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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Sinais para os que creem!

 

Mc 16.17-18: “E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão”. 

Jesus realizou o seu ministério terreno, pregando o Evangelho do Reino, com curas, ressurreições de mortos, expulsões de demônios e muitas maravilhas por onde andou. E Deus era com Ele (At 10.38).

Ao enviar os discípulos, deu-lhes autoridade para operar curas, milagres, expulsar demônios em seu nome (Mt 10.1-16; Mc 3.13-15;16.15-18; Lc 9.1-6,9,17-20).

1) Estes sinais (gr. semeion) – Realizados pelos discípulos de Jesus confirmam que a mensagem do Evangelho é genuína, que o Reino de Deus chegou à terra com poder (Mt 10.7-8; Lc 10.9).

Pregar o Evangelho equivale a uma batalha espiritual contra o mal. É vital que seja seguida por sinais sobrenaturais, ou seja, da parte de Deus (Jo 2.11; Lc 4.31-36;41; Mc 16.15-20).

2) Dos sinais listados em Mc 16.17-18 - Ocorreram na Igreja Primitiva, exceto a ingestão de veneno, ou não foi feito o registro bíblico.

a) falar novas línguas (At 2.4; 10.46; 19.6; I Co 12.30; 14);  

b) expulsar demônios (At 5.15-16; 16.18; 19.11-12);

c) escapar da morte por picada de serpente (At 28.3-5);

d) curar os enfermos (At 3.1-7; 8.7; 9.33-34; 14.8-10; 28.7-8).

3) Manifestações espirituais devem continuar na igreja até a volta de Jesus. Sinais de poder, de autoridade espiritual não foram limitados ao período da era apostólica.

“Ficar em Jerusalém”, até que do alto sejais revestidos de poder (Lc 24.49), é uma necessidade premente e contínua na Igreja hodierna.

I Co 1.7 – Na Igreja de Corinto havia manifestação de todos os dons. E em nenhum momento Paulo desestimulou a busca de dons, doutrinou a respeito do amadurecimento no uso dos dons. E acima de tudo, deve para prevalecer o amor no Corpo de Cristo, o caminho ainda mais excelente (I Co 12.31; 13.1-13).

Na Igreja da Galácia, por volta do ano 50 d.C., como havia forte influência de cristãos judaizantes, minando o Evangelho da Graça, presos à prática da Lei, Paulo alertou para a operação das maravilhas, milagres pela pregação da fé (Gl 3.5). Não era uma mera troca de religião.

4) A pregação do Evangelho e as Evidências do Reino de Deus - Os discípulos de Cristo não somente deviam pregar o evangelho do reino e levar a salvação àqueles que creem (Mt 28.19,20; Mc 16.15,16; Lc 24.47), mas também concretizar o Reino de Deus, como fez Jesus (At 10.38) ao expulsar demônios, curar enfermos, dá vista a cegos, ressuscitar mortos...

5) Realizar sinais é uma promessa para a Igreja (Mc 16.15-20) – Efetuar milagres, curas, não são dons especiais para apenas alguns crentes, mas que seriam concedidos a todos os crentes que, em obediência a Cristo, dão testemunho do Evangelho e reivindicam as suas promessas.

6) A ausência de sinais sobrenaturais na Igreja - Não significa que Cristo falhou no cumprimento de suas promessas. A falta, conforme Jesus declara em Mt 17.17-21, está na vida dos seus seguidores: Fé apequenada e despreparo espiritual.  

No início do século XX, afirmou o pastor batista renovado, J. W. Hjertstrõm:

“O Cristianismo de hoje se tornou o Sansão com as transas cortadas”.

Veja: https://samuca-borges.blogspot.com/2026/07/pr-john-wilhelm-hjertstrom.html

7)Cristo prometeu autoridade, poder e sua presença nos acompanharão à medida que lutarmos contra o reino de Satanás (Mt 28.18-20; Lc 24.47-49):

a) Devemos libertar o povo do cativeiro do pecado pela pregação do evangelho, mediante uma vida de retidão (Mt 6.33; Rm 6.13; 14.17);

b) E pela operação de sinais e milagres através do poder do Espírito Santo (Mt 10.1; Mc 16.16-20; At 4.31-33).

Subsídios ao tema:

I - Dom versus talentos

Dom – Dádiva; carisma, recursos extraordinários concedidos à igreja pelo Espírito Santo. É ele o executor dos dons em nós e através de nós, dos cristãos que creem e buscam.

Talentos – Representam habilidades naturais ou espirituais, tempo, recursos e oportunidades que cada pessoa recebe de Deus para utilizá-los na causa do Evangelho, a seu serviço.

II – Os Dons em Três Classes

1.Dons espirituais clássicos (I Co 12.27-31) - Palavra de sabedoria; Palavra de ciência; Discernimento; Fé; Curas; Maravilhas; Profecia; Variedades de línguas; Interpretação.

2.Dons assistenciais (Rm 12.6-8) - Contribuição; Serviço; Ensino; Exortação; Liderança; Misericórdia; Ajuda; Administração.

3.Dons ministeriais (Ef 4.11-12) - Apóstolos; Profetas; Evangelistas; Pastores e Mestres.

Nota 1 - É um erro exegético confundir o dom de profecia no NT, com o perfil do ministério profético do AT, uma vez que este durou até João Batista (Mt 11.13; Lc 16.16). João foi o último profeta da antiga aliança e cumpriu o papel de precursor do Messias, o que lhe rendeu ser o maior entre os homens, nascido de mulher (Mt 11.11). E o menor no Reino dos Céus é próprio Cristo.

Os dons foram dados à Igreja como ferramentas espirituais, para que Ela se conduza pelo sobrenatural no poder do Espírito. Do contrário, seria uma mera religião falando as verdades divinas, sem autoridade na Terra, nem no mundo espiritual.

Lamentamos os cessacionistas não crerem assim. Parece-me que preferiram uma religião sociável ao invés de embates com as trevas.

Por outro lado, a Igreja como a multiforme sabedoria de Deus comporta congregacionais, batistas, presbiterianos, assembleianos, nazarenos, Deus é Amor, Wesleyanos, luteranos, anglicanos, etc.

Na Igreja Cristã também existem os chamados ministérios radicais que lidam com: Recuperação de drogados, de prostitutas, de moradores de rua, libertação de  escravizados e até com tráfico de pessoas. Não é para todo cristão, é uma chamada específica. Aliás, Deus trabalha nas Escrituras com chamadas especiais para salvação e serviço. O seu intento é sempre salvar.

A Igreja e a sua voz profética – Não pode perdê-la em um mundo todo no maligno (I Jo 5.19), em meio a gerações corruptas, pagãs, perversas e iníquas.

III - Línguas Estranhas

Xenolalia - Segundo o teólogo Stanley Horton, “é o falar em línguas num idioma humano conhecido, estranho apenas a quem o fala”. No dia de Pentecostes, os crentes cheios do Espírito Santo falaram num idioma desconhecido para eles, mas, como a cidade de Jerusalém estava repleta de estrangeiros, estes puderam tomar conhecimento da mensagem do Evangelho em sua própria língua (At 2.1-13).

Glossolalia — (do gr. glosso, língua + lalia, falar em língua) - Dom sobrenatural concedido pelo Espírito Santo, que capacita o crente a fazer enunciados proféticos, ou louvar a Deus em línguas que são desconhecidas para quem fala e quem ouve. O ideal é que haja interpretação (I Co 14.26-28). Ou só edificará quem fala (I Co 14.2,4).

O falar em línguas como a manifestação física do enchimento do Espírito Santo (At 2.4), foi um fenômeno que não se restringiu a Atos 2, pois encontramos exemplo e instruções a respeito da prática, ocorrendo na Igreja Primitiva (At 10.44-46; I Co 12.30; 14.5-6). E mais recente, em movimentos de despertamento espiritual que repercurtiram em chamas, fogo missionário pelo mundo.

As finalidades do Dom de Profecia – Edificação, exortação e consolo (I Co 14.4). Inclusive Paulo doutrina sobre dons mais importantes que outros, em função do coletivo na Igreja (I Co 13.31; 14.1-40). A profecia proferida na Igreja deve ser julgada, discernida, no sentido de avaliação do conteúdo (I Co 14.29).

Quem profetiza deve ter controle sobre o que faz (I Co 14.32). Não pode alegar ser um devaneio.

A manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil (I Co 12.7).

Nota 2 – Cessacionistas negam principalmente os dons de profecias, línguas e interpretação de línguas, alegando estar o cânon bíblico completo. Porém, pentecostais não estão inserindo profecias, conteúdo do que Deus fala na atualidade ao cânon sagrado. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. A experiência espiritual no exercício e manifestações dos dons sempre devem se submeter ao crivo das Escrituras Sagradas. A Palavra também recomenda não sermos ignorantes acerca dos dons espirituais (I Co 12.1). E é para quem crê (Mc 16.17).

E oportuno mencionar Atos 2.38-39:

“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, em remissão de pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”.

Nota 3 – No Adventismo do Sétimo dia existe na pessoa da Ellen White o tal espírito da profecia, pondo em equivalência ao cânon bíblico fechado (Antigo e Novo Testamento), suas profecias e escritos. Isto é heresia. E há também acusações de plágios em relação aos seus escritos.

Nota 4 – Na contemporaneidade, merece atenção fazer distinções entre pentecostais clássicos e neopentecostais, com forte influência das heresias contidas na Teologia da Prosperidade, focos doentios em ministérios de libertação, manifestações com tentativas de materializar a fé (sal grosso, rosa ungida, vestes ungidas, areia da terra santa, orações do monte, fé na fé, lideranças neófitas, crescimento e governo eclesiástico desordenado, lideranças sem submissão a outras lideranças maduras, etc.

Nota 5 – No sermão do monte Jesus alertou quanto ao engano no ativismo religioso, fazendo da religião, do evangelho um negócio, sem obediência, sem relacionamento com Ele. Pode até ter dons, usar a autoridade do nome de Jesus, mas sem frutos dignos de arrependimento não adentrará ao Reino de Deus (Mt 7.15-23).

Jo 14.12 – Enfim, a promessa para os que creem é que poderão fazer maiores obras, sinais, feitos gloriosos em seu nome (Jo 14.13-14). E sempre visando a sua glória e a expansão do Reino de Deus neste mundo. Amém!

Fontes da Pesquisa:

Bíblia do Estudo Pentecostal.

Lição EBD/CPAD - 2º trimestre de 2011.

Despertamentos e Testemunhos na História da Igreja.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 14/08/2026.

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