Acerca da reencarnação
ensinou o educador e escritor francês Allan Kardec (1804-1869): “A reencarnação
fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição...A reencarnação é a
volta da alma, ou espírito, à vida corporal, mas em outro corpo novamente
formado para ele que nada tem de comum com o antigo” (Evangelho
Segundo o Espiritismo – Edição Fundação Espírita André Luiz • 2012 - Mundo
Maior Editora Fundação Espírita André Luiz - pág. 64).
A reencarnação é um dogma,
uma crença em pluralidade de existências, do espírito do indivíduo em outros
corpos, podendo ser na Terra ou fora dela (outros mundos), a fim de *expiar suas
faltas e aperfeiçoar o espírito. No espiritismo, evita-se usar os termos pecado, desobediência, iniquidade, etc.
*Pagar por um erro, sofrer as
consequências de uma culpa ou purificar-se de um pecado por meio de penitência
ou castigo.
Foi o que Jesus fez por toda
Humanidade no calvário. E a salvação passou a ser uma dádiva do alto, pela
Graça de Deus.
O espiritismo ignora o sacrifício
substitutivo e insubstituível de Jesus na cruz para a redenção humana, mediante
o arrependimento e a fé.
Rm 4.25 “O qual (Jesus
Cristo) por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação”.
Rm 5.6 – “Porque Cristo,
estando nós ainda fracos (em pecados diante de Deus), morreu a seu tempo pelos
ímpios”.
Rm 6.23 – “Porque o salário
do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo
Jesus, nosso senhor”.
A Bíblia confronta a crença em
vidas múltiplas, ao afirmar que ao homem está ordenado morrer uma só vez, e
vindo depois disto o juízo (Hb 9.27).
Nas escrituras não existe
nenhuma menção à reencarnação, e tampouco a confunde com o vocábulo ressurreição.
No grego os vocábulos
“anástasis e égersis” significam levantar, erguer, surgir, sair de um local ou
de uma sua situação para outra.
No latim ressurreição é o
ato de ressurgir, voltar à vida, reanimar-se.
A ressurreição na Teologia -
É a união da alma e do espírito ao próprio corpo, quando ressuscitado aquele
que daqui partiu, pela morte física.
E para fazermos distinções
conceituais, citamos:
A Encarnação de Jesus - Ocorreu
pelo milagre da geração por ato e graça do Espírito Santo, no ventre de virgem
Maria (Mt 1.18-25), para vir a este mundo com a finalidade de ser o Cordeiro de
Deus que tiraria o pecado dos homens, pagaria pela redenção humana (Jo 3.16). E
não reencarnou em outro corpo, Ele ressuscitou dentre os mortos, conforme havia
prometido aos seus discípulos (Mt 26.1-2;31-32; Lc 24.46).
Segundo a Bíblia, o espírito
e alma humanos são distintos, inseparáveis e imortais. O sentido de morte nas
Escrituras é sempre de separação:
a) Na morte espiritual (na
desobediência no Éden), o homem perde a comunhão com Deus, podendo ser
restaurada por Jesus Cristo;
b) Na morte física, separação
da parte material da imaterial, aguardando a ressurreição do corpo para vida
eterna ou condenação final;
c) e na morte definitiva,
após julgamento no juízo final, fora da presença de Deus, condenação para
sempre.
Em toda a narrativa bíblica,
são mencionados oito casos de ressurreição, sendo que:
a) Sete ressurreições no
sentido de restauração à vida e tornaram a morrer;
b) E uma ressurreição no
sentido propriamente dito ou pleno – A ressurreição de Jesus, o primeiro
dentre os mortos. A morte foi vencida, derrotada quando Jesus ressuscitou em
corpo glorificado, incorruptível e para não mais morrer. E inclusive com a
capacidade de se materializar e se desmaterializar (Lc 24.30-31;36-48;50-51).
Jesus padeceu a morte na
cruz pela Humanidade pecadora, todavia Ele não tinha pecado (Hb 4.15), logo a
morte não tinha poder sobre Ele. Na verdade, Jesus era imatável.
Em João 10.17-18, disse
Jesus:
“Por isso, o Pai me ama,
porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo
contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também
para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai”.
Em consequência da ressurreição
de Jesus Mateus 27-52-53, registra que depois da sua ressurreição, muitos
santos, que “dormiam no Senhor” (sepultados) foram ressuscitados e para testemunho,
apareceram a muitos na Cidade Santa, em Jerusalém.
A expressão “ressurreição
dentre os mortos” (Lc 20.35; Fl 3.11), implica na ressurreição que somente os
justificados pelo sacrifício de Jesus na cruz, mediante a fé, participarão.
Em João 5.28-29, Jesus ensina sobre duas ressurreições e dois destinos – A ressurreição da vida e a ressurreição da condenação. No AT o profeta Daniel escreveu a esse respeito por revelação do homem vestido de linho (Dn 12.2).
Paulo também confessou diante
dos Romanos a ressurreição de justos e injustos (At 24.14-15). E escreveu por
inspiração divina o capítulo da Ressurreição em I Co 15.1-58, riquíssimo em
detalhes e nada tem a ver com a reencarnação espírita.
A Ressurreição do Corpo
No
céu não teremos uma nova alma, mas teremos um corpo ressurreto. O nosso
espírito foi regenerado e a nossa alma é transformada continuamente pela
renovação do entendimento (Rm 12.1-2).
Então, é relevante
enfatizarmos que a ressurreição bíblica, judaico-cristã é do corpo. E quem
daqui partiu ressuscitará no próprio corpo, a depender do destino, em um corpo
incorruptível, ou em um corpo preparado para enfrentar a condenação definitiva
(Ap 20.11-15), no lago de fogo.
Portanto:
1.Há no homem uma sede pelo
transcendental - Deus colocou no homem uma centelha do seu Espírito
(deu-lhe o fôlego da vida) que o direciona para eternidade (Ec 3.11), ou seja, existe
na alma humana um anseio inato pela eternidade.
2.Vivemos num invólucro
chamado corpo. Ele é o limite desta existência material. Quando é atingido,
afetado fatalmente daqui partimos.
3.O corpo faz parte da
identidade humana até na outra dimensão. Tem pessoas acreditando em vidas
múltiplas em outro corpo, enganadas e por incredulidade. Na esperança da cristã
da ressurreição o corpo é personalíssimo e nos reconheceremos, como na transfiguração, Moisés
e Elias foram reconhecidos (Mt 17.3-4). No estado intermediário
(Lc 16.23-26) como no céu (Mt 8.11; 22.31-33) vamos nos reconhecer uns aos
outros.
4.Tem aqueles que tendem a se
contrapor a ordem de que o pó volta ao pó e o espírito ao Deus que o deu e
cremam os corpos. Cremação aponta mais para uma prática pagã do que cristã.
5.Outros, pedem para
embalsamar os corpos na esperança de voltar à vida pela ciência humana. Só Deus
pode dá e tirar a vida. Foi Ele quem fez o homem alma vivente (Gn 2.7; Jó
33.4).
6.Existem celebridades e
milionários que ao morrerem pagam para aplicarem a técnica da criogenia humana –
É a conservação de corpos em nitrogênio líquido. O processo resfria cadáveres a
-196 °C dentro de tanques especiais, com o objetivo de manter os tecidos
intactos até que a ciência do futuro descubra uma forma de reverter a morte e
curar doença. Repito, somente Deus é o doador e mantenedor da vida.
7.Eis o conselho do
pregador, em Eclesiastes 12.13-14:
“De tudo o que se tem ouvido,
a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de
todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão
escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”.
Enfim, Jesus falando da
realidade do mundo espiritual, ensinou a quem realmente devemos temer:
“Não temais os que matam o
corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no
inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28).
Por Samuel Pereira de Macedo
Borges
Bacharel em Direito e Teologia
Natal/RN, 25/08/2026.

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