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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

A “Teologia Coaching”

 

Segundo o IBC – Instituto Brasileiro de Coaching – “Coaching é um processo, uma metodologia, um conjunto de competências e habilidades que podem ser aprendidas e desenvolvidas por absolutamente qualquer pessoa para alcançar um objetivo na vida pessoal ou profissional, até 20 vezes mais rápido, comprovadamente”.

Então, temos o Coach – Aquele que instrui, uma espécie de mentor facilitador, e o Coachee, o cliente, o aprendiz.

As melhores e mais utilizadas ferramentas de coaching para aplicar no coachee

Metas SMART - Essa ferramenta busca a elaboração de metas neurologicamente corretas. Pontos chaves:

Específicas – Quando, com quem, onde, e prazo para ser cumprida.

Desafiadora – Ao ponto de motivar o coachee.

Positivas – Com expressão positiva e algo a fazer.

Ecológicas – Trazer benefícios para o coachee e pessoas ao redor.

Estar no controle – O responsável pelas ações é o coachee.

Perguntas Poderosas de Sabedoria (PPS) – Tem vários objetivos, como levar o coachee refletir sobre a sua vida, mudar posturas e fazer do apurado das reflexões o seu estilo de vida, de forma consciente.

Ganhos e Perdas – o Coach utiliza quando o Coachee estiver em dificuldade de tomar decisões mais sérias, no andamento das sessões. A vida é assim, tem ganhos e perdas.

Grade de Metas - Essa é uma ferramenta cognitiva que tem como objetivo fazer com que o coachee (cliente) aja de forma assertiva em direção dos objetivos. Aplica-se com o conhecimento da Metas Smart.

MAAS – O MAAS corresponde a um gráfico que busca entender em quais pontos alguém está mais satisfeito com as próprias conquistas.

Utilizando as ferramentas, o coach vai  desenvolver habilidades no coachee, ampliar sua consciência, tirá-lo da zona de conforto e expô-lo a um mundo de possibilidades.

Fonte: www.Febracis.com – pesquisa em 15/02/2021.

No meio evangélico brasileiro, na visão de algumas lideranças, observar-se pregadores, ensinadores, palestrantes cristãos utilizando-se de métodos e competências de coaching em suas ministrações. Dessa realidade, surge o termo a Teologia do Coaching. Para outros, é a Teologia da Prosperidade com uma nova face, ou mais um modismo no meio da Igreja Evangélica Brasileira - IEB.

Prefiro chamar de Teoria de Coaching aplicada ao corpo de Cristo, seja por falta de conteúdo bíblico dos ministrantes, mensagens que agradam aos ouvintes, ou com a intenção de apresentar "algo novo" e pode também ocultar interesses escusos de determinados dirigentes eclesiásticos.

Gradativamente, vai desvirtuando e corrompendo a Igreja. Então, ao invés de ministrantes das Escrituras, temos os coachs, debulhando e distribuindo, na verdade, teorias administrativas secularistas, com linha humanista, antropocêntrica, pondo de lado a graça de Deus, a ajuda do alto, enfatizando a autoajuda para satisfação do indivíduo. É um desserviço ao Reino de Deus.

O que se observou na Igreja Evangélica Brasileira nos últimos 50 anos? Foi uma desastrosa contaminação da fé cristã, em razão da Teologia da Prosperidade, que hoje podemos nominá-la de Ideologia da Prosperidade, com um crescimento desordenado, ou inchaço, crises na liderança, rompimentos denominacionais, igrejas midiáticas, megas-igrejas com gestão empresarial, pessoas nos púlpitos com pouco ou  nenhum preparo teológico, ensinando ora heresias, ora infantilidades, um evangelho místico e grosseiro etc., ao ponto de uns indicarem que houve um Apagão Teológico na IEB. E nesse contexto, surgem os desigrejados, ou como queiram chamar “ovelhas sem pastor”.

De modo que alguns segmentos evangélicos perderam ou nunca tiveram a centralidade nas Escrituras. E assim abriu-se a porta para o hedonismo, secularismo e o materialismo. Púlpitos viraram palcos, ambiente de show.

A “Teologia Coaching” trouxe uma reação nos meios reformados da IEB, no tocante a doutrina da depravação total do homem (um dos pilares do calvinismo), uma vez que ensinam a total incapacidade humana, por si mesmo, para reagir, sair do quadro desolador da queda no Éden, pois nele não há nenhuma bondade. E a Teoria do Coaching ensina que o homem tem potencialidades, habilidades internas e pode se  autodesenvolver. O ponto forte é a relação Coach e o seu cliente, via mentoria individual ou grupal. E deixa Deus em segundo plano ou bane Deus da existência humana, para o sucesso. 

Em consequência de fatores citados, nos últimos 50 anos na IEB, existem lideranças de denominações tradicionais que, por exemplo, se acham no direito de ter um salário mensal de 100 (cem) salários-mínimos, com desdobramentos financeiros no tesouro da Igreja, para membros da família e da sua Diretoria e alguns pastores chaves de sua base eclesiástica.  Igrejas estão sendo geridas como empresas familiares e o Sacerdócio Araônico Judaico serve de modelo para perpetuação no Poder e na Sucessão Eclesiástica nos dias atuais. Biblicamente não sustentável. Todavia, no geral, só tem revelado o antropocentrismo na Igreja. 

Parece dura e inadequada a citação supra, mas é como disse John Macarthur – “Nunca suavize o evangelho. Se a verdade ofende, então deixe que ofenda. As pessoas passam toda sua vida ofendendo a Deus; Deixe que se ofendam por um momento”.

Pelo menos duas perguntas que não nos deixam calar: O evangelho de Jesus é insuficiente para proporcionar ao que crê, nova vida vitoriosa em Cristo Jesus? A Igreja contemporânea precisa da Teoria Coaching na formação da liderança na Igreja Organização? Certamente, não.

Temos várias razões, enquanto Igreja Cristã, para rejeitar e dispensar a “Teologia  Coaching” no contexto cristão.

No contexto secular poderá ter algum proveito em que pese algumas utopias embutidas e pressão sob pressão.

Augustus Nicodemus – parafraseado, a Teoria Coaching visa o que? Desenvolver o potencial e as aptidões humanas em si mesmas. E, portanto, antropocêntrica.

Deus é desconfigurado, pois quando apresentado é apenas como um potencializador do ser humano. O alvo final é a vitória do homem, sem Deus ser glorificado.

No Coaching aplicado na Igreja o pecado é apenas um obstáculo que atrapalha o desenvolvimento do potencial do homem.

No seio da juventude atual, em regra, vivemos uma geração mimados, a qual gosta de alisamento do ego, rica em belas imagens, rumo à superação dos desafios. Porém, de travesseiros encharcados. Essa é uma realidade que as redes sociais não mostram. 

Um entrevistado disse: Trata o seu ego como o dedão do seu pé. Ele nos ajuda dá base juntamente com o pé. Mas, no seu devido lugar.

Os Coachs trazem uma mensagem básica: Palavras psicologizadas, encorajadoras, tais como: Descubra e desenvolva o seu potencial: Vai que você pode! você consegue! você é o cara! São uns sofistas, muita retórica e coloca as pessoas num patamar de homem bom, quando temos a problemática do pecado a resolver, do homem perante Deus. De nada adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma.

Segundo o Pr Augustus Nicodemus, a igreja tem o papel de contribuir na preparação dos santos em todas as áreas da vida, inclusive é uma ideia interessante o cristão onde estiver inserido, dá o melhor de si. Agora, não é a missão principal da igreja. A beleza do evangelho é proporção de suas partes, assim como é a beleza de Deus. 

Conclusão

A confissão positiva, a autoajuda na Teoria Coaching declara que o homem tem dentro dele os recursos para se desenvolver, se auto realizar e ser um formidável vencedor. Observe que, sendo uma teoria humana, do mundo empresarial, “funciona para crentes e ateus”. Deus está posto de lado. É o mesmo germe motivacional ensinado pelo encardido a Eva lá no Éden (Gn 3.1-6).

A Teoria Coaching tem a presunção de que o homem pode ser um vencedor nesta vida, pelas suas potencialidades intrínsecas, pela inteligência emocional desenvolvida, etc., sem a intervenção da graça de Deus. Na verdade, contraria Tg 4.13-15.

Na sociedade capitalista, competitiva, se ensina que nela vale a Lei do Mais Forte. E segundo, o psiquiatra cristão Paul Tournier, no livro Mitos e Neuroses – desarmonia da vida moderna, este é o x da questão: Aplicaram a Teoria da Evolução dos animais irracionais, aos homens racionais. Quem for mais forte, quem mais se capacitar, quem se superar dos altos e baixos, este é o vencedor. Na cadeia alimentar animal o mais forte pode comer o mais fraco vivo, naturalmente.

O marxismo não relaciona o homem ao seu semelhante, ser moral, intelectual e espiritual, criado à imagem de Deus. Pelo contrário, montou um arcabouço teórico para justificar a luta entre o capital e trabalho e Deus foi excluído. Só conta a matéria, ou seja, realidade material em sociedade. Religião e fé são o ópio do povo.

Onde quero chegar? A Teoria Coaching vende mitos, visando maximizar, proporcionar lucros, crescimento no mundo dos negócios, incentiva aos colaboradores, funcionários, atiçando-os a descobrirem suas potencialidades, inserindo utopias no conteúdo, pondo todos num patamar de capacidade e ideais lineares, o que não corresponde à realidade humana. Somos seres diferentes em múltiplos aspectos com um ponto em comum: A queda e a mancha do pecado no Éden.

Nos dias atuais, temos pregadores, palestrantes dizendo aos seus ouvintes que eles são tão dignos quanto Jesus. Ou seja, são homens-deuses. Aconselho-os a estudar a Doutrina de Cristo.

Enfim! Está ocorrendo em alguns púlpitos evangélicos, uma mistureba de teorias administrativas e RH, psicologizadas, de como o homem pode vencer, em meio as promessas de Deus e suas potencialidades, cujas mensagens exaltam mais ao homem do que a Deus. Arrependimento, correção de caráter, bom testemunho, a comunhão, deixar o pecado não são fundamentais. Importa ao homem encontrar e desenvolver "o propósito" de Deus na sua vida. O engodo é que este tal propósito sobrecarrega-o toma mais tempo no material, no passageiro, do que levar ao homem a pensar nos valores que são de cima, e portanto, eternos (Cl 3.1-2).

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia 

AD Natal – RN, 16/02/2021.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Tatuagem - A Moda que marca - Antônio de Pádua


Dt 14.1-2; Lv 19.28
Fonte: www.google.com.br
A tatuagem nunca esteve tão na moda. É impossível ir a praia, sair na rua e não encontrar um desenho, estampada no corpo das pessoas. Para muitos, a tatuagem é um modismo, ou seja, logo passa e assim virá outra febre. Contudo, a tatuagem tem se tornado uma mania mundial e que traz dados interessantes.
Nos Estados Unidos, existem mais de 40 milhões de pessoas adeptas do tal feitiche. Na Europa, o aumento da demanda de origem a uma nova disciplina acadêmica, a Psicologia da Tatuagem, ensinada nas Universidades de Milão e Roma.
Revista Galileu, n.º 86
O que leva uma pessoa a fazer de sua pele moldura para um desenho eterno? É licito ao crente marcar o seu corpo? O que a Bíblia diz sobre isso?
TATUAGEM – IMPLICAÇÕES HISTÓRICAS
O ato de marcar o corpo é tão antigo quanto a humanidade. No livro, "O Brasil tatuado e outros mundos – Toni Marcos", relata uma evidência concreta de tatuagem na pré-história.
Um corpo congelado, encontrado na Itália em 1991 e datado de 5300 AC, tinha tatuagens na região lombar, no joelho esquerdo e no tornozelo direito; A tatuagem deixou vestígios no antigo Egito e Mongólia de 400 AC e nas civilizações pré-colombianas e até nos autos da inquisição;
O principal nicho foram as ilhas da Polinésia, no sul do Oceano Pacifico, onde a tribo como a dos Maori usava ossos pontiagudos para tatuar o corpo inteiro, inclusive o rosto – ritual de transformação do menino em guerreiro e da menina em esposa.
No Brasil, a história é parecida. Urucum e Jenipapo forneciam as tintas introduzidas na pele, pelo dos índios, muitos antes da chagada dos portugueses. Contudo, somente a partir da década de 70, com a geração hippie e os surfistas do Rio de Janeiro é que houve a disseminação (canção "Menino do Rio" – Caetano Veloso).
TATUAGEM – IMPLICAÇÕES SOCIAIS
Apesar do modismo, a tatuagem não sai do corpo, ou seja, é impossível removê-la, e ao contrário de um modismo, não pode ser trocada a cada estação.
Um dos métodos mais avançados para se remover a tatuagem é o chamado PHOTODERM, uma máquina a laser que remove a tinta.
Segundo, o cirurgião Cláudio Roncai: "É um tratamento demorado e caro e o aparelho não representa a solução definitiva, pois normalmente sobram vestígios de pigmentos na pele".
Revista Galileu, n.º 86
As pessoas normalmente que se tatuam sofrem discriminações, tanto da família, como sofrem objeções numa entrevista de recrutamento das grandes empresas.
Lizete Araújo, vice-presidente da CATHO, uma firma de consultoria em recursos humanos especializada na recolocação de executivos, afirma: "Normalmente, as empresas adotam os valores da sociedade, que, de maneira geral, ainda rejeitam esses adereços".
Revista Galileu, n.º 86
Desde da década de 1950, os cirurgiões tentam amenizar a angústia de quem um dia desobedeceu um princípio social e familiar, afirmando que "o corpo é meu", e sofreu o preconceito e agora se encontra arrependido.
As implicações sociais da tatuagem são muito sérias – discriminação da família e da sociedade.
TATUAGEM – IMPLICAÇÕES RELIGIOSAS
Segundo o psicólogo Miguel Perosa, professor da PUC de São Paulo, o desenho escolhido tem sempre a ver com o íntimo de cada um. "Através da tatuagem, a pessoa quer dizer algo de si mesma. O dragão por exemplo, testemunha o desejo de autoafirmação"
Revista Galileu, n.º 86
Além dos símbolos, o local usado também tem muito a dizer:
Tronco – denota capacidade de decidir;
Braços – significa que o indivíduo está atravessando uma fase de lenta maturação;
Pernas – indica pessoas infantis e pouco reflexivas.
Analisando o uso da tatuagem pelas nações tribais, percebemos que estão sempre ligadas a questões religiosas. Portanto, não é apenas um protesto juvenil, mas faz parte de uma vinculação de crenças com imagens impressas no corpo.
Pelo contexto das leis levíticas podemos compreender que:
a. Os golpes e marcas no corpo tinham relações com rituais pagãos e até fetiche envolvendo a memória de mortos.
b. As impressões corporais não eram apenas enfeites mas, faziam parte da identificação e vinculação da pessoa com crenças em deuses e rituais pagãos.
c. Era uma violência contra o corpo físico.
Baseado nisto podemos afirmar que, não é recomendável que um cristão, sob qualquer pretexto, marque seu corpo com figuras ou qualquer imagem, pois:
1. O cristão e, evidentemente, seu corpo são templo do Espírito Santo, I Coríntios 6.19-20.
"Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus."
2. Qualquer traço de identificação que exista nele deve remontá-lo, deve vinculá-lo ao Senhor de sua vida, ao Senhor de seu corpo, Gálatas 6.17
"Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus."
3. A marca identifica o possuidor, e as tatuagens identificam o indivíduo com outros deuses, Apocalipse 14.9-10.
"E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro."
O dragão, preferência absoluta entre os jovens, remete a criação humana e testemunha o desejo de auto afirmação. (Revista Galileu, n.º 86)
O dragão na Bíblia simboliza Satanás (Apocalipse 20.2)
"E VI descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos."
Finalmente, é bom salientar três realidades, vinculadas a aquele que se tatua:
1. Enfeitar o seu corpo, mesmo que seja com uma rosa, o estaria vinculando a um possuidor estranho ao Senhor, por se tratar de uma prática milenar pagã.
2. A prisão de uma imagem que uma pessoa imprime no seu corpo, é capaz de marcá-la:
Socialmente – por causa da discriminação e preconceito.
Emocionalmente – porque a tatuagem é uma marca permanente.
Espiritualmente – por indicar sua vinculação a uma prática pagã.
3. Se desejamos marcar o nosso corpo, que estas marcas seja o símbolo da nossa devoção ao Senhor Jesus.
"Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus." Gálatas 6.17

Bibliografia Consultada
1. A vontade de Deus para a minha vida. Adroaldo Veloso – Produção Independente
2. Revista Galileu, n.º 86, Setembro de 1998. Editora Globo.
3. O Brasil tatuado e outros mundos. Toni Marques – Editora Globo
4. Internet: www.tattoos.com
5. Internet: www.summers.com.br/~tattoo

domingo, 29 de novembro de 2015

Muita sensibilidade e pouca moral - Ou Universalismo Racional

Apagar a noção do mal moral é tornar irrelevante a graça e o perdão


 “Deus é incapaz de punir alguém porque ele é amor. Não existe inferno a não ser na cabeça de cristãos medievais.” Outro dia, em uma conversa com alguém, me surpreendi com uma descrição do amor de Deus como a aceitação universal da humanidade num mundo em que o único mal absoluto é a própria religião cristã. Não existe gente ruim a não ser na igreja, e nada é mau a não ser a moralidade religiosa.

Surpreendi-me porque a pessoa faz parte do movimento evangélico mais popular, não era parte de nenhum nicho marginal, mas um crente comum. Ele verbalizara uma ideia cada vez mais presente no evangelicalismo considerado “inteligente”. O mundo evangélico é muito bom em contextualização de usos e costumes e agora também se especializa em contextualizar-se ideologicamente. O problema é que “contextualizar” ideias não bíblicas é sincretismo.

Vivemos em um mundo que desaprendeu a ser moral. Sabemos muito bem o que nos ofende ou não, o que é correto dizer e o que não é, porém não sabemos mais o que é certo ou errado. Aliás, certo e errado e bem e mal não existem mais a não ser quando se trata de declarações políticas. E, se o mal não existe, também não precisa existir a punição. Hoje, o discurso sobre amor na igreja é sincrético. Aprendemos sobre um amor sem barreiras e sem limites morais e sobre uma graça morna confortadora, mas que não passa de um sentimento universal de aceitação, bem distante do que a Bíblia chama de graça. O elemento estranho que interferiu e apequenou nossa compreensão do amor e da graça de Deus foi a extinção da moral. De uma forma sutil a igreja aceitou que a moral cristã era um mal em si mesmo e jogou-a fora ficando apenas com o amor emocional.

O problema é que este “amor” isento de moral não passa de um sentimento saído diretamente de uma música de Roberto Carlos e não tem nada a ver com a Bíblia. O amor bíblico é a origem e o fim da moral. Porque existe o amor, o certo e o errado, o bem e o mal. O amor bíblico nos diz, por exemplo, como tratar uns aos outros. A bondade, integridade, honestidade, coragem, ternura, generosidade só podem existir num mundo moral. A graça e o perdão só são reais porque o mal é real. Se tentarmos apagar ou enuviar a noção do mal moral, a graça e o perdão se tornam irrelevantes, desnecessários.
Deus também passa a ser irrelevante se apenas o que nos espera no céu é um grande abraço celestial universalista. Por quê? A vida humana e as escolhas que fazemos aqui deixam de ter qualquer sentido. Se tudo vale tudo, por que o sacrifício, o serviço, o fazer o bem? Por que isentar-se do mal, controlar os impulsos carnais e esforçar-se para tornar o mundo um lugar melhor? Besteira inútil se não existir o céu. Se o amor de Deus é tudo, acaba se tornando nada.

Todos os pecados são iguais? Todo mal tem o mesmo peso? Não sou melhor do que um assassino terrorista? Nada menos bíblico do que este discurso. A Bíblia é extremamente prática e ensina categorização de pecados. Pecados sociais têm consequências sociais, pecados internos têm consequências internas. Quando odeio meu irmão dentro de mim, sofro, me endureço, me isolo, mas quando exteriorizo este ódio em difamações ou cometo um ato assassino, as consequências para mim e todos ao meu redor são muito maiores. A Bíblia não nos ensina que somos todos iguais. A Bíblia nos ensina que temos igual valor, o qual nos torna moralmente responsáveis por nossas escolhas.

Porque a vida humana tem valor intrínseco, tudo o que faço tem valor e é relevante e terá consequências eternas. Ilse Koch, a nazista que confeccionava abajures com pele humana, e Madre Teresa não foram iguais.

A cosmovisão que ensina que não temos escolha e que o que somos ou escolhemos viver não passa de um acidente cósmico é o secularismo. Diz o evolucionista Will Provine da Universidade de Cornell: “A não existência de Deus, da vida após a morte, a ausência de uma âncora moral essencial para a ética, do sentido fundamental para a vida humana e do livre-arbítrio, estão profundamente ligadas à cosmovisão evolucionista”. 

Precisamos, neste momento da história da igreja evangélica, “descontextualizar” a teologia que abraçou a amoralidade secularista, que emprestou ao amor de Deus as características emocionais do politicamente correto e voltar à verdadeira santidade bíblica.

• Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona, no Havaí, com sua família, e está envolvida em projetos de tradução da Bíblia nas ilhas do Pacífico. É autora de Chamado Radical e Tem Alguém Aí em Cima?. Acompanhe seu blog pessoal: ultimato.com.br/sites/brauliaribeiro


Fonte: Revista Ultimato novembro/dezembro 2015

domingo, 29 de dezembro de 2013

RESPOSTAS AO SECULARISMO - Humanidade Incrédula


A agenda do diabo desde o princípio: Enganar (Gn 3.1-24;II Co 11.3), mentir (Jo 8.44), roubar, matar e destruir (Jo 10.10).

João 8.44 - "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira".

O que fez o deus desde século? 

II Co 4.4 - "...nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus".

Aconselha-se: Quem quer luz, procure-a em Jesus Cristo.

João 8.12 - "Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida".

Este mundão tem valores influenciados por seus próprios desejos carnais desregrados. O homem caído, o velho "eu" que precisa ser negado (Mc 8.34).

I João 2.15-17 - "Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.  Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo.  Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre".

O Senhorio que liberta verdadeiramente, a partir do homem interior...de dentro para fora.

João 8.32,36 - "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres".

Valores do reino em oposição ao mundanismo: Justiça,  paz e a alegria no Espírito Santo.
(Mundanismo - Sistema de valores opostos a Deus e ao evangelho de Jesus Cristo).

Rm 14.27 - "Porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo".

O Evangelho de Cristo - Instrumento de redenção por excelência.

Rm 1.16 - "Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego".

Não há vitória no pecado, muito menos misericórdia.

Pv 28.13 - "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia".

Um convite de amor para está sob o Senhorio de Cristo.

Mateus 11.28-30 - "Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve".

A decisão e as escolhas são suas...(escolhas são subprodutos de nossas decisões).

Por Samuel P M Borges
Bacharel em Direito e Teologia

Natal RN - 29/12/2013


domingo, 15 de setembro de 2013

O que se vê na TV

Certo professor universitário cita Marx e Freud e diz que a fé religiosa não passa de uma fuga da realidade.

Certo sociólogo propõe que todos os que estão no fim na vida, todos os dependentes químicos irreversíveis, todos os criminosos irrecuperáveis e todos os parasitas do país devem ser agraciados com a morte.

Para acabar com o risco de um ataque surpresa de armas nucleares, certo militar estuda a estratégia de destruir todos os arsenais atômicos, exceto os de seu próprio país.

Certa revista acaba de publicar 50 páginas das mais notáveis fotos de nu frontal de homens, mulheres, crianças e adultos.

Certo historiador volta a negar a existência de navios negreiros afundados por navios britânicos na época da escravatura e a existência de campos de concentração na época do nazismo.

Certo arquiteto oferece seus préstimos para modernizar os velhos templos cristãos, retirando todos os púlpitos, os sacrários, as sacristias, os confessionários e coisas afins para sobrar espaço para os gazofilácios, a banda e uma arena de danças e espetáculos.

O conselho de certa igreja resolve distribuir preservativos todos os domingos para todas as crianças da escola dominical com mais de 12 anos.

Certo senhor de 60 anos, por volta das duas horas da madrugada, sai do seu quarto e entra no quarto da netinha de seis anos para abusar dela.

Os brancos de certo país retornam ao poder e acabam outra vez com os direitos dos negros.

Certo seminário põe na rua todos os seus alunos sob a acusação de promiscuidade e fecha as portas.

Certo grupo religioso oferece excelentes salários a pastores que sabem atrair multidões e pregar com sucesso a prática do dízimo.

Certo acordo internacional entre nações ricas autoriza o afundamento de navios e a derrubada de aviões que transportem imigrantes de países pobres para os seus.

Certo governo manda para a cadeia qualquer pregador que condene os gays e qualquer profissional da área de saúde mental que receba em seu consultório o homossexual que deseje mudar a preferência sexual.

Certo projeto de lei que revoga a proibição do porte de armas tramita no Congresso de certa nação. Segundo essa lei, qualquer pessoa acima de 18 anos, não importa o gênero, pode carregar uma arma de baixo calibre na pasta, na bolsa ou na cintura para não ser molestada nem assaltada.

É profundamente perceptível e lamentável o quanto o texto de I João 5.19, é ainda mais real na contemporaneidade.

“Todo o mundo a nossa volta se encontra sob o poder do Maligno” (I João 5.19, na versão de J. B. Phillips).


Fonte: Revista Ultimato Setembro-outubro 2013. Com adequações.

sábado, 27 de abril de 2013

CULTURAS EM DECADÊNCIA


Em um projeto de pesquisa , Carl Wilson descobriu que as culturas decadentes exibem sete características distintas  de mudança social e moral.
1.Os homens rejeitam o desenvolvimento espiritual e moral enquanto líderes de sua família.

2. Os homens começam a negligenciar sua família em busca de bens materiais.

3. Os homens começam a se envolver em relacionamentos adúlteros e homossexuais.

4. As mulheres começam a desvalorizar o papel de mãe e de dona de casa.

5. Maridos e esposas começam a competir entre si, e as família acabam desintegrando-se.

6. O individualismo egoísta fragmenta a sociedade em facções de guerra.

7. Os homens e as mulheres perdem sua fé em Deus e rejeitam toda a autoridade sobre suas vidas.

Fonte: Livro – a Estratégia – Rer. Louis P. Sheldon – Fundador e Presidente  da Coalizão dos Valores Tradicionais. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mundo Cão



Que se acorrenta pela avareza e egocentrismo, deixando muitos na inanição até a morte.

Que faz tráfico de órgãos, de pessoas e as escraviza no mercado da prostituição, no trabalho escravo, pelo dinheiro, sem piedade.

Que persegue, mata seus opositores religiosos por causa de uma ideologia ou sistema político, ou da fé e “em nome de Deus”.

Que explora e estupra crianças e adolescentes indefesos, impelidos pela indústria da pornografia, sem nenhum pudor.

Que enriquece traficando drogas, mercadorias sem pagar os impostos devidos, fazendo vítimas os viciados, sem nenhuma compaixão.

Que usa sua criatividade para fazer o mal, via estelionatos, fraudes, assaltos de várias formas, violando as leis no tecido social.

Que rara vezes recupera delinquentes, tratados como lixo social entre grades.

Que fura olhos de crianças e adolescentes inocentes, levando-as esmolar nas ruas e esquinas, lucrando sobre elas. Assim se faz na Índia.

Que mata mais no trânsito do que em guerras seculares travadas.

Que explora regiões ricas sem dá contrapartida justa favoráveis aos nativos locais, deixando-os na miséria absoluta. Que o diga Serra Pelada (Brasil), Serra Leoa (África Ocidental...)

Que faz do habitar familiar um campo de lágrimas e tormentos, em muitos casos, pelo desamor e abuso sexual.

Que reza “um para mim, outro para tu e um para EU” e os outros que se danem, explodam.

Que não respeita, não cuida dos idosos, a começar das suas origens. Pelo contrário, os maltratam, exploram e matam.

Que, em determinados países, não valoriza a mulher como mãe, esposa e ser social construtivo, em nome da religião, diga-se, fanatismo religioso. 

Que se contamina com AIDS, e querem levar consigo muitos outros, inflamados pela revolta do que colheu.

Que com ideologias e relações que não geram vidas, desvalorizam a família, cédula mãe, matriz social e tentam banir Deus do processo da Criação.

Que sobe ao poder institucionalizado e com canetas nas mãos, destroem mais vidas do que bandidos de armas em punho.

Mas, o fim virá quando cada um dará conta de si mesmo a Deus (Rm 14.12).

"O Tempo do Fim é a ocasião em que Deus fará com que o seu Reino triunfe sobre todos os poderes do mal" - Pr. Elienai Cabral.

Reflitamos:

I João 5.19 - O mundo todo está no maligno, sob sua influência, manipulando os filhos da desobediência.

Tiago 2.13 - “Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia...”.

Disse Jesus Cristo:

 “...Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer a avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15).

“E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também” (Lc 6.31).

“...Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (João 8.34).

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8.32).

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36).

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 04/12/2012

 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Mundanismo versus Cristianismo


Imagem: creioeunabilbia.blogspot.com

 “O Mundo é um sistema de valores alienado de Deus e a Ele se opõe. Assim o mundo está no maligno (I Jo 5.19; Jo 12.31; 14.30). na sua oposição contra Deus, o mundo se mantém debaixo da condenação divina (Jo 9.39).  A expressão "salvai-vos desta geração" equivale escapar da condenação que paira sobre o mundo” -  Russell Shedd

Deus  colocou a Igreja no mundo e Satanás não tem feito outra coisa, senão colocar o mundo  na Igreja”  - Geikie & Cowper

    “Sede homens e mulheres no mundo, mas não sejais homens e mulheres       mundanos” -  J. Escrivá de Balaguer

    “Somente aqueles que aprenderam morrer para mundo  sabem como viver       no mundo” - Wilfred Grenfell

  “Os que dedicam a mocidade às paixões carnais reservam os pesares para a velhice” - Jean J. Rousseau

  “O diabo nos promete o mundo inteiro, mas ele não possui um grão de areia seque” - Willian  Wordsworth

  “A cultura  é composta de língua, hábitos, idéias, fé, costumes, organização social, invenções, processos tecnológicos e valores. Agora, toda cultura é manchada pelo pecado, seja ela americana,  ou africana, britânica ou indiana”  - Theodore Williams

   “Não é por ser material que o mundo é condenável, mas por se tornar fonte de sedução tanto para o homem caído, como para o homem cristão”-                                                                     Russell Shedd

   "Se as denominações não forem reeducadas pela graça salvadora, no sentido de negar a impiedade e as paixões mundanas, e se não nos dedicarmos a viver no presente século de maneira sensata, justa e piedosa (Tito  2.11), a luz se apagará” -  Russell Shedd

  “Se não cremos que vale a pena resistir ao diabo, desvendar as falsas atrações do mundo e mortificar a carne, só nos resta aguardar o suicídio espiritual do povo de Deus.  Pois no dia que o cristianismo  e o mundo tornarem-se amigos, o cristianismo deixará de existir” - Citado na Revista Time em 8.04.1966

   

sábado, 20 de agosto de 2011

VENDENDO MENTIRAS


Um site que vende mentiras. E mais, tem milhões de  consumidores. Como?
O consumidor pede para montar uma farsa: Ex.:  compromisso em um congresso, uma viagem.
Eles emitem as passagens,  nota fiscal das despesas, atendimento telefônico  de secretárias e recepcionistas,  comprovante de reserva de hotel e etc...para forjar a mentira do começo ao fim.
E são cínicos – quando dizem:” estamos atendendo uma necessidade de mercado”.
E 50% dos usuários dos serviços são mulheres.

Fonte: Fantástico – 26.08.2007

Breve comentário:
São reflexos de uma sociedade desnorteada,  insensível, porém  sensual,  de relacionamentos frágeis e descompromissados. Tudo ou quase tudo é descartável.  Diverte-se com a violência e catástrofes. As vítimas são apenas números estatísticos. Coisificam  pessoas e personalizam coisas. Sexualidade banalizada. O proibido dá prazer e sensação de êxtase. O hedonismo impera. Sem um padrão moral, pratica-se o antinomismo(ausência de normas). Não se sabe a verdade, todavia tem várias verdades ao gosto do freguês. São amantes de si mesmos. O homem como parâmetro  dele mesmo, pois desconhece, ignora quem o criou.
Nós enquanto Igreja, a multiforme sabedoria de Deus, precisamos mostrar, identificar o  imoral e propor amorosamente uma moral cristã.  

Samuel Borges – agosto 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A solução do problema gay na perspectiva cristã


Com a presença de tantos homossexuais na cidade grega de Corinto e a completa ausência de normas contrárias e de reações homofóbicas na sociedade grega, bastaria a Paulo instituir o casamento gay e combater apenas a orgia homossexual.

Mas não foi isso o que ele fez nem o que aconselhou. Em sua primeira Carta aos Coríntios, o apóstolo é bem explícito: “Já que existe [aqui em Corinto] tanta imoralidade sexual, cada homem deve ter a sua própria esposa, e cada mulher, o seu próprio marido” (1Co 7.2, NTLH).

Para não se colocar contra a maré, contra a cultura, contra a opinião pública, contra os deuses (Apolo em especial) e contra a “corintização”, Paulo deveria ter prescrito no máximo a monogamia homossexual: “Já que existe em Corinto tantos prostitutos, tantas orgias homossexuais, cada homem deve ter o seu próprio homem, e cada mulher, a sua própria mulher”.

Se somos realmente cristãos, se devemos obediência às normas preestabelecidas desde a criação, se entendemos que a Bíblia é a Palavra de Deus, se reconhecemos a autoridade do apóstolo Paulo, autor de treze dos 27 livros do Novo Testamento, o casamento gay deve ficar totalmente fora de cogitação.

A rigor, e para os cristãos, a questão gay tem de ser enfrentada de outra maneira. Permanecer no armário ou voltar para ele não resolve. Casar-se com o parceiro do mesmo sexo não resolve. Adotar e criar filhos ora sem mãe ora sem pai não resolve. Fazer uma leitura gay da Bíblia não resolve. Filiar-se a uma igreja gay e ter pastores e bispos homossexuais não resolve. Livrar-se de qualquer preconceito por parte da sociedade não resolve.

Isso não quer dizer que não haja solução para a pessoa que nasceu com dificuldade heterossexual ou com tendência homossexual, para a pessoa que recebeu no lar estímulos contrários à heterossexualidade, para a pessoa que foi levada ao homossexualismo por causa de abusos sexuais cometidos por familiares ou estranhos, para a pessoa que chegou a essa situação por curiosidade e para a pessoa que tornou-se homossexual em função da propaganda da homossexualidade (novelas, filmes, internet, paradas gays etc.). A solução é a graça de Deus, que ela deve buscar persistentemente. A graça de Deus a levará à conversão, como aconteceu com certo número de pessoas em Corinto (1Co 6.11). Trata-se, honestamente falando, de um milagre, algo inexplicável operado pelo Espírito Santo. Embora dependente da soberania de Deus, a gênese dessa experiência religiosa tem muito a ver com o ministério da igreja, que precisa orar, amar, acolher, compreender o drama da homossexualidade e comunicar as boas novas da salvação.


A participação de profissionais da saúde não deve ser descartada nem pela igreja nem pela medicina. Na verdade, a Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia não “impede os psicólogos de atenderem pessoas que queiram reduzir seu sofrimento psíquico causado por sua orientação sexual, seja ela homo ou heterossexual”. A proibição, continua o documento, “é claramente colocada na adoção de ações coercitivas tendentes à cura e na expressão de concepções que considerem a homossexualidade doença, distúrbio ou perversão”. Naturalmente, os pregadores do evangelho não estão proibidos, à luz da Bíblia, de condenar como pecado a prática homossexual, desde que chamem todos os outros pecados de pecado e desde que anunciem também a graça de Deus.

A conversão não significa obrigatoriamente que o ex-homossexual ou a ex-lésbica precisa contrair matrimônio com pessoa de sexo diferente. A aceitação do evangelho e o compromisso com Cristo indicam uma mudança radical no estilo de vida, seja qual for o estado civil. E o mesmo se requer do heterossexual solteiro ou casado. No final das contas, a moral sexual cristã não visa apenas os homossexuais, as mulheres e os casados. Ela é também para os héteros, os homos e os solteiros, e em qualquer faixa etária (adolescentes, jovens, adultos e idosos).

A conversão não impede que haja um desagradável descuido que provoque uma acidental queda, que deve ser confessada e abandonada para ser perdoada (1Jo 1.9). Entre os muitos problemas de comportamento que havia na igreja de Corinto, um deles era na área sexual.

O apóstolo temia encontrar, em sua próxima passagem por Corinto, alguns daqueles irmãos que haviam abandonado as imoralidades sexuais de volta a elas, fato que o humilharia muito e o faria chorar por eles (2Co 12.21). Era sabido que um deles havia sucumbido à tentação de deitar-se com a mulher de seu pai (1Co 5.1), embora, depois da disciplina, tivesse se entristecido amargamente e se arrependido (2Co 2.5-8).

Em vez de afrouxar as normas de conduta, o apóstolo as confirma: “Fujam da imoralidade sexual, [pois] todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo, [que] é santuário do Espírito...” (1Co 6.18-20).

Fonte: Revista Ultimato julho agosto 2010.
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