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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Efésios 2.1 – Mortos em ofensas e pecados.

 

“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados”.

Morte no texto é uma metáfora no sentido de separação, não de incapacidade para agir, reagir. O contexto esclarece e respalda essa linha exegética.

a) Como mortos “andastes”, segundo o curso deste mundo...(Ef 2.2). Aqui os mortos andam.

b) “Andávamos” nos desejos da carne, fazendo a “vontade da carne e dos pensamentos” (Ef 2.3). Aqui andam, tem desejo, vontade e pensam.

Rm 6.23 – “Porque o salário do pecado é a morte...”  Ou seja, separação de Deus, enquanto que em Cristo podemos alcançar vida eterna. E cabe ao homem responder o chamado ao arrependimento em vida (Mc 1.15). E Deus não leva em conta o tempo de ignorância (At 17.30-31).

Is 59.2 – “Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça”.

a) Nitidamente, é no sentido de separação, uma barreira causada pelos pecados e desobediência em Israel, apontados pelo profeta.

b) Este foi problema de Adão no Éden, desobedeceu/pecou, morreu espiritualmente, separado de Deus, perdeu a comunhão com Deus (Gn 3.22-24). Foi expulso do Éden.

E Deus, na sua presciência, projetara a redenção (Gn 3.15), naquele momento lançou a maldição da queda sobre a terra (Gn 3.17). E resolveu a problemática do pecado no calvário (Jo 1.29;19.30; I Pd 1.18-20). Ele veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10).

c) Rm 5.12 – “Pelo que, por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”.

d) Aliás, na Bíblia o vocábulo morte sempre tem o sentido de separação, seja morte espiritual (no pecado, separação de Deus), morte física (separação da parte material das imateriais) e morte definitiva na condenação perante o Juízo Final.

e) Rm 3.23 - “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Destituídos (grego husteréo) no sentido de falhar em atingir o alvo, ficar aquém da meta.

f) Na queda no Éden o homem ficou com a imagem e semelhança do Criador maculada, manchada, não perdida (como ensina o extremo da depravação total). Perdeu o padrão de santidade para estar em comunhão com Deus. E somente por meio de Cristo, podemos nos achegar a Deus (Jo 14.6). Requer a Graça do Pai, sangue do Filho e resposta pela fé do arrependido.

g) A solução para a morte espiritual é o Novo Nascimento (Jo 3.3), sermos vivificados em Cristo (Ef 2.4-6).

A Redenção da cruz tem alcance universal

I João 2.2 – “...e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”.

Jesus Cristo, pelo seu sacrifício na cruz, sofreu a culpa do pecador, perdoa ao arrependido e restaura a paz com Deus. Ou seja, propiciou, abriu a porta para salvação.

O convite do Senhor Jeová, através de Isaías, para Israel em pecado, assim o é para com o homem no pecado, mediante a graça salvadora (Ef 2.8, Tito 2.11).

Isaías 1.18-19 - “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra”.

Obviamente que o resgate da queda humana também passa pelo crivo da misericórdia de Deus, foi Ele que proveu o Plano Redentivo, à disposição de todos os homens (Jo 3.16).

Enfim, Rm 9.15-16 – “...compadecer-me-ei de quem me compadecer e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende de quem quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece”.

O texto enfatiza a livre ação da misericórdia de Deus. Sua compaixão ativa e transbordante, não merecível, nem pode ser deliberada, não controlada pelos seres humanos. A decisão é sua para usar de misericórdia para com todos (Rm 11.32), uma vez que não faz acepção de pessoas, de nação, raças, etnias, etc. E como todos pecaram, todos nós dela carecemos. Amém!

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 03/08/2026.

sábado, 15 de março de 2025

Lição 11: A Salvação não é obra humana


Texto Áureo – Tt 3.5 – “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”. 

Introdução

1.O projeto da redenção humana é um ato soberano de Deus provido ao enviar Jesus para sofrer a nossa morte. E sem méritos humanos.

2.A salvação se revela por meio da graça de Deus manifestada em Cristo Jesus (Jo 1.17;3.16).

3.Veremos visões a respeito da salvação que contradizem o ensino bíblico, como: Nas religiões reencarnacionistas, sacramentais, nas legalistas, e tantas outras.  

4.A salvação é pura graça de Deus desde a ação do Espírito Santo, que nos convence do pecado, da justiça e do juízo.

5.Em Efésios 2.1-10, mostra-nos a estado espiritual da miséria humana, a impossibilidade humana de angariar a sua salvação por esforço próprio e como Deus fez para restaurar a comunhão do homem com Ele.

I – A salvação é pela graça de Deus

1.A extensão da corrupção do gênero humano - O apóstolo Paulo emprega algumas expressões para reforçar a dura realidade do pecado:

a) “mortos em ofensas e pecados” (v.1);

b) andando “segundo o curso deste mundo” (v.2);

c) “segundo o príncipe das potestades do ar” (v.2b);

d) “do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência” (v.2c);

e) “andávamos nos desejos da nossa carne” (v.3);

f) “éramos por natureza filhos da ira” (v.3b).

 É a triste fotografia da raça humana caída.

2.Efésios 2.1,5 – “Mortos em ofensas e pecados” – É uma metáfora que para descrever o estado da queda espiritual. Morte espiritual, na Bíblia quer dizer que a humanidade caída está separada de Deus (Is 59.2) e não significa aniquilação espiritual total.

3.Efésios 2.8-10 – Primeiro, a exegese bíblica ortodoxa, elimina qualquer interpretação ou tentativa da salvação com ajuda humana ou de qualquer esforço adicional para completar a obra de Cristo. 

No Monergismo e na Predestinação Incondicional – Efésios 2.8 é interpretado o dom citado referindo-se à fé. Na verdade, tentam reforçar a ideia de depravação total e o homem sem livre arbítrio, nada pode fazer. E até a fé para salvação é Deus quem dá, mas somente aos eleitos. É um jogo de cartas marcadas? Não estaria Deus fazendo acepção de pessoas para salvação? Contraria as Escrituras (Tt 2.11).

Salvação e Fé - É muito óbvio no texto que Paulo está falando de salvação. Fé é o meio para alcançar a salvação, o fim, objetivo. A Graça é de Deus e a fé resposta humana à salvação (Jo 3.16; Ef 1.13; Hb 4.2). 

Efésios 2.9 – “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” - É o arremate de que o dom é a salvação, o tema principal de Paulo em Ef 2.1-10. Salvação é dádiva gratuita de Deus. 

Steven Lawson – “A salvação não é uma recompensa para o justo, mas uma dádiva para o culpado”. E acrescento: e arrependido.

Arrependimento e a Fé – São encontrados numa operação cooperativa e simultânea para salvação no texto sagrado:

a) Jesus começou a pregar o evangelho nestes termos: “...Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).

b) Na repreensão de Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo (Mt 21.23), ele diz em Mt 21.32 – “Porque João veio a vós no caminho de justiça, e não crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isso, nem depois vos arrependestes para o crer”.

c) Atos 3.19 – “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados...”.

Como recebemos o perdão de Deus?

a) Em primeiro lugar, a morte de Jesus foi um sacrifício pelos nossos pecados. Padeceu um justo pelos injustos (Rm 5.8). Justificados pelo seu sangue, salvos da ira, do juízo (Rm 5.9).  Éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela sua morte (Rm 5.10).

Expiação – Ato de remover a culpa por meio do pagamento de uma penalidade ou da oferta de um sacrifício.

b) Em segundo lugar, o Novo Testamento fala sobre a morte de Cristo como uma ‘propiciação’ (grego hilasmos) pelos nossos pecados (Rm 3.21-26). Significa ‘uma oferta que satisfaz a ira de Deus pelo pecado’. E maravilhosamente, misericordiosamente, Deus o Pai, fornece esta oferta. 

c) Em terceiro lugar, e relacionado aos dois aspectos já mencionados, a Bíblia fala sobre a morte de Cristo como uma substituição. Na verdade, morte substitutiva e insubstituível, pois Deus não viu outro meio que atendesse a sua justiça.

Is 53.5 – “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.

II. Soteriologias Antibíblicas na Antiguidade.

1.Os reencanacionistas – A crença na reencarnação, é bastante antiga, originária do Hinduísmo, mas presente também no Budismo, no Jainismo e no Sikhismo.

O Espiritismo Kardecista - Surgiu na França, em meados do século XIX. É uma doutrina religiosa segundo eles, de cunho filosófico e científico. Os principais ensinos são: A comunicação com os mortos (mediunidade), fazer boas obras para uma constante evolução espiritual do ser humano, através das reencarnações. E não se misturam com o candomblé, quimbanda, umbanda e outras crenças afro.

2.Os galacionistas – Eram os legalistas judaizantes opositores do apóstolo Paulo na província da Galácia (Gl 1.7). Eles queriam que os gentios convertidos observassem a Lei de Moisés como condição para salvação (At 15.1). E “pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gl 2.16).

3.Os gnósticos. “No campo soteriológico, eles apregoavam uma visão dualista do universo, influenciados pelos pensamentos místicos que seguem:

Zaratustra ou Zoroastro (660-583 a.C.) - Segunda a lenda persa foi um profeta que nasceu de uma planta e de um anjo. Considerando o fundador do Zoroastrismo ou Masdeísmo – religião praticada pelos primitivos persas. É uma das fontes mais antigas que ensinava o dualismo entre o bem o mal.

“O maniqueísmo - Doutrina fundada por Mani em 230 d.C. - Teve uma grande expansão durante a Antiguidade chegando a Pérsia, Índia, China, Turquestão, Síria, Sibéria, Egito, Cartago e Roma. O maniqueísmo, assim como gnósticos buscavam explicar a origem do mal no mundo. Para tanto, pensava no mundo de forma dualista sendo gerido por dois princípios, um bom e outro mau, que estavam em luta. Tudo era explicado pela oposição entre os princípios, desde a criação do mundo (cosmogonia), a criação do homem, a moral e o juízo final”.

Na visão gnóstica o ser humano, para ser salvo, precisa se libertar da prisão do mundo e de seus poderes planetários, e essa libertação só é possível por meio de um conhecimento místico, gnosis, uma espécie de iluminação espiritual limitada aos “espirituais”.

III. As Soteriologias contemporâneas.

1. O Islamismo – De modo geral o que ensina:

a) Se as boas ações superarem as más, tal pessoa irá para o paraíso (Alcorão 13.22.23);

b) Allah não ama os pecadores, mas somente os piedosos: “Allah não ama os agressores... Allah não ama a nenhum ingrato pecador” (Alcorão 2.190, 276). Esta é uma das 24 vezes que o Alcorão afirma que Allah não ama os pecadores;

c) Na concepção dos islâmicos, não há necessidade de expiação, logo, não existe salvação como no sistema cristão. A salvação no contexto deles é por mérito, pelas obras. E principalmente se tiver fazendo o que Maomé profetizou.

2. As Testemunhas de Jeová:

a) A salvação não está em Cristo, mas na organização religiosa delas, diferente do que ensina a Bíblia (Jo 14.6).

b) Existem dois grupos de salvos, um que tem direito ao céu, restrito a 144.000, a “classe dos ungidos”;

c) Outro grupo, a “classe da grande multidão” e a que vai herdar a terra, segundo a teologia do movimento;

d) As Testemunhas de Jeová, que pertencem à “classe da grande multidão”, não são filhos de Deus, não pertencem a Cristo, não têm o Espírito Santo, Jesus não é o Mediador delas nem têm esperança de salvação.

Refutação - A Bíblia nos ensina que não existe cristão sem o Espírito Santo (Rm 8.9) e que “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).

3. O Mormonismo - Em geral ensina:

a) Creem numa salvação geral, em que os não mórmons são castigados e depois liberados para a salvação, e numa perspectiva individual, em que a salvação é obtida pela fé em Jesus e pela obediência às leis e às ordenanças;

b) Eles consideram ordenanças, segundo os artigos 3 e 4 das Regras de Fé, fé em Jesus, arrependimento, batismo por imersão e imposição de mãos, mas há outros requisitos. Um deles é aceitar Joseph Smith Jr. como porta-voz de Deus.

CONCLUSÃO

1.De Deus partiu a iniciativa soberana e primária de redenção. É a misericórdia divina que leva as pessoas ao arrependimento (Rm 2.4).

2.Pela Bíblia, entendemos que somente pela graça de Deus é possível chegar-se a Ele, mediante a fé, resposta humana ao plano redentivo, sem méritos dos pecadores.

3.Deus disponibilizou a sua graça para todos os seres humanos e não para uns poucos escolhidos. A Bíblia ensina que a salvação é para todos (Jo 3.16;Tt 2.11).

Fontes da pesquisa:

Bíblia Sagrada.

Lição EBD/CPAD – 1º trimestre de 2025. 

Anotações pessoais.

www.significados.com.br

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 13/03/2025.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Propiciação, Expiação e Redenção.

 

Propiciação – É a oferta, o sacrifício para satisfazer ou apaziguar a ira de Deus, encobrindo assim a culpa do pecador (Lv 4.20;7.7;19.22). No NT propiciação é o que Cristo fez por nós, apaziguando a ira Deus em si mesmo, pelo que padeceu por nós. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

Expiação – Ato ou efeito de substituir ou assumir a culpa do outro. Isto é, no AT simbolicamente o animal substituía o pecador (Lv 4.20;7.7; Nm 28.15).

Por meio da expiação de Jesus Cristo, na cruz, todo crente é purificado da mancha e da culpa dos seus pecados e reconciliados com o Pai Celestial (II Co 5.19; Ef 2.1; I Jo 1.7; 2.2; I Pd 1.18-19; Ap 5.8-9).

A expiação abrange toda a obra da reconciliação, enquanto a propiciação aborda a necessidade específica de satisfazer a ira de Deus. E tem caráter ilimitado para com toda a Humanidade. Eficaz para quem vier a crê (Jo 1.29; 3.16; II Co 5.19; I Jo 2.2). A ira divina significa a justa indignação contra o pecado.

O sistema sacrifical do AT não removia o pecado de fato (Hb 10.4), mas apontava para Cristo (Hb 10.1). Jesus é quem de fato propiciou e expiou nossos pecados (I Jo 2.2; Rm 3.25; Rm 5.8).

Rm 3.25 - “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus.”

Em termos soteriológicos, o sangue de Jesus teve efeito retroativo, computando a justiça de Deus para redenção dos crentes do Antigo Testamento. Cristo é o antítipo das figuras do culto mosaico no AT.

Redenção – É o ato de adquirir de novo, de resgatar, libertação, reabilitação, reparo. Enquanto a salvação é o estado do salvo em Cristo, a redenção é um dos processos de Deus, do alto que conduz à salvação. 

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 14/03/2025.

A Eleição, Presdestinação, a Graça, Fé e a Expiação em poucas linhas.

 

Primeiro, é relevante compreender à luz das Escrituras que a eleição é coletiva, ou seja, para o corpo de Cristo, a Igreja (Ef 1.4-5; Jo 3.16; I Tm 2.4-6; Tito 2.11). De modo que todo salvo é um eleito em Cristo, filhos por adoção (Jo 1.12; Ef 1.5; Gl 4.5-6).

I Pd 1.2-5 - A eleição é segundo a presciência de Deus Pai, isto é, o conhecimento antecipado, desde a eternidade, daqueles que viriam a dar crédito ao evangelho. A exegese do texto não dar margem para determinismo de quem vai ser salvo e de quem vai ser condenado, antes de vir ao mundo.

Predestinação – “Teologicamente diz respeito a: “propósito determinado por Deus desde a eternidade para os que estão em Cristo”. Desse modo, é bom que se destaque, embora intimamente relacionadas, eleição e predestinação são institutos bíblico distintos. Eleição significa escolha, enquanto predestinação tem a ver com o fim dado aos escolhidos. Eleição é o ato pelo qual Deus escolhe homens para si mesmo; predestinação é o ato determinativo de Deus quanto ao destino dos que Ele escolheu. Predestinação, na Bíblia, não tem a ver com escolha, mas com o destino dado àqueles que já foram escolhidos (DANIEL, 2017, pp. 424,425)”.  

Os objetivos da Predestinação – Segundo a teologia Paulina, três são os objetivos da predestinação bíblica em relação aos salvos em Cristo:

a) serem filhos de adoção (Ef 1.5);

b) serem coerdeiros com Cristo (Ef 1.11); e

c) serem conforme a imagem de Cristo (Rm 8.29).

“Predestinação à luz da Bíblia, não tem por objeto a fé (não define se alguém vai crer ou não) […] trata-se da definição divina daquilo em que aqueles que estão em Cristo se tornarão ao final (DANIEL, 2017, p. 424)”.

Constatamos na Bíblia chamadas específicas para salvação e serviço no Plano Divino Redentivo. Assim foi com Israel, a partir de Abraão. Em primeiro plano deles é: A adoção de filhos, e a glória, os concertos, e a lei, e o culto e as promessas (Rm 9.4). São filhos por eleição. Não significa que todo judeu é automaticamente salvo em Cristo Jesus. Pesa a responsabilidade individual, conforme a época e grau da revelação divina.

Judas Iscariotes é um caso notório. Debaixo de uma chamada específica, entre os doze, e se deixou ser usado pelo diabo (Mt 22.3; Ef 4.27). Desviou-se do caminho (At 1.25). Aliás, desde o início ele comportou como um mau caráter. Porém, as profecias não o predestinou à perdição, apenas revelou antecipadamente (Jo 6.70-71).

A Teologia Reformada está centrada nos eleitos, não em Cristo. Daí, surgiram os extremos, do conceito espichado da depravação total, a perda da imagem de Deus no homem e do livre arbítrio, a dupla predestinação etc., tendo o seu maior expoente Agostinho de Hipona (354-430), que mais tarde, no século XVI, muito influenciou o teólogo francês João Calvino (1509-1564), citando-o na sua obra As Institutas, cerca de 400 vezes.

A graça capacita a crer todas as pessoas que ouvem atentamente a pregação do evangelho. A vontade perfeita, plena de Deus é salvar (sempre no presente) a todos os homens, vindo ao conhecimento da verdade (I Tm 2.4). No cronos humano, sabemos que muitos já partiram sem esperança de salvação, sem haver crido em Cristo.

A graça de Deus precisa ser estudada em três aspectos: Preveniente, subsequente e universal.  Sem a graça de Deus, o homem caído só poderia externar a pobre fé natural, genérica, não a salvífica.  

A Graça Preveniente – É o meio pelo qual Deus, antes de qualquer ação humana, atrai graciosamente o pecador e o capacita espiritualmente para que se arrependa e creia em Cristo. O homem está morto em delitos e pecados (Rm 3.9-25; Ef 2.1;2.8), é no sentido de separação de Deus, corrompido, não significa completamente destruída, aniquilada a imagem de Deus no homem, o livre arbítrio afetado pela queda, mas não perdido, não arruinado na sua plenitude (Gn 4.7). A graça de Deus habilita a consciência moral do pecador, no seu espírito, para tomar a decisão pessoal e espontânea a fim de dá crédito ou não, ao evangelho (Mc 16.15-16; Rm 1.19-22;10.10-17).

A Graça Subsequente – É a segunda operação da graça de Deus que se segue ao estágio inicial da graça preveniente, complemente da parte de Deus. Enquanto que a graça subsequente é cooperante, e vai produzir, construir um relacionamento entre Deus e o novo homem. Neste estágio já convencido pelo Espírito é nova criatura em Cristo (II Co 5.17). Sendo assim, segue-se o processo de conversão.

A Graça Universal

João 3.16 – Deus não amou a alguns para salvar. Amou o mundo (a humanidade), providenciou o meio, quem vier a crê tem a vida eterna, não perecerá.

Mateus 26.28 – Faz menção do sangue da Nova Aliança, derramado por muitos para remissão dos pecados. Isto é, sacrifício eficaz para com aqueles que viessem a crer no evangelho de Jesus.

Atos 2.47 – Assim sendo, os que iam crendo na Palavra pregada (At 2.41), eram acrescentados ao Corpo de Cristo, a Igreja (At 3.19).

A Fé para Salvação

Judas 3 – “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”.

A fé dada aos santos em Judas não é a fé para salvação individual, em si mesma.  Fé aqui, considerando o contexto neotestamentário, trata-se de todo o arcabouço doutrinário da Igreja Cristã em formação debaixo de severas lutas e perseguições.

A salvação é efetivada pela fé em Jesus, o Salvador. O homem é salvo porque creu e será condenado se ficar na condição de incrédulo (Mc 16.15-16). Então, a fé salvífica (para salvação), é meio, resposta humana à graça redentora de Deus. A fé não tem natureza meritória humana, é causa instrumental. Somos salvos pela graça mediante a fé (Ef 2.8). Arremata Paulo, salvação é dádiva gratuita divina e não vem de boas ações humanas para que ninguém se glorie (Ef 2.9).

A responsabilidade de responder positivamente ao chamado de Deus pela graça é individual. Jesus disse: “Se alguém tem sede, que venha a mim e beba” (Jo 7.37-38;Ap 22.17). E permanecer (Jo 8.31).

O homem natural é instruído a buscar a Deus, o Senhor, enquanto se pode achar (Is 55.6-7). O homem precisa assumir o seu estado, confessá-lo e deixá-lo para alcançar misericórdia (Pv 28.13). Nestes termos, diz respeito à responsabilidade individual que no seu bojo, o pai não responde pelo filho, nem o filho pelo pai (Ez 18.20). "A alma que pecar, essa morrerá".

Sem sombra de dúvidas, a graça divina tem efeito eficaz quando a pregação do evangelho é recepcionada nos corações dos que a ouvem para segui-la e obedecê-la (Mc 16.15-16; Hb 4.2).

Quanto à expiação? É por toda a Humanidade e eficaz para quem crê (Jo 3.16).

Expiação - Ato ou efeito de substituir ou assumir a culpa do outro. Por meio de Cristo, na cruz, todo crente é purificado da mancha e da culpa dos pecados e reconciliados com o Pai Celestial.

João 1.29 - Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo (humanidade).

João 16.8-11 - O Espírito Santo veio para convencer o mundo (humanidade), do pecado da justiça e do juízo. 

II Coríntios 5.19 - Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo.

Em I João 2.2 – “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”. Isto é, o sacrifício de amor por todo o mundo (humanidade) de João 3.16 é suficiente para salvar a todos que crerem no Evangelho. As Escrituras não comportam o ato da expiação limitada. Voltemo-nos às Escrituras. 

Fontes de Pesquisas:

A Bíblia Sagrada.

Anotações pessoais.

As Parábolas de Jesus e a Resposta Humana – Uma análise a partir da soteriologia arminiana – Carlos Kleber Maia – Editora Santorini 2022. 1ª Edição.

Lição 03 - EBD/CPAD – A Eleição e Predestinação - 2º Trimestre de 2020 - RBC1 / ADPE.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 14/03/2025. 

quinta-feira, 6 de março de 2025

Lição 10 – O pecado corrompeu a natureza humana.

Rm 3.23 – “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.

Introdução

1.Em Gn 3.1-24, encontramos o primeiro casal no Éden, onde ela e ele foram tentados e caíram, perderam a comunhão com Deus. Foram expulsos do Jardim do Éden.

2.A problemática do pecado foi introduzida no mundo dos homens, mas Eva e Adão não são os autores do pecado (Gn 3.1-7).

3.Adão e Eva foram vítimas com suas responsabilidades, mediante o que Deus lhes havia recomendado a obedecer: Podiam comer de qualquer árvore do jardim, menos da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.16). A consequência: Morte espiritual e física.

4.É inegável que a queda pela desobediência distorceu a imagem de Deus no homem e causou graves problemas em todo o existencial humano na história. Porém, Deus proveu um meio para resgatar o homem. Foi anunciada a vinda do Redentor (Gn 3.15).

5.E como todos os humanos vieram do primeiro casal, herdamos a natureza degenerada do pecado (Sl 51.5;58.3; Is 1.6; Rm 5.12).

Objetivos da Lição:

I) Explicar a doutrina bíblica do pecado e sua extensão;

II) Mostrar a heresia que nega o advento do pecado;

III) Pontuar o perigo dessa heresia para a vida do crente e da Igreja.

I – A Doutrina Bíblica do Pecado e a sua Extensão

1.O autor do pecado - Quando identificamos quem foi o tentador, através da serpente, na verdade, o próprio diabo, cujo identidade em Ap 12.9, chama-o de a antiga serpente.

2.Era originalmente o querubim ungido, perfeito em sabedoria e formosura (Ez 28.12-15) que se rebelou contra Deus e foi expulso do céu (Is 14.12-15). Com sua queda, vieram com ele os anjos que aderiram à rebelião, e uma parte deles continua em prisão (II Pd 2.4; Jd 6).

3.Em João 8.44 – Jesus identifica o diabo desde o começo como assassino, enganador, mentiroso e pai da mentira.

“...Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira”.

Não há qualquer linguagem figurada em Gênesis 3 que suplante o fato histórico relatado naquela passagem, inclusive são inegáveis as consequências no mundo dos homens. Desde a queda convivemos com dois males no seio da Humanidade: Do diabo e do homem. 

2.“Foram abertos os olhos de ambos” (Gn 3.7). Quando o casal comeu do fruto proibido, ambos perceberam que estavam nus, envergonharam-se e procuraram se esconder da presença de Deus (Gn 3.7,8). Era a ruptura imediata da comunhão com o Criador, morte espiritual. Aliás, morte na Bíblia sempre significa separação (Is 59.2).

3.A consequência da Queda no Éden. A Bíblia afirma essa realidade sobre todo o gênero humano: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12).

4.Extensão do pecado. Estende-se a todas as pessoas e corrompeu na sua totalidade, espírito, alma e corpo (Rm 2.9; 8.10; II Co 7.1), intelecto e vontade (Is 1.3; Jr 17.9), consciência e razão (1Tm 4.2; Tt 1.15). Tudo isso diz respeito à extensão, dos pés à cabeça (Is 1.5,6), não se refere à intensidade.

A incapacidade humana de conhecer a Deus por seus próprios esforços – Deus se revela pela Criação, na consciência humana, pelas Escrituras e o ápice foi vir à terra e se fazer homem, no seu Filho Jesus Cristo. Todos os indivíduos dependem do convencimento pelo Espírito e da graça de Deus (Jo 16.8-11; Ef 2.8). Pela pregação do evangelho chama os homens ao arrependimento para crê (Mt 21.32). São respostas humanas na dinâmica da salvação (Mc 1.15; 16.15-16).

A Corrupção Geral do Gênero Humano – “A Queda no Éden arruinou toda a humanidade tão profundamente que transmitiu a todos os seres humanos a tendência ou inclinação para o pecado. Não somente isso, contaminou toda a humanidade: “não há um justo sequer” (Rm 3.10)”. Todas as pessoas estão mortas em ofensas e pecados (Ef 2.1,5). E aquele que vive na prática do pecado, escravo dele é (Jo 8.34).

Refutação à Depravação Total – O que significa? Nada mais, nada menos do que uma verdade bíblica levada ao extremo. Ensinam que o homem perdeu totalmente a imagem e semelhança com o seu Criador. Ou seja, os atributos de moralidade, racionalidade e espiritualidade foram ofuscados. E logo, perdeu também o livre arbítrio. E de nada adianta dá outros nomes (livre agência, livre escolha) e continuar negando o livre arbítrio humano.

A imagem de Deus no ser humano caído – Ela não foi erradicada, está desfigurada, maculada, mas não aniquilada (Gn 9.6; Tg 3.9). E o homem, mesmo no pecado possui o livre-arbítrio, tem a capacidade de fazer escolhas (Js 24.15; Jo 7.17; II Pd 3.5; Ap 22.17).

Consequências do extremismo doutrinário – A negação do livre arbítrio no homem (a capacidade de tomar decisões e fazer escolhas), desemboca no monergismo, o progenitor do calvinismo e concluem que só Deus é o responsável para redimir o homem, independentemente de qualquer ação da sua parte. E Deus soberanamente, como causa primária, determina tudo no homem e no seu destino final. E salvará somente “os seletos eleitos”. É como está escrito: “Um abismo chama outro abismo...” (Sl 42.7).

“A Eleição e a Predestinação centradas nos eleitos, não em Cristo, deforma as doutrinas da salvação (da soteriologia) nas Escrituras” (Samuel Borges).

II. A Heresia que Nega o Advento do Pecado

1.O Pelagianismo – É a heresia mais antiga no tocante à pecaminosidade no gênero humano. O nome vem de Pelágio, monge erudito britânico (360-420) que se transferiu para Roma em 409. Foi contemporâneo de *Agostinho de Hipona (354-430).

*Influenciado pela gnose maniqueísta onde passou cerca de dez anos, antes de se converter ao Cristianismo, Agostinho é o maior responsável por introduzir a doutrina da depravação total (linha teológica derivada seu conceito de pecado original), a negação do livre arbítrio no homem, o batismo de crianças e defender a dupla predestinação nos seus últimos escritos da sua vida, afetando a fé cristã, a partir do Romanismo.

O que ensinavam no Pelagianismo? O ser humano não nasce em pecado, a transgressão de Adão não afeta diretamente os outros, não existe pecado original, não existe a corrupção geral do gênero humano. São alguns pontos do pensamento pelagiano. O Pelagianismo foi condenado no Concilio de Éfeso em 431.

Resposta Bíblica:

Um pouco da Hamartiologia – Doutrina do Pecado.

1.O Pecado Imputado (imputar acusar, atribuir culpa, crime...).

Transmissão do pecado: Transmitido por Adão a cada membro da raça humana. E por conseguinte todos pecaram e destituídos estão da glória e da presença de Deus (Rm 3.23).

Significado por extensão: O resultado da contaminação pelo pecado da queda no Éden. Ou seja, em razão de sermos e havermos herdado a mesma natureza caída.

Texto-chave: Romanos 5.12 – Toda a humanidade estava em Adão, e todos nós enfermamos espiritualmente e moralmente. Hoje todos somos propensos a pecar. Logo, respondemos pelos nossos atos, pecados e culpabilidades.

Responsabilidade Individual – “A alma que pecar, essa morrerá...” (Ez 18.20ª). Não respondemos pelos pecados pessoais de Eva e Adão.

Penalidade: Morte física e espiritual.

Remédio: A Justiça imputada de Cristo (II Co 5.18-21). “...Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo...”.

Pr. Batista, Glênio Fonseca Paranaguá, afirmou:

“A cruz é o instrumento cirúrgico que, amputando o pecado do ímpio e imputando a justiça do santo, restaura a glória perdida com o pecado”.

2.Pecado - Resumido em três aspectos:

a) Um ato - Violação ou falta de obediência para com a vontade de Deus.

b) Um estado - Ausência de justiça e pureza.

c) Uma natureza - Inimizade contra Deus, uma barreira que impede o homem de se relacionar com Deus.

Blaise Pascal (1623-1662), afirmou: “O homem é um amontoado de misérias e de grandezas.  Um rei sem trono, mas sempre rei. O homem é um complexo do bem e do mal, digno, ao mesmo tempo de respeito e de desprezo”.

3.Principais Significados de Pecado na Bíblia

Transgressão – Infração da lei, limite divino entre o bem e o mal (Sl 51.1; Rm 2.23).

Iniquidade – Um ato inerentemente errado, quer expressamente proibido ou não (Rm 1.21-23).

Erro – Um afastamento do bem (Rm 1.18; I Jo 3.4).

Errar o alvo – Um fracasso em atingir o padrão divino (Rm 3.23).

Delito – Invasão da vontade própria na esfera da autoridade divina (Ef 2.1).

Rebeldia – Anarquia espiritual, confrontar a Deus (I Tm 1.9).

Incredulidade – Um insulto à veracidade divina (Jo 16.9).

4.A Doutrina do Pecado em cinco pontos:

1 - Originou-se em Satanás (Is 14.12-14; Ez 28.14-15).

2 - Entrou no mundo humano por Adão (Rm 5.12).

3 - É universal, com a única exceção de Cristo (Rm 3.23; I Pd 2.22).

4 - Está sob a pena da morte espiritual, física e condenação eterna

(Gn 2.17; 3.19; Ez 18.4,20; Rm 6.23).

5 - Não tem remédio a não ser na morte sacrificial de Cristo (Jo 3.16; At 4.12; Hb 9.26).

III – O Perigo atual da negação do Pecado sobre a raça humana

a) As religiões reencarnacionistas negam a queda do homem no Éden;

b) O movimento religioso denominado Ciência Cristã nega a existência do pecado;

c) No Mormonismo, a transgressão de Adão não passou para a raça humana. Ou seja, negam a natureza humana caída. Obviamente, o pecado é individual, porém, pecamos por somos pecadores por natureza.

Rm 3.10-12 - Todos se extraviaram, não há quem faça o bem.

d) No iluminismo também havia alguns teóricos, negando o pecado original. A luz da razão era o que podia levantar o homem socialmente e fazê-lo próspero em tudo.

Consequências: Descentralizam a fé do calvário, da necessidade humana de redenção pelos méritos de Cristo, bem como desmerece sua morte vicária. Portanto, é uma ignorância gritante à Graça de Deus.

“Quem acha que merece o céu, depõe contra si, prova que não nasceu de novo”.

A Igreja como coluna e firmeza da verdade – Importa identificar o ensino antibíblico, para apresentar no contraponto o Evangelho que conduz à salvação, porque Jesus morreu por todos na cruz (Jo 3.16; I Co 15.3; I Tm 1.15). E nessa missão, temos a ajuda do Espírito Santo (Lc 12.12; At 1.8).

O analfabetismo bíblico tem levado muitas pessoas ao erro doutrinário. E mais além, ao inferno, e muitos deles, com o zelo cego da religiosidade.

Conclusão

1.Há esperança em Jesus para todo o crê, apesar da degeneração espiritual do homem.

2.O maligno no seu engano tem feito de tudo, inclusive pela religião e seitas, para o homem caído não encontrar o caminho de volta para Deus.

"Não é possível tornar o inferno atraente, então o diabo torna atraente o caminho que leva até lá" - Basílio de Cesareia.

3.Que preguemos o evangelho com amor e ousadia, levando vidas a Cristo Jesus.

4.Em apologia da fé o CACP (Centro Acadêmico Cristão de Pesquisa), tem o lema:

“Fazendo pela verdade o que as seitas fazem pela mentira”. Um exemplo a seguir.

Fontes da pesquisa:

Lição EBD/CPAD – 1º trimestre de 2025.

Bíblia Sagrada.

Declaração de Fé AD Brasil. Edição 2016.

www.pt.wikipedia.org

Anotações pessoais.


Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 06/03/2025.

terça-feira, 16 de abril de 2024

As relíquias da salvação

 

Quando vier o que é perfeito, quando vier o que é completo, o que é imperfeito e incompleto desaparecerá. Acontece, porém, que quando vier o que é perfeito, o que é completo, muitas coisas boas do presente não precisarão desaparecer, ser jogadas no lixo ou enterradas numa cova mortuária. Embora não necessárias no futuro, elas merecem respeito porque foram muito úteis no presente processo ou na presente história da salvação. Estas coisas deverão ser arquivadas em sinal de reconhecimento e gratidão. Não há melhor lugar para elas do que o estojo de lembrança ou o porta-joias. Quem sabe, cada um de nós poríamos no memorial da salvação pelo menos estes quatro porta-joias:

O porta-joias da Palavra

Aqui eu guardo a Palavra de Deus. Ela me ajudou muito. Foi o livro que eu mais li. Desde a infância. A vida inteira. Há um filete de sangue que percorre toda a Bíblia. Do Gênesis ao Apocalipse. Desde o sangue dos animais sacrificados para que de suas peles Deus cobrisse a nudez de Adão e sua mulher (Gn 3.21) até as duas últimas referências ao sangue do Cordeiro, que tornou brancas as roupas da grande multidão que ninguém podia contar e que eram de todas as nações, tribos, raças e línguas (Ap 7.9-17; 12.11). Essa Palavra testifica de Cristo e me levou a ele. Ela me mostrou a grande destruição e a grande reconstrução, a grande queda e a grande salvação.

O porta-joias da fé

Aqui eu guardo a fé, a consistência do que eu esperava e a certeza daquilo que hoje vejo e agarro com as mãos, quando isso era outrora impossível. Por meio dessa fé eu me aproximava de Deus e o aguardava. Era por meio dessa fé que eu via meu pecado sobre Jesus, era por meio dessa fé que eu via a cruz vazia e a sepultura vazia, era por meio dessa fé salvadora que eu via Jesus à direita de Deus, era por meio dessa fé que eu via o que hoje estou vendo sem a ajuda dela. A fé sempre foi para mim como o cano que liga a caixa d’água à torneira ou como o fio que liga o gerador de energia à tomada.

O porta-joias da esperança

Aqui eu guardo a esperança. Quantas vezes a minha esperança batia as asas e ia embora, deixando-me sozinho frente à dor. Quantas vezes a minha esperança batia as asas outra vez e voltava para mim! No deserto eu não tinha esperança, no fundo do abismo eu não tinha esperança, no vale da sombra da morte eu não tinha esperança, na tristeza eu não tinha esperança, no abandono eu não tinha esperança. Mas, porque “o amor de Deus não se acaba, e a sua bondade não tem fim”, somente por causa disso, eu voltava a ter esperança e aguardava em silêncio a ajuda do Senhor (Lm 3.21-26). A esperança me levava para bem longe, para um futuro distante, mas esplendoroso, onde hoje estou!

O porta-joias da confissão

Aqui eu guardo a confissão. Quantas vezes eu precisei dela para dizer ao Pai que havia pecado pela primeira vez, pela segunda vez, pela sétima vez, pela 490ª vez. Quantas vezes confessei e quantas vezes ele perdoou os meus pecados e me purificou da minha injustiça! Como pecador, quase todas as minhas orações começavam com a oração do publicano: “Senhor, tem misericórdia de mim!”. Além da pecaminosidade interior, além do pecado desejado, além do pecado cometido, além do pecado ainda não visualizado – eu confessava a minha fragilidade, a minha incapacidade, a minha impossibilidade de superar determinadas fraquezas. Por meio da confissão – e só por meio dela – eu mantinha a higiene da alma.

Fonte: Revista Ultimato maio-junho 2013 Edição 342.

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