Introdução
1.A doutrina da Trindade é coluna
da fé cristã. Consubstancia-se em podermos estudar um só Deus em três Pessoas
que coexistem e atuam harmoniosamente no Plano Divino da Redenção humana (I Pd
1.2).
2.As três pessoas divinas se
revelam no batismo de Jesus (Mc 1.9-11 - o Filho é batizado, o Espírito Santo
desce como pomba e o Pai fala dos céus). Estão presentes na fórmula batismal
quando Jesus ordena a Grande Comissão (Mt 28.19). E mais tarde vemos também nos
escritos primitivos, como por exemplo, na bênção dos apóstolos (II Co 13.13).
3.O monoteísmo da fé judaica
(uma revelação progressiva de Deus, o Pai) é corroborada nos evangelhos e em
todo o NT, como aos Efésios 4.4-6, um só Espírito, um só Senhor, um só Deus.
Não são três Deuses.
I – As Três pessoas da
Trindade no Batismo de Jesus
Jesus, o Deus encarnado (Jo
1.14), desceu às águas do Jordão para ser batizado por João Batista (Mt 3.13).
Diante da objeção de João
Batista, diz Jesus: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a
justiça” (Mt 3.15).
a) Jesus não foi batizado para
externar arrependimento de pecados.
b) Jesus submeteu-se ao
batismo em água, associando-se à condição dos pecadores que veio salvar (Mt
5.17).
c) O batismo de Jesus é um
gesto de identificação com a humanidade pecadora, dentro do escopo geral do
Plano Redentor desde a eternidade.
d) A descida do Espírito Santo
sobre Ele, em forma corpórea, ratificou a unção do seu ministério. Ou seja, uma
manifestação visível indicando ser Ele o Messias prometido, o Cristo,
literalmente “o Ungido” de Deus (Is 11.2; 42.1).
e) O batismo em águas, sendo
Ele o Filho de Deus (Lc 1.32), representa sua unção pública e visível, marcando
o início de seu ministério terreno e capacitando-o para cumprir a missão
redentora.
Nota 1 - “DEUS
É TRINO (isto é, três-em-Um) — Ele é um Deus, um único Ser (Dt 6.4; Is
45.21; 1Co 8.5,6; Ef 4.6; 1Tm 2.5), que se revelou em três Pessoas distintas
(não separadas), mas inter-relacionadas e completamente unidas: Pai, Filho e
Espírito Santo (Mt 28.19; 2Co 13.14; I Pd 1.2). Cada Pessoa é completamente
divina (isto é, completamente Deus) e igual às outras; no entanto, não são três
Deuses, mas apenas um Deus” (Bíblia de Estudo Pentecostal Edição Global,
editada pela CPAD).
II. A Distinção e a Unidade
das Pessoas Divinas.
1.A doutrina da Trindade
afirma que Deus é uma só essência (gr. ousia), mas subsiste em três
Pessoas distintas (gr. hipóstases). A Obra da Redenção, é trinitária em
sua essência:
a) o Pai planeja e elege todo
salvo em Cristo (Ef 1.4);
b) o Filho executa a obra
expiatória (Jo 3.16; Hb 9.12);
c) e o Espírito divulga a tão
grande salvação (Tt 3.5; Rm 8.16).
“O Deus Bíblico não é uma
unidade absoluta, monolítica ou impessoal, mas sim uma unidade composta e
dinâmica, eternamente subsistente em três Pessoas distintas: Pai, Filho e
Espírito Santo”.
2.A Pluralidade na Unidade no
AT
- O nome hebraico Elohim, plural de Eloah, é utilizado para designar
o Deus único de Israel: “No princípio, criou Deus (Elohim) os céus e a terra”
(Gn 1.1). No texto, o sujeito (Deus) está no plural, enquanto o verbo “criou”
(bara) está no singular, indicando uma pluralidade pessoal em uma única
essência divina. Essa estrutura gramatical incomum reaparece em outros textos
bíblicos (Gn 1.26; 3.22; 11.7; Is 6.8). Essas passagens evidenciam que o
monoteísmo do AT realça a pluralidade interna na Divindade. Assim sendo, a
doutrina da Trindade não contraria a unidade de Deus conforme revelada nas
Escrituras, mas a completa e a qualifica.
Nota 2 - “DEUS. O
nome pessoal de Deus mais importante é Yahweh (YHWH), que é traduzido
na maioria das bíblias por ‘O Senhor’. Na sarça ardente, no deserto de Horebe,
Deus primeiramente revelou a Moisés o seu nome pessoal em forma de sentença:
‘EU SOU O QUE SOU’ (Êx 3.13-15). Embora ponto de debate, o nome divino “YHWH”
parece originar-se de uma forma abreviada dessa frase. Jeová, que falou com
Moisés e com seu povo na época do Êxodo, é o Deus que estava com Abraão,
Isaque, Jacó. De acordo com o testemunho de Jesus, “o Deus de Abraão, o Deus de
Isaque e o Deus de Jacó” é identificado como o Deus ‘dos vivos’ (Mt 22.32).
[...] O Deus cristão da Bíblia é o Deus trino.
III. A Relevância da Trindade
para a Fé Cristã.
1.A doutrina da Trindade está
baseada nas Escrituras como a revelação progressiva, a partir de Deus, o Pai (Dt
6.4; Mc 12.29; Rm 1.3,4; Is 7.14; Jo 16.13; II Co 3.17).
a) No Concílio de
Niceia (325 d.C.) proclamou que o Filho é “da mesma substância”
(gr. homoousios) do Pai, condenando a ideia de que Ele fosse uma criatura
exaltada, ou endeusada.
b) No Concílio de
Constantinopla (381 d.C.) completou a formulação trinitária ao afirmar a
divindade do Espírito Santo. Desde os primeiros séculos, estudiosos da fé
cristã têm ensinado a perfeita unidade em Deus, sem confundir a identidade de
cada Pessoa divina.
2.Implicações doutrinárias - A
negação da Trindade tem resultado em heresias, desvios da Escrituras:
a) O triteísmo (crença em três
deuses separados) viola a unidade de Deus, pois a Bíblia revela a existência de
“um só Deus” (I Co 8.6).
b) O unitarismo afirma que
somente o Pai é Deus, negando a divindade de Cristo e do Espírito Santo,
contrariando as Escrituras que ensinam a Divindade de ambos (Jo 1.1; At 5.3-4).
c) O unicismo (ou modalismo),
ensina que Deus se manifesta em três formas sucessivas, ou que Deus se
manifesta em modos diferentes, mas não como Pessoas distintas. Porém, no
batismo de Jesus está claro que as três Pessoas são distintas e se manifestaram
simultaneamente (Mt 3.16-17).
d) Assim sendo, o monoteísmo
bíblico ensina que “há um só Deus que subsiste em três Pessoas distintas”. A
compreensão distorcida dessa doutrina tem sérias implicações para a salvação. A
doutrina da Trindade é inseparável do Evangelho, pois o Deus que salva é o
mesmo Deus que se revela.
“E a vida eterna é esta: que
conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste”
(Jo 17.3).
1.A doutrina da Trindade não é
uma distorção da Teologia Bíblica. Ela
combate heresias teológicas acerca da Divindade revelada nas Escrituras e sustenta
o Plano Divino da Redenção Humana.
2.Crer na Trindade é crer no
Deus que é um só em essência, mas subsiste em três Pessoas distintas.
3.O entendimento teológico e
didático da Trindade contribui com a preservação da verdade do Evangelho e a
plena revelação de Deus.
4.A negação da existência da Trindade causa ignorância (falta
de conhecimento) aos cristãos de quem é Deus, em consequência, danosa no
amadurecimento da relação com Ele. Portanto, a doutrina da Trindade devidamente
compreendida é crucial para que não sejamos enganados.
Fontes da pesquisa:
Lição EBD/CPAD – 1º trimestre
de 2026.
Bíblia Sagrada.
Anotações de estudos pessoais.
Por Samuel Pereira de Macedo
Borges
Natal/RN, 05/01/2026.
