da Silva passou a ser chamada oficialmente Francisca da Silva de Oliveira. O casal teve 13 filhos e todos receberam o sobrenome do pai e boa educação.

Chica da Silva, mulata, frívola e prepotente, impôs-se de tal forma que o rico português atendia a todos os seus caprichos. O maior deles, como não conhecia o mar, pediu ao marido para construir um açude, onde lançou um navio com velas e mastros, igual às grandes embarcações.

Chica da Silva vivia em uma magnífica casa construída nas encostas da serra de São Francisco, onde promovia bailes e representações. Era dona de vários escravos que cuidavam das tarefas domésticas de sua casa. Só ia à Igreja ricamente vestida e coberta de joias, seguida por doze acompanhantes. Consta que muitas pessoas se curvavam à sua passagem e lhe beijavam as mãos.

Fim da União

João Fernandes de Oliveira foi acusado de contrabandear diamantes, chegou a ser preso e perdeu parte de seus bens. Mesmo assim, possuía uma das maiores fortunas do Império Português. A união do casal, que durava 15 anos, foi interrompida, em 1770, quando João Fernandes retornou a Portugal, depois da morte de seu pai, a fim de resolver questões de herança familiar, levando com ele os quatro filhos homens que teve com Chica da Silva. Lá, adquiriram educação superior e alcançaram cargos importantes na administração do reino.

Chica da Silva ficou no Brasil com as filhas e a posse das propriedades do marido, o que lhe permitiu continuar vivendo no luxo. Suas filhas estudaram prendas domésticas e música. Mesmo sem viver com João Fernandes pelo resto de sua vida, Chica da Silva conseguiu distinção social e respeito na sociedade elitista de Minas Gerais do século XVIII.

Chica da Silva convivia com a elite branca local. Em seu testamento, doou parte de seus bens às irmandades religiosas do Carmo e de São Francisco, que eram exclusivas de brancos, às das Mercês, exclusivas dos mestiços, e a do Rosário dos Pretos, que eram reservadas aos negros.

Chica da Silva faleceu em Serro Frio, Minas Gerais, no dia 15 de fevereiro de 1796. Foi sepultada na irmandade religiosa de São Francisco de Assis, exclusiva dos brancos.

Por Dilva Frazão - Biblioteconomista e professora

Fonte: www.ebiografia.com – Pesquisa em 19/05/2024.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Proclamação da República (1889)

 *Thiago Souza - Professor de História

A Proclamação da República ocorreu no dia 15 de novembro de 1889. Nessa data histórica, a Monarquia chegou ao fim e a Era Republicana teve início no Brasil, instaurando o regime presidencialista. O primeiro presidente do Brasil foi Marechal Deodoro da Fonseca.

Quem proclamou a República do Brasil?

A república foi proclamada por Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), principal chefe do exército brasileiro.

 

A nota de 50 CRUZEIROS apresenta em seu anverso, efígie do Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), enquanto em seu reverso, observamos painel de autoria de Cândido Portinari, representando a colheita do café. A nota circulou no período de 15 de maio de 1970 a 30 de junho de 1984.

Ele foi escolhido para liderar um grupo de militares que preparam um levante militar. Dentre esses militares, se destacou Benjamin Constant (1836-1891).

Deodoro da Fonseca estava doente. Para convencê-lo a liderar o levante, os militares ocultaram-lhe que o objetivo principal do mesmo era derrubar a monarquia, especialmente pelo fato de que o Marechal era amigo do então imperador Dom Pedro II.

Assim, para confundir o Marechal, as tropas se reuniram no Campo de Santana, no centro do Rio de Janeiro, e derrubaram o gabinete do Visconde de Ouro Preto (1836-1912). Naquele momento, a república não havia sido proclamada.

Somente mais tarde, com Deodoro já de volta a sua casa, vários políticos insistiram para que ele assinasse um documento declarando a extinção da monarquia. Alegavam que o imperador iria nomear o político Silveira Martins (1835-1901) no lugar do Visconde de Ouro Preto.

Como Silveira Martins era um antigo desafeto do Marechal Deodoro, este assinou a moção da república, e passou a ser o Chefe do Governo Provisório.

Com isso, a Proclamação da República representou o fim do Brasil Império que havia durado cerca de 70 anos. Dom Pedro II, que era o imperador, foi banido do Brasil com a sua família, e embarcaram rumo à Europa na madrugada do dia 17 de novembro.

A população somente soube mais tarde desses acontecimentos, pois para evitar uma guerra civil no Brasil, Dom Pedro II não quis chamar seus aliados.

Por que aconteceu a Proclamação da República?

A Proclamação da República aconteceu porque a elite brasileira estava insatisfeita com o reinado de D. Pedro II (1825-1891). Essa insatisfação pode ser notada em grupos importantes do cenário político nacional: militares, cafeicultores e a Igreja Católica.

Perder o apoio desses importantes grupos levou D. Pedro II a ficar mais suscetível politicamente, ocasionando o golpe militar que o retirou do trono ocupado ao longo de 49 anos.

Os militares sentiam-se desprestigiados, pois desde a *Guerra do Paraguai (1864-1870) pediam aumentos salariais e uma maior participação no governo.

*reflexo da consolidação das nações da Bacia Platina (Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai) e resultou em enorme destruição e grande saldo de mortos.

Além disso, vários apoiavam o Positivismo, tanto na sua versão religiosa como filosófica, o que impulsionou o movimento republicano.

Já os cafeicultores, após a promulgação das leis em favor da abolição gradual, e sem indenização, estavam cada vez mais descontentes.

Os fazendeiros do oeste paulista exigiam mais autonomia e participação política.

Em 1888, com a abolição da escravatura no Brasil, os ex-proprietários de escravos se voltaram contra D. Pedro II, uma vez que esse fato acarretou o aumento dos custos da produção cafeeira.

Por fim, a Igreja Católica retirou apoio ao imperador após conflitos envolvendo a maçonaria. O papa Pio IX, em 1864, escreveu uma bula (documento oficial) indicando que os membros da maçonaria deveriam ser excomungados.

Como alguns membros importantes do governo de D. Pedro II eram maçons, o imperador decidiu não aceitar essa ordem, gerando atritos com membros do clero, que não aceitaram essa imposição de poder sobre uma decisão papal.

Perder esses apoios foi fundamental para sua queda, em 1889.

Primeiros anos da República do Brasil

O Governo Provisório previa um referendo para que a população escolhesse entre o regime monárquico parlamentarista ou a república. Tal consulta só seria realizada 103 anos depois.

O Marechal Deodoro organizou os símbolos da República como o Hino Nacional Brasileiro, a Bandeira do Brasil e também a política nacional.

 
A bandeira do Brasil República indica as cores da bandeira do Império. O verde representa a dinastia dos Bragança, o amarelo, a dos Habsburgo.

O presidente e o vice-presidente eram escolhidos por eleição. Importante ressaltar que ambos não concorriam na mesma chapa, sendo eleitos separadamente. Assim, foram eleitos Deodoro da Fonseca, como presidente, e o Marechal Floriano Peixoto (1839-1895), como vice-presidente.

Como os dois primeiros Chefes de Governo e Estado eram do Exército, os primeiros anos da República ficaram conhecidos como a República da Espada.

*Thiago Souza - Graduado em História pela Universidade Estadual de Londrina em 2018. Ministra aulas de História desde 2018 para turmas do Fundamental II e Ensino Médio.

Adendos do Blog:

Dom Pedro II – O último imperador do Brasil

D. Pedro II nasceu no Palácio de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista), Rio de Janeiro, Brasil, no dia 02 de dezembro de 1825. Filho do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Maria Leopoldina.

Dom Pedro II (1825-1891) foi o segundo e último Imperador do Brasil. Tornou-se príncipe regente aos cinco anos de idade quando seu pai Dom Pedro I abdicou do trono e retornou a Portugal. Aos 15 anos foi declarado maior e coroado Imperador do Brasil. Casou-se com Tereza Cristina Maria em 1843. Seu reinado que durou quase cinquenta anos teve início no dia 23 de julho de 1840 e terminou no dia 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República.

Em 16 de novembro, ele recebeu o informe de que sua família deveria abandonar o Brasil em até 24 horas. Na madrugada do dia 17 de novembro, D. Pedro II e sua família embarcaram em direção a Portugal. D. Pedro II nunca mais retornou ao Brasil, e faleceu de pneumonia, na França, em 5 de dezembro de 1891.

O governo de Floriano Peixoto estendeu-se de 1891 a 1894, sendo o segundo Presidente da República da história brasileira. Peixoto era um militar que assumiu a presidência depois que Deodoro da Fonseca renunciou ao cargo, em novembro de 1891. Ele ficou conhecido na história brasileira como “o marechal de ferro” por sua ação em reprimir duas revoltas durante sua administração.


A cédula de 100 CRUZEIROS, este, representado em seu anverso por efígie do Marechal Floriano Peixoto (1839-1895), trazendo em seu reverso, vista do Congresso Nacional, em Brasília-DF, obra projetada por Oscar Niemeyer. A nota circulou de 15 de maio de 1970 a 30 de junho de 1987.

“O país se tornou um Estado laico e o presidencialismo tornou-se o sistema de governo. A organização da república tomou forma quando foi promulgada uma nova Constituição no ano de 1889”.

Para a professora Cláudia Viscardi: ''A República significa isso, pelo bem do povo e pelo bem público. Então, é preciso defendê-la e preservá-la".

Fontes:

todamateria.com.br – Pesquisa em 15/11/2022.

g1.globo.com -  Pesquisa em 15/11/2022.

Ebiografia.com/dom Pedro II – Pesquisa em 15/11/2022.

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN – 15/11/2022.

domingo, 16 de outubro de 2022

Império Bizantino - Resumo

 

Em 395 d.C., o Império Romano estava em declínio e o imperador Teodósio propôs uma solução para a crise: dividir o imenso território de Roma em duas partes. Assim, o império foi dividido em ocidente, capital Roma e ao oriente, capital Constantinopla.  

A antiga cidade de Bizâncio, fundada pelos gregos em 667 a.C., havia sido conquistada pelos romanos em 330 d.C. E anexada ao império. Naquele ano, o imperador Constantino (306-337 d.C.) decidiu rebatizar a cidade com o nome de Constantinopla.

Voltando no tempo, nos dois primeiros séculos da Era Cristã, a Igreja Primitiva esteve sob perseguição serrada do Império Romano. Os apóstolos não comungavam do culto aos césares. Tinham respeito às autoridades constituídas. O Cânon sagrado do Novo Testamento estava em formação. Muitos cristãos pagaram com suas vidas a fé que professavam. E só quando foi promulgado, por volta de 313, o Édito de Milão é que foi proibida à perseguição dos cristãos. E por volta de 380 d.C. o imperador Teodósio oficializou o Cristianismo religião do Império Romano.

A Igreja Cristã recebeu o nome de Católica somente no ano 381, no concílio de Constantinopla com o decreto “CUNCTOS POPULOS’ dirigido pelo imperador romano Teodósio (documentário o Estado do Vaticano – Pr. Lauro de Barros Campos).

A divisão do Império, levou Constantinopla, do lado oriental, a ganhar importância e se desenvolveu economicamente pelo comércio. Enquanto o Império Romano do Ocidente caia junto à Roma, que era saqueada pelos bárbaros, a parte oriental, Constantinopla permanecia praticamente intacta.

Com a queda de Roma, em 476 d.C. o Império Bizantino passou a ser o herdeiro das tradições romanas e sobreviveu mais mil anos.

O Império Bizantino atingiu seu apogeu durante o reinado de Justiniano. De 527 até 565, Justiniano governou o império oriental e tratou de expandir o território bizantino, chegando mesmo a reconquistar o que havia sido perdido pelos romanos ocidentais com a invasão bárbara. As tropas bizantinas reconquistaram Roma, o norte da África e a península Ibérica, que haviam sido conquistados pelos germânicos.

O governo bizantino se concentrava nas mãos do imperador. Ele detinha o poder absoluto. O Senado perdeu sua força política e se tornou apenas um conselho honorário.

A Cultura

A cultura bizantina era uma mistura de influências romanas, helenísticas e orientais. A cidade de Constantinopla era um importante centro comercial e cultural, e foi dali que o cristianismo se expandiu. Adotaram o grego como idioma oficial no século VII e mantiveram constantes relações com os povos asiáticos.

A Sociedade

A sociedade bizantina era patriarcal e não abria espaço para a participação das mulheres, que eram a metade da população. As classes sociais eram os pobres, os camponeses, os soldados e os comerciantes. Os integrantes da Igreja Ortodoxa tinham participação efetiva na administração do império. Os funcionários públicos gozavam de prestígio na sociedade em razão do cargo que ocupavam na estrutura burocrática do império.

A Arte

A arte bizantina teve influência do cristianismo em suas produções. Com o poder do imperador atingindo o âmbito religioso, ele também se tornou uma figura marcante e presente nas obras artísticas feitas no império. Nas pinturas, o imperador era retratado ao lado da figura de Jesus Cristo, uma alusão a ele ser o mensageiro entre os homens e o céu.

A Religião

O imperador bizantino teve papel ativo nas atividades eclesiásticas. Ele era o pontífice máximo e considerado o mensageiro de Jesus Cristo e responsável pela propagação da mensagem cristã. Surgia assim o cesaropapismo, ou seja, o imperador era chefe político e da Igreja. A crise de Roma fez com que Constantinopla se transformasse no centro da cristandade. A doutrina cristã estava atrelada às ordens do imperador, que publicava decretos regulando sobre a crença dos seus súditos.

A questão da veneração das imagens foi uma das grandes polêmicas religiosas do Império Bizantino. A Igreja Oriental não admitia a veneração às imagens de santos, e os ícones deveriam ser bidimensionais. Por conta dessa disputa, várias imagens foram destruídas.

Faz-se necessário citar também um grave surto de iconolatria (adoração de imagens) nos domínios do Império Bizantino. O que levou ao movimento iconoclasta. Biblicamente não há diferença entre iconolatria e idolatria, assim como não existe diferença entre venerar e adorar. São argumentos falsos do romanismo para defender o culto às imagens de esculturas religiosas.

Foi o período chamado de Iconoclastia (726-843 d.C.). Assim, muitas obras de arte se perderam enquanto não se chegou um acordo sobre a relação da veneração das imagens.

A Igreja Oriental utilizava a língua local nos seus cultos e não admitiam as imagens tridimensionais. Já a Igreja no Ocidente não reconhecia o Imperador como um chefe, empregava o latim nas suas cerimônias e veneravam esculturas.

As diferenças culturais entre Oriente e Ocidente e as disputas pelo poder entre o Papa e o Imperador, culminaram na divisão da Igreja, em 1054, criando uma cristandade ocidental, chefiada pelo Papa; e uma oriental, chefiada por um colegiado de bispos e o imperador. Esse fato recebeu o nome de Cisma do Oriente. Foi a primeira divisão da cristandade. Então, passaram a coexistir a Igreja Católica Romana e no Oriente a Igreja Católica Ortodoxa.

A Igreja Católica Ortodoxa foi responsável por cristianizar lugares como a Rússia, Bulgária, a Península do Balcãs, entre outros.

A Queda do Império Bizantino

Após o auge do governo Justiniano, no século VI, o Império Bizantino não expandiu mais seu território. Seguiram-se anos de prosperidade, onde os bizantinos desenvolveram um dos maiores impérios da Idade Medieval.

Por outro lado, com a conversão dos árabes ao islamismo, no séc. VII, vários monarcas muçulmanos passam a atacar as fronteiras do Império Bizantino e ocupá-lo.

Durante a Baixa Idade Média (séculos X a XV), além das pressões dos povos e impérios nas suas fronteiras orientais e perdas de territórios, o Império Bizantino foi alvo da retomada expansionista ocidental. A Quarta Cruzada foi particularmente nociva à Constantinopla. Ao invés dos cruzados atacarem Jerusalém, preferiram guerrear contra um império cristão e ainda instalaram ali o Patriarcado Latino.

Com a expansão dos turcos-otomanos no século XIV, tomando os Bálcãs e a Ásia Menor, o império acabou reduzido à cidade de Constantinopla.

O predomínio econômico das cidades italianas ampliou o enfraquecimento Bizantino, que chegou ao fim em 1453, quando o sultão Maomé II destruiu as muralhas de Constantinopla com poderosos canhões.

Os turcos transformaram-na em sua capital, passando a chamá-la de Istambul, como é conhecida hoje. O que restou do império turcos-otomanos (1300-1923) é atualmente o território da Turquia.

Fontes:

Crédito editorial

[1] AlpKaya / Shutterstock.com

Por Carlos César Higa

Professor de História

HIGA, Carlos César. "Império Bizantino"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/imperio-bizantino.htm. Acesso em 11 de outubro de 2022."

Juliana Bezerra - Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.

Com adendos do Blog samuca-borges.blogspot.com.br

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 16/10/2022

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Lenda Judaica

 

Deus convidou um Rabino para conhecer os céus e o inferno. Ao abrirem a porta do inferno, viram uma sala em cujo centro havia um caldeirão onde se cozinhava uma suculenta sopa.

Em volta dela, estavam sentadas pessoas famintas e desesperadas. Cada uma delas segurando uma colher de cabo tão comprido que lhe permitia alcançar o caldeirão, mas não suas próprias bocas. O sofrimento era imenso!

Em seguida, Deus levou o rabino para conhecer o céu. Entraram em uma sala idêntica a primeira, havia o mesmo caldeirão, as pessoas em volta, colheres de cabo comprido. A diferença é que todos estavam saciados.

Eu não compreendo, disse o Rabino, por que aqui as pessoas estão felizes, enquanto que na outra sala morrem de aflição, se é tudo igual?

Deus sorriu e lhe respondeu:

Você não percebeu? É porque aqui eles aprenderam a dar comida uns aos outros.

Lição: Todos temos carências. Com a cooperação recíproca o coletivo seria uma espécie de céu e não um inferno onde muitos vegetam e padecem.

 

Samuel P M Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN – Setembro de 2022.

domingo, 6 de março de 2022

Holodomor – Morte pela fome

Eis um dos motivos porque a Ucrânia quer sair de baixo do braço de ferro russo. Existe sim, na verdade, ressentimentos históricos. Os dois povos têm origem eslava.

Os chamados povos eslavos são um povo de origem indo-europeia e localizam-se na região central e oriental da Europa já há mais de cinco mil anos. No ramo indo-europeu de povos, os quais habitam atualmente todo o velho continente, além da Península Índica e diversas partes da Ásia, há um numeroso grupo denominado eslavo. Os descendentes dos eslavos hoje são os sérvios, os tchecos, os russos e bielo-russos, os polacos, os croatas, os búlgaros, os ucranianos, os macedônios, os eslovenos e eslovacos, e os lusácios.

Monumento em Kiev, capital ucraniana, em homenagem aos mortos do Holodomor.


O Holodomor consistiu no genocídio de milhões de ucranianos pela fome. Isso ocorreu em virtude da política econômica de Stalin no início dos anos 1930.

*O Stalinismo foi um regime totalitário de caráter comunista ocorrido na União Soviética, de 1927 a 1953, durante o governo do ditador Josef Stalin (1878-1953). O governo stalinista promoveu a coletivização de terras e industrializou a Rússia até transformá-la na segunda potência industrial do mundo.

Só que as custas de muitas vidas nas Repúblicas vinculados à URSS, na época. Entre elas, a Ucrânia. Foi na verdade um Estado de terror descomunal.

URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - formada em 1922 após a Guerra Civil Russa, foi uma nação que existiu até 1991, quando foi dissolvida. No continente europeu, foi formado por Rússia, Estônia, Letônia, Lituânia, Belarus, Ucrânia, Moldova, Geórgia, Armênia e Azerbaijão. No continente asiático, parte da Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Turcomenistão compuseram o território soviético.

Características do Stalinismo:

Imposição de um Estado de terror;

Economia planificada, isto é, centralizada no Estado;

Ação governamental baseada nos arbítrios do líder;

Forte propaganda política;

Nacionalismo extremo;

Culto à personalidade do líder.

O que foi e o que quer dizer Holodomor?

A palavra “Holodomor” vem do idioma ucraniano e significa “morte por fome”. Essa palavra é utilizada para descrever a morte de milhões de ucranianos no início dos anos 1930 pela fome calculada e programada pelo Estado soviético, que à época era comandado por Josef Stalin. O holodomor é considerado pelos ucranianos e por outras nações como um genocídio (isto é, a tentativa de eliminação radical de uma parcela expressiva de determinado povo). Não é por acaso que muitos historiadores comparam-no ao holocausto contra os judeus, arquitetado pelos nazistas.

Como ocorreu o Holodomor?

Stalin ascendeu ao poder máximo da União Soviética no fim da década de 1920. Uma das medidas mais imediatas que tomou dizia respeito à produção agrícola tanto da Rússia quantos dos outros países vinculados à URSS. A Ucrânia era um desses países. Stalin passou a desenvolver um mecanismo de controle da produção de cereais dos camponeses soviéticos. Para tanto, passou a exigir desses camponeses uma requisição compulsória de grande parte do que era produzido. Dessa forma, a atividade agrícola seria administrada pela burocracia estatal, e não pelos proprietários das terras cultiváveis. Além disso, outra medida foi tomada: a desapropriação das terras cultiváveis, que seriam “coletivizadas”, isto é, passariam também ao domínio do Estado soviético.

A Ucrânia estava entre os principais produtores de cereais da URSS. Todavia, tradicionalmente, os ucranianos não se subordinavam aos russos e, de imediato, não obedeceram às determinações de Stalin. Como resposta à desobediência ucraniana, Stalin ordenou que a requisição de alimento na Ucrânia fosse “exemplar”, isto é, seria estimada uma porcentagem de fornecimento de alimentos muito maior do que nas outras regiões. Ao mesmo tempo em que as exigências direcionadas aos camponeses eram feitas, a polícia soviética tratou de eliminar toda e qualquer liderança política e intelectual que pudesse despontar na Ucrânia e organizar uma possível revolta.

Em 1929, começaram as imposições de metas de fornecimento de cereais ao poder central soviético. A demanda era tão grande que os camponeses tinham que deixar de consumir a parte destinada à sua própria sobrevivência. Praticamente tudo o que era produzido era confiscado pelo Estado. Quem resistia à imposição e era flagrado guardando alimento em casa era condenado a trabalhos forçados nos campos de concentração na Sibéria.

Saldo de Mortos

A morte começou a se tornar visível e cotidiana na Ucrânia a partir de 1930, mas o pior veio nos três anos seguintes. Consta que, entre os anos de 1931 e 1933, o número de mortos era tão grande que os cadáveres se acumulavam nas casas e eram facilmente encontrados nos campos e nas ruas. O historiador Thomas Woods descreve a situação desse contexto:

“Em 1933, Stalin estipulou uma nova meta de produção e coleta, a qual deveria ser executada por uma Ucrânia que estava agora à beira da mortandade em massa por causa da fome, que havia começado em março daquele ano. Vou poupar o leitor das descrições mais gráficas do que aconteceu a partir daqui. Mas os cadáveres estavam por todos os lados, e o forte odor da morte pairava pesadamente sobre o ar. Casos de insanidade, e até mesmo de canibalismo, estão bem documentados”.  (Woods, Thomas. A fome na Ucrânia – um dos maiores crimes do Estado foi esquecido. Instituto Mises Brasil.)

Calcula-se que o número de mortos tenha sido de aproximadamente cinco milhões de pessoas. Mas ao se levar em conta os efeitos prolongados da política econômica stalinista e contando com os ucranianos que foram levados ao trabalho forçado e morreram por lá, o número pode ser superior a 14 milhões.

Publicado por Cláudio Fernandes

*Créditos da imagem: Shutterstock e Drop Of Light

Fontes:

mundoeducação.uol.com.br – Pesquisa em 06/03/2022.

Infoescola.com.br - Pesquisa em 06/03/2022.

Adendos do blog.

 

Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

sábado, 25 de dezembro de 2021

Natal/RN, Cidade do Sol, 425 anos - Ano fundação 1599.

 

Fatos Históricos Antecedentes

Século XVI - Ano 1530 - Tudo começou com as Capitanias Hereditárias quando o Rei de Portugal Dom João III dividiu o Brasil em lotes. As terras que hoje correspondem ao Rio Grande do Norte couberam a João de Barros e Aires da Cunha. A primeira expedição portuguesa aconteceu cinco anos depois com o objetivo de colonizar as terras. Antes disso, os franceses já aportavam por aqui para contrabandear o pau-brasil. E esse foi o principal motivo do fracasso da primeira tentativa de colonização. Os índios potiguares, ajudavam os franceses a combater os colonizadores, impedindo, a fixação dos portugueses em terras potiguares.

Natal, então, surgiu a partir da intenção espanhola de expulsar os franceses do litoral brasileiro no período da União das Coroas Ibéricas (1580 -1640).

Fatos Históricos Consequentes

Em 25 de dezembro de 1597 - Uma nova expedição portuguesa, desta vez comandada por Mascarenhas Homem e Jerônimo de Albuquerque, chegou para expulsar os franceses e reconquistar a capitania. Como estratégia de defesa, contra o ataque dos índios e dos corsários franceses, doze dias depois os portugueses começam a construir um forte, projetado pelo Padre Gaspar de Samperes, o mesmo arquiteto que projetou a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.

Em 6 de janeiro de 1598 - Foi o início da construção da Fortaleza dos Santos Reis, hoje chamada de Fortaleza dos Reis Magos, e seu nome faz referência ao Dia de Reis, quando se encerra o ciclo natalino. 

Ano 2021 - O Forte foi restaurado e reaberto em público em 25/12/2021. 

Fundação da Cidade

A cerca de 6 Km da Fortaleza nasceu a cidade, quando se efetuou a demarcação dos seus limites, realizada por Jerônimo de Albuquerque, no ano de 1599.

Data oficial de fundação - 25 de dezembro de 1599 - Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, às margens do Rio Potengi.

Então, logo se formou um povoado que, segundo alguns historiadores, foi chamado de Cidade dos Reis. Depois, Cidade do Natal. O nome da cidade é explicado em duas versões: refere-se ao dia que a esquadra entrou na barra do Potengi ou a data da demarcação do sítio. 

Quem fundou a cidade de Natal?  Nos registros históricos, três nomes dividem a opinião dos estudiosos: Mascarenhas Homem, Jerônimo de Albuquerque e João Rodrigues Colaço. Natal se resumia a poucos quilômetros de extensão. Começava nos arredores da atual Praça das Mães e terminava na Praça da Santa Cruz da Bica, na antiga cruz sul, em frente a atual Cosern, no Baldo. Ali havia o Rio da Bica, ou Tiçuru (Cascudo. Hcon. 1999, pg. 145).

Em 1633, ocorreu a invasão e domínio holandês - A rotina do povoado que começava a evoluir foi totalmente mudada. Durante 21 anos, o forte passou a se chamar Castelo de Keulen e Natal Nova Amsterdã. Com a expulsão dos Holandeses, a cidade volta à normalidade sob o controle português.

O mais antigo mapa da cidade elaborado em 1633 (Foto: Reprodução/Livro de Câmara Cascudo).

Nos primeiros 100 anos de sua existência, Natal apresentou crescimento lento.

Em 1822, ano da Independência do Brasil (22/09/1822), Natal tinha em torno de 700 habitantes, segundo Câmara Cascudo. 

Palácio Potengi - Antiga Sede do Governo do RN - Construído entre os anos de 1865 e 1873.

O prédio, em estilo neoclássico, Sede do governo do RN até a década de 1980. Está localizado na Praça 7 de setembro, no bairro Cidade Alta. E, antes disso, abrigou a Assembleia Provincial. O prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Hoje, abriga a Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte.

No final do século XIX, a cidade já possuía uma população de mais de 16 mil habitantes.

Na segunda metade do século XIX, o algodão incrementa a economia local e promove o desenvolvimento da cidade, principalmente do bairro da Ribeira, região às margens do Rio Potengi, onde havia um pequeno porto. Foi o ciclo do  "ouro branco".  

Em 1910, o desenvolvimento da cultura de algodão no Seridó estava a todo vapor.

Na década de 1920, a região do Seridó - acentuadamente os municípios de Caicó e Jardim do Seridó - produziu mais de 40% de todo algodão exportado pelo Estado para o exterior e para outras regiões do Brasil. Era o famoso algodão mocó.

No início do século XX, entre os anos de 1908 e 1913, o governo de *Alberto Maranhão inaugura uma nova era na capital potiguar, cujos historiadores denominam de 'Modernidade de Natal'. Alberto Maranhão faz um empréstimo com a França e começa a investir na infraestrutura da cidade. Natal passa a ter iluminação pública, com lampiões a gás, além de bondes puxados por animais; além do término de importantes construções, como a do teatro Alberto Maranhão e o prédio que abrigava a Ordem dos Advogados do Brasil no estado (OAB/RN), além da sede do Tribunal de Justiça do RN, onde funcionou o Instituto Histórico do Estado.

Teatro Alberto Maranhão visto à noite (Foto: Secretaria Estadual de Cultura/Divulgação).

*Alberto Frederico de Albuquerque Maranhão (1872-1944), político natural de Macaíba RN, duas vezes governador do RN (1900-1904 e 1908-1913). Considerado o cultor das artes, o mecenas da cultura potiguar. Filho de Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão (1825-1890) e Feliciana Maria da Silva Gomes Pedrosa (1832-1893).  Irmão de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão (1856-1907), Augusto Severo de Albuquerque Maranhão (1864-1902 – precursor aeronáutico), Amaro Barreto Filho, Fabrício Maranhão e Inês Augusta. Seu avô materno, o comerciante e senhor de engenho Fabrício Gomes Pedrosa (1809-1872), pernambucano de Nazaré da Mata (PE), foi o fundador da cidade de Macaíba e era uma das maiores fortunas do Rio Grande do Norte.

Em 1912, a cidade passa a ter bairros. Tirol e Petrópolis eram chamados de Cidade Nova. Além destes, tinha ainda o Alecrim e a Ribeira. Nesta época, foi elaborado um planejamento da cidade. As avenidas que atualmente homenageiam presidentes do Brasil, como a Afonso Pena, Rodrigues Alves, Campos Sales, foram planejadas durante este período.

A partir de 1922, o desenvolvimento de Natal ganhou ritmo acelerado com o aparecimento das primeiras atividades urbanas.

Prédio Palácio Felipe Camarão, atual Sede da Prefeitura de Natal/RN

Construído no ano de 1922, pelo construtor Miguel Micussi, sendo inaugurado em 07/09/1922. A sede da Prefeitura recebeu o nome de “Palácio Felipe Camarão” através da Lei 359/A, de 1955, em homenagem ao índio Poti, que era o chefe dos Potiguares, tribo que habitava as margens do Rio Potengi. Felipe Camarão (1612-1648) nasceu na aldeia vila velha em Igapó. 

Ano 1942, outro acontecimento que inaugura uma nova fase na capital é a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Estados Unidos.

Base Americana em Natal na 2ª Guerra Mundial (Foto: Reprodução/Livro de Câmara Cascudo).

Pela sua posição geográfica privilegiada, sendo o ponto das Américas mais próximo da Europa, Natal passa a ter uma base americana que atrai investimentos e um povoamento de 10 mil soldados americanos - aumentando em 20% a população local. Registre-se, foi um novo capítulo da história de Natal, ganhando ares de metrópole internacional, transformando definitivamente Natal e a cidade teve seu nome conhecido por milhões de cidadãos pelo mundo.

Nos anos pós-guerra a cidade continuaria a se desenvolver e sua população cresceria, mas só alguns anos mais tarde é que esse quadro mudaria definitivamente.

Na década de 1960 foi criado o Centro de Lançamento, uma base da Força Aérea Brasileira para emissão de veículos espaciais e realização de pesquisas aeronáuticas.

Primeira base de foguetes da América do Sul, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno é um prato cheio para quem busca a história da aeronáutica brasileira. A instalação, que rendeu a Natal o renome de ser a capital espacial do Brasil, conta com grande acervo sobre as pesquisas que já foram feitas no local desde a Segunda Guerra Mundial.

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno está situado na Rodovia RN 063 Km 11, na cidade de Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. 

A Natal contemporânea

No início da década de 1980, foi realizada a construção da Via Costeira, um marco importante para o crescimento da cidade. São 10 km de praias com uma excelente rede de hotéis entre as Dunas e o mar.


Cidade do Sol e do Turismo na Veia

Natal, apesar de pequena, é grandiosa. A capital do Estado do Rio Grande do Norte é conhecida por suas belezas naturais, lindas praias, dunas, lagoas e coqueiros.  A tímida cidade esconde por trás de suas dunas uma série de histórias e pontos turísticos de tirar o fôlego.

Ponte Newton Navarro Bilro (1928-1992), artista plástico, desenhista, escritor, cronista, dramaturgo potiguar. Ponte com 110m de altura, 22m de largura e 1.800m de comprimentos. Localizada na Redinha. Liga a Zona Norte às Zonas Leste e Sul da cidade do Natal/RN. Inaugurada em 21/11/2007, no Governo de Wilma Maria Marques de Faria, no segundo mandato (2007-2010).

Natal, capital do Rio Grande do Norte (Foto: Canindé Soares).

Com um dos mais belos litorais do Brasil, que se estende por mais de 400 Km, Natal é considerada a cidade que possui o ar mais puro da América do Sul. A praia mais badalada da cidade é Ponta Negra, onde moradores e turistas aproveitam o mar, restaurantes e vida noturna. As praias mais paradisíacas ficam nas cidades vizinhas, como Búzios e Barra de Tabatinga ao sul da capital, além das dunas de Genipabu, ao norte, e a Praia da Pipa, que fica a 80 Km. 


Dunas às margens da Lagoa de Genipabu - Zona Norte de Natal/RN

Segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Natal tem 877.640 habitantes numa área de 172 mil quilômetros quadrados. E estima-se 890 mil habitantes para 2021.

E conforme o portal G1, em 2020, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou um total de 3.534.165 pessoas no Rio Grande do Norte. Em 2021, são 26.738 habitantes a mais, sem computar os efeitos da pandemia de covid-19.

Fontes:

https://www.neonergia.com.br – Pesquisa em 24/12/2021, às 14: 55 hs.

https://natal.rn.gov.br/cidade-de-natal-rn - Pesquisa em 24/12/2021, às 15.10 hs.

https://www.cmnat.rn.gov.br/p/cidade-do-natal - Pesquisa em 24/12/2021, às 15: 18 hs.

https://www.praiasdenatal.com.br/ponte-newton-navarro - Pesquisa em 25/12/2021, às 15:20 hs.

https://blog.parrachos.com.br/centro-de-lancamento-barreira-do-inferno/ - Pesquisa em 25/12/2021, às 15:35 hs.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Potiguar de origem e coração.

Natal/RN – 25/12/2021 (ajustada data de aniversário).
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