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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

A chamada e a dinâmica da salvação em Romanos 8.28-29.

Rm 8.28 - Paulo faz menção direta aos que amam a Deus – Então, estava falando dos filhos da obediência (Jo 14.15,21), de salvos em Cristo, daqueles que já compunham a Igreja Cristã, pessoas arrependidas, e portanto, que haviam crido na pregação do evangelho (Mc 16.15-16; Rm 1.16). O Apóstolo Paulo não dissecava, na inspiração do Espírito Santo, sobre uma realidade passada ou futura, pelo contrário, estava presente no exercício do seu apostolado.

Pela hermenêutica contextual, consideramos a pregação do evangelho (Mc 16.15-16; Atos 3.19), a mensagem da grande comissão dada à Igreja (Mt 28.18-20), começando por Jerusalém até os confins da terra (Atos 1.8), o decreto divino da chamada à salvação, no Plano Divino Através dos Séculos, projetado por Ele, soberanamente, extensivo a todos os homens.

Note-se que o Espírito Santo foi enviado para convencer o mundo (a humanidade, a todo homem) e serão salvos os que atentarem para a mensagem da cruz, arrependidos e mediante a fé (Jo 16.8-11;Rm 10.8-10;16-17; Ef 2.8).

Rm 8.29; I Pd 1.2 - Os salvos foram conhecidos por Deus de antemão e dessa forma, prossegue o seu plano salvífico, uma vez que para Deus tudo está no presente. E assim sendo, todo crente é um eleito, em Cristo (Ef 1.3-5,13).  

Rm 8.30 – A predestinação envolve a chamada, a justificação e a glorificação na dinâmica da redenção.

Tanto a eleição (quem?) como a predestinação (para que?), referem-se ao corpo coletivo de Cristo, a Igreja.

Deus não ama a pecadores incrédulos no pecado (Jo 3.36), e segundo João 3.16 Deus amou a humanidade caída, enquanto projeto de redenção, quando decidiu na eternidade, livre e espontaneamente em absoluto (Ef 1.5,9,11) propor o meio de resgatar o homem. E por essa razão Jesus é o Cordeiro de Deus (Jo 1.29; Ef 1.4; Hb 2.9) que foi morto desde a fundação do mundo (I Pd 1.18-20; Ap 13.8). Veja artigo http://samuca-borges.blogspot.com/2020/07/quem-sao-os-escolhidos-ou-eleitos-de.html

De acordo com Efésios 1.5-6;11-12 – Todos os salvos em Cristo, são predestinados a: Adoção de filhos, para louvor e glória da sua graça.

Paulo menciona três aspectos dessa escolha:

(1) Em quem fomos escolhidos? Em Jesus, por isso ela é Cristocêntrica;

(2) Em que tempo se deu essa escolha? O tempo é dito como “antes da fundação do mundo”;

(3) E qual a finalidade? Para que fôssemos “santos e irrepreensíveis”.

A Eleição – Coletiva é ou Particular?

Quando a Bíblia faz menção a Eleição, trata do tema referindo-se à Igreja, corpo de Cristo, edifício, lavoura de Deus, e portanto, coletiva.

É particular no que tange a decisão de cada indivíduo, frente à pregação do evangelho de dá ou não crédito a sua mensagem de salvação (Jo 3.16; Rm 1.16).

Atos 2.47 - Faz menção ao agir de Deus, na ação do Espírito Santo (Jo 16.8-11), acrescentando, dia a dia, os que iam sendo salvos, ou seja, na medida em que criam na mensagem do evangelho.

Síntese da mecânica da salvação em Cristo, no tocante ao homem é um processo, envolvendo o passado, presente e futuro. E, portanto, de todo aquele que crê.

1.Arrependimento, fé, confissão e conversão – Passos simultâneos primários para salvação (Mc 1.15; 16.15-16; Rm 10.10; At 3.19).

2.Novo Nascimento – Instantâneo (João 3.3-8; II Co 5.17).

3.Filiação por adoção – Imediato status de filho (João 1.11-12; Rm 8.14-16; Ef 1.5).

4.Reconciliação pelo calvário – Deus em Cristo na cruz, deu esta condição a todo o mundo (II Co 5.19), isto é, a humanidade (II Co 5.18-20).

5.Justificação – Status de justo, santo em Cristo - fui salvo, pela autoridade da ressurreição de Cristo (Rm 4.25).

6.Santificação – Processo de separação no curso da fé cristã, sendo salvo (I Ts 5.23; Hb 12.14).

7.Glorificação em corpo imortal e ausência plena do pecado no céu - Serei salvo (Rm 8.17,22-25,30; I Co 15.19,51-54; Ap 7.16-17).

É perfeitamente discernível o Plano da Salvação, no primeiro momento, na eternidade, foi por decisão soberana e amor incondicional. Já na oferta da salvação, como uma dádiva divina, é condicional ao arrependimento e a fé (Mc 1.15;16.15-16; Rm 1.16), para que o homem receba de Deus salvação, sem nenhum mérito humano.

O ministério da morte e da condenação era a Lei e é passado, pois tinha natureza transitória (II Co 3.7,9,11).

Enfim, o texto sagrado de Rm 8.28-30, não ensina um determinismo divino e inconsequente, separando a humanidade em dois grandes grupos, dos salvos e dos perdidos.

 

Pb Samuel P M Borges

Natal – Outubro/2020

 

 

sábado, 26 de setembro de 2020

A Salvação no Ministério Terreno de Jesus

Observa-se que alguns textos dos evangelhos têm sido utilizados isoladamente para atestar a predestinação incondicional para condenação, na linha de pensadores puritanos e reformados.  Porém, são sem consistência bíblica e teológica.

Lucas 4.14-22 - Registra que estava sobre Jesus a virtude do Espírito, ungido para evangelizar os pobres (humildes), enviado para curar os quebrantados de coração, apregoar liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor...). E o Espírito a Ele, não lhe foi dado por medida, mas de forma plena, ainda que em carne (João 3.34). Há os descuidados no exame da Palavra que aplicam este texto a todos os crentes, erroneamente.

João 20.30-31 – No evangelho de João, a ênfase era demonstrar, revelar que Jesus era o filho de Deus. E no mesmo evangelho, Jesus anuncia a promessa do Espírito Santo, que passaria a atuar diretamente no contexto Igreja, pois seria dado à Igreja Cristã (Jo 14.16-17,26), para o novo momento (Jo 15.26;16.7-15), após a sua ascensão.

João 1.15-37; 5.33,36 - João Batista, o seu precursor.

João 10.41-42 - O testemunho de João Batista se cumpriu cabalmente na vida e ministério de Jesus.

João 10.36-38; 11.27,41-42 - Jesus, o Filho de Deus enviado do Pai.

Mateus 15.21-28 – Primeiro, enviado as ovelhas perdidas da casa de Israel (Vv.24).

João 1.11-12 – Veio para os seus e os seus não o receberam. 

João 4.22 A salvação vem dos judeus – Todavia, não é propriedade dos judeus (Mt 24.14; Lc 3.6; Atos 10.34-36).

João 4.42 - Nas palavras dos samaritanos, Jesus “o salvador do mundo”.

Mateus 16.2; 23.37-39 – Jesus, o Messias que havia de vir, é rejeitado (Jo 5.38-40;7.37,45). Cumprem-se as profecias a este respeito. Ao mesmo tempo, Ele cumpre a sua missão: Forma o embrião da sua Igreja (na chamada específica dos 12 discípulos, e mais tarde, o  colégio apostólico), prega o arrependimento de pecados, revela o Pai (Jo 14.6-9), padece na cruz, ressuscita e ascende aos céus, deixando a promessa de voltar outra vez.

Chamadas específicas e pessoais no Ministério de Jesus

João 1.35-44 - Os primeiros discípulos de Jesus.

(Lc 6.12-17; Jo 6.67,70-71) - A chamada dos doze – E não se pode fazer aplicação individualizada no corpo de Cristo. E atentar, o número doze tem uma simbologia significativa nas Escrituras relativa a Israel e à Igreja, ou seja, no coletivo.

Judas Iscariotes estava entre eles. Teria Judas Iscariotes sido predestinado para ser o traidor do seu mestre por força do que estava escrito (Mt 26.24-25), e guia daqueles que prenderiam a Jesus (At 1.16), no final do seu ministério terreno? E enfim, levado a julgamento e condenado na rude cruz.

A profecia não predestinara quem seria o traidor, e nem o isentaria da sua culpa. A profecia revelava o evento futuro, cujo fato viria acontecer no ministério terreno de Jesus. Realça sim! a Presciência Divina.

Nos evangelhos vemos no comportamento de Judas Iscariotes um mau caráter ao ponto de Jesus, posteriormente, o chamar de o Filho da Perdição (Jo 17.12). Deus não o predestinou para aquele triste fim. 

João 6.70-71 – Judas, sendo um entre os doze discípulos escolhidos, tristemente, se deixou ser usado pelo diabo (Ef 4.27; Tg 4.7).  Estava dentro de uma chamada específica (Lc 6.12-16; Jo 15.16; At 1.17), e comporia adiante o colégio apostólico.

João 6.37-40 - Jesus e o desenvolvimento do seu ministério.  

João 6.37 – “Todo o que o pai me dá virá a mim. O que vem mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.

Tudo o que fazia era na dependência do Pai (Jo 7.28-29;10.29).

A sua doutrina era do Pai (Jo 7.16; 8.28).

João 6.44-45, 65 – A revelação do salvador ocorria no ministério de Jesus, mediante a operação do Pai (Jo 14.10-12).

João 6.47-56 – Sendo Jesus o pão da vida, em sentido espiritual, o seu sacrifício na cruz teria que ser absorvido por fé para salvação de todo que viesse a crê (Jo 6.47).

João 8.45-47 - Quem é de Deus escuta a palavra de Deus. Não significa dizer que foram destinados à salvação incondicionalmente.

João 7.37; Ap 22.17 - Salvação é para quem tem sede. Quem vier a Jesus, espiritualmente, não terá fome e nem terá sede (João 6.35).

João 9.31 – Nas palavras do cego de nascença, curado por Jesus: “Deus não ouve a pecadores, mas se houver temor e faz a sua vontade, a esse ouve”.

João 7.3-5 - Havia incredulidade entre os irmãos de Jesus a seu respeito.

Mateus 5.3 – “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

Todos sabemos que o termo “pobres de espírito” na contemporaneidade tem um sentido popular pejorativo, de miserável de valores interiores, pessoas sem qualidades virtuosas, etc. Porém, Na Bíblia, considerando o seu contexto geral, entendemos perfeitamente que a expressão “pobres de espírito” se refere aos humildes. E nesta perspectiva, o evangelho foi pregado primeiro aos pobres (Mt 11.5; Lc 7.22; II Co 9.9; Tg 2.5; 4.6).

Pv 6.17 - Olhos altivos Deus abomina (Pv 21.4; Is 2.11; I Tm 6.17).

Por toda a Bíblia também está em evidência o senso de Justiça Social em torno dos mais necessitados e injustiçados (Pv 31.9; Is 11.4; Am 4.1; Mt 5.6; Mc 10.21; Tg 5.1-6; Lc 19.8). E diz respeito à prática do bem, ao exercício do amor e da misericórdia que pregamos e a combater as injustiças sociais. Entretanto, a pobreza material e social do pobre não lhe dá direito ao reino dos céus.

Mateus 11.25-26 – “Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.  Sim, ó Pai, porque assim te aprouve”.

Mediante a quem Jesus estava dirigindo o seu discurso (as três cidades impenitentes – Corazim, Betsaida e Cafarnaum (Mt 11.20-24), com a revelação divina nas mãos [sábios e entendidos], o que lhes faltaram foi humildade para se arrependerem (Mt 11.20). Em Cafarnaum havia altivez, orgulho (Mt 11.23).

Então, “aos pequeninos” compreendemos pelo contexto, são pessoas humildes, que assumem a sua pecaminosidade e se arrependem, e vem a Cristo. Destes, Deus se agrada e socorre-os (Mt 11.26; Is 61.1; Sl 34.18;51.17; Tg 4.6-7).

Mateus 11.27 – “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

Jesus, na sua missão terrena, demonstrou a sua dependência do Pai, embora tudo entregue em suas mãos pelo Pai.  De modo que, Jesus tinha a missão áurea de revelar o Pai (Mt 11.27; Jo 1.14;14.6-10), e ao mesmo tempo dependia do Pai para realizar o seu Ministério Terreno e gerar “filhos espirituais” (João 6.44-45,65; 14.10).

Mateus 22.14 – “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. 

Mt 22.1-14 – O texto e contexto trata da parábola das Bodas, aplicada por Jesus aos judeus de seus dias, antevendo a sua rejeição como o Messias.  Muitos judeus ficaram de fora na festa do filho do rei (Vv. 2), por falta de dignidade dos convidados (Vv 8); outros foram convidados (Vv. 9-10, Mc 16.15-16 - os gentios). Porém, todos deverão estar na festa com vestes espirituais (Vv 11), vestidos da justiça de Cristo, pela graça de Deus. 

O fato de Israel, no coletivo, possuir uma chamada/escolha soberana de Deus, desde Abraão (Gn 12.1-4), não outorga salvação individual e automática a todos os judeus.

Mt 21.32 – Pela falta de arrependimento e fé no Messias, Jesus foi deixando claro, por parábolas, aos judeus, que eles estavam perdendo a bênção do Reino de Deus, por um tempo (Mt 21.42-43; Rm 11.11-12,15,25), mesmo como povo da promessa, por causa de sua incredulidade (Mt 21.32).

Mt 21.33-46 - Príncipes dos sacerdotes e fariseus foram considerados por Jesus lavradores maus.

Mc 16.15-16 - A salvação é ofertada, pela pregação do evangelho a todos. Porém, serão salvos em Cristo, os que aplicarem fé a mensagem da cruz (Rm 1.16;10.16). 

João 14.6 – “Disse-lhes Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Objetivamente Jesus se declara a verdade personificada na sua pessoa. Então, a Verdade é:

Libertadora do domínio do diabo e do pecado (Lc 4.18-19; Jo 8.31-36);

Salvadora da condenação eterna no testemunho de Simeão (Lc 2.10;28-31) e do próprio Cristo em João 3.16.

Redentiva nas palavras da profetisa Ana quando falou do menino Jesus (Lc 2.36-38), e mais tarde, sendo consumado na cruz, veio a ser a causa de eterna salvação para todos que lhe obedecem (Hb 5.9). 

Ele é o caminho exclusivo pelo qual se chega a Deus, o Pai.

E ratificou Pedro em seu discurso de Atos 4.12 – “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”.

Parte essencial da missão terrena de Jesus foi para dá testemunho da verdade de Deus aos homens (Jo 18.37), e fazer servos/discípulos (Jo 13.13), amigos (Jo 15.15) e irmãos (Jo 20.17), santificando-os na verdade (Jo 17.17).

Mateus 11.28-30 - E sendo o Senhor, não exercia e nem exerce domínio por opressão ou prepotência de nenhuma natureza, seja religiosa, política ou espiritual, prática reprovável na sua doutrina, porque era comum dos líderes religiosos de seus dias.  O seu jugo era suave e leve e exercido com humildade e mansidão.

Lucas 13.22-30 – Jesus é indagado se eram poucos os que se salvam.

Ele  deixou claro que a porta da salvação era estreita e os homens deviam “porfiar” para entrar por ela, no sentido de esforço, ou discuti-la entre os seus ouvintes, em especial os judeus, os quais estavam prestes a rejeitá-lo como o Messias, pois vemos nos versículos de Lc 13.26-30, que Jesus aponta diretamente para o histórico judaico, quando era o povo por meio do qual Deus levava a efeito o Plano da Salvação, tornando os derradeiros (gentios) primeiros e quem eram primeiros (judeus), os derradeiros.  

Independente de raça ou etnia, condição material, a necessidade primária dos homens diante de Deus é de natureza espiritual, e uma só: Arrependimento conjugada com a fé salvífica – Lc 13.1-5; Mt 24.14.

Finalmente, o que vemos nas Escrituras é um Deus de amor e misericórdia, tratando com a humanidade caída em três grupos: Israel, a Igreja e os gentios. E o divisor de águas entre o Antigo e o Novo Testamento é o advento do messias, no curso da revelação divina progressiva a toda humanidade.

E Deus sempre no propósito de levantar, recuperar e salvar e que se havia perdido (Is 55.6-7; Lc 19.10), não para destinar previamente pessoas à condenação por decreto soberano e deliberado.

 

Pb. Samuel P M Borges

Natal/RN – setembro/2020.

 

 

terça-feira, 21 de julho de 2020

O que é “aceitar” Jesus?



É uma expressão evangélica que tem se tornado simplória, inadequada e diria até ingênua, uma vez que passa a ideia de “um Jesus coitadinho”, de alguém que precisa de nós, e não os homens, os pecadores dele. Na verdade, tudo que foi criado, foi feito por Ele e sem Ele, nada do que foi feito se fez. Ele e o Pai são um (Jo 1.1-3;10.30).

O homem sem Jesus, sem um encontro e uma experiência pessoal com Deus, pelo vivo e único caminho para o Pai, que é Cristo (João 14.6), ele não tem nenhuma esperança de Vida Eterna, pois Jesus é a expressão máxima da Graça de Deus revelada (Tt 2.11; Ef 2.8).

Em Mt 11.28-29, quem precisa de Jesus é chamado para ir a Ele, tomar o seu jugo (domínio, Senhorio) e segui-lo. Quem não optar pelo seu jugo, resta-lhe o jugo do pecado sob a influência maligna do encardido (I Pd 5.8).

Mc 16.15-16 - A mensagem do evangelho deve ser crida para salvação. Do contrário, a situação do pecador será de condenação.

Em I Tm 1.15 – Paulo escrevendo acerca do Evangelho da Graça, ele diz: “ Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: Que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”.

Alguns criticam a expressão “eu achei Jesus”. E retrucam, na verdade, Ele me achou, quem estava perdido era eu, não Ele.

Is 65.1 – Acerca de Jesus como o Messias que havia de vir e se manifestar em Israel, diz o texto que Ele foi buscado e achado por aqueles que não o buscavam (os gentios), um povo que não se chamava pelo seu nome e a este disse: “Eis-me aqui”. Sim, Ele foi dado também para luz dos gentios (Is 49.6; Lc 2.29-32;3.6; Jo 1.11-12).

Lc 14.25-27 - Aquele decidir seguir a Cristo, precisa o amar acima de tudo e de todos, negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz (submeter-se a Ele), para andar em suas pisadas, em amor e na verdade, cujo discipulado pode lhe custar até a própria vida.

Mt 7.21-23 - Para seguir a Cristo, não basta a confissão só de lábios, precisamos dar frutos dignos de arrependimento e permanentes (Mt 3.8; Jo 15.16). Era a tônica do sermão de João Batista como o precursor do Messias.


Apocalipse 3.20 – “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. Primeiro, o texto é uma mensagem direta à Igreja de Laodiceia, autossuficiente, espiritualmente morna, cega, miserável e nua, quando Jesus lhe fala amorosamente para que se arrependa daquela situação, e retornasse à comunhão, ao relacionamento com Ele.  Ele não impõe, respeitou e respeita a livre decisão das pessoas de voltar para Ele ou não. É uma praxe divina, Deus atua, opera onde acha lugar para trabalhar. Deus sempre considerou o âmago do ser humano, até quando lhe propõe decisões e escolhas para bênção ou maldição, para a vida ou para a morte (Dt 30.19; Js 24.15-16; Jo 6.60-68). Agora, uma verdade bíblica é cristalina: Deus não é de meio termo (Ap 3.15,16; 22.11).

Mt 28-18-20 -  Jesus, o nosso Salvador e Senhor, detém todo o poder no céu e na terra. E a missão primordial da Igreja é levar as Boas Novas de salvação a todas as gentes, fazendo discípulos e batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo.

Se a Igreja Cristã se dispor ao chamado “evangelho social”, realizar megas eventos de cunho social, prescindindo de sua missão espiritual, que é “gerar filhos de Deus para eternidade”, terá falhado na sua missão essencial, de caráter e repercussão eterna (Jo 3.16; Atos 6.1-7). Todavia, o senso de justiça social do cristão, requer ir além da justiça dos escribas e fariseus. 

O que o homem pecador (todos nós) precisa fazer para vir a Cristo, como o seu único Salvador e Senhor? Primeiro, requer uma entrega pessoal: Arrependimento de pecados, ao reconhecer o seu o estado espiritual, absorver por fé o sacrifício de Jesus na cruz, em seu favor, confessá-lo publicamente e submeter-se ao seu Senhorio, e de posse da Vida Eterna (Jo 3.36), segui-lo alegremente, vitorioso Nele.

Se alguém segue a Cristo, “vai de garupa”, não deve pegar nas rédeas de sua vida. Ele é o Senhor, Ele é dono, e amorosamente conduz as suas ovelhas. E, portanto, é a porta da salvação, o bom Pastor (Jo 10.9-14).

Finalmente, Mateus 16.24-25, salvação em Cristo exige renúncia ao próprio eu:
“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á”.

Sugiro, então, uma expressão biblicamente mais adequada: Venha a Cristo, entrega  todo o seu viver, para perdão de pecados, ter o privilégio do nome escrito no Livro da Vida, ser Igreja de Cristo na terra, e tudo sob o seu comando e Senhorio. Amém!

Pb. Samuel P M Borges
Natal/RN - Julho de 2020.


quinta-feira, 16 de julho de 2020

Quem são os escolhidos ou eleitos de Deus na Bíblia?



Escolher, escolhido, tem o sentido de eleger, eleito, respectivamente. Eleição, portanto, é um ato de escolha, preferência.

É muito comum vermos pessoas se achando ou se afirmando “escolhidas de Deus”. Outras, emitem palavras de bênçãos sobre pessoas como se estas fossem “escolhidas por Deus”, sem nenhum critério bíblico, sem um exame mínimo do seu nível de relacionamento com Deus.

O termo escolhido deve estudado no contexto de cada texto onde encontrado.
Vejamos nas Escrituras quem são escolhidos, ou eleitos de e por Deus e quais são os seus propósitos.  

Is 42.1-3,6; Mt 12.18 - Jesus, escolhido, eleito o redentor -  Viria para restaurar as tribos de Israel, para luz dos gentios e salvação de Deus (Lc 2.25-38; 3.6), sobre toda a terra (Is 49.1-3,6-7). No Novo Testamento esta verdade redentiva é completamente revelada (Jo 3.36;14.6; At 4.12; I Tm 2.5).

At 4.11; I Pd 2.4,6-7 – Jesus, a principal pedra de esquina - Reprovada pelos homens e para com Deus eleita e preciosa. O salvador, pedra de fundamento da fé cristã (I Co 3.11;12.2). Quem nela crê não será confundido (Rm 9.33).

Ef 1.4 - Em Jesus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29), todo salvo foi eleito nele, antes da fundação do mundo. Na presciência de Deus, o cordeiro havia sido morto, em sacrifício propiciatório (I Jo 2.2; Hb 2.9) desde a fundação do mundo (I Pd 1.19-20; Ap 13.8).

Hb 12.2 - Enfim, Jesus é autor e consumador da fé, de todo o que nele crê para sua salvação.  Obviamente, envolve o Senhorio de Cristo sobre o crente.

Israel – Povo Eleito – Todos sabemos pelas Escrituras que é povo escolhido (Is 44.1-2), constituído povo de Deus a partir da chamada de Abraão (Gn 12.1-4; Is 41.8-10). São filhos de Deus por eleição, segundo a Soberania de Deus e irrevogável (Rm 11.29).

Na Monarquia em Israel, a pedido do povo (I Sm 8.1-22), vemos o trabalhar de Deus nas escolhas, especialmente, dos três primeiros reis, período nominado de Reino Unido. E com destaque para relação de Deus com Davi (I Sm 16.1, 12-13; Sl 88.3-4;89.19-20). 

I Cr 16.13 - Israel – Povo eleito, “o meu eleito” (Is 45.4).

Dt 4.32-40 - Israel, povo escolhido por Deus, em meio aos pagãos.  O texto declara que Deus nunca se revelou a nenhum povo, como se revelou aos Israelitas, descendentes de Abraão, Isaque e Jacó.

Ne 9.7-8 – Povo eleito a partir de Abraão, com quem fez aliança, prometeu e lhes deu a terra de Canaã para habitação.

Is 41.8-10 – Povo eleito, semente de Abraão, amigo de Deus. Israel como um servo escolhido, a quem Deus ajuda e sustenta com a destra da sua justiça.

Sl 33.12 - Davi tinha plena consciência de ser parte de um povo escolhido, herança de Deus. 

Sl 65.4 – Segundo Davi, um escolhido era um Bem-aventurado.

Sl 100 – No Livro dos Cânticos de Israel, inicia convidando a todos os moradores da terra a celebrar com alegria ao Senhor. Todavia, é um salmo que declara a chamada específica da nação de Israel (Sl 100.3), que muitos espiritualizam e aplicam também à Igreja Cristã. 

Rm 9.4 – Israel, Guardião dos Oráculos Divinos – “...dos quais é a adoção de filhos (por eleição), a glória, os concertos, a Lei, o culto (mosaico) e as promessas e pais de Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos...”

Is 10.22-23; Rm 9.27;11.5 – O remanescente de Israel, parece ter um cunho escatológico, e mais precisamente, no final da Grande Tribulação. Zc 13.7-9, faz referência a duas partes extirpadas e a terceira parte restará nela, ou seja, na terra de Israel. Entendemos ser na reta final da GT no contexto do Oriente Médio (Zc 12-1-14).

Mc 13.19-20, Mt 24.22,31 – No seu sermão profético Jesus faz menção aos escolhidos (judeus no contexto da Grande Tribulação), e aqueles dias serão abreviados por causa deles. Pelo escopo geral das Escrituras, entendemos que Deus voltará a tratar diretamente com Israel, logo após o arrebatamento da Igreja.  Vivemos a Dispensação da Igreja desde o Dia de Pentecostes.

Em síntese, propósitos da Eleição (escolha) de Israel:

1.Para receber, transmitir e preservar as revelações divinas (Dt 4.5-8, Rm 3.1-2; Rm 9.4).

2.Dá testemunho da unidade da Divindade em meio a idolatria politeísta (Dt 6.4; Is 43.10-12).

3.Serviria para ilustração da bênção daqueles que servem ao verdadeiro Deus. (Dt 33.26-29; Ml 3.16-18).

4.E ser o canal humano para a vinda do Messias (Gn 21.12; 28.10,14; 49.10; II Sm 7.16-17; Is 7.13-14; Rm 9.4-5; Atos 13.22-23).

A Igreja – Eleita em Cristo Jesus (Ef 1.3-4; II Co 5.17), segundo a presciência de Deus (I Pd 1.2).

Deus, no coletivo, elegeu a Igreja desde a eternidade, antes da fundação do mundo, segundo a sua presciência (Ef 1.4; I Pd 1.2).

A eleição para a salvação em Cristo é oferecida a todos (Jo 3.16; I Tm 2.4-6; Rm 1.16). Portanto, a Eleição é Cristocêntrica.

E torna-se uma realidade para cada pessoa de acordo com seu prévio arrependimento e fé (Mc 1.14-15; Ef 1.13;2.8; 3.17).

I Ts 1.4 – Paulo afirma à Igreja de Tessalônica – a vossa eleição é de Deus.

II Pd 1.10 – Pedro admoesta, aos irmãos, a fazer cada vez mais firme a vocação e eleição.  

Cl 3.12 – Paulo nomina a Igreja em Colossos, como eleitos de Deus, santos e amados... 

I Pd  2.9 – a Igreja é chamada de geração eleita, sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido....

Tito 1.1 – Paulo afirma que era servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus...

Textos diversos relacionados ao tema – Breves comentários:

Mt 22.14 – “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. 

Mt 22.1-14 – O texto e contexto trata da parábola das Bodas, aplicada por Jesus aos judeus de seus dias, antevendo a sua rejeição como o Messias.  Muitos judeus ficaram de fora na festa do filho do rei (Vv. 2), por falta de dignidade dos convidados (Vv 8); outros foram convidados (Vv. 9-10, Mc 16.15-16 - os gentios). Porém, todos deverão estar na festa com vestes espirituais (Vv 11), vestidos da justiça de Cristo, pela graça. 

O fato de Israel, no coletivo, possuir uma chamada/escolha soberana de Deus, desde Abraão (Gn 12.1-4), não outorga salvação individual e automática a todos os judeus.

Mt 21.32 – Pela falta de arrependimento e fé no messias, Jesus foi deixando claro, por parábolas, aos judeus, que eles estavam perdendo a bênção do Reino de Deus, por um tempo (Rm 11.11-12,15,25), mesmo como povo da promessa, por causa de sua incredulidade (Mt 21.32).

Mt 21.33-46 - Príncipes dos sacerdotes e fariseus foram considerados por Jesus lavradores maus.

Mc 16.15-16 - A salvação é ofertada, pela pregação do evangelho a todos. Porém, serão salvos em Cristo, os que aplicarem fé na mensagem da cruz (Rm 1.16;10.16). 

Rm 10.16 – O braço do Senhor se manifesta sobre os que crêem no Evangelho, uma vez que a fé vem pelo ouvir (Rm 10.17). Ou melhor, a pregação tem efeito, pelo convencimento para arrependimento, e leva o pecador à salvação em Cristo, quando existe fé, o ato de crer (Hb 4.2). Em Ef 2.8 o dom, a dádiva é a salvação, não a fé. Esta, cabe ao homem confessá-la, exercitá-la em Cristo, o salvador.

Mt 7.13-14 - A porta é estreita e apertado o caminho.....para salvação. O fato é a salvação é pela graça de Deus, porém não é barata. Tem inestimável valor espiritual.

Lc 18.7 – No texto os escolhidos de Deus, a quem Ele fará justiça, atenderá as suas orações, são todos os salvos em Cristo Jesus. E que perseveram na oração. Ao pecador temente, obediente, a este Deus ouve (Jo 9.31).

Rm 8.33 – Quem pode ser contra os escolhidos de Deus? Estes escolhidos são todos os salvos, justificados por Jesus, pelos seus méritos no calvário, mediante o preceitua Rm 8.1 – “...nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...”

Chamada geral para salvação (Mc 16.15-16; Jo 3.16; Rm 1.16) versus Chamadas Específicas – Dentro ou no curso do Plano Divino Redentivo, vemos nas Escrituras que Deus age, trabalha por  Soberania com chamadas e escolhas específicas, segundo os seus propósitos eternos. No coletivo com a nação de Israel e individualmente com algumas pessoas. A Igreja, por Cristo e em Cristo, somos escolhidos (Ef 1.4). A Eleição envolve a fé salvífica (Ef 1.13.2,8; 3.17). Não basta uma fé genérica em Deus.

Exemplos de chamadas específicas:

De Abraão – Gn 12.1-4 – Com propósitos soberanos e eternos para constituir a nação de Israel. Com Isaque e Jacó foram ratificações do que Deus prometera a Abraão.

De José, filho de Jacó – Gn 37-50 – Até José só entendeu o trabalhar soberano de Deus, no fim dos seus dias, pois visava salvar, perpetuar a nação de Israel. Ou seja, estava muito além de seus interesses pessoais.

Do profeta Jeremias –  Jr 1.4-5 – Jeremias no meio de um povo escolhido, recebe um chamado específico para profeta em Israel e para com as outras nações. Uma chamada dessa natureza dá certamente muito mais segurança a quem é vocacionado para servir ao Senhor. Porém, não é com todos que Deus age assim.

A chamada dos doze discípulos (aprendizes, depois apóstolos) – Lc 6.12-16; Jo 6.67-71;15.16 – Jesus para compor o grupo dos doze, nem mais, nem menos, declara em João 15.16 que foi uma escolha dele, embora não tire a responsabilidade de nenhum deles pelos seu atos, ações e omissões. Daí, entre eles tinha até um traidor. Pedro negou a Jesus. Essa chamada muitos aplicam à igreja em geral, mas se trata de uma chamada específica.
No início do ministério de Jesus, Ele os escolheu. Hoje, somos escolhidos, eleitos em Cristo ao ouvir a palavra da verdade, o evangelho da salvação, e nele crê (Ef 1.4,13). Em atos 1.15-26, vemos os apóstolos, fazendo a escolha de Matias, para recompor o ministério e apostolado. De modo que, simbolicamente, na Bíblia o número 12 é uma representação tanto da totalidade de Israel, como da Igreja Cristã. Creio piamente que os 24 anciãos de Ap 4.10-11, representa Israel e a Igreja, no mundo espiritual, diante do Trono de Deus.

O Apóstolo Paulo – At 9.3-6;15-16 – Recebeu também uma chamada especifica. Podemos afirmar que Deus o escolheu a dedo (At 9.15-16) para pregador, apóstolo e doutor dos gentios (Rm 11.13; I Tm 2.7; II Tm 1.11). E foi o canal humano que Deus capacitou para fazer a transição do Judaísmo para o Cristianismo, debaixo de muita perseguições e sofrimentos por causa do Evangelho de Jesus (II Tm 1.12; 2.10).  Ele falando como judeu, em meio a rejeição do messias pelas autoridades religiosas de Israel, narrava o seu encontro pessoal com Jesus como o abortivo (nascido antes do tempo) e afirmava não ser digno de ser chamado apóstolo, pois havia sido um perseguidor da Igreja (I Co 15.8-9).

É importante frisar: Uma chamada específica da parte de Deus é muito honrosa, entretanto envolve maior responsabilidade de quem a recebe (Rm 1.1,14,16; I Co 9.16).

Diante do que dissecamos, cabe-nos, humildemente, tirar algumas conclusões acerca do termo escolhidos, eleitos de Deus e por Deus:

Deus tem a prerrogativa soberana de fazer escolhas específicas com propósitos salvíficos, sem em nenhum momento ferir o seu caráter justo e santo, nem atropelando o livre arbítrio dado aos homens (Gn 4.7; Jó 1.1; Dt 30.15-19; Ec 12.13-14; Mc 16.15-16).

Deus não faz acepção de pessoas, seja no âmbito material ou espiritual (Dt 10.17; II Cr 19.7; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; I Pd 1.17). Jamais precisará fazer algo como média com os humanos.

É tolice falhos humanos se sentirem diante de Deus, “queridinhos dele”, e em pecado continuadamente, sem arrependimento, sem um sério relacionamento com Ele.

Existem, pelo menos, três erros críticos a serem evitados a respeito do vocábulo escolhidos ou eleitos:

1.Não respeitar a especificidade da chamada coletiva e individual;

2.Aplicar chamadas divinas, diretivas, de forma genérica a outras pessoas;

3.E terceiro, aplicá-las a si mesmo, principalmente quando é bênção.

Fonte: Bíblia Sagrada e anotações pessoais.

Pb. Samuel P M Borges
Natal RN – 16/07/2020.



sexta-feira, 3 de julho de 2020

A vontade de Deus em quatro aspectos



Deus deu ao homem o Livre Arbítrio – a soma da liberdade de decidir com a responsabilidade pelas escolhas consumadas em todo o seu viver (Gn 4.6-7; Rm 12.21;14.12).

Na sua Vontade Desejo (Ez 33.11; Mt 23.37; Rm 11.32; I Tm 2.4; II Tm 3.16-17; II Pd 3.9), deseja, porém não determina, que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (O tempo verbal para Deus é o presente). E sendo Jesus o único mediador entre Deus e os homens (I Tm 2.5). 

Na sua permissividade (Gn 4.7;30.19; Js 24.15; Jn 1.3; Mt 26.34-35), Deus ver ocorrer acontecimentos, experiências no meio dos humanos, muitas vezes, contrários à sua natureza benigna e amorosa, todavia, sem surpresas. Contempla em sua longanimidade transgressões a sua Vontade Moral – Padrão Ético para os homens, facultando ciclos de oportunidades para que, na sua individualidade, o homem se arrependa (Ez 18.23; At 17.30; I Tm 2.3-4; Tito 2.11-12; Ap 2.21).

O plano salvífico está pautado na Eleição, Predestinação (Ef 1.4,5; Rm 8.28-30) e na Presciência Divina (At 2.23; Rm 8.29ª; I Pd 1.2). Não existe determinismo inconsequente, há sim violação a sua Vontade Moral (Jo 3.19; Rm 3.23; 6.23). Não encontramos nas Escrituras Plano Divino para condenação.

Finalmente, na sua Soberania (Sl 93; Jó 42.1-2; Is 40.15,17; Pv 16.4-6), cumprirá todos os seus desígnios e propósitos no plano material e espiritual, para com toda a sua Criação, sem usurpar a liberdade, sem atropelar a consciência humana em suas decisões e opções. Para Deus não existe passado nem futuro, tudo é presente. Glórias a Ele eternamente.

Pb Samuel P M Borges  - Junho 2012 - Revisão em julho 2020.
Natal RN


Subsídios:

A Vontade Soberana (Jó 42-1-2; Is 43.13;46.9-11; Dn 4.17,35, Hb 2.4; Ap 17.17....)

Desenvolve-se no seu Plano Divino através dos séculos. Vejamos: Por volta de 2.100 a.C nasce Abraão e aos 75 anos recebe a promessa de que a partir dele Deus constituiria o povo judeu (Gn 12.1-4). Aos 100 anos de vida (Gn 21.5), nasce Isaque. Isaque aos 60 anos gera Esaú e Jacó (Gn 25.56). Em Gn 26.1-5, Deus confirma a promessa a Isaque. Abraão morre por volta de 1.925 a.C (Gn 25.7) E Isaque em 1.820 a.C (Gn 36.29). Em Gn 35.9-12, Deus ratifica a promessa a Jacó, e a partir dele se compõe a nação de Israel em doze tribos (Gn 49.1-33). Morre Jacó aos 147 anos no Egito (Gn 47.28), por volta de 1.793 a.C. Então, havia se passado 232 anos, do momento da chamada de Abraão à morte de Jacó e as promessas de Deus, soberanamente de pé e cumpridas. Deus pela sua soberania, elevou José a governador no Egito aos 30 anos (Gn 41.46), visando dá livramento a Jacó e os seus, e morre aos 110 anos, convicto de que Deus faria o seu povo subir da terra do Egito (Gn 50.15-20;22-26).  

Tem alcance para com Israel, a Igreja e os Gentios.

Ela não é influenciada. Tem independência plena (Gn 18.14; Jó 42-1-2; Is 43.13; Lc 1.37). E está muito além das possibilidades humanas.

Ela envolve propósitos de ordem eterna. Deus age por soberania, fazendo chamadas específicas, coletiva (Is 43.1,9-13), individuais (At 22.13-14), com missão determinada, com propósitos de geração a geração, ou seja, de longo alcance.

Pode ser executada com atos de misericórdia ou de juízo (Mq 7.18-20; Jr 51.29; Hb 10.31).

Quando expressa, tem caráter irrevogável. Deus não precisa de plano B. Assim é a chamada específica da nação de Israel (Ez 36.22-24; Is 54.7-8; Rm 11.29).

Ela se cumpre na plenitude dos tempos (Mc 1.15; Gl 4.4; Atos 17.26).

Não tem a ver diretamente com particularidades pessoais dos humanos (Is 55.7-11; Sl 92.5;139.17). A hipérbole, figura de linguagem, utilizada por Jesus em Mt 10.30 – “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” - visa realçar que Deus cuida de quem tem uma relação filial com Ele.

Enfim, a vontade soberana de Deus ninguém altera o seu curso e o seu cumprimento. O que Deus controla por soberania são as leis universais, da Física, da Química, da Biologia, a sustentação de toda a Criação, etc. E o Plano da Redenção, no primeiro momento, foi decisão amorosa, independente, incondicional e soberana de Deus (Gn 3.15; Rm 9.15-16;11.32). Na oferta da salvação, há condicionantes, mediante a graça salvadora, o homem precisa exercitar o arrependimento e fé (Jo 3.16; Rm 6.23; Ef 2.8).

A Vontade Moral (Gn 3.17; Êx 20.1-17; Mc 3.35; Ef 6.6; Hb 13.21....)

O que afeta aos homens, indistintamente é a violação à sua vontade moral - padrão ético de conduta para por ele viver e se relacionar com Deus. Se transgredida, já começamos a sofrer nesta vida as consequências. E na eternidade, o acerto final de contas, notadamente, se o homem deu ou não crédito a oferta gratuita de redenção, pelo evangelho de Jesus.

Ela revela o ideal de Deus para o comportamento angelical ( Hb 1.14; II Pd 2.4; Ap 12.7-9 – juízo por rebelião), para com Israel a quem entregou a Lei diretamente (Êx 20.1-7; Is 43.10-12; Jr 29.11) e aos homens em geral (Sl 143.10;Mc 16.15-16; Rm 1.16;6.23; II Ts 1.7-8;II Tm 3.16-17).

Pode ser obedecida, violada ou transgredida (Ex 19.5-8; Rm 10.16

Hb 12.14; I Jo 3.1-4 - Ela expressa padrões divinos de pureza e integridade para ser vivida diante de Deus e nas relações humanas.

É contrária a toda diversidade de pecados, sejam eles explícitos ou implícitos, públicos ou ocultos.

Pela sua misericórdia e graça, Deus dá tempo ao homem para se submeter a ela ou não, mediante o arrependimento (Mc 1.14-15; At 17.30.

Ela põe à prova o livre-arbítrio do homem, pela pregação do evangelho, em especial para a salvação. É crê ou não crê (Jo 3.16). E portanto, não é compulsória ser obedecida.

A Vontade Permissiva (Gn 4.7;30.19; Js 24.15; Jn 1.3; Mt 26.34-35...

Caracteriza-se pelo que não é taxativamente violação à vontade moral de Deus, e admissível para o bem ou para o mal, mediante decisões e opções humanas, de ordem material e espiritual, ora errando, ora pecando, saindo fora do caminho apontado (Tg 4.13-15). Convém esclarecer que há erros humanos que não são pecados, todavia todo pecado é um erro.

Em geral, nem sempre confere com o ideal divino para com o homem/humanidade.  

Diz respeito ao nos deleitamos em Deus, em seus preceitos e Ele de sua parte cumpre, atende desejos do nosso coração (Sl 37.4; Pv 16.3). Assemelha-se à relação de Pai para filho obediente.

Na vontade divina permissiva, explica-se grande parte do sofrimento humano, causando “pesar” ao Deus Criador (Gn 6.6), isto dizemos em linguagem antropopática.

Acontecimentos, fatos trágicos, no mundo material e espiritual, na órbita da vontade permissiva, não significa ausência do controle divino sobre tudo que criou.

A permissividade divina não é Deísmo – Crença de que o universo foi Criação de um Ser Superior, dedução da razão humana, porém entregou a Criação à própria sorte.  

A vontade permissiva vemos nos atos de Jonas (Jn 1.1-2), quando contrariou o chamado divino e escorregou pela desobediência, fugindo para Társis, ao invés de ir evangelizar a cidade de Nínive. O faz no segundo momento.  Se Deus estivesse agindo por soberania, Jonas não teria fugido um milímetro do que Deus havia determinado. Mas, Deus prossegue com Jonas, para demonstrar que sua misericórdia é sobre todo aquele que se arrepende. Sem exclusividade ou acepção de pessoas, cor, raça, etc.

Deus muda de propósito (Jn 4.2,11), e deixa de executar juízo, onde houver arrependimento, mudança de atitude do homem, uma vez que Deus tem prazer em exercer a misericórdia (Mq 7.18).

Vemos a permissividade divina na figura do Pai (Lc 15.12) e do filho pródigo, nas suas atitudes (Lc 15.12-14), seguiu o curso de seu coração. Depois cai em si (Lc 15.17-21).

Enfim, também é perceptível a vontade divina permissiva nas negações de Pedro, fatos que Jesus revelou a Pedro antes de ocorrerem (Mt 26.34-35). E nem por isto isentou a Pedro de seus atos de fraquezas.

A Vontade Desejo (Ez 33.11; Mt 23.37; Rm 11.32; I Tm 2.4; II Tm 3.16-17; II Pd 3.9).

No âmbito geral das Escrituras, o desejo de Deus é, sem imposição, que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade. Sendo Jesus o único mediador entre Deus e os homens (I Tm 2.5), o qual se deu por preço de redenção por todos os homens, no calvário (I Tm 2.6; Rm 3.25; Hb 2.9; I João 2.2). Entretanto, só terá efeito propiciatório, remissão de pecados na vida de quem exercitar a fé salvífica (Rm 10.16-17), cuja fé envolve um relacionamento com Deus (Hb 4.2;11.6; I Pd 1.18; I Jo 1.7). 


Pb. Samuel P M Borges – Julho/2020
Natal/RN


domingo, 14 de junho de 2020

“Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor” (Gn 6.8).


Introdução: No livro de Gn 6.6, vemos Deus reprovando a geração dos dias de Noé. Todavia, Deus viu a Noé justo. “Achar graça diante de Deus”, tem a conotação de agradar, corresponder em temor e obediência a Deus; É estar em linha com os seus propósitos e ditames da sua Palavra. E apesar das fraquezas humanas, Noé como um de nós, recebeu um feedback positivo de Deus, uma aprovação divina pela sua conduta em seus dias que eram maus.

O nome Noé (Hb. Noach), significa repouso, e vem de um verbo que significa descansar, e está associado a alívio.

Noé era filho de Lameque, neto de Matusalém e bisneto de Enoque (Gn 5.21-32).

Gn 6.5 - Noé vivia no meio de uma geração corrompida, cheia de violência e injustiças, não muito diferente da que vivemos.

Desde Adão até Noé, havia se passado dez gerações.

Gn 6.6 - Diz o texto sagrado que Deus em razão da terra corrompida por causa da maldade humana, “arrependeu-se” de haver criado o homem. É linguagem antropopática, que atribui a Deus sentimentos humanos de pesar, lamento e decepção pela degradação moral e espiritual da raça humana.

Então, Deus ordena Noé construir a arca, pois viria juízo sobre a terra (Gn 6.13-22), e assim falou por volta de 2.445 a.C.

I Pd 3.20,21 – Deus anunciou o juízo e foi longânimo, nos dias de Noé, por cerca de 100 anos, para arrependimento daquela geração perversa (Gn 5.32;6.13;7.6).

Quando veio o dilúvio sobre a terra? Embora não precisa a data, mas considerando que de Adão a Noé, se passaram 1656 anos. Então, o dilúvio pode ter ocorrido por volta de 2.345 a.C.

Gn 6.9 – Diferentemente, Noé era varão justo e reto em suas gerações. Gn 6.9b – “...Noé andava com Deus”.

Spurgeon dizia: “Se formos fracos em nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo”.

Andar com Deus envolve:

Ter tempo com Deus e para Ele;
Ocupar-se nos assuntos de cima, do céu;
Buscar o reino de Deus e sua justiça;
Consciência cristã de que está no mundo, mas não é dele;
Do contrário, existe grande probabilidade de nos tornamos cristãos acomodados, ou secularizados e sem frutos.

C. Spurgeon afirmou: “Quanto mais existe em nossas vidas do céu, menos da terra cobiçaremos”.  

No anuncio do dilúvio, Noé fez tudo conforme Deus lhe mandou (Gn 6.22), em especial, no tocante a construção da arca. Deixou de lado os escárnios, a zombaria dos que não acreditavam.

Arca no hebraico significa objeto apropriado para flutuar...Era uma barca de tamanho gigantesco (capacidade de carga - para mais de 300 vagões ferroviários, cabia cerca de 7000 tipos de animais, espaço para os alimentos, etc...

Gn 8.21 – Após o juízo do dilúvio, Deus prometeu não mais amaldiçoar a terra por causa do homem. Entretanto, é importante frisar, em Gn 8.22, deixa evidente que a terra terá duração por tempo determinado. É temporal e finita. Céus e terra passarão (Mc 13.31; II Pd 3.10).

Deus fez um pacto com Noé (Gn 6.18). Está descrito em Gn 9.1-19.

Tinha Noé 600 anos, quando veio o dilúvio sobre a terra (Gn 7.6). E viveu mais 350 anos, após o dilúvio e morreu (Gn 9.28-29).

Conclusão:
Gn 7.1 – Noé foi visto justo por Deus, no meio daquela geração ímpia. Será que o nosso perfil de cristão corresponde ao que Deus espera de nós nos dias hodiernos? No meio da humanidade pecadora atual?

II Pd 2.5 – Deus executou juízo sobre o mundo ímpio, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça e mais sete pessoas.  

Noé avisado do que não via e temeu. Salvou a toda a sua família do juízo divino, entrando na arca. Hoje a arca é um tipo de Cristo. Fora de Jesus, não tem nenhuma possibilidade de salvação eterna (Jo 3.36; 14.6; At 4.12). Noé foi herdeiro da justiça, segundo a fé (Hb 11.7).

Mt 24.36-39 – No sermão profético, Jesus faz menção ao dilúvio como um fato histórico e um alerta da sua segunda vinda, na primeira fase. Aos desapercebidos, atenção! Ele virá!

Fontes:

Bíblia de Estudo Pentecostal
Novo Comentário Bíblico -  AT - Editora Central Gospel. 1ª Edição 2010.
Manual Bíblico de Henry H. Halley. Edições Vida Nova – 4ª Edição 1994.
Anotações Pessoais.

Samuel P M Borges
Natal/RN – Junho/2020.


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