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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Reencarnação versus Ressurreição do Corpo!

                     Imagem IA - Gemini

Acerca da reencarnação ensinou o educador e escritor francês Allan Kardec (1804-1869): “A reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição...A reencarnação é a volta da alma, ou espírito, à vida corporal, mas em outro corpo novamente formado para ele que nada tem de comum com o antigo” (Evangelho Segundo o Espiritismo – Edição Fundação Espírita André Luiz • 2012 - Mundo Maior Editora Fundação Espírita André Luiz - pág. 64).

A reencarnação é um dogma, uma crença em pluralidade de existências, do espírito do indivíduo em outros corpos, podendo ser na Terra ou fora dela (outros mundos), a fim de *expiar suas faltas e aperfeiçoar o espírito. No espiritismo, evita-se usar os termos pecado, desobediência, iniquidade, etc.

*Pagar por um erro, sofrer as consequências de uma culpa ou purificar-se de um pecado por meio de penitência ou castigo.

Foi o que Jesus fez por toda Humanidade no calvário. E a salvação passou a ser uma dádiva do alto, pela Graça de Deus.

O espiritismo ignora o sacrifício substitutivo e insubstituível de Jesus na cruz para a redenção humana, mediante o arrependimento e a fé.

Rm 4.25 “O qual (Jesus Cristo) por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação”.

Rm 5.6 – “Porque Cristo, estando nós ainda fracos (em pecados diante de Deus), morreu a seu tempo pelos ímpios”.

Rm 6.23 – “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso senhor”.

A Bíblia confronta a crença em vidas múltiplas, ao afirmar que ao homem está ordenado morrer uma só vez, e vindo depois disto o juízo (Hb 9.27). 

Nas escrituras não existe nenhuma menção à reencarnação, e tampouco a confunde com o vocábulo ressurreição.

No grego os vocábulos “anástasis e égersis” significam levantar, erguer, surgir, sair de um local ou de uma sua situação para outra.

No latim ressurreição é o ato de ressurgir, voltar à vida, reanimar-se.

A ressurreição na Teologia - É a união da alma e do espírito ao próprio corpo, quando ressuscitado aquele que daqui partiu, pela morte física.

E para fazermos distinções conceituais, citamos:

A Encarnação de Jesus - Ocorreu pelo milagre da geração por ato e graça do Espírito Santo, no ventre de virgem Maria (Mt 1.18-25), para vir a este mundo com a finalidade de ser o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado dos homens, pagaria pela redenção humana (Jo 3.16). E não reencarnou em outro corpo, Ele ressuscitou dentre os mortos, conforme havia prometido aos seus discípulos (Mt 26.1-2;31-32; Lc 24.46).

Segundo a Bíblia, o espírito e alma humanos são distintos, inseparáveis e imortais. O sentido de morte nas Escrituras é sempre de separação:

a) Na morte espiritual (na desobediência no Éden), o homem perde a comunhão com Deus, podendo ser restaurada por Jesus Cristo;

b) Na morte física, separação da parte material da imaterial, aguardando a ressurreição do corpo para vida eterna ou condenação final;

c) e na morte definitiva, após julgamento no juízo final, fora da presença de Deus, condenação para sempre.

Em toda a narrativa bíblica, são mencionados oito casos de ressurreição, sendo que:

a) Sete ressurreições no sentido de restauração à vida e tornaram a morrer;

b) E uma ressurreição no sentido propriamente dito ou pleno – A ressurreição de Jesus, o primeiro dentre os mortos. A morte foi vencida, derrotada quando Jesus ressuscitou em corpo glorificado, incorruptível e para não mais morrer. E inclusive com a capacidade de se materializar e se desmaterializar (Lc 24.30-31;36-48;50-51).

Jesus padeceu a morte na cruz pela Humanidade pecadora, todavia Ele não tinha pecado (Hb 4.15), logo a morte não tinha poder sobre Ele. Na verdade, Jesus era imatável.

Em João 10.17-18, disse Jesus:

“Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai”.

Em consequência da ressurreição de Jesus Mateus 27-52-53, registra que depois da sua ressurreição, muitos santos, que “dormiam no Senhor” (sepultados) foram ressuscitados e para testemunho, apareceram a muitos na Cidade Santa, em Jerusalém.

A expressão “ressurreição dentre os mortos” (Lc 20.35; Fl 3.11), implica na ressurreição que somente os justificados pelo sacrifício de Jesus na cruz, mediante a fé, participarão.

Em João 5.28-29, Jesus ensina sobre duas ressurreições e dois destinos – A ressurreição da vida e a ressurreição da condenação. No AT o profeta Daniel escreveu a esse respeito por revelação do homem vestido de linho (Dn 12.2).

Paulo também confessou diante dos Romanos a ressurreição de justos e injustos (At 24.14-15). E escreveu por inspiração divina o capítulo da Ressurreição em I Co 15.1-58, riquíssimo em detalhes e nada tem a ver com a reencarnação espírita.

A Ressurreição do Corpo

No céu não teremos uma nova alma, mas teremos um corpo ressurreto. O nosso espírito foi regenerado e a nossa alma é transformada continuamente pela renovação do entendimento (Rm 12.1-2).

Então, é relevante enfatizarmos que a ressurreição bíblica, judaico-cristã é do corpo. E quem daqui partiu ressuscitará no próprio corpo, a depender do destino, em um corpo incorruptível, ou em um corpo preparado para enfrentar a condenação definitiva (Ap 20.11-15), no lago de fogo.

Portanto:

1.Há no homem uma sede pelo transcendental - Deus colocou no homem uma centelha do seu Espírito (deu-lhe o fôlego da vida) que o direciona para eternidade (Ec 3.11), ou seja, existe na alma humana um anseio inato pela eternidade.

2.Vivemos num invólucro chamado corpo. Ele é o limite desta existência material. Quando é atingido, afetado fatalmente daqui partimos.

3.O corpo faz parte da identidade humana até na outra dimensão. Tem pessoas acreditando em vidas múltiplas em outro corpo, enganadas e por incredulidade. Na esperança da cristã da ressurreição o corpo é personalíssimo e nos reconheceremos, como na transfiguração, Moisés e Elias foram reconhecidos (Mt 17.3-4). No estado intermediário (Lc 16.23-26) como no céu (Mt 8.11; 22.31-33) vamos nos reconhecer uns aos outros.

4.Tem aqueles que tendem a se contrapor a ordem de que o pó volta ao pó e o espírito ao Deus que o deu e cremam os corpos. Cremação aponta mais para uma prática pagã do que cristã.

5.Outros, pedem para embalsamar os corpos na esperança de voltar à vida pela ciência humana. Só Deus pode dá e tirar a vida. Foi Ele quem fez o homem alma vivente (Gn 2.7; Jó 33.4).

6.Existem celebridades e milionários que ao morrerem pagam para aplicarem a técnica da criogenia humana – É a conservação de corpos em nitrogênio líquido. O processo resfria cadáveres a -196 °C dentro de tanques especiais, com o objetivo de manter os tecidos intactos até que a ciência do futuro descubra uma forma de reverter a morte e curar doença. Repito, somente Deus é o doador e mantenedor da vida.

7.Eis o conselho do pregador, em Eclesiastes 12.13-14:

“De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”.

Enfim, Jesus falando da realidade do mundo espiritual, ensinou a quem realmente devemos temer:

“Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28).

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 25/08/2026.

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