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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A Ceia do Senhor e suas interpretações principais.

 


Transubstanciação – No Catolicismo, a ideia é de que no momento da consagração dos elementos do pão e o vinho, mudam de sua substância e se transformam no corpo, sangue e na divindade de Cristo.

Consubstanciação – É a posição luterana, afirma que Cristo está presente fisicamente nos elementos do pão e do vinho.

Memorial – É o entendimento de reformador Zwuinglio. A Ceia é apenas um memorial, uma recordação da morte de Cristo.

Meio de Graça – Era o pensamento de Calvino – Cristo está presente espiritualmente na Ceia do Senhor como alimento para nossa alma. Ou seja, transmite a graça de Deus na celebração da comunhão aos cristãos.

Uma Ordenança Memorial - Na perspectiva Assembleiana, a Ceia é um ato solene instituído por Jesus para sua Igreja. Os elementos do pão e do fruto da vide são figuras do corpo e do seu sangue, sem alteração nenhuma quando consagrados. Um memorial que no passado aponta para sua morte e a ressurreição; no presente para comunhão com Ele e os irmãos em Cristo; e para o futuro, a sua volta. E Ele presente espiritualmente, razão de ser da celebração.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 11/02/2026.

domingo, 26 de maio de 2024

O Perdão em Discussão!


A cultura cristã está impregnada de certa generalidade em torno do amor e o perdão incondicionais, seja de Deus para com os homens, como também entre os homens. E acredito ser uma consequência da disseminação da literatura calvinista, “filha do monergismo”. E acontece com certa frequência, cristãos que não são monergistas (amor, perdão, salvação, dependem exclusivamente de Deus) e sim sinergistas (Deus e o homem cooperam para salvação), no embalo pregam, ensinam acerca do amor e do perdão incondicionais, sem considerar outros requisitos no processo da aplicação do perdão na Teologia da Cruz e na convivência humana. 

Em Coríntios 13 destaco duas características do amor ágape:

Não é leviano (I Co 13.4). Não é indecente (I Co 13.5). O tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta de I Co 13.7, significa aceitar tudo? Creio que não, pautado em I Co 13.4-5.

“Ser leviano é proceder sem bases verdadeiras, é ser hipócrita, maldoso e irresponsável, é aquele que tem comportamento volúvel, que age com insensatez. O indivíduo leviano é uma pessoa fútil, medíocre, não tem noção do que é prudência, sabedoria e ponderação, transmitindo a imagem de pessoa irresponsável” (www.significados.com.br – Pesquisa em 23/03/2024).

“O indecente age sem pudor moral; oposição aos bons costumes; falta de respeito. Obscenidade; comportamento ou dito obsceno, vulgar, sem moral ou decência” (www.facebook.com.br – Pesquisa em 23/03/2024).

Um amor que nada exige, sem condição nenhuma, é um amor fútil, ordinário e sem valor. E certamente esse não é o amor de Deus.

Uma característica marcante do perdão - É ser terapêutico, restaurador, e via de regra, passa pelo caminho da confissão, do arrependimento, da reconciliação e mudança comportamental.

O perdão é a ponte em construção por onde passaremos. Todos nós carecemos de perdão e liberar perdão.

O modo de perdoar é como Deus nos perdoou em Cristo (Ef 4.32), sem reservas e não lança em rosto o passado.

Deus é perdoador e nos exorta, confronta-nos a perdoar (Mt 6.12,14-15). Ele perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos aos nossos devedores. Veremos que há situações de natureza tácita.

A misericórdia de Deus é de eternidade a eternidade sobre aqueles que o temem, e sua justiça sobre os filhos dos seus filhos (Sl 103.17-18). Logo, de certa forma, não é genérica.

Pv 28.13 – “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”.

Níveis do Perdão

De Deus para com o homem – É pela graça de Deus, a base é o sacrifício de Jesus na cruz. Está condicionado ao arrependimento e a fé humana (Mc 1.15; Ef 1.13; Hb 4.2). A graça de Deus atua desde o convencimento pelo Espírito no ato humano de atentar para ouvir a voz de Deus. Mas, o indivíduo precisa ouvir com interesse e atenção (Jo 7.37-39).

I Jo 1.9 – “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.

Certo pensador afirmou: “O filho pródigo perdeu tudo, menos o pai”.

Entretanto, que fez ele para não perder o pai?

1.Caiu em si, viu a besteira que fez.

2.O pai não foi atrás dele. Ele arrependido voltou para casa.

3.Veio humilhado. Queria ser pelo menos um trabalhador do pai.

4.O pai o restaurou e o outro irmão não compreendeu o amor do pai.

5.O filho que estava em casa com o pai é o exemplo de quem tinha de tudo e não sabia usufruir do que possuía, não sabia ser grato, nem comemorava as vitórias, via no pai um patrão, não um pai amoroso.

6.E nessa parábola, como o pai é uma figura de Deus, é o texto bíblico onde encontramos "Deus correndo" para acolher e restaurar.

7.Assim é o amor de Deus para com a Humanidade. Chama-a ao arrependimento para restaurar, mudar o viver, redimi-la.

O perdão entre irmãos – Depende de reconhecimento da ofensa pelo culpado (Mt 18.15-17). E perdoar quantas vezes for necessário (Mt 18.21-22), havendo mudança de atitudes. O mundo incrédulo pouco ou nada entende do perdão bíblico.

O perdão em família, entre cônjuges – Por exemplo da infidelidade conjugal, depende do reconhecimento de quem causou e se ajustar, deixar o proceder reprovável. Há uma queda moral no embrolho.

Há casos no meio cristão, onde são até aconselhados a aguentar traições maritais, violência doméstica e por anos, sem arrependimento do ofensor e infiel, na esperança de recuperar o casamento.

Diz o ditado: “Pimenta nos olhos do outro é refresco”.

Como a sociedade é machista, dificilmente vai se aconselhar o homem para com o cônjuge feminino que traiu, nos termos acima.

Em que pese testemunhos de restauração, parece-me mais falta de amor-próprio, de dignidade, casos de dependência material subjugante, a vida real espiritualizada por profetadas, etc.

Nas Escrituras não encontramos respaldo para manter, sustentar a aliança matrimonial de qualquer jeito. E mais complexo é identificar quem faz jus a um novo casamento. Mas, é outra discussão.

Se lutar pela união conjugal que o faça por fé e com dignidade, não como preso a uma masmorra de humilhação e lágrimas. Todavia entendamos, também passa uma decisão pessoal, sentimentos de perdas recíprocas.

Há sim casos em que se permite o desenlace e o novo casamento. Seja por infidelidade, morte do cônjuge, abandono do lar (é violência doméstica em espécie – I Co 7.12-15) e tantas outras formas de violência e abusos no lar. Os casos que Paulo listou não foram exaustivos.

Em matrimônios destruídos, há também os aspectos subjetivos da culpa, outros de foro íntimo, erros na escala de valores que não me cabe levantar.

E em se tratando do perdão, nessa seara, é impraticável sem arrependimento e mudança sincera.

Um caso experimental narrado - Conta-se também um episódio de um membro da igreja, que levou ao seu pastor uma infidelidade no casamento e arrependeu-se, mas a esposa optava pelo divórcio. Depois do aconselhamento pastoral em conjunto, ela declarou o perdão ao esposo. Porém, o marido iria experimentar da mesma dor e do veneno da traição. O pastor reiterou a necessidade do verdadeiro perdão e foram para casa. O pastor foi orar pelo casal. E Deus lhe revelou que iria recolhê-la, pois ela havia desrespeitado a sua autoridade espiritual implícita no pastoreio. O pastor insistiu na intercessão. Dias passarem, aquela jovem senhora, adoeceu e partiu.

Hb 12.5-11 - Pais complacentes em demasia – Não é uma questão de perdão e sim de disciplina – Pais que não disciplinam os filhos, passam a mão por cima dos seus erros e pecados, praticando uma dissimulação fajuta e desleixada. E as vezes se tornam cúmplices de seus pecados. E pagam alto preço. É bíblico: O mundo espiritual prevalece sobre a realidade da dimensão material e temporal.

O exercício da misericórdia. É bíblico que pela graça de Deus, recebemos o que não merecíamos, mediante a fé, para salvação. E pela sua misericórdia, Ele evitar cair sobre nós o que merecíamos, entre tantas fraquezas e erros. De modo que, o exercício do perdão entre irmãos e o próximo (Lv 19.18) tem relação com a prática da misericórdia no cotidiano (Mt 6.14-15;18.18-35; Tg 2.12-13).

Mateus 7.2 – “Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos” (NAA).

O perdão tácito para com o próximo - Está implícito, subentendido, não foi expresso diretamente por palavras, mas que pode ser deduzido através de comportamentos, circunstâncias ou silêncio - Houve um fato (uma briga de trânsito, um aborrecimento qualquer...), ocorreu a ofensa e tanto o ofendido como quem ofendeu seguiram na vida, não há uma convivência permanente. Nesse caso se libera o perdão, deixando para trás aquela experiência negativa, não fica preso ao passado, joga fora a farpa da alma, a ofensa fica com o ofensor diante de Deus (Mc 11.25-26). Não é de difícil aplicação. Entretanto, alcança o fim terapêutico como nos demais níveis do exercício do perdão. E atende o preceito bíblico para não juntarmos na alma raízes de amarguras (Ef 4.31-32; Hb 12.15).

É verdade de fato – As pessoas mais suscetíveis de nos ferir, magoar, decepcionar mais profundamente, são as que estão próximas de nós no dia a dia, a quem amamos e temos uma relação de confiança estreita.  

O perdão no Ofício Ministerial – É uma situação em particular, pois vai depender da gravidade de cada caso. E em verdade, pelas Escrituras, há pecados mais gravosos que outros. E inclusive no efeito e na dimensão do escândalo que gerar. Os que lideram na prestação de contas terão juízo mais severo (Tg 3.1).

Aqui é relevante ressaltar o ditado “dois pesos e duas medidas”. É uma expressão que indica um ato injusto e desonesto, algo feito parcialmente. Ou seja, está relacionada com situações similares tratadas de formas completamente diferentes, seguindo critérios diferentes e à mercê da vontade das pessoas que as executam.

Enfim, vimos que existem níveis na aplicação do perdão bíblico, seja na esfera divina ou humana.

A Psicologia moderna nessa área pouco ajuda na medida em que busca a parcialidade do homem consigo mesmo. Apresentam-se “n” justificativas sociais e psíquicas, menos os humanos assumirem seus atos, seja de responsabilidades ou de irresponsabilidades.  

William Saroyan: “Todos os homens são bons, num mundo mau – como aliás cada um de nós sabemos muito bem”.

O propósito dessa postagem é para refletirmos nas ministrações em torno do perdão bíblico, onde ele é enfatizado e o modo como perdoar. Entretanto, fica um tanto “romantizado” enquanto omite a necessidade da confissão, arrependimento, correção de conduta do ofensor, quem feriu para que ocorra restauração e reconciliação.

Que o Senhor nos conceda mais graça e misericórdia no exercício do perdão. Amém!

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 26/05/2024. (revisão em 25/06/2026).

terça-feira, 26 de março de 2024

A Páscoa e a Ceia do Senhor

 

Êxodo 12.1-14 – A Páscoa é uma festa judaica, instituída por Deus, na noite da saída do povo hebreu do Egito. Por volta de 1.446 a.C. e celebra a libertação da escravidão egípcia.

Um cordeiro ou cabrito, sem mácula, um macho de ano, deveria ser sacrificado, assado e comido em família, com pães asmos e ervas amargosas. E partir de então, uma celebração, em memória do êxodo, por estatuto perpétuo para nação de Israel.

O sangue do cordeiro pascoal era para ser espargido nos umbrais das portas dos hebreus, para servir de sinal de livramento da praga dos primogênitos que viria sobre os egípcios, na noite da partida do êxodo (hb. saída).  

O termo Páscoa (do hebraico pesah) significa passagem, pular além da marca, passar por cima.

O cordeiro pascoal apontava para o sacrifício de Jesus, que um dia se cumpriria, tal qual como aconteceu em Jerusalém, por volta do ano 33 d.C.

Quando Jesus foi ao Rio Jordão para ser batizado por João Batista, Deus lhe revelou quem era Jesus e ele gritou: Eis (atenção!), o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

Jesus, na noite em que foi traído, preso, julgado e condenado pelo Sinédrio, celebrou a última Páscoa com seus discípulos, quando também instituiu a Ceia do Senhor, apresentando os dois elementos, o pão e o vinho, figuras do seu corpo e sangue, apontando para o seu sacrifício na cruz (execução pelos romanos), em prol de toda a humanidade.

Os registros da última Páscoa de Jesus com os discípulos estão narrados nos evangelhos como seguem: Mt 26.17-30; Mc 14.12-26; Lc 22.7-23.

Naquela cerimônia, Ele também estabeleceu o Novo Testamento, a Nova Aliança, pelo seu sangue, derramado por muitos, para remissão (perdão) dos pecados (Mt 26.26-28).

Jesus foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras. Eis porque não é vã a pregação do evangelho de Jesus. Ele matou, venceu a morte. Tinha o poder de dar a sua vida e tornar a tomá-la (Jo 10.17-18).

Mateus 28.5-6 – “Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscai a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia”. 

O apóstolo Paulo, recebeu instruções reveladas pelo próprio Cristo a respeito da Ceia do Senhor e deixou registradas em I Co 11.23-32. Uma celebração memorial para Igreja Cristã até a volta do Senhor Jesus (I Co 11.24-26).

Observamos, portanto, que a festa da Páscoa judaica nada tem a ver com coelhos e ovos de chocolates. Foram invenções por interesses comerciais introduzidas ao longo dos anos no feriado religioso da Cristandade. Para o Cristianismo, a Páscoa só é útil na sua simbologia e foi cumprida em Jesus.

Por isso o apóstolo Paulo escreveu: “...Cristo, a nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (I Co 5.7b).

O Cerimonial da Ceia do Senhor na Tradição Cristã

1. No romanismo - Compreende de forma literal as expressões ditas por Jesus em referência aos elementos da Ceia do Senhor: “isto é o meu corpo” (Lc 22.19); “Este cálice é [...] meu sangue” (Lc 22.20).

O ensino da transubstanciação (alteração da substância) - Segundo esse entendimento, durante o cerimonial os elementos da Ceia, o pão e vinho, se convertem no corpo e no sangue de Cristo.

2.A consubstanciação na tradição protestante luterana - Afirmam que o corpo físico de Jesus está presente no pão da Ceia. Contudo, negam que os elementos da Ceia se transformam no corpo e no sangue de Jesus, o Cristo. 

3.A posição pentecostal e em geral dos evangélicos – A exegese do texto é que o pão e o vinho não se convertem fisicamente no corpo de Jesus, nem está Jesus presente fisicamente neles.

Assim sendo, o pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Jesus. Contudo, Jesus se faz presente espiritualmente na cerimônia da Ceia (Mt 18.20), e em memória celebramos a Ordenança da Ceia do Senhor, conforme I Co 11.24-25:

“E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim”.

Um detalhe histórico por influência da Páscoa Judaica (Mt 26.21,26; Lc 22.11-13; I Co 11.25 - “depois de cear”) - Uma das tradições na Igreja Primitiva era a Festa Ágape, realizada antes da Ceia do Senhor. Todos traziam pratos prontos, bebidas de suas casas e juntos faziam um grande banquete. Só que a desordem, a irreverência foi tomando conta dessa refeição comum e coletiva, afetando aspectos solenes da Ceia do Senhor, que de costume, era realizada logo após.  

A tônica do apóstolo Paulo em I Co 11.17-34, tinha o objetivo de instruir/doutrinar sobre o Cerimonial da Ceia do Senhor, destacando o significado simbólico e espiritual da celebração, com a devida reverência e ordem.

O pão e o vinho, como elementos figurativos na Ceia do Senhor, não comportam adoração como se fossem Jesus.

É antibíblico afirmar que a celebração da Ceia do Senhor (eucaristia – boa presença), seja uma repetição do sacrifício de Jesus na cruz.

O sacrifício de Jesus no calvário foi completo, perfeito, feito uma vez, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados da humanidade, não precisa ser repetido (Hebreus 10.10-12). Foi e está consumado o plano da redenção para todo o que crê (João 19.30).

A Ceia do Senhor é uma Ordenança instituída por Jesus - Um memorial, para os salvos em Cristo, aos batizados na forma trinitária, por imersão e esteja em comunhão com Deus. Não é um sacramento.

A palavra sacramento, do latim sacramenntum, significando um sinal sagrado capaz de conferir graça àquele que dele participa. Nesse sentido, Agostinho (354-430 d.C.), bispo de Hipona, introduziu esse desvio na Igreja em relação ao Batismo como sacramento, um rito que transmite graça espiritual independentemente da fé de quem o pratica. E por conseguinte, na Cristandade, se estendeu ao rito da eucaristia, também como um sacramento.

Quando Jesus disse em João 6.53-56, para comer da sua carne e beber do seu sangue, para termos vida eterna e permanecermos nele e ele em nós, os judeus ficaram confusos porque entenderam ao pé da letra (João 6.52). Jesus, no contexto do discurso, transmitia verdades espirituais por metáforas.

1.Em João 6.35,48 declara “Eu sou o pão da vida”. Pão que mataria a fome de quem vem a Ele. E a sede de quem nele cresse. Claro, fome e sede espirituais saciadas, mediante a fé.

2.Em João 6.51 – Jesus faz menção a sua carne, o seu corpo que daria pela vida do mundo (a humanidade) na cruz.

3.De modo que quem se alimenta do “pão da vida” viverá por Ele (Jo 6.57).

4.Assim sendo, comer da sua carne e beber do seu sangue, significa absorver por fé o seu sacrifício na cruz em nosso lugar, na condição de Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e nele temos promessa de vida eterna (Jo 6.67-69;3.16).

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 26/03/2024.


domingo, 3 de março de 2024

O Batismo — A primeira Ordenança da Igreja

Texto base: Mt 28.19 - “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. 

1. Introdução

1.A Lição 9 – EBD/CPAD - Traz uma exposição da doutrina bíblica do Batismo em águas, uma ordenança para todo cristão.

2.O Batismo em águas é uma prática cristã que diz respeito a nossa identificação com Cristo, mediante o arrependimento e a fé.

3.A forma como se batizar e o seu propósito tem sofrido desvios na História da Igreja. Veremos na lição em estudo.

Objetivos da Lição

I) Pontuar os pressupostos bíblico-doutrinários do Batismo;

II) Explicar o símbolo e o propósito do Batismo;

III) Esclarecer a fórmula e o método do Batismo.

I. Pressupostos Bíblicos-doutrinários do Batismo

1. O Batismo visto como sacramento é um erro doutrinário - A tradição católica e alguns segmentos do protestantismo histórico veem a prática do batismo como um sacramento.

A palavra “sacramento” vem do latim sacramenntum, significando um sinal sagrado capaz de conferir graça àquele que dele participa. Nesse sentido, Agostinho (354-430 d.C.), bispo de Hipona, introduziu esse desvio na Igreja. Entendia o Batismo como sacramento, um rito que transmite graça espiritual independentemente da fé de quem o pratica. Um sinal visível de uma graça invisível, afirmava Agostinho. Sem base bíblica.

Sacramento versus Ordenança 

A palavra “sacramento” traz uma ideia de um ritual ou sinal que tem como resultado uma graça de Deus sendo transmitida ao indivíduo. Já a palavra ordenança traz a ideia de uma prática ou cerimônia prescrita no NT dentro de uma perspectiva memorial. Por exemplo, a Ceia do Senhor é um memorial do sacrifício do Senhor, instituído por Jesus e, por isso, deve ser celebrada por seus seguidores. Aliás, são duas as ordenanças para a Igreja: O Batismo em águas e a Santa Ceia.

E assim, em algumas tradições cristãs, o Batismo torna-se necessário para a salvação. Biblicamente, o batismo não é requisito fundamental para salvação. Mas, ordenado para todo o salvo em Cristo Jesus.

2.O Batismo - Uma ordenança dada por Jesus à sua Igreja

Mc 16.15-16 – “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”.

Em Mt 28.19 ensinou a forma de praticá-lo - “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. 

Os apóstolos ensinavam o Batismo como uma ordenança. 

Atos 2.38 – “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”.

Não há, portanto, no Batismo, um poder mágico capaz de transmitir graça para a salvação. É uma ordenança dada por Cristo a quem já foi alcançado pela graça, e não a quem quer obter alguma graça através dele.

Dizia Lutero: “Pensei que o velho homem tinha morrido nas águas do batismo, mas descobri que o infeliz sabia nadar. Agora tenho que matá-lo todos os dias”. 

3.O Batismo deve ser administrado aos adultos. O teólogo Agostinho que entendia o Batismo como um sacramento, defendeu também que os bebês, por haverem nascidos com o pecado original, precisavam ser batizados para serem salvos. Nesse caso, o Batismo serviria para anular o pecado original. Sem base bíblica.

João Batista e o Batismo de Arrependimento – João, o Batista, como precursor do messias, surge no deserto da Judeia, pregando o batismo de arrependimento para remissão de pecados, estava preparando o caminho para pregação do evangelho da graça, como diz o texto “endireitando as veredas do Senhor” (Mc 1.2-5).

João também anunciava que viria um mais forte do que ele, do qual não era digno de desatar as correias das sandálias (Mc 1.7-8).

Aquele de quem falava batizaria não só em águas, mas com o Espírito Santo e com fogo (Lc 3.16). João nem o conhecia, porém lhe foi revelado ao vir ao seu encontro às margens do Rio Jordão (Jo 1.31-33).

O próprio Cristo foi batizado por João, no início de seu ministério público (Mt 3.13-17), para cumprir toda a justiça e o Pai deu dele testemunho do alto: “Tu és o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mc 1.11).

II. O Símbolo e o Propósito do Batismo

1.Símbolo do Batismo: Identificação com Cristo - O Batismo por imersão simboliza a união do crente com Cristo, por meio de sua a morte, sepultamento e ressurreição.

Rm 6.4 – “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida”.

Essa mesma verdade é afirmada na Carta aos Colossenses: “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos” (Cl 2.12).

Então, o Batismo em água simboliza que o cristão morreu para a velha vida e agora tem nova vida em Cristo (II Co 5.17).

2. O Propósito do Batismo: Testemunho público da fé cristã – O Batismo é uma confissão pública da sua fé em Jesus. Isso significa que o crente, quando desce às águas batismais, está testemunhando de forma pública perante o mundo da sua nova vida de seguidor de Cristo.

Atos 2.41-42 - “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”.

Quem se candidata ao Batismo deve estar convicto e consciente da fé que abraçou. Aqui, não há território neutro (Cl 2.6). Enfim, o batismo é para salvos e convertidos que estão dispostos a seguir Jesus (At 8.12; 16.14,15).

3. No ato do batismo não há espaço para indecisão

a) Somente cristãos indecisos rejeitam ser batizados ou por não conhecer o significado do Batismo em águas.

b) Outrens por falta de convicção de fé não se batizam. Há crentes que entendem, após ser batizado não pode mais cometer qualquer tipo de falha. A Bíblia mostra que o crente deve evitar o pecado (I Jo 2.1).

c) O Batismo não pode ser visto como uma vacina que imuniza o cristão contra o pecado. Este é vencido quando se anda no Espírito (Gl 5.16).

d) Por outro lado, há muitos que rejeitam o Batismo justamente por falta de conversão. Estão conscientes das implicações que esse rito traz e não estão dispostos a cortar o cordão umbilical com o mundo.

At 2.38 – Podem e devem ser batizados aqueles que experimentaram o Novo Nascimento (Jo 3.5-7).

A pergunta fundamental na profissão de fé do batizando: “Quem você era antes de conhecer a Cristo e agora quem você é com Jesus?”.

Portanto, o Batismo é mais que ser obediente ao mandamento de Cristo. Relaciona-se com o ato de se tornar seu discípulo.

III. A Fórmula e o Método do Batismo

1.Fórmula trinitária do Batismo - Durante a Grande Comissão, Jesus orientou seus discípulos: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Essa é a fórmula trinitária do batismo cristão.

2. Fórmula herética do Batismo - Há grupos que seguem um tipo de *doutrina modalista. Um exemplo é o unicismo. Esse grupo batiza seus membros somente em nome de Jesus, citando Atos 2.38 e 19.5. Todavia, esses textos não negam a Trindade bíblica. E não desautoriza o que Jesus ensinou em Mt 28.19.

O que ensina o Russelismo ou os Testemunhas de Jeová:

UNICISMO: Essa crença diz que existe apenas UMA PESSOA, um Deus Todo Poderoso, mas que se manifesta de 3 formas diferentes. Ora essa pessoa se manifesta como Pai, ora como Filho, ora como Espírito Santo. Não é doutrina bíblica (para o russelismo).

UNITARISMO: É a crença oficial das Testemunhas de Jeová, conforme ensinada na bíblia (para o russelismo). Nesta crença temos apenas um Deus Todo Poderoso, que é o Pai Jeová. Jesus Cristo é uma pessoa distinta de Jeová e Filho Dele, sua primeira criação. O espírito santo não é pessoa, mas em termos simples, o poder de Deus (https://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com).

*Modalismo – Doutrina herética que nega a existência das três pessoas da Santíssima Trindade na Fé Cristã.

3. Imersão: o método bíblico do Batismo

a) Não encontramos nem vestígios da prática do Batismo por aspersão no Novo Testamento. Aspersão é ato de borrifar, respingar, molhar com pouca água.

b) O Batismo por aspersão é respingar água sobre o candidato ao batismo.

c) A palavra grega baptizo possui o sentido de “mergulhar” e “submergir” tanto na Bíblia como fora dela. Vários textos bíblicos mostram a prática bíblica do Batismo por imersão:

Muitas pessoas foram ter com João Batista para serem batizados por ele no Rio Jordão (Mc 1.5).

João batizava onde havia muita água (Jo 3.23).

Jesus foi batizado no Rio Jordão. E logo saiu da água (Mc 1.9-10).

Conclusão

1.O Batismo em águas não é um sacramento, como algo que transmita graça de Deus independente da fé do batizando. E como envolve arrependimento de pecados pessoais, não é bíblico batizar crianças.

2.O Batismo é uma ordenança ensinada por Jesus, mediante arrependimento e fé para os seus seguidores e discípulos (Mc 16.16; Mt 28.19). 

3.O Batismo em águas é para o convertido que deu crédito a pregação do evangelho, testemunhando da sua fé pública em Jesus.

4. Os batizandos devem ser batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pelo método da imersão, simbolizando um sepultamento e ressuscitado em Cristo. Não há nenhuma referência no NT para se batizar pessoas por aspersão.

Fontes da pesquisa:

Lição EBD/CPAD – 1º trimestre de 2024.

Bíblia Sagrada.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 03/03/2024.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

O que a Bíblia ensina sobre o dinheiro e bens materiais?

 

Como a Igreja Instituição, cristãos e religiosos tem se comportado a esse respeito? Há algumas nuances sobre o tema.

No passado mais distante, no século XVI, o romanismo causou turbulências na Fé Cristã, com vendas das indulgências, em vários níveis, negociando o perdão de Deus aos fiéis, no intuito de arrecadar recursos para conclusão da Basílica de São Pedro, em Roma, contrariando frontalmente as Escrituras. E como sabemos foi o gatilho principal que desencadeou a Reforma Protestante, tendo como data histórica 31 de outubro de 1517, dia em que o monge agostiniano Martinho Lutero pregou na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha, as 95 teses, em discordância ao que estava acontecendo. Errada é a conclusão genérica de que os fins justificam os meios.

Como se deu na América do Norte e mais recente, no final dos anos de 1970, no Brasil passou a se ensinar uma doutrina distorcida, principalmente no meio neopentecostal. E se chama Teologia da Prosperidade, ou a Ideologia da Prosperidade, para alguns.  

É oportuno frisar que nas Escrituras encontramos ensino equilibrado e sadio sobre a prosperidade do cristão, sem o levar a ser refém do materialismo.

Para liderança eclesiástica, a Bíblia também traz recomendações fundamentais no que diz respeito ao material, finanças e sua gestão.

Lc 10.7; I Tm 5.18 – “...digno é o obreiro do seu salário”.

I Tm 6.7 – Na visão paulina: “Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele”. É ilusão se apegar a coisas materiais.

I Tm 3.3 – O vocacionado ao pastoreio – “...não pode ser cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento”.

Hb 13.14 – Aos líderes e liderados comporta viver numa perspectiva celestial – “Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura”. Não significa dizer viver uma fé futurista.

Hb 13.17-18 – Das ovelhas espera-se uma obediência alegre a sua liderança; enquanto esta deve ter cuidado zeloso com as ovelhas, boa consciência e em tudo se portar honestamente.

I Pd 5.2-3 – A liderança do pastoreio é bíblica e legítima, observando a voluntariedade, sem torpe ganância e prontidão em servir. Jamais poderá ser exercida com imposição ou com domínio sobre rebanho de Deus.

Então, o que a Bíblia ensina em torno da fé, o ato de contribuir, o ganhar e o fazer uso do dinheiro e bens materiais?  

Considerando o princípio áureo ensinado por Jesus em Mateus 6.33 – “Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas”, seguem alguns pontos:

1. A prosperidade do justo é comparada a árvore plantada junto às margens de um rio.

Salmos 1.3 – “Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará”.

2. A bênção da prosperidade justa vem de Deus. Ele é digno da honra do provedor e Senhor.

Provérbios 10.22 – “A bênção do Senhor é que enriquece, e ele não acrescenta dores”. 

Provérbios 3.9-10 - “Honre o Senhor com os seus bens e com as primícias de toda a sua renda; e os seus celeiros ficarão completamente cheios, e os seus lagares transbordarão de vinho”.

3. No desfecho do episódio do jovem rico, Pedro no seu ímpeto disse para Jesus, “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos” (Mc 10.28). Parafraseio: O que vamos ganhar com esse ato de fé?

Marcos 10.29,30 - “E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições, e, no século futuro, a vida eterna”.

Nota: Deus não é prioridade na vida humana. Ele deve ser o número um. E como ser cristão envolve esforço humano e batalha espiritual, haverá perseguições humanas e espirituais.

4. Confiar no que possui, nas riquezas, é empecilho, uma barreira à salvação, à vida eterna.

Marcos 10.23-25 – “Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas! E os discípulos se admiraram destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus”.

5. Como contribuir com o Reino de Deus? São princípios bíblicos que demonstram o dever-cuidado do cristão com a Causa Cristo neste mundo.

A contribuição é individual: “...Cada um contribua...” (II Co 9.7);

A contribuição é voluntária: “...segundo propôs em seu coração...” (II Co 9.7);

A contribuição envolve o sentimento: “... dá com alegria...” (II Co 9.7);

A contribuição é contínua: “No primeiro dia da semana...” (I Co 16.2);

A contribuição é de acordo com a prosperidade: “...conforme a sua prosperidade...” (I Co 16.2);

O investimento material resulta em bênçãos espirituais (I Co 9.11; Rm 15.27).

6. Quem ama ao dinheiro nunca se fartará dele.

Eclesiastes 5.10 - “Quem ama o dinheiro jamais se fartará de dinheiro; e quem ama a abundância nunca ficará satisfeito com o que ganha. Também isto é vaidade”. 

7. Jesus usa uma hipérbole para demonstrar que verdadeiramente, os que quem têm uma relação filial com Deus, por Ele são cuidados, estarão debaixo de sua providência. E acentuo: Há diferença entre criaturas e filhos de Deus.

Lucas 12.7 – “E até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos”.

8.  A avareza é o apego excessivo ao dinheiro, às riquezas. É a sede insaciável de possuir mais. A palavra de Deus recomenda guardar-se dela. E a vida consistente não é ter dinheiro ou bens em grande quantidade.

Lucas 12.15 – “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”.

9.O valor de uma alma vale mais do que todo esse mundo material.

Mateus 16.26 - “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?”.

10. O amor ao dinheiro é uma das causas das desgraças neste mundo.

I Timóteo 6.10 - “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e atormentaram a si mesmos com muitas dores”.

E assim sendo, cada um exerça a sua fé em Deus e na Causa do Evangelho, com consciência livre, sem amarras religiosas. Certo é: A Igreja Cristã não recebe recurso de nenhuma outra instituição, e sim de cada cristão comprometido com o Reino de Deus na Terra. De Deus primeiro recebemos, e no segundo momento, dizimamos, ofertamos com alegria. Toda boa dádiva dele vem. Amém!

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 19/12/2023.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Exortação, Consolo e Admoestação

I Ts 2.11-12 – Edição Revista e Atualizada no Brasil.

Exortação, consolo e admoestação, no apostolado de Paulo, aos crentes de Tessalônica, como um pai aos filhos.

Tessalônica - Capital da Macedônia, pela importância estratégica estava inclusa no trajeto das três viagens missionárias de Paulo. Da grande estrada romana, a Via Egnátia, Tessalônica era a maior e a mais influente. Pela Via Egnátia Tessalônica era ligada com o Oriente e o Ocidente. Foi a segunda maior cidade do Império Bizantino. Passou a estar sob governo otomano em 1430. De 1439 até 1912 sob domínio turco. Em 1912 foi tomada de volta pelos gregos. Atualmente com o nome de Salônica, é a segunda maior cidade da Grécia, com uma população estimada em 250 mil habitantes.

 

I Ts 2.12a - Exortar – Não é dar carão nas pessoas. Traz a ideia de estar do lado para encorajar. O bom líder é aquele que equilibra disciplina com encorajamento. Ele ministra a vara e também ministra o amor. Tem firmeza e doçura. Ele produz, faz discípulos, dentro e fora do templo.

I Ts 2.12b – Consolar – Não é se condoer, ter pena de alguém passivamente. O ato de consolar está ligado à ação, a atitudes. Não é apenas fazer o consolado se sentir melhor, mas encorajá-lo a fazer algo, de modo a mudar a situação, a realidade do consolado.

I Ts 2.12c – Admoestar vem do grego nouthesia, que significa confronto. O papel do líder seja pai, ou um pastor não é todo o tempo estar agradando as ovelhas, os liderados. O seu dever é preparar as pessoas para o agora e para a vida eterna. E sendo assim, um pai responsável confronta os filhos, um pastor as suas ovelhas, ainda que os leve, às vezes, às lágrimas, incomodando-os para se corrigir e mudar de comportamento, quando necessário.

 

Fonte: Comentários Expositivos Hagnos - I e II Tessalonicenses - Pr. Hernandes Dias Lopes

 

Por Samuel P M Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN – 06/02/2022

 

domingo, 21 de março de 2021

O Homem: espírito, alma e corpo frente à eternidade.

 

No Gênesis o homem é um ser tricotômico na ordem corpo, espírito e alma. E pela ordem espírito, alma e corpo (I Ts 5.23), Deus trabalha o homem, trazendo-o de volta à comunhão com Ele, após a queda.

Nenhuma dessas partes sofrerão extinção, inclusive dos que partem sem um encontro pessoal com Deus por Jesus Cristo (Jo 5.28-29; Ap 20.11-15, Jo 14.6).

A natureza humana é composta por uma parte imaterial e outra material. A imaterial quando em relação com Deus é designada de espírito. Quando em relação com o mundo físico, de alma.

Alma (Do latim anima, ânimo, energia, essência; No gr psykhé, princípio vital e sede da personalidade, afetos, apetites, sentimentos e memória). Nas Escrituras, este termo é usado para designar espírito, a vida, a pessoa e o sangue.

espírito (Do hb ruah, do Gr. Pneuma, do lat. Spiritus). Nas três línguas clássicas mencionadas, comporta o mesmo significado: sopro, hálito, vento, princípio de vida.

Teologicamente – espírito é a parte imaterial que o Supremo Criador insuflou no ser humano, transmitindo-lhe vida, fazendo-o ser vivente, em imagem e semelhança com a divindade. E com propriedade, Deus é Espírito no sentido mais sublime da palavra (João 4.24).

“Enquanto a palavra alma ocorre muitas vezes nas Escrituras (cerca de 380) referindo-se às pessoas e abrangendo o relacionamento do eu com o mundo exterior, a palavra espírito ocorre cerca de 550 vezes em referência a pessoas e, algumas vezes, abrange o relacionamento do eu consigo mesmo e com Deus, de forma mais estreita”.

Ao nos tornamos alma vivente (Gn 2.7), o corpo passou a fazer parte da nossa identidade individual. E por isso, mesmo no mundo espiritual, o corpo ressurreto servirá também para nos identificar uns com os outros, ainda que vivendo na dimensão espiritual (Lc 16.19-31 – O rico e Lázaro); Moisés e Elias (Mt 17.3-4).

Pessoas reconheceram Jesus depois da ressurreição (João 20.16, 20; 21.12, I Co 15.4-7). Então, Jesus foi reconhecido em seu corpo glorificado, também seremos reconhecíveis em nossos corpos glorificados.  

I Ts 5.23-24 – “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará”.

Os três sentidos de morte na Bíblia sempre significam separação, não de extinção.  

Ez 18.4 – “Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá”. E só em Jesus, há esperança para mudar essa condição.

Morte espiritual (Gn 3.23-24; Rm 3.23;5.12;6.23; Ef 2.4-6) – A separação do homem de Deus, a partir da queda de Adão no Éden.  E herdamos a sua natureza caída (propensão a pecar). E agora respondemos por nossos pecados e desobediências, não pelos de Adão.

Morte Física (Ec 12.7) – A separação da parte imaterial (espírito e alma), do corpo físico. Uma consequência direta do pecado (Rm 5.12).

Ec 12. 7 – “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.

Entre o espírito humano e a alma tem uma linha tênue, finíssima, entretanto nas Escrituras encontramos distinções pela definição de cada substância imaterial, pelas suas atribuições e faculdades. Biblicamente, espirito e alma são indissociáveis. Em linguagem popular, um espírito sem alma é como um “fantasma”, um zumbi que zoa, sem personalidade, sem identidade.

Hb 4.12-13 – “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”.

Morte Eterna - Separação Eterna de Deus (Dn 12.2; Jo 5.28-29; Ap 20.11-15). Condenação é sempre trágica, embora se observe nas Escrituras vários níveis de julgamentos (Mt 10.15; 11.22). Sendo Deus justo, acredita-se que haverá também níveis de penalidades nas condenações.

a) Julgamento: O Ato de julgar; Apreciação; Exame dos autos...

b) Sentença: É o resultado do julgado proferida pelo julgador.

1.Para escribas e fariseus – hipócritas, sofrerão juízo mais rigoroso (Mt 23.14).

2.Para as 3 cidades impenitentes (Corazim, Betsaida, Carfanaum), maior rigor no juízo (Mt 11.20-24).

3.Para os mestres – mais duro juízo (Tg 3.1). Possivelmente, os que ensinavam e não praticavam.

4.O juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia (Tg 2.13).

Deus e sua alma

Sendo Deus o Espírito excelente não é destituído de alma, nem o será, uma vez que a alma é sede da vontade, do intelecto (pensamentos) e das emoções. E Ele nos criou seres espirituais, racionais, morais e sociais à sua imagem e semelhança (Gn 1.26-27).

Juízes 10.16 – “E tiraram os deuses alheios do meio de si, e serviram ao SENHOR; então se angustiou a sua alma por causa da desgraça de Israel”.

Provérbios 6.16 – “Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina”.

Jeremias 5.9 – “Deixaria eu de castigar por estas coisas, diz o SENHOR, ou não se vingaria a minha alma de uma nação como esta?”.

Jeremias 6.8 – “Corrige-te, ó Jerusalém, para que a minha alma não se aparte de ti, para que não te torne em assolação e terra não habitada”.

Hebreus 10.38 – “Mas o justo viverá da fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele”.

Jesus e sua alma – Sendo Deus e homem ao mesmo tempo.

João 12.27 – “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora”.

Marcos 14.34 – “E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai”.

Atos 2.31 – “Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno (gr. Hades), nem a sua carne viu a corrupção”.

Passagens bíblicas sobre a alma como sede dos sentimentos, da vontade e do intelecto/razão.

Alma x amargura

I Samuel 1.10 – “Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente”.

Jó 7.11 – “Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma”.

Alma x tristeza

I Samuel 2.33 - O homem, porém, a quem eu não desarraigar do meu altar será para te consumir os olhos e para te entristecer a alma; e toda a multidão da tua casa morrerá quando chegar à idade varonil.

Salmos 119.28 – “A minha alma consome-se de tristeza; fortalece-me segundo a tua palavra”.

Alma x angústia

II Samuel 4.9 – “Porém Davi, respondendo a Recabe e a Baaná, seu irmão, filhos de Rimom, o beerotita, disse-lhes: Vive o SENHOR, que remiu a minha alma de toda a angústia”.

I Reis 1.29 – “Então jurou o rei e disse: Vive o SENHOR, o qual remiu a minha alma de toda a angústia”.

Alma x tédio e lamento

Jó 10.1 – “A MINHA alma tem tédio da minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma”.

Jó 14.22 – “Mas a sua carne nele tem dores; e a sua alma nele lamenta”.

Alma x sentimento de amor

I Samuel 18.1 – “E SUCEDEU que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma”.

Samuel 18.3 – “E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma”.

Alma x desejo

I Reis 11.37 – “E te tomarei, e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma; e serás rei sobre Israel”.

Alma x mente e a vontade

Deuteronômio 4.29 – “Então dali buscarás ao SENHOR teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma”.

Deuteronômio 6.5 – “Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças”.

Deuteronômio 11.13 – “E será que, se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar ao SENHOR vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma”.

Provérbios 2.10 – “Pois quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento for agradável à tua alma”.

Provérbios 11.25 – “A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido”.

Provérbios 15.32 – “O que rejeita a instrução menospreza a própria alma, mas o que escuta a repreensão adquire entendimento”.

O Estado Intermediário - É um modo de existir entre a morte física e a ressurreição final do corpo sepultado, para a vida eterna ou para a perdição eterna. Portanto, uma habitação espiritual fixa, porém temporária. Para o salvo é descrito como um estado de descanso (Ap 14.13), de espera e repouso (Ap 6.10,11), de serviço (Ap 7.15) e de santidade (Ap 7.14). Para o não salvo, já é lugar de tormentos (Lc 16.23-25).

Na ressurreição o salvo em Cristo receberá um corpo glorificado (I Co 15.12-23;51-54). Aliás, a ressurreição é do corpo, o espírito e a alma do salvo aguarda a ressurreição no paraíso, tal como Jesus prometeu ao ladrão da cruz arrependido. E o espírito e a alma dos que não creram no evangelho de Jesus (Mc 16.15-16), sofrerão a condenação, em algum nível, separação eterna de Deus (Ap 20.11-15).

Lc 16.19-31 – A parábola do rico e Lázaro trata do estado intermediário no mundo espiritual. E tanto um, como o outro estão conscientes. Não foram extintas suas as consciências nem as almas deles.

Ap 6.9-11 - E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.

Observamos, no mundo espiritual, almas de mortos salvos, clamando em sã consciência por justiça, no contexto da grande tribulação, a qual estará ocorrendo na terra naqueles dias.

Lc 23.42-43 – O ladrão da cruz arrependido e após a sua morte, Jesus lhe prometeu está com Ele no paraíso (estado intermediário de todo salvo por Jesus). E após passar pelo tribunal de Cristo e pelas Bodas, adentrará aos céus, o tabernáculo de Deus com os homens.

Lc 23.42-43 – “E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”.

Ap 20.11-15 – “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.  E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”.

Muitos foram sepultados no mar da forma como morreram. Hades – mundo invisível, lugar intermediário dos mortos sem Cristo. É uma antessala do Lago de Fogo – a segunda morte, a condenação eterna quando forem julgados.   

Eis a advertência de Jesus em Mateus 10.28:

“E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo”. É condenação e não extinção da alma.

Para saber mais sobre aniquilacionismo veja: http://samuca-borges.blogspot.com/search?q=aniquilacionismo

Então, sejamos daqueles que crêem para a conservação da alma:

Hebreus 10.39 – “Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma”.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 21/03/2021 (Revisão em 02/11/2025).

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