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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

A origem do título “mãe de Deus”, atribuído à Maria e a Dupla Natureza de Jesus.

 

O título "Mãe de Deus", theotokos, literalmente, 'portadora de Deus' foi defendido por Cirilo de Alexandria (376-444). O fato se deu no século V quando se discutia sobre as duas naturezas de Jesus, a divina e a humana. A respeito de que a Bíblia é clara e objetiva. Religião sem Bíblia confunde o simples e mistura a verdade com mentiras. E infelizmente dá força e alimenta heresias.

Enquanto Nestório (380-451), bispo de Constantinopla entre 428-431 defendia o termo chistotokos, “mãe de Cristo”. Maria é mãe do Jesus humano (Mt 2.11,13,14,20-21), pois como Deus Ele não tem mãe. Deus é o eterno (Sl 90.2; 93.2; Is 40.28).

A expressão adotada por Cirilo, bispo de Alexandria, entre 412 a 444, era uma contradição teológica atabalhoada, sem base bíblica.  Embora a posição de Nestório fosse bíblica e teologicamente correta, o termo “mãe de Deus” se popularizou e prevaleceu sobre a visão e tese de Nestório. E assim se seguiu no romanismo. O Cristianismo pautado nas Escrituras nunca assumiu esse entendimento teológico e de fé.

O romanismo, ao longo dos séculos, vem definindo sua teologia e dogmas por decretos papais, ignorando o revelado na Bíblia, no vazio entendimento de que a autoridade da Instituição Igreja está acima das Escrituras. Daí, as consequências neste particular.

Os quatro dogmas marianos:

A maternidade divina (atribui-se ao Concílio de Éfeso, em 431).

A virgindade perpétua (atribui-se ao Concílio de Constantinopla, em 553).

A imaculada conceição (bula proclamado pelo Papa Pio IX em 1854). 

E a Assunção de Maria (dogma declarado por Pio XII no pós-guerra, em 1950).

E segundo o site pt.aleteia.org, “os dogmas sobre Maria são verdades de fé declaradas por um Concílio ou por um Papa e nas quais o fiel católico é obrigado a acreditar e professar” - (pesquisa em 18/01/2025).

As Duas Naturezas de Jesus – A Divina e a Humana. Várias heresias surgiram até se definir bíblica e teologicamente a respeito.

Gnosticismo – Vem do grego “gnosis”, cujo termo significa conhecimento. Não um conhecimento racional, científico e sim intuitivo, esotérico, de caráter místico com forte influência pagã. Desde o primeiro século da era cristã, esse movimento se debateu com o Cristianismo primitivo. Considerando má e corrupta a matéria. O mundo material foi criado por deus inferior, de nome demiurgo. Defendem um dualismo entre o mundo espiritual e o material. Pelo “gnosis”, liberta-se o homem do material. Não reconheciam Jesus ter vindo em carne E, portanto, negavam a humanidade de Jesus.

Arianismo – É uma heresia defendida no século IV por Ário, um presbítero de Alexandria, no Egito. Ele postulava a ideia de que Jesus foi criado por Deus como o primeiro e mais importante ato da Criação. Era a crença de que Jesus era um ser criado com atributos divinos, mas não era divindade em Si mesmo. Contrariamente, Jesus mesmo proclamou a sua auto existência e eternidade (João 8.58; 10.30). João 1.1-2 nos declara que Jesus “estava com Deus”. O Concílio de Niceia, em 325, condenou o arianismo. Ainda hoje perdura a visão ariana no Jeovismo/russelismo.

Apolinarismo – Apolinário foi bispo da igreja de Laodicéia e que originou esse ensinamento em 361 d.C. O apolinarismo foi rejeitado nos vários concílios da Igreja Primitiva, incluindo o 1º Concílio de Constantinopla em 381. Ele acreditava que Jesus tinha um corpo e uma alma humanos, mas a mente de Jesus foi substituída pelo Logos. Assim como o cinza é um meio termo entre preto e branco, a mistura resultante de divino e humano, de acordo com o Apolinário, não era nem totalmente divina nem totalmente humana. Então, negava a verdade bíblica de que Jesus Cristo tem duas naturezas distintas (humana e divina) unidas em uma Pessoa. O apolinarismo, como o Docetismo negavam a humanidade de Cristo, deve ser rejeitado porque é uma visão antibíblica da natureza de Jesus, diminui sua santidade e diminui a suficiência de Sua expiação.

Nestorianismo - Na visão e discussão teológica acerca das duas naturezas de Jesus, estava errado. No seu pensamento as duas naturezas de Jesus, a humana e a divina, eram duas pessoas. A afirmação nestoriana foi condenada como heresia no Concílio de Éfeso em 431 e em 451 na Calcedônia. Quanto ao termo Chistotokos - "mãe de Cristo", estava teologicamente correto. Todavia, não lhe foi dada a oportunidade de fazer a defesa da tese. Foi consumariamente condenado.

Monofisismo - Defendido por seu principal expoente Êutico (378-454 - monge de Constantinopla) também foi discutido e desqualificado. Essa doutrina ensinava que as duas naturezas de Jesus, a humana e a divina, se fundiam em uma só, não unidas, e sim uma fusão, misturadas. Nem totalmente Deus nem totalmente homem. Porém, as Escrituras são evidentes, Jesus é perfeito quanto à sua divindade e perfeito quanto a sua humanidade (Rm 9.5; Fp 2.5-11). O Monofisismo foi discutido e condenado no Concílio de Calcedônia em 451.

A União Hipostática – As duas naturezas de Jesus, o Cristo - Foi definida no Concílio de Calcedônia, a humana e a divina, obviamente, em uma só pessoa. Assim foi declarada: “as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência; não dividido ou separado em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor”.

O Kenoticismo - A teologia quenótica foi introduzida pela primeira vez no final do século XIX pelo teólogo alemão Gottfried Thomasius (1802-75), ensinava que Jesus havia se esvaziado de atributos divinos para se tornar humano. E se apresentou entre nós como um ser menos do que Deus, vazio da Deidade.

Jesus despiu-se da sua glória que tinha junto ao Pai (Jo 17.5) - Não de seus atributos divinos como ensina o kenoticismo. É autoexistente (Jo 5.26;8.58). Uma unidade com o Pai (Jo 10.30). Jamais deixou de ser Deus. E legitimamente recebeu adoração (Mt 8.2;9.18;15.25; Jo 9.38), perdoou pecados (Mc 2.5-7; Lc 7.48), repreendeu a fúria do mar (Mt 8.26; Mc 4.39). E como o Cordeiro de Deus efetuou o sacrifício eficaz, perfeito e único, em favor da Humanidade (Jo 1.29). 

Jesus encarnou e manifestou-se 100% Deus, 100% homem. Porém, não era 100% humano, uma vez que nasceu de modo sobrenatural e de uma virgem (Mt 1.18-25). Do contrário, seria apontado com o pecado da queda do gênero humano (Rm 5.12;Hb 4.15). José foi pai de Jesus no sentido adotivo. A vida do casal José e Maria seguiu o curso normal, gerando filhos e formando uma família de vários membros como constam nos evangelhos (Mt 13.54-57;Jo 7.1-6; Mc 6.1-4). 

Eis o mistério da encarnação: Deus pôde se tornar homem, sem deixar de ser Deus.

Fontes da pesquisa:

Lição 3 e 7 EBD/CPAD – 1º trimestre de 2025.

Bíblia Sagrada.

Pt.aleteia.org

www.hermisten.com.br.

Gotquestions.org

Porto Editora – Arianismo na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2025-01-18 23:25:29]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$arianismo

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 28/01/2025.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

A Igreja de Jesus e o denominacionalismo.

A partir da imagem abaixo, refletiremos em alguns pontos.

Fato diretamente relacionado: O fundador da igreja evangélica Bola de Neve, conhecido como Apóstolo Rina, sofreu um acidente de moto na tarde de domingo, 17/11/2024. Rinaldo Luiz de Seixas Pereira (52 anos) não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP). Óbito em 18/11/2024. 

“...A Igreja Bola de Neve, fundada em 1999, uma das maiores denominações evangélicas do Brasil, atualmente conta com mais de 560 unidades espalhadas por 34 países. A igreja ficou conhecida por atrair fiéis mais jovens e ligados a esportes radicais”.

1.Dizem que o governo da Igreja é teocrático. Na verdade, deve, precisa ter o dedo e direção de Deus. Assim era na Igreja Primitiva. Não serão abordados tipos de governo eclesiástico nesta postagem. O foco é como as lideranças estão se comportamento na organização, na gestão da Igreja Cristã.

2.Há líderes que se sacrificam além do que deveria pelo Evangelho de Jesus e depois se acham dono da Igreja. Sem dúvidas, todo obreiro dedicado e exemplar na Causa Cristo merece vida digna, o devido cuidado e honra no percurso e após a carreira ministerial.

3.Tem também aqueles que veem a Igreja que lideram, como uma sucessão familiar. Volto a afirmar, a Igreja Cristã não é um sacerdócio araônico.

4.Paulo quando tratou de litígios entre irmãos, recomenda as partes ou parte sofrer o dano, ao invés de levar a disputa a tribunais seculares (I Co 6.1-11).

5.Existe uma máxima rabínica, entre judeus, não se leva demandas para tribunais gentios.

6.Jamais colocaria o nome pessoal em nome de ministério ou atividade cristã. Alguns fizeram isto. É vaidade, vanglória humana.

7.Na Igreja Organização, denominações centenárias, não resolvem questões administrativas de ordem material de forma eficaz e transparente, por exemplo:

a)Teto de remuneração para o obreiro em tempo integral mensurado por perfil da Igreja local/campo de atuação e para cargos eclesiásticos exercidos em órgãos vinculados, dentro da realidade social e econômica do país;

b) Algumas Igrejas locais pagam com o obreiro na ativa um plano de saúde; cumprem o tempo para jubilamento no Estatuto e tem tudo a ver com sobrevivência material. Anjo da Igreja é no sentido da autoridade espiritual. São de carne e osso.

c) Importante frisar: Perdas de direitos/ganhos quando na ativa é normal até na carreira secular: Perde-se 1/3 das férias, licença-prêmio, participação nos lucros da empresa, auxílio alimentação, plano de saúde fica por conta só do empregado, etc...

8.A Igreja Organização não pode nem deve arcar com o papel previdenciário. Neste mister, o que caberia fazer Igreja e o obreiro? Uma parceria? Visando o amanhã das partes nos aspectos material e social. Sabemos que o INSS tem seus benefícios de médio e longo prazo: Benefício por doença, aposentadoria, pensão por morte, etc. Igrejas de grande porte tem condições, pelo volume de participantes, de ter, somada ao INSS, uma Previdência Complementar Privada. Todavia, pela ausência de visão e desinteresse de partes na Organização, não se faz. Em consequência atropelamos princípios espirituais no governo eclesiástico. São situações empurradas com a barriga, sem solução adequada. E há casos em que colhemos injustiças sociais.

Nota: a Lei 14.647/2023 - Não reconhece vínculo empregatício entre o pastor, o obreiro do Evangelho com a sua denominação/organização religiosa. Porém, o problema da assistência, a vida após o jubilamento continua. E uma vida que seja digna de se viver. Envolve sim, responsabilidade das duas partes.

9.Por experiência relato: Em determinado lugar, o líder não admitia crítica e sem abertura para sugestões. Havia certa pastolatria na sua “infalibilidade”. Ouvi: Quem falasse do pastor ou a seu respeito, “perde a cabeça”. E os liderados seguiam a linha em todo tempo do elogio. Estava evidente um sistema familiar aplicado ao pastoreio da Igreja. A sua remuneração bastante expressiva para a realidade econômica do país, até onde soube. E as ovelhas? É da sua natureza só baixar a cabeça, ou balança-la dando o de acordo e resolvido. É assim que funciona no governo episcopal puro. 

10.Em 2015, com a morte de um líder denominacional, aos 78 anos, deixou a direção da Igreja a cargo da esposa, com 69 anos. Hoje ela tem 78 anos e a denominação vive dias conturbados em torno do patrimônio da respectiva denominação. Afirmo: É mais um caso emblemático onde a Igreja é vista como uma empresa familiar. (base notícias uol – 26/06/2024). Pesquisa em 17/12/2024.

11.Quando estudamos Igreja Organização versus Igreja Organismo, como quase tudo se faz em nome de Deus, alguns pensam ingenuamente que as linhas que as distinguem são muito próximas. É um engano com o fator humano no meio. E com o temor a Deus se esvaindo, só tende a piorar. A situação é mais crítica no meio da onda neopentecostal a partir da década de 1970, 1980 para cá.

12.Direto ao ponto: É fato que temos bons perfis denominacionais no Brasil. Entretanto, a Igreja Evangélica Brasileira precisa urgentemente rever, avançar nos Estatutos, Regimentos para solidificar regramentos administrativos, com decisões colegiadas, não episcopal unilateral, alternância de poder com limites de reeleições convencionais estaduais e nacionais, evitando gerar vínculos viciosos com "sensação de dono", bem como tapar brechas para que a gestão e o uso do poder na Igreja de Cristo não se corrompa no contexto do denominacionalismo. 

13.O belo nisso tudo é a soma de empenho, esforços em prol do avanço do Evangelho. Existem pessoas que jamais viriam a ser um pentecostal, mas se converteu no meio batista, presbiteriano. O inverso também é verdadeiro. A Igreja é a multiforme sabedoria de Deus. 

14.E não por tudo, mas em tudo, seja Deus engrandecido. O forte da Igreja de Jesus está no aspecto Organismo. “O vento assopra onde quer...” (Jo 3.8). O semeador planta, porém a vida está na semente, a Palavra de Deus. 

15.Quando nos distraímos com as estruturas da Igreja – sejam edifícios físicos ou hierarquias – corremos o risco de perdemos de vista o Senhor da Igreja, o Cristo vivo, a centralidade da fé cristã.

Vem Jesus! Arrebata a tua Igreja. Amém! 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 17/12/2024.

domingo, 18 de agosto de 2024

Atitudes diante da perseguição à Igreja de Jesus.

A perseguição pode ocorrer de natureza física, cultural, institucional/legal, religiosa e espiritual.


1.Não a temer. O medo nos paralisa.

2.Não a incitar ou invocá-la sobre si; seja prudente.

3.Enfrentá-la com unidade no Corpo de Cristo. Não esmorecer.

4.Distinguir a sua origem: humana, institucional ou espiritual.

5.Manter a identidade de povo de Deus, prosseguir na evangelização e ensino. Importa obedecer a Deus.

6.Buscar discernimento para estabelecer estratégias e agir.

7.Não pagar mal por mal. Deus fará justiça.

8.Amar os inimigos sem ingenuidades.

9.Cumprir deveres, defender direitos, fazendo apologia da fé.

10.Se possível, não confrontar. Porém, não se omitir.

11.Construir o respeito, civilizadamente, sem desrespeitar.

12.Ter a consciência de que nem o inferno barra a marcha da Igreja de Jesus.

Martin Luther King (1929-1968): Pastor evangélico americano, defensor de causas civis e sociais - Prêmio Nobel da paz em 1964.

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter e dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons".

 

Parte do artigo Perseguição em Estudo.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 18/08/2024.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

A Noite de São Bartolomeu

Foi um massacre de protestantes ocorrido na França em 1572.

Foi o dia que o rei Carlos IX da França ordenou o assassinato de líderes protestantes huguenotes em Paris, desencadeando uma onda de matanças, que resultou no massacre de dezenas de milhares de huguenotes em todo território francês. Esse evento fez parte das Guerras Religiosas, que ocorreram na Europa nos séculos XVI e XVII, após a *Reforma Protestante, 55 anos passados.

O Monge Martinho Lutero é o nome mais conhecido da Reforma Protestante, contudo tal movimento teve como base os ideais de pré-reformadores, contrapondo-se à Igreja Católica com seus desvios doutrinários e abusos do poder clerical. E sendo assim, há outros nomes de pré-reformadores que deram a sua contribuição em séculos anteriores ao XVI. Vejamos alguns:

Século XII - Os Valdenses - Liderados por Pedro Valdo (1149-1217), rico comerciante de Lyon (França) que se desfez dos bens para viver a simplicidade da vida cristã por decisão própria. Movimento iniciado por volta de 1170 d.C. que discordava do papado e de ensinos sem base nas Escrituras (autoridade papal, as riquezas do clero, o dogma do purgatório, adoração de santos e defendia a suficiência das Escrituras...).

John Wycliffe (1328-1384) -  Professor e teólogo inglês - Ele levantou diversas questões sobre a Igreja, entre elas a necessidade da figura do Papa, Wycliffe pregava que "Nosso papa é o Cristo".

O teólogo inglês tinha como propostas reformistas:

•    A pobreza apostólica;

•    A Escritura como única base teológica da Igreja;

•    Os eleitos são os cristãos, não o Papa e os cardeais;

•    Cristo como o cabeça da Igreja, não o Papa. 

John Huss (1372-1415) - Foi um sacerdote na Boêmia (parte do atual território da República Checa), professor da Universidade de Praga, e foi muito influenciado pela obra de John Wycliffe. John Huss defendia:

O cabeça da Igreja é Cristo, e não o Papa, e pregava que essa Igreja deveria ser mais e mais semelhante a Cristo. E as Escrituras possuem autoridade suprema, acima de tudo e todos.

Ele acabou sendo condenado como herege pelo Concílio da Igreja e sentenciado à fogueira, onde morreu cantando salmos.

Os seguidores do John Huss ficaram conhecidos na História de Igreja como Irmãos Boêmios, que se tornaram precursores de outro importante grupo protestante conhecido como Irmãos Morávios.

Jerônimo Savonarola (1452-1498) - Frade dominicano de Florença na Itália. Embora não considerado um pré-reformador doutrinário, ele deu a sua contribuição no campo moral e sociológico contra a sociedade pagã e ao clero no século XV. E houve um despertar da fé, fruto de suas pregações com autoridade do alto e como autoridade política à época.

“Foi enforcado e queimado na grande praça de Florença. Isso aconteceu dezenove anos antes das 95 teses de Lutero. Esse homem de Deus nos ensinou o que é fervor verdadeiro diante de uma sociedade corrompida”.

*A Reforma Protestante e o Monge Agostiniano Martinho Lutero

                        (1483-1546)

Em 1509, Lutero graduou-se em bacharel em Estudos Bíblicos e em 1512 obteve o título de doutor em Teologia, mesmo ano que foi eleito cônego do convento de Wittenberg. Os anos seguintes foram dedicados ao ensino religioso e amadurecimento da doutrina cristã a “justificação pela fé”, baseada a partir de Romanos 1.17.

Lutero mostrava-se contrário à venda de indulgências e nos anos de 1516 e 1517 proferiu três sermões em oposição a tais práticas. Em um dos discursos disse: 

"É audacioso assegurar que o Papa possa livrar almas do purgatório. Se ele pode fazer isso, então ele é cruel em não as livrar todas”.

As 95 teses do monge Martinho Lutero, afixadas na porta da Igreja do castelo de Wittenberg em 31/10/1517, na Alemanha, foi o ato e marco desencadeador da Reforma Protestante.

Algumas das teses defendidas por Lutero:

27ª – Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório;

34ª – Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens;

36ª – Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela de pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência;

75ª – A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.

A venda de indulgências foi uma das motivações da Reforma Protestante de Lutero. (Foto: Wikipédia)

(Nesses termos, discursava, o frade dominicano Johann Tetzel (1465-1519), vendendo as indulgências em Wittenberg sob designação do papa Leão X, o qual visava arrecadar recursos para construção da Basílica de São Pedro, em Roma).

O suíço Ulrico Zuínglio (1484-1531) implantou a Reforma na Suíça alemã (Zurique), enquanto o francês João Calvino (1509-1564) atuou na Suíça francesa (Genebra), com um ponto de vista distinto. O acordo entre Lutero e Zuínglio não foi possível em razão de opiniões divergentes em relação à doutrina da Eucaristia (um dos sete sacramentos do Catolicismo Romano).

A Eucaristia ou comunhão é o ato de recebimento da hóstia consagrada, o símbolo do corpo de Cristo, transformado no corpo de Jesus na cruz. É a Transubstanciação – Isto é, segundo o romanismo, ocorre uma mudança de substância, e o pão se transforma no corpo de Cristo e o vinho no sangue de Cristo, durante a celebração.

No meio Protestante e Evangélico trata-se da Celebração da Santa Ceia, instituída por Jesus em Mateus 26.26-30, por ocasião da última Páscoa com os discípulos.  A Santa Ceia traz à memória o sacrifício de Jesus até que Ele venha, tendo o pão e vinho por figuras. E não é uma repetição do sacrifício único e perfeito de Jesus no calvário em favor de todo aquele que crê (Hb 9.11,26,28). Em I Coríntios 11.23-32, o Apóstolo Paulo explica em detalhes a Celebração da Santa Ceia.

Quem eram os Huguenotes?

Recebia o nome de huguenote todo o seguidor da religião protestante na França. Eram na maioria calvinistas (acreditavam nos ensinamentos de João Calvino e membros da Igreja Reformada. A origem do termo é creditada aos católicos franceses, que o teriam criado baseando-se no nome de Besançon Hugues, líder religioso suíço.

Causas e contexto histórico da Noite de São Bartolomeu

Dois dias antes de 24 de agosto de 1572, dia de São Bartolomeu, Catarina de Médici, mãe de Carlos IX, ordenara o assassinato do almirante Gaspard de Coligny, líder huguenote que ela acreditava estar levando seu filho à guerra com a Espanha. No entanto, Coligny só ficou ferido e Carlos prometeu investigar o assassinato para aplacar os huguenotes enfurecidos. Catarina então convenceu o jovem rei de que os huguenotes estavam à beira de uma rebelião e este autorizou o assassinato de seus líderes pelas autoridades católicas. A maioria desses huguenotes estava em Paris, celebrando o casamento de Henrique de Navarra com a irmã do rei, Margarida.


Rei Carlos IX da França: o principal responsável pela Noite de São Bartolomeu.

Como foi o massacre da Noite de São Bartolomeu

Quando o assassinato dos huguenotes começou, milhares de católicos parisienses aderiram a ele. Carlos emitiu uma ordem real em 25 de agosto para suspender o massacre, mas seus pedidos foram ignorados. As mortes continuaram até outubro, atingindo Rouen, Lyon, Bourges, Bourdeaux e Orleans.

Estima-se que cerca de três mil protestantes franceses foram mortos em Paris e até setenta mil em toda a França.



Uma manhã às portas do Louvre, pintura de Édouard Debat-Ponsan, retratando a Noite de São Bartolomeu.

Em 1598, Henrique IV, necessitado do apoio huguenote, baixou o Édito de Nantes, pelo qual concedia aos protestantes franceses liberdade de culto em cerca de 75 cidades e vilas onde prevalecia o calvinismo, além de completa liberdade política.

Em 1685, Luís XIV perseguiria os protestantes novamente, levando muitos à fuga. Ele revogou o Édito de Nantes (supostamente irrevogável), tornando o protestantismo ilegal com o Édito de Fontainebleau. Depois disto, muitos Huguenotes fugiram para os países protestantes vizinhos como a Prússia, cujo rei Frederico Guilherme era calvinista e lhes acolheu, na esperança de reconstruir seu país destruído e despovoado pela guerra.

Em 1687, um grupo de huguenotes velejou da França até o Cabo da Boa Esperança, onde implantaram a cultura da uva, dando origem na África do Sul a uma indústria vinícola que é destaque no mundo todo.

Bibliografia:  

https://www.suapesquisa.com/historia/noite_sao_bartolomeu.htm -

Última revisão: 14/09/2020 - Revisado por Jefferson Evandro Machado Ramos Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994). Pesquisa em 27/12/2022.

https://www.infoescola.com/religiao/huguenotes/ - Por ORLANDI, Ricardo. Hoje na História - Perseguição e Dispersão dos Huguenotes. Pesquisa em 27/12/2022.

https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/reforma-protestante. Pesquisa em 27/12/2022.

https://www.infoescola.com/historia/venda-de-indulgencias/ - Pesquisa em 27/12/2022.


Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN – 27/12/2022. 

sábado, 22 de outubro de 2022

Escultura Arte, Imagem de Escultura Religiosa, Iconolatria e Iconoclastia no Império Bizantino

O Império Bizantino (395-1453 d.C.)

    Igreja Santa Sofia - Istambul/Turquia

Surgiu a partir da divisão do Império Romano feita pelo imperador Teodósio, em 395, correspondendo à parte oriental. Sua capital era Constantinopla, antiga cidade grega Bizâncio, que, por conta da sua posição geográfica, possibilitou o desenvolvimento do comércio e o Império oriental se expandiu.

Voltando no tempo, nos dois primeiros séculos da Era Cristã, a Igreja Primitiva esteve sob perseguição serrada do Império Romano. Os apóstolos tinham respeito às autoridades constituídas, mas não comungavam do culto aos césares. *O Cânon Sagrado do Novo Testamento estava em formação. Muitos cristãos pagaram com suas vidas a fé que professavam. E só quando foi promulgado, por volta de 313, o Édito de Milão é que foi proibida à perseguição dos cristãos. E por volta de 380 d.C. o imperador Teodósio oficializou o Cristianismo religião do Império Romano.

A Igreja Cristã recebeu o nome de Católica somente no ano 381, no concílio de Constantinopla com o decreto “CUNCTOS POPULOS” dirigido pelo imperador romano Teodósio (documentário o Estado do Vaticano – Pr. Lauro de Barros Campos).

*Em 397 d.C. no III Concílio de Cartago, ocorreu o reconhecimento definitivo e fixação do cânon do Novo Testamento. Foram quase 400 anos exames e amadurecimento pelos pais da Igreja, fazendo distinção entre o que era de inspiração divina e o que era apócrifo.

Com a queda do Império Romano Ocidental, em 476 d.C. saqueado pelos bárbaros, o Império Bizantino passou a ser o herdeiro das tradições romanas e sobreviveu mais mil anos.

O auge do Império Bizantino aconteceu no reinado de Justiniano (527-565 d.C.), que aumentou o seu território, além de ter compilado as leis romanas, criando o Código de Direito Civil.

Em 1.054 d.C. ocorreu o Cisma do Oriente e a Igreja Bizantina recebeu o nome de Igreja Católica Ortodoxa. O Império Bizantino sucumbiu em 1453, quando os turco-otomanos conquistaram a capital Constantinopla, último reduto do Império.

A Iconolatria Bizantina

A partir do século VI, quando o cristianismo já era a religião oficial do Império Bizantino, havia um grave surto de iconolatria (adoração de imagens) nos domínios do império. Existia uma mistura popular de resquícios dos antigos ritos dedicados aos ídolos pagãos, greco-romanos, com a veneração das imagens que representavam as personagens principais do Cristianismo.

A ortodoxia cristã dos primeiros séculos admitia a veneração de imagens sacras pelo fato de elas representarem o Cristo, a Virgem etc., e não propriamente encarnarem a pessoa deles. Desse modo, a veneração era autorizada, a idolatria (esta, sim, considerada um pecado), ou iconolatria, é que era proibida”.

O vocábulo ortodoxia define a corrente doutrinária, teológica firmada de acordo com as revelações divinas, conforme ao texto das Escrituras Sagradas. Então, a bem da verdade, a ortodoxia bizantina era uma pseudo ortodoxia. E estava pautada no Magistério da Igreja Romana e Bizantina, não na doutrina dos apóstolos primitivos.  E até hoje continua a veneração de imagens, de ícones religiosos, tanto pela Igreja Católica quanto pela Ortodoxa.

O que foi a Iconoclastia Bizantina? Consequência da Iconolatria

Foi um fenômeno político-religioso ocorrido no Império Bizantino nos os séculos VIII e IX, entre 726-843 d.C.

Mas que tipo de imagem era destruída no período em questão do Império Bizantino? Imagens que representavam as principais personalidades do cristianismo, a começar pelo próprio Cristo, seguido pela Virgem Maria, apóstolos, santos, mártires e anjos. E por que tais imagens religiosas passaram a ser destruídas? 

Leão III e Constantino V - Institucionalização da Iconoclastia

Os patriarcas e bispos do Oriente tentaram por um bom tempo reverter a iconolatria por meio da pedagogia litúrgica e das explicações sobre o que, de fato, as imagens representavam. Porém, no século VIII, ascendeu ao trono bizantino Leão III, o Isáurico, que governou de 717 a 741.

Convicto do caráter nocivo da veneração de imagens, Leão III começou a defender a institucionalização da iconoclastia a partir do ano de 726. O período mais violento em que vigorou a proibição da veneração de imagens ocorreu durante o reinado do filho de Leão III, Constantino V.

“A partir do concílio iconoclasta, reunido em Hiéria em 754, Constantino V lançou-se numa verdadeira perseguição. As esculturas foram arrancadas à força, os mosaicos cobertos de cal, os afrescos raspados, e os livros dos partidários das imagens queimados. Multiplicaram-se as prisões, destituições de cargos e deportações...”.

Fim da Iconoclastia

A veneração de imagens voltou a ser permitida no Império Bizantino com a ascensão da imperatriz regente Teodora (esposa de Teófilo e mãe de Miguel III, de quem foi regente de 842 a 855, após a morte do marido), no ano de 843.

Então, o que é um Iconoclasta?

O uso deste termo deriva do vocábulo grego “eikonoklastes” que se refere precisamente a um destruidor de imagens.  Então, está relacionado à atitude de um iconoclasta que é visava banir qualquer tipo de adoração a uma imagem religiosa nos dias do Império Bizantino.

Modernamente, o termo iconoclasta passou a ser utilizado, aplicado ao indivíduo que é contrário ao culto de imagens de esculturas, consideradas sagradas nos  vários segmentos religiosos, inclusive no Catolicismo.

Convém esclarecer que esse entendimento do vocábulo iconoclasta não justifica a idolatria, cuja prática religiosa é amplamente condenável nas Escrituras Sagradas, tanto no Antigo, como no Novo Testamento.

Segundo C. S. Lewis, professor universitário, escritor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta e teólogo irlandês (1898-1963), falando de oração, introspecção, dizia: Deus é um iconoclasta quando destrói os ídolos que criamos em nossas pobres mentes, imaginários inconsistentes na medida que dele buscamos nos aproximar.

Por outro lado, Deus não é um iconoclasta porque separa a “escultura arte”, uma memória histórica e estética, da imagem de escultura de cunho religioso, a qual abomina, porque lhe desvia o culto, a adoração que só a Ele é devida, em qualquer época e cultura. A verdade bíblica da exclusividade da adoração a Deus está muito bem definida nas Escrituras. 

Santuário do Bom Jesus Matosinhos - um legado da arte de aleijadinho

A Mitologia dos deuses

Povos antigos, na ignorância espiritual, por não conhecer o verdadeiro Deus, Criador de tudo e de todos, fragmentaram as origens e o poder de Deus em vários deuses. E ocorre que um deus da origem a outro com explicações estapafúrdias. Os deuses são diminutos restritos por áreas: um é do sol, outro da chuva, outro do ar, outro da lua, outro das colheitas, etc...

Por exemplo, no mito dos gregos, na Teogonia de Hesíodo, contemporâneo de Homero, poeta que se diz que viveu no século VIII a.C., narra que o mundo surge com o nascimento dos numerosos deuses que o constituem. E do conjunto de inumeráveis deuses...se chega ao governo, poder e sabedoria suprema de Zeus.

Na origem do universo, estão três deuses primordiais: Caos, Terra e Eros.

Há três grandes linhagens dos mitos: a descendência do Caos, a do Mar e a do Céu.

Observar que estágios da Criação e das criações de Deus, no relato do Gênesis, se fundem em deuses dos mitos gregos.  

Então, a Teogonia nos conta como o mundo surgiu a partir dos primeiros deuses, seus amores e suas lutas. Teogonia significa "o nascimento dos deuses".

É, em verdade, completamente destoante da fé e da esperança cristã racionais (Rm 12.1).

I Pedro 3.15 – “...e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”.

Escreveu o apóstolo Paulo em Atos 17.29 – “Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a Divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens”.

Paulo estava em Atenas, no areópago, pregando o evangelho de Cristo, opondo-se à idolatria e superstição dos gregos, perdidos em seus mitos e apresenta-lhes o Deus Desconhecido, o Criador do mundo e tudo que há nele (Atos 17.22-24).

O nome Deus na Teologia Bíblica

Deus e deuses -  Consideremos, nas Escrituras escreve-se Deus (Hb. El, Elá, Eloim) com “D” maiúsculo. Quando se escreve com “d” minúsculo, refere-se aos deuses falsos, aos ídolos ou ao diabo (Êx 20.3-5,23; Sl 115.1-13; II Co 4.4). Na verdade, Deus tem vários nomes, inclusive nomes compostos, que manifestam o seu caráter, sua pessoa conforme o momento ou estágio da sua revelação progressiva à Humanidade. Não abordaremos neste artigo.

A adoração de imagens, ídolos vinculados à religião, aos deuses e criaturas na mitologia tem sido uma prática constante do homem desde sua presença na Terra. A isto chamamos de idolatria pagã. Contraria a fé monoteísta revelada no culto mosaico, onde encontramos suas bases no decálogo dado por Deus aos hebreus (Êxodo 20.1-17).

A Escultura Arte

É muito comum a exposição pública de esculturas de artes históricas, estéticas, culturais e decorativas, principalmente nas cidades europeias.  É a arte, não objeto de culto ou adoração. 

“Arte é a mistura única de habilidade, emoção, cultura e imaginação”.

“Um belo corpo perece, mas uma obra de arte não morre” – Leonardo Da Vinci.

Êxodo 25-17-22 - No tabernáculo, dentro do Santo dos Santos tinha duas esculturas de querubins, compondo o propiciatório que servia para cobrir, tampar a arca do concerto. A arca simbolizava a justiça e presença de Deus no santuário judaico. Porém, não era objeto de adoração. Quando o Sumo-Sacerdote entrava, uma vez por ano, no Santo dos Santos com o sangue da expiação, por ele e pelo povo, a glória de Javé tomava conta do ambiente, de modo que era de menor importância no lugar haver esculturas, uma vez que a manifestação da glória do Deus vivo de Israel, do eterno, ofuscava tudo que era objeto material no Santo dos Santos.

Nenhuma escultura, seja de arte histórica ou de caráter religioso pode ser objeto de veneração ou adoração. Só Deus deve ser adorado, em espírito e em verdade. Não foi Moisés quem assim determinou, mas o próprio Deus estabeleceu na Lei  (Êxodo 20.1-17) e reafirmado por Jesus em João 4.24, no seu ministério de ensino, na propagação do Reino de Deus.

A fé monoteísta foi instruída rigorosamente para fazer distinção entre o culto ao Deus Verdadeiro em relação aos deuses do paganismo antigo. Daí a expressão divina: “Não terás outros deuses diante de mim...” (Êxodo 20.3-5).

O fato de teólogos católicos condenarem o Monofisismo e o Nestorianismo, não serve de sustentação para o grave erro doutrinário da idolatria católica e ortodoxa.

O Monofisismo (doutrina que defendia ter Jesus só uma natureza: a divina. E afirmavam que a sua humanidade era apenas aparente, ideia gnóstica). Enquanto o Nestorianismo (de Nestório, patriarca de Constantinopla) não admitia a união hipostática das duas naturezas, uma divina e outra humana, em Jesus Cristo.

Jesus era e é Deus e se tornou homem na encarnação do verbo.

Jesus como homem tinha Maria sua mãe e José o seu pai adotivo. Em sua natureza divina tem o Pai, mas não tem mãe. Como homem estava despido da glória da Divindade, não da sua Divindade (Filipenses 2.6-11). Ele era e é Deus (João 1.1-3,14). E como Deus é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criação. E tudo criado por ele e para ele (Colossenses 1.14-19). E tudo está entregue em suas mãos (João 3.35).

O mistério da unidade da Trindade em três pessoas distintas, em essência, caráter e forma está presente nas Escrituras desde o Gênesis 1.1-2,26.

Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). E o Pai é maior do que eu (João 14.28). Considerando essa hierarquia entre o Pai e o Filho, podemos afirmar: Jesus Cristo é Deus. Entretanto, Deus, o Pai, não é Jesus. São pessoas distintas na unidade da Divindade.

E chegará o momento, na plenitude dos tempos, quando o Filho de Deus entregará tudo ao Pai (I Coríntios 15.24-28).

Não fazer distinção entre as duas naturezas, uma divina e outra humana, na pessoa de Jesus Cristo, é negar a sua encarnação. E quem assim o faz é o espírito do anticristo (I João 4.2-3).

A Idolatria à luz da Bíblia – Para saber da sua natureza abominável e condenável basta crê no que está escrito.

Êxodo 20.3-6 – “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos”.

Isaías 42.8 – “Eu sou o Senhor: este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura”.

A Idolatria é uma prática carnal tal qual a prostituição e outros pecados listados aos gálatas. Não é expressão de fé aceita, aprovada por Deus.

Gálatas 5.19-21 – “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus”.

Romanos 8.8 - "Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus".

Romanos 8.5-9 – O termo carne diz respeito a natureza humana caída, escrava do pecado, o homem natural que não tem visão e nem discernimento espiritual, morto em delitos e pecados, em se tratando de fé não distinguem a luz das trevas. Não precisa de uma religião, necessita nascer de novo (João 3.5-8) e seguir a Cristo, pois quem o segue terá a luz da vida (João 8.12).

Apocalipse 22.14-15 – “...Ficarão de fora (do direito a árvore da vida e do acesso a nova Jerusalém) os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”.


Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 22/10/2022

Fontes da Pesquisa:

HIGA, Carlos César. "Império Bizantino"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/imperio-bizantino.htm. Acesso em 11 de outubro de 2022.

Juliana Bezerra - Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.

FERNANDES, Cláudio. "O que foi a iconoclastia bizantina?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-iconoclastia-bizantina.htm. Acesso em 18 de setembro de 2022.

https://www.infoescola.com/mitologia-grega/teogonia-de-hesiodo/ - Ana Paula de Araújo.

Cisma do Oriente - Fonte: https://www.todamateria.com.br/ - Pesquisa em 11/10/2022.

Referência autoral (APA): Editora Conceitos.com (abril 2015). Conceito de Iconoclasta. Pesquisa em 11/10/2022.

Bíblia Sagrada Edição Revista e corrigida no Brasil.

Claudionor C. Andrade - Dicionário Teológico – CPAD – 4ª edição 1997.

 

 

sábado, 3 de setembro de 2022

Alianças Evangélicas de diferentes países defendem a liberdade religiosa

 


*Por Phelipe Reis


Do Oriente Médio à América Latina, a liberdade religiosa vem sendo sufocada, tornando cada vez mais difícil ser cristão em alguns países. Estima-se que 1 em cada 7 cristãos no mundo enfrenta altos nível de perseguição e discriminação por causa da fé em Jesus, segundo a Portas Abertas. Diante desse contexto, as Alianças Evangélicas em alguns países, como Nicarágua e El Salvador, têm se manifestado a favor da liberdade religiosa.

Afeganistão

A hostilidade aos cristãos cresceu no Afeganistão com a volta do Talibã ao poder, em 2021. O país foi nomeado, juntamente com Argélia, Índia e Sri Lanka, como foco deste ano para o Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida (IDOP) da Aliança Evangélica Mundial (WEA, sigla em inglês).

O anúncio foi feito no dia 22 de agosto, data que a ONU dedica às vítimas de atos de violência baseados em religião ou crença. O secretário-geral da WEA, Thomas Schirrmacher, declarou: “A WEA condena veementemente a violência contra qualquer pessoa ou grupo com base em sua fé. Defendemos a liberdade religiosa para todos, em todos os lugares, o tempo todo”.

A Aliança Evangélica Mundial colabora com as Nações Unidas, a Parceria de Liberdade Religiosa e líderes globais e nacionais de todas as religiões para acabar com as restrições à liberdade religiosa.

Nicarágua


A Aliança Evangélica Latina (AEL) se juntou a organizações e ao Conselho Latino-Americano e do Caribe de Líderes Religiosos – Religiões pela Paz para expressar solidariedade às comunidades religiosas da Nicarágua, devido à grave situação que afeta a liberdade de culto e opinião no país.

Nos últimos anos, o governo sandinista do presidente Daniel Ortega atacou instituições e pessoas que se opuseram ao seu governo. Ele ignorou os direitos humanos básicos, reprimiu ONGs e entidades, tanto na área política como religiosa. A repressão afetou a Igreja Católica de uma maneira especial nos últimos meses. O bispo Rolando Álvarez, constante crítico do presidente nicaraguense, foi preso na sexta-feira passada e transferido para a residência de sua família em Manágua, onde permanece privado de liberdade, junto com outros apoiadores.

Por essas razões, a Aliança Evangélica Latina e outras organizações solicitaram a libertação imediata dos líderes religiosos detidos. Instituições da Organização dos Estados Americanos (OEA) e das Nações Unidas expressaram preocupação com a situação e pediram o fim imediato de toda repressão contra comunidades religiosas no país.

El Salvador

Aliança Evangélica de El Salvador emitiu um comunicado em que rebate a declaração do Vice-Presidente do país, Félix Ulloa, que disse que “80% dos pastores fazem parte dessas estruturas de gangues”. O comunicado da Aliança diz que tal afirmação não coincide com a realidade e complementa:

“Em El Salvador a Igreja Evangélica tem 126 anos de presença territorial. Desde então, tem se dedicado à evangelização da sociedade para promover mudanças na vida espiritual e social, incutindo valores nas famílias e nos indivíduos”.

A Aliança considerou ofensivas as declarações do Vice-Presidente e solicitou que tais afirmações sejam reconsideradas em virtude de não corresponder à realidade.


Notícia originalmente publicada no site da Aliança Evangélica Brasileira.

*É natural do Amazonas, casado com Luíze e pai da Elis e do Joaquim. Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e mestre em Missiologia no Centro Evangélico de Missões (CEM). É missionário e colaborador do Portal Ultimato.

Fonte: Site Ultimato.com.br – 26/08/2022.

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