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terça-feira, 15 de junho de 2021

Pr. Martim Alves da Silva - Resumo Biográfico

 

Foi no dia 27.05.1953 que, no sítio Sabugi, município de Caicó (RN), precisamente às 9 horas, numa quarta-feira, nasceu o filho caçula do casal José Basílio e Maria Fernandes. Foi numa casa simples, de taipa, que, pelas mãos de uma parteira nascia, então, aquele que viria a ser chamado de Martim Alves da Silva.

Filho de uma família pobre, desprovida de recursos financeiros e econômicos, foi criado juntamente com seus dois irmãos Manoel Basílio e Maria Odete naquela localidade, onde as frutas que conheciam eram juá, melancia e trapiá. A água consumida pela família era retirada de uma cacimba, onde para colher pela manhã e à tarde era necessário retirar os sapos que estavam dentro dela. Sem qualquer tratamento, portanto. E, assim, permaneceu no sítio onde nasceu até os cinco anos, quando, no ano de 1958, sua mãe desiludida da situação em que vivia, resolveu ir morar na cidade. Foi numa tarde quente de outubro daquele ano, às 14 horas que ela, juntamente com seu filho mais velho – Manoel Basílio – partiram para Caicó/RN à busca de melhores condições de sobrevivência. Uma semana depois voltou para levar os demais filhos, indo morar na casa de uma cunhada. Dois meses depois se transferiu para uma casa de três cômodos onde, mesmo apertada, era menos ruim do que a morada no velho sítio onde nasceu.

Em 1959 sua avó, mãe de sua mãe, conhecida por “mãe Tereza” foi morar com a família. Por ser o menor da casa, com apenas seis anos de idade, logo recebeu toda a atenção da mãe Tereza, por quem sempre nutriu grande carinho e atenção. Para ela seus dois irmãos eram ruins, no bom sentido, porém o pequeno Martim sempre “estava ficando ruim” – nunca ficou ruim para ela, isso até à sua morte. Tudo transcorria bem em sua casa, apesar das dificuldades por que sempre passava, mas a situação agravou-se ainda mais quando, em março de 1960, sua mãe foi acometida de uma tuberculose, o que a levou a ausentar-se de casa por três meses – período que passou se tratando na cidade do Natal/RN. Nessa época não era fácil para a família, três filhos pequenos, o mais velho com apenas dez anos de idade e, graças à ajuda de sua avó, é que puderam atravessar aqueles longos noventa dias sem a dona de casa para cuidar dos filhos e da casa. Mas tudo estava nos planos do soberano, o Deus todo poderoso.

1960 também foi um ano que marcou a vida do pequeno Martim Alves, pois nesse ano, já da idade de oito anos, é que começou a estudar. Já um pouco tarde, porém, sua mãe desejando ver seu filhos bem encaminhados na vida, procurou uma vaga no Grupo Escolar Vilagran Cabrita e ali matriculou o pequeno Martim, onde já estudavam seus dois irmãos. Assim, concluiu o curso primário naquele educandário – mantido pelo Exército brasileiro – onde havia merenda para os alunos, bem como lhe era fornecido fardamento e todo o material escolar. Providência de Deus, porque se fosse em outra escola não poderia estudar, por absoluta falta de condições materiais.

Veio o ano de 1961 e sua mãe, ouvindo a pregação do evangelho através do pastor Raimundo Santana, converteu-se a Cristo, sendo a segunda ovelha daquela que viria a ser a Assembleia de Deus da cidade de Caicó/RN. A partir daquele época, como acontece com todo crente, não tardou a surgir os problemas, os fardos que todos nós carregamos. E o de sua mãe não foi diferente, pois teve que enfrentar a separação conjugal, quando seu pai resolveu deixar a sua mãe. Não foi fácil enfrentar a nova situação. Para sobreviver, a irmã Maria Fernandes teve que ir lavar roupa para poder sustentar os três filhos pequenos, contando com a ajuda da “mãe Tereza”, que fazia renda e vendia para complementar o orçamento familiar. Foi realmente um período muito negro na vida da família, mas Deus, que não desampara e nem se esquece dos seus, concedeu vitória e a irmã Maria Fernandes permaneceu com sua fé inabalável em seu Salvador. Foram muitas as lutas, grandes provações, atravessando muitas necessidades e apertos, porém a família sobreviveu pelo amor e misericórdia de Deus.

Quando tinha apenas doze anos de idade, mais precisamente no ano de 1965, viu-se na obrigação de ir trabalhar como “cassaco” para ajudar a sua mãe, avó e irmãos. Passou três meses trabalhando em recuperações de estradas, longe de casa, dormindo a céu aberto, a fim de ajudar a família. Mas, graças a Deus, como filho pobre, não precisou tornar-se mendigo e nem se tornou em “menino de rua”. Foi trabalhar, apesar da pouca idade. Mas Deus já o acompanhava, já lhe guardava, através das orações de sua mãe – crente fiel a Deus e dedicada à Igreja, cujos trabalhos não faltava. Mas como a Palavra de Deus nos diz que o choro pode durar uma noite, mas a alegria virá pela manhã, com o pequeno Martim Alves se cumpriu esta palavra. E aos quatorze anos, na noite do dia 25.08.67, ainda em sua adolescência, recebeu o maior presente em sua vida, que todo o ser humano precisa ter – aceitou o Senhor Jesus como seu legítimo Salvador. Realizando, assim, o sonho de sua mãe, que esperava ver todos os seus três filhos servindo a Deus como ela já O servia há vários anos. Na verdade, sua irmã Maria Odete sempre acompanhou sua mãe nos trabalhos da igreja, enquanto que seu irmão Manoel Basílio havia se convertido quatro dias antes dele.

Foi a partir de sua nova vida em Cristo, que o adolescente Martim Alves começou a contemplar a mudança em sua vida e de sua família. Seu pai, que havia abandonado a família há mais de seis anos, retornou para casa no final do ano de 1967. Ainda não era crente, porém não reprovava a fé dos filhos. Ainda cedo, novo convertido, o jovem Martim Alves começou a pregar o evangelho. Logo alguns irmãos já diziam que aquele menino seria um futuro pastor. A irmã Maria dos Anjos, de saudosa memória, já o chamava de pastorzinho, o que era motivo de prazer para a sua mãe. Antes de completar um mês de crente, precisamente na noite do dia 22.09.67, o jovem Martim Alves foi batizado com o Espírito Sato, recebendo, assim, o selo da promessa, oportunidade em que Deus já o estava preparando para o serviço que havia preparado para ele.

Os anos se passaram e, em 1971, o jovem Martim Alves foi servir ao exército brasileiro, como soldado, em sua cidade natal. No ano de 1973 foi transferido para a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no interior do Amazonas. Lá, ele abriu um trabalho da Assembleia de Deus, que logo cresceu, abençoado, e partiu então para construir um templo para abrigar o povo de Deus. Ainda solteiro, foi consagrado a presbítero pelo ministério de Manaus (AM), o que lhe deu condições para ficar à frente da igreja fundada por ele. Ali não só batizava os novos convertidos, como também celebrava casamento dos membros da comunidade que dirigia. Na qualidade de militar, tendo toda uma carreira à sua frente, prestou concurso para sargento, tendo sido aprovado e destacado para fazer o curso, porém, como não era da vontade do divino mestre, já que Deus o queria para a sua Obra, retardou a sua chamada e, por isso, resolveu dar baixa e pediu desligamento da corporação, após quase dois anos servindo ao exército na selva amazônica.

Retornando para a sua cidade, no início do ano de 1975, dedicou-se de imediato ao evangelismo, cujo trabalho logo foi reconhecido pela Assembleia de Deus de Natal e o então Pastor Regional, João Batista da Silva, que já dorme no Senhor, resolveu consagrar o jovem Martim Alves a Presbítero, mesmo sendo ainda solteiro, quando tinha apenas 22 anos. Tornando-se o primeiro homem não casado a ser consagrado ao ministério do Rio Grande do Norte. Foi então designado para pastorear a igreja da cidade de Equador, interior do Estado, cuja tarefa não foi das mais fáceis. Igreja pequena, com poucos membros, não dispondo de recursos, cuja renda mal dava para custear as despesas com a água e a energia do templo. Recebia uma ajuda financeira de Natal, porém só dava para pagar a despesa de hospedagem. Quando o trabalho estava se desenvolvendo, sua mãe adoeceu. Isto nos meados do ano de 1976, e por isso teve que prestar-lhe assistência, dividindo o seu tempo entre o trabalho que dirigia e a atenção que ela requeria na cidade de Caicó. Foi mais um período negro na trajetória de vida do jovem Martim Alves. De um lado a preocupação com o trabalho do Senhor, e do outro o cuidado com o grave estado de saúde de sua mãe, que veio a falecer no mês de maio de 1977.

Mesmo com a perda daquela que mais amava, não baixou a cabeça. Pelo contrário, continuou firme na presença do Senhor, sabendo que o Deus que conforta o abatido lhe daria forças suficientes para suportar a dor da partida de sua querida mãe, bem como continuar ajudando-lhe na caminhada desta vida. Prosseguiu a sua jornada, agora se dedicando de tempo integral na Obra do Senhor, pastoreando o rebanho que Deus lhe tinha confiado na cidade de Equador. Mas como foi difícil cumprir a missão, sozinho, solitário, saudoso de sua mãe, que partira tão cedo, com apenas 49 anos. Tinha apenas, porém o bastante, o conforto e a presença de Deus em sua vida. E foi, em meio a essa tumultuada vida, que Deus preparou alguém muito importante para compartilhar, juntos, a vida a dois. E, como sua falecida mãe já havia demonstrado, quando em vida, satisfação em vê-lo casar-se com uma jovem que namorara antes, resolveu então o jovem pastor Martim Alves unir-se em casamento com a recém-formada cirurgiã dentista, a irmã Maria de Fátima Araújo da Silva, no dia 23.12.77.

Após o casamento ainda residiram na cidade de Equador por cerca de dois anos, quando então o Senhor os chamava para a cidade de Santana do Matos (RN), a fim de pastorear a Sua Igreja naquela localidade. Lá chegando, logo se identificaram muito bem com os irmãos, e Deus muito os abençoou no novo trabalho. A Igreja cresceu e Deus também fez crescer a família do pastor Martim Alves, com o nascimento de sua primeira filha, Catherine Morgana Araújo da Silva. Passados dois anos, veio a segunda e última filha, a Fabrícia Araújo da Silva, a caçula da casa. No ano de 1984, atendendo convite do pastor João Gomes da Silva, de saudosa memória, transferiu-se para Mossoró/RN. Chegando em Mossoró, foi pastorear a igreja que está na Serra do Mel, tendo posteriormente assumido outros trabalhos da igreja, como o cargo de diretor do Colégio Evangélico, Coordenador da Campanha Evangelística Cristo Vive, entre outras atribuições, inclusive a vice-presidência da Igreja de Mossoró. Mesmo servindo com dedicação ao Senhor, o pastor Martim Alves procurou também se preparar secularmente, passando a estudar e, no ano de 1988 graduou-se em Letras pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, bem como em ciências jurídicas no ano de 1992. A nível espiritual também procurou se preparar melhor, tendo concluído o curso de teologia, a fim de servir ao seu Senhor com maiores conhecimentos e melhor preparo.

Em maio do ano de 1993, com a saída do pastor João Gomes para Natal, o pastor Martim Alves assumiu a presidência da Assembleia de Deus de Mossoró e Região tendo permanecido a frente daquele trabalho por quase 19 anos, pela graça e misericórdia de Deus.

No dia 10 de março de 2012, com a jubilação do Pr. Raimundo João de Santana, Pr. Martim assume os destinos da IEADERN – Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte – onde tem trabalhado incansavelmente para o Senhor.

Esta é, portanto, a história de um vencedor. Não por méritos próprios, mas pela graça e misericórdia de Deus.

 

Fonte: https://ieadern.org.br - Pesquisa em 15/06/2021.

domingo, 23 de maio de 2021

GEOPOLÍTICA - Criação dos Estados do Oriente Médio

A criação dos Estados do Oriente Médio ocorreu a partir da autorização de potências europeias que haviam colonizado a região.

Atualmente existem no Oriente Médio cerca de 15 países reconhecidos internacionalmente: Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia. Todavia, nem sempre foi assim. Essa região foi berço de grandes civilizações (mesopotâmica, sumérica, babilônica e assírica) e foi conquistada por vários outros povos (gregos, romanos e europeus), possuindo, assim, diversas configurações espaciais ao longo de sua história.

Por muitos séculos, essa região pertenceu a dois Impérios, o Império Persa, que se estendia da porção mais a leste da região do Mar Mediterrâneo até o rio Indo, e o império Turco-Otomano (1299-1923), que possuía um grande território na porção oeste. Durante anos, esses dois impérios disputavam entre si e com os países europeus a hegemonia dessa região. No entanto, com o desenvolvimento do capitalismo e a Revolução Industrial, os países europeus adquiriram uma grande superioridade econômica, social e bélica em relação a todos os países do globo.

Buscando obter matéria-prima, mão de obra barata e mercado consumidor para continuar o seu desenvolvimento industrial após a independência dos países americanos, a Europa passou a colonizar a África e a Ásia, iniciando o processo que ficou conhecido como Neocolonização. Com isso, os dois impérios que ocupavam a área que hoje é conhecida como Oriente médio passaram a sofrer grandes perdas territoriais.

Para deter a expansão europeia em seu território, o império Turco-Otomano aliou-se à Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial. Em contrapartida, os franceses e ingleses passaram a incentivar as diversas tribos árabes que viviam no território Turco-Otomano a combatê-lo durante a guerra em troca da autorização para a constituição dos seus próprios Estados, caso vencessem a guerra. Assim sendo, era comum que os europeus prometessem o mesmo território a diversos povos.

Ao final do primeiro conflito mundial, no entanto, em vez de permitirem a formação dos Estados nacionais tal como prometeram, a França e a Inglaterra dividiram o território do Oriente Médio entre elas, constituindo, em vez de Estados independentes, diversos protetorados. Assim, a criação da maioria dos atuais Estados do Oriente Médio só ocorreu por meio da permissão da França e Inglaterra no decorrer do século XX como resultado do enfraquecimento dessas grandes potências e da pressão dos Estados Unidos, que já eram a maior potência mundial da época e não participavam da divisão nem da África nem da Ásia.

 

Os únicos países que não surgiram a partir da autorização de países europeus foram a Turquia, resquício do império Turco-Otomano, o Irã, descendente do antigo império Persa, e Israel, que foi criado após a Segunda Guerra Mundial para ser o território de milhões de judeus que se encontravam espalhados pelo mundo desde a diáspora judaica, no ano 70 d.C., e que sofreram perseguições em vários países, principalmente na Alemanha.


Por Thamires Olimpia - Graduada em Geografia

 

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Thamires Olimpia. "Criação dos Estados do Oriente Médio"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/criacao-dos-estados-oriente-medio.htm. Acesso em 16 de maio de 2021.

Fonte: Criação dos Estados do Oriente Médio - Brasil Escola (uol.com.br).

Samuel P M Borges

Natal RN – Brasil

 

Antissemitismo - Um alerta ao mundo civilizado

 Por Rabino Lorde Jonathan Sacks

Na Câmara dos Lordes, em Londres, em 13 de setembro de 2018, o Rabino Lorde Jonathan Sacks proferiu o seguinte discurso alertando seus pares, o povo britânico e o mundo sobre os perigo do crescente antissemitismo na Europa e, muito especialmente no seio do Partido Trabalhista britânico.

“Meus Senhores,

Sou grato ao Lorde Popat por iniciar este debate e lhes explicarei o porquê. O maior perigo que qualquer civilização pode enfrentar é quando a mesma sofre de amnésia coletiva. Tendemos a nos esquecer como os pequenos começos podem levar a fins realmente trágicos.

Mil anos de História Judaica na Europa contribuíram com certas palavras ao vocabulário humano: conversão forçada, Inquisição, expulsão, gueto, pogrom, Holocausto. Isso aconteceu porque o ódio não foi contido. Ninguém disse “BASTA!”.

Meus Senhores, dói-me falar sobre Antissemitismo, o ódio mais antigo do mundo. Mas não posso calar-me!

Um dos fatos que mais resiste, na História, é que a maioria dos antissemitas não se julgam antissemitas. “Não odiamos os judeus”, diziam na Idade Média, “apenas sua religião”. “Não odiamos os judeus”, diziam no século 19, “apenas sua raça”. “Não odiamos os judeus”, dizem hoje, “apenas seu Estado-nação”.

O antissemitismo é o ódio mais difícil de ser vencido, porque, como um vírus, ele sofre mutações; mas uma coisa continua idêntica.

Os judeus, seja como religião ou raça ou como o Estado de Israel, são transformados em bode expiatório devido a problemas pelos quais todos os lados são responsáveis.

E é assim que começa o caminho para a tragédia. O antissemitismo, ou qualquer outro tipo de ódio, torna-se perigoso quando três coisas acontecem:

Primeiro, quando sai das fronteiras da política para um importante partido e sua liderança;

Segundo, quando o partido vê que sua popularidade junto ao público não foi prejudicada por isso;

E terceiro, quando os que se levantam e protestam são difamados e insultados por assim agirem.

Todos os três fatores existem na Grã-Bretanha, atualmente. Jamais imaginei que veria isso em toda a minha vida.

É por isso que não posso ficar calado. Pois não somos apenas nós, judeus, que estamos em perigo. Toda a Humanidade também o está.”

Rabino Lorde Jonathan Sacks

Foi Rabino Chefe das Congregações Hebraicas Unidas da Commonwealth e presidente do Beth Din de 1991 a 2013. Desde 2009, membro da House of Lords. Atua, hoje, como Professor de Pensamento Judaico na New York University e na Yeshiva University e Professor de Direito, Ética e Bíblia no King’s College de Londres.

Fonte: Morashá | ANTISSEMITISMO - Um alerta ao mundo civilizado (morasha.com.br). Pesquisa em 23/05/2021.

Samuel P M Borges

Natal RN – Brasil.

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