“Durante anos, Adèle Hugo
atravessou oceanos movida por um amor que jamais seria correspondido. Quando
finalmente foi encontrada, vagando sozinha, malvestida e completamente
desorientada pelas ruas de Bridgetown, em Barbados.
Poucas pessoas imaginavam que
aquela mulher era filha de um dos escritores mais famosos do mundo: Victor
Hugo, autor de Os Miseráveis.
Nascida em 1830, Adèle cresceu
cercada pelo prestígio da família, mas sua vida tomou um rumo inesperado ao se
apaixonar pelo oficial britânico Albert Pinson (1832-1915). Convencida de que
os dois estavam destinados a ficar juntos, passou a segui-lo por diferentes
países conforme ele era transferido pelo Exército. Deixou a França,
acompanhou-o até o Canadá e, mais tarde, ao Caribe, consumindo sua fortuna e
afastando-se cada vez mais da família e da realidade.
(Adèle tornou-se obcecada por Pinson e
o perseguiu pelo Canadá e Caribe. A história inspirou o filme "A História
de Adèle H." (1975), dirigido por François Truffaut).
Conta-se ainda que “terminou
por se apaixonar pelo tenente Albert Pinson, do exército britânico,
numa sessão espírita”. (carlosromero.com.br – acesso 03/07/2026).
Pinson, porém, nunca
correspondeu aos sentimentos de Adèle. Apesar de todas as tentativas dela para
convencê-lo a se casar, ele seguiu sua vida e a deixou para trás. A rejeição
constante, somada ao agravamento de sua saúde mental, fez com que ela
mergulhasse em um estado de profunda desorientação. Sozinha, sem recursos e
vivendo em condições cada vez mais precárias, passou anos vagando longe de
casa.
Em 1872, sua história teve uma
reviravolta quando um francês a reconheceu caminhando pelas ruas de Bridgetown.
A notícia chegou rapidamente à França, permitindo que sua família
providenciasse seu retorno.
Victor Hugo fez todo o
possível para cuidar da filha, mas seu estado já era irreversível. Adèle foi
internada em um hospital psiquiátrico, onde permaneceu pelo resto da vida.
De volta à França, foi internada por seu pai num sanatório. É
o próprio Victor Hugo quem registra em seus diários de maio de 1872:
“Eu vi minha pobre querida doente. Ela estava no jardim,
sentada num banco, um papel e um lápis na mão. Ela escrevia. Esta está bastante
calma. Ela pareceu contente de me ver. Ela ouve sempre a voz que a persegue e a
inquieta. É como se ela estivesse congelada, mas sem tristeza. O médico acha
que ela está melhor.”
Apesar dos cuidados recebidos,
jamais recuperou plenamente a saúde mental e passou décadas vivendo isolada.
Victor Hugo (1870) Etienne Carjat (Bibliothèque
Nationale de France)
Victor Hugo morreu em 1885 sem
ver a recuperação da filha. Adèle ainda viveu quase trinta anos após a morte do
pai, falecendo em 1915, aos 84 anos.
Sua história permanece como
uma das mais trágicas da história francesa. Movida por um amor impossível,
Adèle perdeu a liberdade, a estabilidade e grande parte da própria vida.
Enquanto Victor Hugo
emocionava o mundo ao escrever sobre sofrimento, injustiça e compaixão,
enfrentava em silêncio a dor de assistir à lenta destruição da própria filha,
sem poder salvá-la.
Adèle Hugo: A Biography – Victor Hugo”.
Nota - A história de Adèle foi
produzida a partir de consistentes pesquisas de Frances Vernor Guille
(François-Victor Hugo Et Son Oeuvre), com fundamento nos textos escritos pela
própria Adèle (Le Journal d'Adèle Hugo), especialmente suas cartas, em que
expressa todo o seu sofrimento e suas expectativas em relação ao mundo
(carlosromero.com.br – acesso em 03/07/2026).
Fonte: Facebook – História
Perdida – Acesso em 03/07/2026.
Adendo do blog:
É possível que houvesse um
distúrbio mental e afetou a sua autoestima. Precisava de ajuda, de
reorientação, pode ter ocorrido desatenção, falta de percepção da família e
médica na época de menos ciência...e tudo agravado distante dos familiares.
Transcrição e adendo por
Samuel P M Borges.
Natal/RN, 04/07/2026.


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