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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Obediência a Deus

Texto: Ec 12.13

Introdução – Os homens têm satisfação a dar àquele que os criou? Tem o homem a obrigação de obedecer a Deus? E os que não creem em Deus? Até estes estão enquadrados na Bíblia, são os néscios, ou ignorantes no campo da fé.

Os homens têm, pelo menos, três motivos para se render a mensagem da Palavra de Deus: Por necessidade, por dever e por gratidão.

I – Ec 12.13 - Os homens têm, por NECESSIDADE PRIMÁRIA, obedecer a Deus, considerar os comandos divinos para ter vida significativa...com sentido e direção.

Jó 33.4 – Nas palavras de Eliú a vida provém de Deus: “Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida”.

Um adágio popular: “Deus sem o homem é Deus; E o homem, eu, você sem Deus é o que?”.

Em Lc 12.15 – A vida do homem não consiste na abundância do que ele possui.

Richard Sibbes - “Todas as coisas terrenas são como água salgada, fazem aumentar a sede, mas não satisfazem”.

II – Ec 12.13 - Todo homem, feitura das mãos de Deus (Gn 2.7) TEM O DEVER de temer a Deus e guardar os seus mandamentos.

Is 1.2 – Diz que o povo de Israel, faltou com este dever para com Deus. E foram pesadas as consequências.

Pv 10.27 – “O temor do Senhor aumenta os dias, mas os anos dos ímpios serão abreviados”.

Pv 29.1 - O HOMEM que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, de repente será destruído sem que haja remédio.

Jr 22.29 – Parafraseio as palavras do profeta Jeremias para esta geração: “Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor!”.

Afirmou Tomaz de Aquino: “O homem nasceu para Deus e só se realiza em Deus”.

Apóstolo Paulo falando da natureza humana caída, dizia: “Nele não havia bem algum, e praticava o mal que não queria fazê-lo”.

Lutero – “Eu desisti da ideia de que há algo de bom em mim. Eu só posso me agarrar a Cristo e dizer: Ele é a minha justiça”.

III – Ao homem se requer obedecer a Deus por GRATIDÃO.

Sl 130.1 – O salmista em oração introspectiva declara: “Bendize, ó minha alma ao Senhor, e tudo que há em mim, bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios”.  

I Sm 15.22 – Deus espera do homem uma obediência voluntária, grata e não sacrifícios de tolos. Deus não chama ao homem à obediência por imposição.

Pv 28.13 – “O que encobre suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessas e deixa alcançará misericórdia”.  E quanto maior a dívida perdoada, maior a gratidão.

Sl 34.18 – “Perto está o Senhor dos que têm coração quebrantado e salva os contritos de espírito”.

I Co 10.31 – “Porquanto, quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus”.

Concluindo, como mensageiros de Deus, recomendamos solenemente:

1.Hb 10.39 – Fala-nos de dois grupos de pessoas: Daqueles que se retiram para perdição, rejeitando a Palavra da Vida, e o grupo daqueles que crêem para conservação da alma. Qual dos dois queres fazer parte?

2.Is 55.6-7 - “Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar”.

John Stott: “A fé que confessa a Cristo deve ser acompanhada pelo arrependimento que rejeita o pecado”.

3.Os homens são chamados a provar a bondade de Deus: “Provai e vede que o Senhor é bom” (Sl 34.7-8). Vivamos a obediência alegre!!!

“Não fujas de Deus por causa do pecado; Fujas do pecado para Deus”.  Vem para Deus, por Jesus Cristo. Hoje é dia de reencontro. Amém!


Presb. Samuel P M Borges

AD Natal RN - 24/02/2021



 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

A “Teologia Coaching”

 


Segundo o IBC – Instituto Brasileiro de Coaching – “Coaching é um processo, uma metodologia, um conjunto de competências e habilidades que podem ser aprendidas e desenvolvidas por absolutamente qualquer pessoa para alcançar um objetivo na vida pessoal ou profissional, até 20 vezes mais rápido, comprovadamente”.

Então, temos o Coach – Aquele que instrui, uma espécie de mentor facilitador, e o Coachee, o cliente, o aprendiz.

As melhores e mais utilizadas ferramentas de coaching para aplicar no coachee

Metas SMART - Essa ferramenta busca a elaboração de metas neurologicamente corretas. Pontos chaves:

Específicas – Quando, com quem, onde, e prazo para ser cumprida.

Desafiadora – Ao ponto de motivar o coachee.

Positivas – Com expressão positiva e algo a fazer.

Ecológicas – Trazer benefícios para o coachee e pessoas ao redor.

Estar no controle – O responsável pelas ações é o coachee.

Perguntas Poderosas de Sabedoria (PPS) – Tem vários objetivos, como levar o coachee refletir sobre a sua vida, mudar posturas e fazer do apurado das reflexões o seu estilo de vida, de forma consciente.

Ganhos e Perdas – o Coach utiliza quando o Coachee estiver em dificuldade de tomar decisões mais sérias, no andamento das sessões. A vida é assim, tem ganhos e perdas.

Grade de Metas - Essa é uma ferramenta cognitiva que tem como objetivo fazer com que o coachee (cliente) aja de forma assertiva em direção dos objetivos. Aplica-se com o conhecimento da Metas Smart.

MAAS – O MAAS corresponde a um gráfico que busca entender em quais pontos alguém está mais satisfeito com as próprias conquistas.

Utilizando as ferramentas, o coach vai  desenvolver habilidades no coachee, ampliar sua consciência, tirá-lo da zona de conforto e expô-lo a um mundo de possibilidades.

Fonte: www.Febracis.com – pesquisa em 15/02/2021.


No meio evangélico brasileiro, na visão de algumas lideranças, observar-se pregadores, ensinadores, palestrantes cristãos utilizando-se de métodos e competências de coaching em suas ministrações. Dessa realidade, surge o termo a Teologia do Coaching. Para outros, é a Teologia da Prosperidade com uma nova face, ou mais um modismo no meio da Igreja Evangélica Brasileira - IEB.

Prefiro chamar de Teoria de Coaching aplicada ao corpo de Cristo, seja por falta de conteúdo bíblico dos ministrantes, mensagens que agradam aos ouvintes, ou por interesses escusos de determinados dirigentes eclesiásticos.

Gradativamente, vai desvirtuando e corrompendo a Igreja. Então, ao invés de ministrantes das Escrituras, temos os coachs, debulhando e distribuindo, na verdade, teorias administrativas secularistas, com linha humanista, antropocêntrica, pondo de lado a graça de Deus, a ajuda do alto, enfatizando a autoajuda para satisfação do indivíduo. É o desserviço ao Reino de Deus.

O que se observou na Igreja Evangélica Brasileira nos últimos 50 anos? Foi uma desastrosa contaminação da fé cristã, em razão da Teologia da Prosperidade, que hoje podemos nominá-la de Ideologia da Prosperidade, com um crescimento desordenado, ou inchaço, crises na liderança, rompimentos denominacionais, igrejas midiáticas, megas-igrejas com gestão empresarial, pessoas nos púlpitos de igrejas sem preparo teológico nenhum, ensinando ora heresias, ora infantilidades, um evangelho místico e grosseiro etc., ao ponto de uns indicarem que houve um Apagão Teológico na IEB. E nesse contexto, surgem os desigrejados, ou como queiram chamar “ovelhas sem pastor”.

De modo que alguns segmentos evangélicos perderam ou nunca tiveram a centralidade nas Escrituras. E assim abriu-se a porta para o hedonismo, secularismo e o materialismo.

A “Teologia Coaching” trouxe uma reação nos meios reformados da IEB, no tocante a doutrina da depravação total do homem (um dos pilares do calvinismo), uma vez que ensinam a total incapacidade humana, por si mesmo, para reagir, sair do quadro desolador da queda no Éden e nele não há bondade nenhuma. E a Teoria do Coaching ensina que o homem tem potencialidades, habilidades internas, e pode se  autodesenvolver. O ponto forte é a relação Coach e o seu cliente, via mentoria individual ou grupal. E deixa Deus em segundo plano ou bane Deus da existência humana, no seu sucesso. 

Em consequência de fatores citados, nos últimos 50 anos na IEB, existem lideranças de denominações tradicionais que, por exemplo, se acham no direito de ter um salário mensal de 100 (cem) salários-mínimos, com desdobramentos financeiros no tesouro da Igreja, para membros da família e da sua Diretoria e alguns pastores de sua base eclesiástica.  Igrejas estão sendo geridas como empresas familiares e o Sacerdócio Araônico Judaico serve de modelo para perpetuação no Poder e na Sucessão Eclesiástica nos dias atuais. Biblicamente não sustentável. Todavia, no geral, só tem revelado o antropocentrismo na Igreja. 

Parece dura e inadequada a citação supra, mas é como disse John Macarthur – “Nunca suavize o evangelho. Se a verdade ofende, então deixe que ofenda. As pessoas passam toda sua vida ofendendo a Deus; Deixe que se ofendam por um momento”.

Pelo menos duas perguntas que não nos deixam calar: O evangelho de Jesus é insuficiente para proporcionar ao que crê, nova vida vitoriosa em Cristo Jesus? A Igreja contemporânea precisa da Teoria de Coaching na Igreja Organismo e na Organização? Certamente não.

Temos várias razões, enquanto Igreja Cristã, para rejeitar e dispensar a “Teologia  Coaching” no contexto cristão.

No contexto secular poderá ter algum proveito em que pese algumas utopias embutidas e pressão sob pressão.

Augustus Nicodemus – parafraseado, a Teoria Coaching visa o que? Desenvolver o potencial e as aptidões humanas em si mesmas. E, portanto, antropocêntrica.

Deus é desconfigurado, pois quando apresentado é apenas como um potencializador do ser humano. O alvo final é a vitória do homem, sem Deus ser glorificado.

No Coaching aplicado na Igreja o pecado é apenas um obstáculo que atrapalha o desenvolvimento do potencial do homem.

Em regra, somos uma geração mimada, que gosta de alisamento do ego, rica em belas imagens. Porém, os travesseiros encharcados. Essa é uma realidade que as redes sociais não mostram.

Um entrevistado disse: Trata o seu ego como o dedão do seu pé. Ele nos ajuda dá base juntamente com o pé. Mas, no seu devido lugar.

Os Coachs trazem uma mensagem básica: Palavras psicologizadas, encorajadoras, tais como: Descubra e desenvolva o seu potencial: Vai que você pode! você consegue! você é o cara! São uns sofistas, muita retórica e coloca as pessoas num patamar de homem bom, quando temos a problemática do pecado a resolver, do homem perante Deus. De nada adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma.

Segundo o Pr Augustus Nicodemus, a igreja tem o papel de contribuir na preparação dos santos em todas as áreas da vida, inclusive é uma ideia interessante o cristão onde estiver inserido, dá o melhor de si. Agora, não é a missão principal da igreja. A beleza do evangelho é proporção de suas partes. Assim como é a beleza de Deus. 

Conclusão

A confissão positiva, a autoajuda na Teoria Coaching declara que o homem tem dentro dele os recursos para se desenvolver, se auto realizar e ser um formidável vencedor. Observe que, sendo uma teoria humana, do mundo empresarial, “funciona para crentes e ateus”. Deus está posto de lado. É o mesmo germe motivacional ensinado pelo encardido a Eva lá no Éden (Gn 3.1-6).

A Teoria Coaching tem a presunção de que o homem pode ser um vencedor nesta vida, pelas suas potencialidades intrínsecas, pela inteligência emocional desenvolvida, etc., sem a intervenção da graça de Deus. Na verdade, contraria Tg 4.13-15.

Sabemos de que mito é aquilo que não é verdade – Que o digam os mitos gregos e romanos, em consequência da expansão do Cristianismo, a partir do mundo oriental. Quando comparamos o Gênesis, o Livro das Origens, seja do Cosmos, do homem, da vida humana e animal, da natureza, e o Deus revelado, não precisa nem fazer comentários. A diferença de conteúdo é exponencial, em especial, entre os deuses nominados nos mitos mencionados e o Deus Criador do Gênesis.

Na sociedade capitalista, competitiva, se ensina que nela vale a Lei do Mais Forte. E segundo, o psiquiatra cristão Paul Tournier, no livro Mitos e Neuroses – desarmonia da vida moderna, este é o x da questão: Aplicaram a Teoria da Evolução dos animais irracionais, aos homens racionais. Quem for mais forte, quem mais se capacitar, quem se superar dos altos e baixos, este é o vencedor. Na cadeia alimentar animal o mais forte pode comer o mais fraco vivo, naturalmente.

O marxismo não relaciona o homem ao seu semelhante, ser moral e espiritual, criado à imagem de Deus. Pelo contrário, montou um arcabouço teórico para justificar a luta entre o capital e trabalho e Deus foi excluído. Só conta a matéria, ou seja, realidade material em sociedade. Religião e fé são o ópio do povo.

Onde quero chegar? A Teoria Coaching vende mitos, visando maximizar, proporcionar lucros, crescimento no mundo dos negócios, incentiva aos colaboradores, funcionários, atiçando-os a descobrirem suas potencialidades, inserindo utopias no conteúdo, pondo todos num patamar de capacidade e ideais lineares, o que não corresponde à realidade humana. Somos seres diferentes em múltiplos aspectos, com um ponto em comum: A mancha do pecado desde o Éden.

Nos dias atuais, temos pregadores, palestrantes dizendo aos seus ouvintes que eles são tão dignos quanto Jesus. Ou seja, são homens-deuses. Aconselho-os a estudar a Doutrina de Cristo.

Enfim, está ocorrendo em alguns púlpitos evangélicos, uma mistureba de teorias administrativas e RH, psicologizadas, de como o homem pode vencer, em meio as promessas de Deus e suas potencialidades, cujas mensagens exaltam mais ao homem do que a Deus. Arrependimento, correção de caráter, bom testemunho, a comunhão, deixar o pecado não são fundamentais. Importa ao homem encontrar e desenvolver o propósito de Deus na sua vida. O engodo é que este tal propósito sobrecarrega-o toma mais tempo no material, no passageiro, do que levar ao homem a pensar nos valores que são de cima , e portanto, eternos (Cl 3.1-2).

 

Presb. Samuel Pereira de Macedo Borges

AD Natal – RN, 16/02/2021.

 

 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

O Fazendeiro Rico, ou o Rico Insensato.

Texto: Lc 12.13-21

Introdução: Há muitas pessoas abastardas, de boa condição de vida na sociedade, que vive em função do que possuem e assim usam e abusam. Seu deus é o dinheiro, o seu patrimônio. Porém, diante de Deus, nem nome têm. São pobres miseráveis...o personagem deste texto é um caso clássico deste tipo de pessoas...

Assemelha-se ao homem que era tão miserável que só tinha dinheiro.

Eclesiastes 5.10 – “Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade”.

1 – Produziu uma excelente colheita. Vv 16

2 – Mesmo assim, preocupou-se inutilmente. Vv17

3 -  Pensou somente nas coisas terrenas. Vv 18

4 – Não pensou na eternidade. Vv 19

5 – Aos olhos de Deus era louco, tolo. Vv 20

6 – Foi pobre e sem esperança para a eternidade. Vv 20

7 – Então, não é rico para Deus quem ajunta tesouras aqui. Vv 21.

8 – QUEM É RICO PARA COM DEUS?

a)    Mt 16.24 –“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me”.

Aquele que renunciou a si mesmo, tomou a cruz e segue a Cristo.

b)    Mt 16.25 – “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á”.

 Aquele que “perde esta vida”, vivendo-a para Deus e ganha a vida eterna”.

c)    Mt 16.26 – “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?”.

Aquele que sabe de que não adianta ganhar o mundo inteiro, com farras, enganos, e prazeres temporais, e perder a sua alma.

d)    Mt 22.37-38 – Em resposta a um fariseu, doutor da lei, sobre qual era o grande mandamento da Lei. “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como ti mesmo”.

Lc 14.26 – “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”.

Aquele que coloca Deus como nr. 1, em primeiro plano na vida, sem exceção. A exegese do verbo “aborrecer” no texto é amar menos aos pais, filhos, cônjuges, do que a Deus.

e)    II Tm 2.4 – “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”.

Aquele que não se embaraça com os negócios desta vida. Ou seja, a nossa vida material, passageira, não pode trazer dano, obstruir a fé fecunda em Deus.

f)  Lc 12.15 – “...Tende cuidado e guardai-vos de toda e quaisquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui”. (Versão Atualizado).

São ricos para com Deus aqueles que sabem de que a vida do homem não se resume naquilo que ele possui

Conta-se a história de homem, que zombava de padres e pastores, e que batia nos bolsos cheios de dinheiro e dizia: este é o meu deus. Um dia seu único filho morreu em um acidente de moto. E narra o testemunho que ele chorava e gritava desconsolado no sepultamento: Ai meu Deus! Ai meu Deus!...Esqueceu-se do seu deus no bolso?

Richard Sibbes: “Todas as coisas terrenas são como água salgada, fazem aumentar a sede, mas não satisfazem”.


Tomaz de Aquino: “O homem nasceu para Deus e ele só se realiza em Deus”.

 

CONCLUSÃO:  Amados ouvintes, cada responda a si mesmo, será que sou rico para com Deus? Em breve, todos nós nos encontraremos com Deus, quer queira, ou não (Rm 14.11-12), e o ideal que seja primeiro nesta vida, arrependido, crendo em Cristo, o redentor e perdoador de pecados. Amanhã pode ser tarde demais. Amém.


Presb. Samuel Pereira de Macêdo Borges

Natal/RN - Janeiro/2021.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

O Jesus da História

O Natal de Jesus paganizado, ao apresentar sempre o Jesus menino, ofusca verdades bíblicas fundamentais do Cristianismo, tais como:

1. A pré-existência e a Divindade de Jesus. Ele é Deus.

2. A sua encarnação profetizada, a cerca de 700 a.C, o local e o seu nascimento virginal miraculoso.

3. As duas naturezas de Jesus – A divina e a humana.

4. O Jesus histórico.

5. Os propósitos de sua vinda à terra.

6. A sua morte vicária, a ressurreição e a ascensão ao céu.

7. A promessa de retornar outra vez, para julgar o mundo e reinar eternamente com o Pai.

É oportuno frisar que a ressurreição de Jesus é o fato escriturístico e histórico mais averiguado e mais documentado da História.  incrédulos que se debruçaram em examinar a ressurreição de Jesus, terminaram cristãos confessos e convictos. Exemplos: Frank Morison, um advogado inglês; Lew Wallace, autor do livro Ben-Hur. Começaram céticos e terminaram apologetas da ressurreição e da Deidade de Jesus Cristo.

Assim afirmou John Whale: “Os evangelhos não explicam a ressurreição; todavia, a ressurreição explica os evangelhos”.

O Cristianismo é o único credo religioso e de fé, que se baseia em evidências históricas.  Não se justifica honesta e racionalmente alguém descrer de Jesus por falta de evidências, pois são numerosas para averiguações.  Entretanto, incrédulos raramente são convencidos por argumentos, porque as fontes da descrença estão no homem interior caído, não na cabeça. E a alma depravada produz pensamentos, imaginações, palavras e ações ímpias.

Escreveu o historiador James. G. Lawson (1874-1946): “A evidência da historicidade de Jesus Cristo é tão grande que eu não conheço nenhum historiador do mundo livre que ousaria expor sua reputação, negando que Jesus tenha existido”.

Constam nos anais da História:

Engana-se quem pensa que só evangelhos da Bíblia, são fontes do Jesus histórico: Muitos outros escritores antigos escreveram sobre Jesus, tais como: Tácito, historiador romano; Suetônio; Plínio, o moço; Epicteto, Luciano, Aristides, Galeno, Lamprídio, Diocássio; Hinério; Libânio; Amiano, Marcelino, Eunápio, Zózimo, Flávio Josejo, historiador judeu, Eusébio de Cesareia (263-340 d. C), etc.

Outros escreveram livros inteiros contra o Cristianismo. E na medida que combatiam o difundiam.  Enfim, numerosos escribas escreveram sobre a pessoa histórica de Jesus.

Pôncio Pilatos (12 a.C), governador/procurador da Judéia (26 a 36 d.C), escreveu para Tíbério César, sucessor de César Augusto, um relatório onde faz descrições de milagres de Cristo, e relata: “E Herodes, Arquelau, Filipe, Anás e Caifás, com todo o povo, entregaram-me Jesus, fazendo grande alarme contra mim, e eu deveria julgá-lo. Eu, portanto, dei ordens para ser crucificado, antes mandei açoitá-lo, sem ter achado nenhuma causa para as acusações ou malefícios”. E segue listando o testemunho da natureza protestando a morte do Jesus: Trevas sobre todo mundo, sol escureceu ao meio-dia, estrelas apareceram sem brilhos, a lua como se tivesse convertido em sangue, não deu a sua luz....

Pilatos escreveu também relatório, em detalhes sobre a ressurreição de Jesus, para o Imperador Tibério César, cuja história havia se espalhado por toda a Palestina.

Segundo uma tradição, Pôncio Pilatos e sua mulher Cláudia foram convertidos ao Cristianismo, evangelizados pelo Apóstolo Paulo. Já outra linha, historiadores gregos no relato das Olimpíadas faz menção de que Pilatos foi forçado a se tornar assassino de si próprio e o vingador da sua própria perversão.

Deixou narrado Flávio Josefo (37-100 d.C.), famoso historiador judeu: “Nesse tempo se levantou um grande homem, a quem os líderes do seu povo condenaram à morte pela mão de Pôncio Pilatos, e esse era o Cristo”.

William Shakespeare (1564-1616), escritor, poeta, e dramaturgo inglês, um dos maiores gênios da literatura mundial, deixou em seu testamento: “Eu encomendo minha alma nas mãos de Deus, meu Criador, esperando e crendo sem vacilar, pelos méritos de Jesus Cristo, meu salvador, ser participante da vida eterna”.

Jean Jacques Rousseau (1712-1778, aos 66 anos), teísta, um dos grandes intelectuais francês, em sua obra Emile: “Não pode haver comparação entre Sócrates e Jesus Cristo; como não há comparação entre um sábio e Deus”.

Goethe (1749-1832), o sofisticado gênio alemão reconheceu em Jesus “o Homem Divino, o Santo”.

Ainda disse Goethe: “Eu vejo os quatro evangelhos como algo totalmente genuíno, pois deles procedem um brilho refletido da sublimidade que vem de Jesus Cristo”.

Ernest Renan (1823-1892), o crítico, linguista, filósofo, teólogo, historiador, e grande erudito francês, opositor de Jesus e da Bíblia se rendeu e afirmou: “Jesus é um homem de dimensões colossais, o homem incomparável, a quem a consciência universal decretou o título de Filho de Deus, e isso com justiça...”

Ernest Renan termina a sua obra a Vida de Jesus, com a frase: “Quaisquer que sejam as surpresas do futuro, Jesus jamais será ultrapassado”.

Napoleão Bonaparte (1769-1821), líder político e militar, imperador francês de 1804 a 1814, preso na ilha Santa Helena, examinando as escrituras, declarou: “Eu conheço homens e lhes digo que Jesus Cristo não é um homem...Mentes superficiais veem uma semelhança entre Jesus Cristo e fundadores de impérios, e os deuses de outras religiões. Essa semelhança não existe. Entre o Cristianismo e outras religiões existe a distância do infinito”.

O Lord Byron (1788-1824), poeta britânico, escreveu: “Se alguma vez o homem foi Deus ou Deus foi homem, Jesus foi ambos”.

Leon Tolstoi (1828-1910), o grande gênio da literatura russa, foi ateu e por 35 anos um niilista, um homem que em nada acreditava, mas tarde testemunhou: “Faz 5 anos que a fé aconteceu em minha vida. Passei a crer na doutrina de Jesus, e toda a minha vida sofreu uma transformação repentina...A vida e a morte deixara de se reunir; em vez de desespero experimentei júbilo e felicidade que a morte não pode tirar-me”.

Nenhum escritor da História Humana, pode falar de um Jesus mito, a não ser que feche os olhos para as inúmeras evidências históricas.

Por isso, Pilatos o chamou de “o Insuperável”. Napoleão de “o Imperador do Amor”. David Strass, o grande crítico alemão, de “o Maior Modelo da Religião e da Fé”. John Stuart Mill, cujos escritos levou a muitos do seu tempo considerá-lo o mais inteligente, chamou Jesus de “o Guia da Humanidade”. Lecky o chamou de “o Santo diante de Deus”. Martineau o chamou de “a Flor Divina da Humanidade”. Renan, “o maior entre os filhos dos homens”. Theodore Parker disse que ele era “o jovem com Deus no coração”. Francis Cobb o chamou de “o Regenerador da Humanidade”. Robert Owen o chamou de “o irrepreensível”.

Jean Paul Friedrich Richter (1763-1825), escritor alemão declarou: “Jesus é o mais puro entre os poderosos e o mais poderoso entre os puros”.

“Sócrates ensinou durante quarenta anos, Platão durante cinquenta, Aristóteles por quarenta, e Jesus somente durante três anos. Todavia, esses três anos transcenderam infinitamente em importância os 130 anos somados, atribuídos respectivamente aos ensinamentos de Sócrates, Platão e Aristóteles, os quais foram considerados os três maiores filósofos da Antiguidade”.

Com efeito declarou Charles H. Spurgeon (1834-1892), escritor e pregador inglês: "Cristo é o grande fato central da História. A partir dele, olha-se para frente ou para trás".

E tudo que já foi tido não é suficiente, são apenas reflexos do testemunho das Escrituras a respeito da pessoa maravilhosa e surpreendente de Jesus Cristo.

Colossenses 1.14-20:   

“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse. E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus”.

É como dele está escrito em Hebreus 13.8 – Jesus em nada mudou, nem mudará.

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente”.

Fontes:

Livro Porque Creio – D. James Kennedy – 3ª Edição Juerp – 1988.

Bíblia Sagrada.

Livro Eusébio de Cesareia - 12ª impressão 2011 - CPAD.

Internet.

Anotações pessoais.


Pb Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN – 24/12/2020.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

A chamada e a dinâmica da salvação em Romanos 8.28-29.

Rm 8.28 - Paulo faz menção direta aos que amam a Deus – Então, estava falando dos filhos da obediência (Jo 14.15,21), de salvos em Cristo, daqueles que já compunham a Igreja Cristã, pessoas arrependidas, e portanto, que haviam crido na pregação do evangelho (Mc 16.15-16; Rm 1.16). O Apóstolo Paulo não dissecava, na inspiração do Espírito Santo, sobre uma realidade passada ou futura, pelo contrário, estava presente no exercício do seu apostolado.

Pela hermenêutica contextual, consideramos a pregação do evangelho (Mc 16.15-16; Atos 3.19), a mensagem da grande comissão dada à Igreja (Mt 28.18-20), começando por Jerusalém até os confins da terra (Atos 1.8), o decreto divino da chamada à salvação, no Plano Divino Através dos Séculos, projetado por Ele, soberanamente, extensivo a todos os homens.

Note-se que o Espírito Santo foi enviado para convencer o mundo (a humanidade, a todo homem) e serão salvos os que atentarem à mensagem da cruz, arrependidos e mediante a fé (Jo 16.8-11;Rm 10.8-10;16-17; Ef 2.8).

Rm 8.29; I Pd 1.2 - Os salvos foram conhecidos por Deus de antemão e dessa forma, prossegue o seu plano salvífico, uma vez que para Deus tudo está no presente. E assim sendo, todo crente é um eleito, em Cristo (Ef 1.3-5,13).  

Rm 8.30 – A predestinação envolve a chamada, a justificação e a glorificação na dinâmica da redenção.

Tanto a eleição (quem?) como a predestinação (para que?), referem-se ao corpo coletivo de Cristo, a Igreja, composta de judeus e gentios. Israel tem em Abraão, tem uma chamada específica que visava a salvação para todos os povos, tribos e línguas.

Deus não ama a pecadores incrédulos no pecado (Jo 3.36), e segundo João 3.16 Deus amou a humanidade caída, enquanto projeto de redenção, quando decidiu na eternidade, livre e espontaneamente em absoluto (Ef 1.5,9,11) propor o meio de resgatar o homem. E por essa razão Jesus é o Cordeiro de Deus (Jo 1.29; Ef 1.4; Hb 2.9) que foi morto desde a fundação do mundo (I Pd 1.18-20; Ap 13.8). Veja artigo http://samuca-borges.blogspot.com/2020/07/quem-sao-os-escolhidos-ou-eleitos-de.html

De acordo com Efésios 1.5-6;11-12 – Todos os salvos em Cristo, são predestinados a: Adoção de filhos, para louvor e glória da sua graça.

Paulo menciona três aspectos dessa escolha:

(1) Em quem fomos escolhidos? Em Jesus, por isso ela é Cristocêntrica;

(2) Em que tempo se deu essa escolha? O tempo é dito como “antes da fundação do mundo”;

(3) E qual a finalidade? Para que fôssemos “santos e irrepreensíveis”.

A Eleição – Coletiva é ou Particular?

Quando a Bíblia faz menção a Eleição, trata do tema referindo-se à Igreja, corpo de Cristo, edifício, lavoura de Deus, e portanto, coletiva.

É particular no que tange a decisão de cada indivíduo, frente à pregação do evangelho de dá ou não crédito a sua mensagem de salvação (Jo 3.16; Rm 1.16).

Atos 2.47 - Faz menção ao agir de Deus, na ação do Espírito Santo (Jo 16.8-11), acrescentando, dia a dia, os que iam sendo salvos, ou seja, na medida em que criam na mensagem do evangelho.

Síntese da mecânica da salvação em Cristo, no tocante ao homem é um processo, envolvendo o passado, presente e futuro de todo aquele que crê.

1.Arrependimento, fé, confissão e Novo Nascimento – Passos simultâneos primários para salvação (Mc 1.15; 16.15-16; Rm 10.10; At 3.19).

2.Novo Nascimento – Instantâneo (João 3.3-8; II Co 5.17).

3.Entendo ser a conversão um processo, e tem níveis de pessoas para pessoas. Depende da sede e da entrega de cada indivíduo aos pés do calvário.

4.Filiação por adoção – Imediato status de filho (João 1.11-12; Rm 8.14-16; Ef 1.5).

5.Reconciliação pelo calvário – Deus em Cristo na cruz, deu esta condição a todo o mundo (II Co 5.19), isto é, a toda humanidade (II Co 5.18-20).

6.Justificação – Status de justo, santo em Cristo - fui salvo, pela autoridade da ressurreição de Cristo (Rm 4.25).

7.Santificação – É uma progressão rumo à santidade no curso da fé cristã, sendo salvo (I Ts 5.23; Hb 12.14).

8.Glorificação será no céu, em corpo imortal e ausência plena do pecado - Serei salvo (Rm 8.17,22-25,30; I Co 15.19,51-54; Ap 7.16-17).

É perfeitamente discernível o Plano da Salvação na eternidade, no primeiro momento, foi por decisão soberana e amor incondicional. Já na oferta da salvação, como uma dádiva divina, é condicional ao arrependimento e a fé (Mc 1.15;16.15-16; Rm 1.16), para que o homem receba de Deus salvação, sem nenhum mérito humano.

O ministério da morte e da condenação era a Lei e é passado, pois tinha natureza transitória (II Co 3.7,9,11).

Enfim, o texto sagrado de Rm 8.28-30, não ensina um determinismo divino e inconsequente, separando a humanidade em dois grandes grupos, dos salvos e dos perdidos.

 A Eleição e Predestinação, centradas nos escolhidos, não em Cristo, deforma a doutrina bíblica da redenção. 

Presb. Samuel P M Borges

Natal – Outubro/2020

 

 

sábado, 26 de setembro de 2020

A Salvação no Ministério Terreno de Jesus

Observa-se que alguns textos dos evangelhos têm sido utilizados isoladamente para atestar a predestinação incondicional para condenação, na linha de pensadores puritanos e reformados.  Porém, são sem consistência bíblica e teológica.

Lucas 4.14-22 - Registra que estava sobre Jesus a virtude do Espírito, ungido para evangelizar os pobres (humildes), enviado para curar os quebrantados de coração, apregoar liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor...). E o Espírito a Ele, não lhe foi dado por medida, mas de forma plena, ainda que em carne (João 3.34). Há os descuidados no exame da Palavra que aplicam este texto a todos os crentes, erroneamente.

João 20.30-31 – No evangelho de João, a ênfase era demonstrar, revelar que Jesus era o filho de Deus. E no mesmo evangelho, Jesus anuncia a promessa do Espírito Santo, que passaria a atuar diretamente no contexto Igreja, pois seria dado à Igreja Cristã (Jo 14.16-17,26), para o novo momento (Jo 15.26;16.7-15), após a sua ascensão.

João 1.15-37; 5.33,36 - João Batista, o seu precursor.

João 10.41-42 - O testemunho de João Batista se cumpriu cabalmente na vida e ministério de Jesus.

João 10.36-38; 11.27,41-42 - Jesus, o Filho de Deus enviado do Pai.

Mateus 15.21-28 – Primeiro, enviado as ovelhas perdidas da casa de Israel (Vv.24).

João 1.11-12 – Veio para os seus e os seus não o receberam. 

João 4.22 A salvação vem dos judeus – Todavia, não é propriedade dos judeus (Mt 24.14; Lc 3.6; Atos 10.34-36).

João 4.42 - Nas palavras dos samaritanos, Jesus “o salvador do mundo”.

Mateus 16.2; 23.37-39 – Jesus, o Messias que havia de vir, é rejeitado (Jo 5.38-40;7.37,45). Cumprem-se as profecias a este respeito. Ao mesmo tempo, Ele cumpre a sua missão: Forma o embrião da sua Igreja (na chamada específica dos 12 discípulos, e mais tarde, o  colégio apostólico), prega o arrependimento de pecados, revela o Pai (Jo 14.6-9), padece na cruz, ressuscita e ascende aos céus, deixando a promessa de voltar outra vez.

Chamadas específicas e pessoais no Ministério de Jesus

João 1.35-44 - Os primeiros discípulos de Jesus.

(Lc 6.12-17; Jo 6.67,70-71) - A chamada dos doze – E não se pode fazer aplicação individualizada no corpo de Cristo. E atentar, o número doze tem uma simbologia significativa nas Escrituras relativa a Israel e à Igreja, ou seja, no coletivo.

Judas Iscariotes estava entre eles. Teria Judas Iscariotes sido predestinado para ser o traidor do seu mestre por força do que estava escrito (Mt 26.24-25), e guia daqueles que prenderiam a Jesus (At 1.16), no final do seu ministério terreno? E enfim, levado a julgamento e condenado na rude cruz.

A profecia não predestinara quem seria o traidor, e nem o isentaria da sua culpa. A profecia revelava o evento futuro, cujo fato viria acontecer no ministério terreno de Jesus. Realça sim! a Presciência Divina.

Nos evangelhos vemos no comportamento de Judas Iscariotes um mau caráter ao ponto de Jesus, posteriormente, o chamar de o Filho da Perdição (Jo 17.12). Deus não o predestinou para aquele triste fim. 

João 6.70-71 – Judas, sendo um entre os doze discípulos escolhidos, tristemente, se deixou ser usado pelo diabo (Ef 4.27; Tg 4.7).  Estava dentro de uma chamada específica (Lc 6.12-16; Jo 15.16; At 1.17), e comporia adiante o colégio apostólico.

João 6.37-40 - Jesus e o desenvolvimento do seu ministério.  

João 6.37 – “Todo o que o pai me dá virá a mim. O que vem mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.

Tudo o que fazia era na dependência do Pai (Jo 7.28-29;10.29).

A sua doutrina era do Pai (Jo 7.16; 8.28).

João 6.44-45, 65 – A revelação do salvador ocorria no ministério de Jesus, mediante a operação do Pai (Jo 14.10-12).

João 6.47-56 – Sendo Jesus o pão da vida, em sentido espiritual, o seu sacrifício na cruz teria que ser absorvido por fé para salvação de todo que viesse a crê (Jo 6.47).

João 8.45-47 - Quem é de Deus escuta a palavra de Deus. Não significa dizer que foram destinados à salvação incondicionalmente.

João 7.37; Ap 22.17 - Salvação é para quem tem sede. Quem vier a Jesus, espiritualmente, não terá fome e nem terá sede (João 6.35).

João 9.31 – Nas palavras do cego de nascença, curado por Jesus: “Deus não ouve a pecadores, mas se houver temor e faz a sua vontade, a esse ouve”.

João 7.3-5 - Havia incredulidade entre os irmãos de Jesus a seu respeito.

Mateus 5.3 – “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

Todos sabemos que o termo “pobres de espírito” na contemporaneidade tem um sentido popular pejorativo, de miserável de valores interiores, pessoas sem qualidades virtuosas, etc. Porém, Na Bíblia, considerando o seu contexto geral, entendemos perfeitamente que a expressão “pobres de espírito” se refere aos humildes. E nesta perspectiva, o evangelho foi pregado primeiro aos pobres (Mt 11.5; Lc 7.22; II Co 9.9; Tg 2.5; 4.6).

Pv 6.17 - Olhos altivos Deus abomina (Pv 21.4; Is 2.11; I Tm 6.17).

Por toda a Bíblia também está em evidência o senso de Justiça Social em torno dos mais necessitados e injustiçados (Pv 31.9; Is 11.4; Am 4.1; Mt 5.6; Mc 10.21; Tg 5.1-6; Lc 19.8). E diz respeito à prática do bem, ao exercício do amor e da misericórdia que pregamos e a combater as injustiças sociais. Entretanto, a pobreza material e social do pobre não lhe dá direito ao reino dos céus.

Mateus 11.25-26 – “Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.  Sim, ó Pai, porque assim te aprouve”.

Mediante a quem Jesus estava dirigindo o seu discurso (as três cidades impenitentes – Corazim, Betsaida e Cafarnaum (Mt 11.20-24), com a revelação divina nas mãos [sábios e entendidos], o que lhes faltaram foi humildade para se arrependerem (Mt 11.20). Em Cafarnaum havia altivez, orgulho (Mt 11.23).

Então, “aos pequeninos” compreendemos pelo contexto, são pessoas humildes, que assumem a sua pecaminosidade e se arrependem, e vem a Cristo. Destes, Deus se agrada e socorre-os (Mt 11.26; Is 61.1; Sl 34.18;51.17; Tg 4.6-7).

Mateus 11.27 – “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

Jesus, na sua missão terrena, demonstrou a sua dependência do Pai, embora tudo entregue em suas mãos pelo Pai.  De modo que, Jesus tinha a missão áurea de revelar o Pai (Mt 11.27; Jo 1.14;14.6-10), e ao mesmo tempo dependia do Pai para realizar o seu Ministério Terreno e gerar “filhos espirituais” (João 6.44-45,65; 14.10).

Mateus 22.14 – “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. 

Mt 22.1-14 – O texto e contexto trata da parábola das Bodas, aplicada por Jesus aos judeus de seus dias, antevendo a sua rejeição como o Messias.  Muitos judeus ficaram de fora na festa do filho do rei (Vv. 2), por falta de dignidade dos convidados (Vv 8); outros foram convidados (Vv. 9-10, Mc 16.15-16 - os gentios). Porém, todos deverão estar na festa com vestes espirituais (Vv 11), vestidos da justiça de Cristo, pela graça de Deus. 

O fato de Israel, no coletivo, possuir uma chamada/escolha soberana de Deus, desde Abraão (Gn 12.1-4), não outorga salvação individual e automática a todos os judeus.

Mt 21.32 – Pela falta de arrependimento e fé no Messias, Jesus foi deixando claro, por parábolas, aos judeus, que eles estavam perdendo a bênção do Reino de Deus, por um tempo (Mt 21.42-43; Rm 11.11-12,15,25), mesmo como povo da promessa, por causa de sua incredulidade (Mt 21.32).

Mt 21.33-46 - Príncipes dos sacerdotes e fariseus foram considerados por Jesus lavradores maus.

Mc 16.15-16 - A salvação é ofertada, pela pregação do evangelho a todos. Porém, serão salvos em Cristo, os que aplicarem fé a mensagem da cruz (Rm 1.16;10.16). 

João 14.6 – “Disse-lhes Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Objetivamente Jesus se declara a verdade personificada na sua pessoa. Então, a Verdade é:

Libertadora do domínio do diabo e do pecado (Lc 4.18-19; Jo 8.31-36);

Salvadora da condenação eterna no testemunho de Simeão (Lc 2.10;28-31) e do próprio Cristo em João 3.16.

Redentiva nas palavras da profetisa Ana quando falou do menino Jesus (Lc 2.36-38), e mais tarde, sendo consumado na cruz, veio a ser a causa de eterna salvação para todos que lhe obedecem (Hb 5.9). 

Ele é o caminho exclusivo pelo qual se chega a Deus, o Pai.

E ratificou Pedro em seu discurso de Atos 4.12 – “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”.

Parte essencial da missão terrena de Jesus foi para dá testemunho da verdade de Deus aos homens (Jo 18.37), e fazer servos/discípulos (Jo 13.13), amigos (Jo 15.15) e irmãos (Jo 20.17), santificando-os na verdade (Jo 17.17).

Mateus 11.28-30 - E sendo o Senhor, não exercia e nem exerce domínio por opressão ou prepotência de nenhuma natureza, seja religiosa, política ou espiritual, prática reprovável na sua doutrina, porque era comum dos líderes religiosos de seus dias.  O seu jugo era suave e leve e exercido com humildade e mansidão.

Lucas 13.22-30 – Jesus é indagado se eram poucos os que se salvam.

Ele  deixou claro que a porta da salvação era estreita e os homens deviam “porfiar” para entrar por ela, no sentido de esforço, ou discuti-la entre os seus ouvintes, em especial os judeus, os quais estavam prestes a rejeitá-lo como o Messias, pois vemos nos versículos de Lc 13.26-30, que Jesus aponta diretamente para o histórico judaico, quando era o povo por meio do qual Deus levava a efeito o Plano da Salvação, tornando os derradeiros (gentios) primeiros e quem eram primeiros (judeus), os derradeiros.  

Independente de raça ou etnia, condição material, a necessidade primária dos homens diante de Deus é de natureza espiritual, e uma só: Arrependimento conjugada com a fé salvífica – Lc 13.1-5; Mt 24.14.

Finalmente, o que vemos nas Escrituras é um Deus de amor e misericórdia, tratando com a humanidade caída em três grupos: Israel, a Igreja e os gentios. E o divisor de águas entre o Antigo e o Novo Testamento é o advento do messias, no curso da revelação divina progressiva a toda humanidade.

E Deus sempre no propósito de levantar, recuperar e salvar e que se havia perdido (Is 55.6-7; Lc 19.10), não para destinar previamente pessoas à condenação por decreto soberano e deliberado.

 

Pb. Samuel P M Borges

Natal/RN – setembro/2020.

 

 

terça-feira, 21 de julho de 2020

O que é “aceitar” Jesus?



É uma expressão evangélica que tem se tornado simplória, inadequada e diria até ingênua, uma vez que passa a ideia de “um Jesus coitadinho”, de alguém que precisa de nós, e não os homens, os pecadores dele. Na verdade, tudo que foi criado, foi feito por Ele e sem Ele, nada do que foi feito se fez. Ele e o Pai são um (Jo 1.1-3;10.30).

O homem sem Jesus, sem um encontro e uma experiência pessoal com Deus, pelo vivo e único caminho para o Pai, que é Cristo (João 14.6), ele não tem nenhuma esperança de Vida Eterna, pois Jesus é a expressão máxima da Graça de Deus revelada (Tt 2.11; Ef 2.8).

Em Mt 11.28-29, quem precisa de Jesus é chamado para ir a Ele, tomar o seu jugo (domínio, Senhorio) e segui-lo. Quem não optar pelo seu jugo, resta-lhe o jugo do pecado sob a influência maligna do encardido (I Pd 5.8).

Mc 16.15-16 - A mensagem do evangelho deve ser crida para salvação. Do contrário, a situação do pecador será de condenação.

Em I Tm 1.15 – Paulo escrevendo acerca do Evangelho da Graça, ele diz: “ Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: Que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”.

Alguns criticam a expressão “eu achei Jesus”. E retrucam, na verdade, Ele me achou, quem estava perdido era eu, não Ele.

Is 65.1 – Acerca de Jesus como o Messias que havia de vir e se manifestar em Israel, diz o texto que Ele foi buscado e achado por aqueles que não o buscavam (os gentios), um povo que não se chamava pelo seu nome e a este disse: “Eis-me aqui”. Sim, Ele foi dado também para luz dos gentios (Is 49.6; Lc 2.29-32;3.6; Jo 1.11-12).

Lc 14.25-27 - Aquele decidir seguir a Cristo, precisa o amar acima de tudo e de todos, negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz (submeter-se a Ele), para andar em suas pisadas, em amor e na verdade, cujo discipulado pode lhe custar até a própria vida.

Mt 7.21-23 - Para seguir a Cristo, não basta a confissão só de lábios, precisamos dar frutos dignos de arrependimento e permanentes (Mt 3.8; Jo 15.16). Era a tônica do sermão de João Batista como o precursor do Messias.


Apocalipse 3.20 – “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. Primeiro, o texto é uma mensagem direta à Igreja de Laodiceia, autossuficiente, espiritualmente morna, cega, miserável e nua, quando Jesus lhe fala amorosamente para que se arrependa daquela situação, e retornasse à comunhão, ao relacionamento com Ele.  Ele não impõe, respeitou e respeita a livre decisão das pessoas de voltar para Ele ou não. É uma praxe divina, Deus atua, opera onde acha lugar para trabalhar. Deus sempre considerou o âmago do ser humano, até quando lhe propõe decisões e escolhas para bênção ou maldição, para a vida ou para a morte (Dt 30.19; Js 24.15-16; Jo 6.60-68). Agora, uma verdade bíblica é cristalina: Deus não é de meio termo (Ap 3.15,16; 22.11).

Mt 28-18-20 -  Jesus, o nosso Salvador e Senhor, detém todo o poder no céu e na terra. E a missão primordial da Igreja é levar as Boas Novas de salvação a todas as gentes, fazendo discípulos e batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo.

Se a Igreja Cristã se dispor ao chamado “evangelho social”, realizar megas eventos de cunho social, prescindindo de sua missão espiritual, que é “gerar filhos de Deus para eternidade”, terá falhado na sua missão essencial, de caráter e repercussão eterna (Jo 3.16; Atos 6.1-7). Todavia, o senso de justiça social do cristão, requer ir além da justiça dos escribas e fariseus. 

O que o homem pecador (todos nós) precisa fazer para vir a Cristo, como o seu único Salvador e Senhor? Primeiro, requer uma entrega pessoal: Arrependimento de pecados, ao reconhecer o seu o estado espiritual, absorver por fé o sacrifício de Jesus na cruz, em seu favor, confessá-lo publicamente e submeter-se ao seu Senhorio, e de posse da Vida Eterna (Jo 3.36), segui-lo alegremente, vitorioso Nele.

Se alguém segue a Cristo, “vai de garupa”, não deve pegar nas rédeas de sua vida. Ele é o Senhor, Ele é dono, e amorosamente conduz as suas ovelhas. E, portanto, é a porta da salvação, o bom Pastor (Jo 10.9-14).

Finalmente, Mateus 16.24-25, salvação em Cristo exige renúncia ao próprio eu:
“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á”.

Sugiro, então, uma expressão biblicamente mais adequada: Venha a Cristo, entrega  todo o seu viver, para perdão de pecados, ter o privilégio do nome escrito no Livro da Vida, ser Igreja de Cristo na terra, e tudo sob o seu comando e Senhorio. Amém!

Pb. Samuel P M Borges
Natal/RN - Julho de 2020.


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