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domingo, 14 de junho de 2020

“Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor” (Gn 6.8).


Introdução: No livro de Gn 6.6, vemos Deus reprovando a geração dos dias de Noé. Todavia, Deus viu a Noé justo. “Achar graça diante de Deus”, tem a conotação de agradar, corresponder em temor e obediência a Deus; É estar em linha com os seus propósitos e ditames da sua Palavra. E apesar das fraquezas humanas, Noé como um de nós, recebeu um feedback positivo de Deus, uma aprovação divina pela sua conduta em seus dias que eram maus.

O nome Noé (Hb. Noach), significa repouso, e vem de um verbo que significa descansar, e está associado a alívio.

Noé era filho de Lameque, neto de Matusalém e bisneto de Enoque (Gn 5.21-32).

Gn 6.5 - Noé vivia no meio de uma geração corrompida, cheia de violência e injustiças, não muito diferente da que vivemos.

Desde Adão até Noé, havia se passado dez gerações.

Gn 6.6 - Diz o texto sagrado que Deus em razão da terra corrompida por causa da maldade humana, “arrependeu-se” de haver criado o homem. É linguagem antropopática, que atribui a Deus sentimentos humanos de pesar, lamento e decepção pela degradação moral e espiritual da raça humana.

Então, Deus ordena Noé construir a arca, pois viria juízo sobre a terra (Gn 6.13-22), e assim falou por volta de 2.445 a.C.

I Pd 3.20,21 – Deus anunciou o juízo e foi longânimo, nos dias de Noé, por cerca de 100 anos, para arrependimento daquela geração perversa (Gn 5.32;6.13;7.6).

Quando veio o dilúvio sobre a terra? Embora não precisa a data, mas considerando que de Adão a Noé, se passaram 1656 anos. Então, o dilúvio pode ter ocorrido por volta de 2.345 a.C.

Gn 6.9 – Diferentemente, Noé era varão justo e reto em suas gerações. Gn 6.9b – “...Noé andava com Deus”.

Spurgeon dizia: “Se formos fracos em nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo”.

Andar com Deus envolve:

Ter tempo com Deus e para Ele;
Ocupar-se nos assuntos de cima, do céu;
Buscar o reino de Deus e sua justiça;
Consciência cristã de que está no mundo, mas não é dele;
Do contrário, existe grande probabilidade de nos tornamos cristãos acomodados, ou secularizados e sem frutos.

C. Spurgeon afirmou: “Quanto mais existe em nossas vidas do céu, menos da terra cobiçaremos”.  

No anuncio do dilúvio, Noé fez tudo conforme Deus lhe mandou (Gn 6.22), em especial, no tocante a construção da arca. Deixou de lado os escárnios, a zombaria dos que não acreditavam.

Arca no hebraico significa objeto apropriado para flutuar...Era uma barca de tamanho gigantesco (capacidade de carga - para mais de 300 vagões ferroviários, cabia cerca de 7000 tipos de animais, espaço para os alimentos, etc...

Gn 8.21 – Após o juízo do dilúvio, Deus prometeu não mais amaldiçoar a terra por causa do homem. Entretanto, é importante frisar, em Gn 8.22, deixa evidente que a terra terá duração por tempo determinado. É temporal e finita. Céus e terra passarão (Mc 13.31; II Pd 3.10).

Deus fez um pacto com Noé (Gn 6.18). Está descrito em Gn 9.1-19.

Tinha Noé 600 anos, quando veio o dilúvio sobre a terra (Gn 7.6). E viveu mais 350 anos, após o dilúvio e morreu (Gn 9.28-29).

Conclusão:
Gn 7.1 – Noé foi visto justo por Deus, no meio daquela geração ímpia. Será que o nosso perfil de cristão corresponde ao que Deus espera de nós nos dias hodiernos? No meio da humanidade pecadora atual?

II Pd 2.5 – Deus executou juízo sobre o mundo ímpio, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça e mais sete pessoas.  

Noé avisado do que não via e temeu. Salvou a toda a sua família do juízo divino, entrando na arca. Hoje a arca é um tipo de Cristo. Fora de Jesus, não tem nenhuma possibilidade de salvação eterna (Jo 3.36; 14.6; At 4.12). Noé foi herdeiro da justiça, segundo a fé (Hb 11.7).

Mt 24.36-39 – No sermão profético, Jesus faz menção ao dilúvio como um fato histórico e um alerta da sua segunda vinda, na primeira fase. Aos desapercebidos, atenção! Ele virá!

Fontes:

Bíblia de Estudo Pentecostal
Novo Comentário Bíblico -  AT - Editora Central Gospel. 1ª Edição 2010.
Manual Bíblico de Henry H. Halley. Edições Vida Nova – 4ª Edição 1994.
Anotações Pessoais.

Samuel P M Borges
Natal/RN – Junho/2020.


segunda-feira, 8 de junho de 2020

Queda do Império Romano Ocidental


Por Daniel Neves - Graduado em História


A desagregação do Império Romano também é conhecida como a queda da parte ocidental do império. Foi resultado de uma crise que se instalou a partir do século III d.C.

                        Ruínas do fórum romano, na Itália

Desagregação é o termo que os historiadores utilizam para explicar a queda do Império Romano, que aconteceu em 476 d.C., quando o último imperador romano, Rômulo Augusto, foi destituído por Odoacro, rei do povo germânico hérulo. A parte ocidental do império foi ocupada pelos germânicos, e a parte oriental continuou existindo sob o nome de Império Bizantino.

Crise do Império Romano

crise do Império Romano iniciou-se a partir do século II-III d.C. Marcaram esse período a crise econômica, a corrupção, os sucessivos golpes e assassinatos realizados contra imperadores e, como elemento final, as invasões germânicas.

O século III foi marcado por uma grande sucessão de imperadores, o que evidenciou a instabilidade desse período, pois, em um período aproximado de 50 anos, o Império Romano teve cerca de 16 imperadores – muitos deles mortos após conspirações.
Além disso, o fim da expansão territorial romana afetou fortemente a economia. A partir do século II, o Império Romano passou a priorizar a manutenção do gigantesco território conquistado. Isso afetou diretamente o sistema escravista, que era sustentado a partir dos prisioneiros de guerra levados ao Império como escravos. A crise do sistema escravista foi ampliada na medida em que os povos conquistados recebiam o direito à cidadania romana.

Esse contexto desencadeou uma crise econômica em razão da diminuição da produção agrícola e do encarecimento dos alimentos. O encarecimento dos alimentos gerou fome, e revoltas aconteceram em determinadas regiões. Além disso, essa crise econômica afetou diretamente a manutenção dos exércitos localizados nos limes, as fronteiras do Império Romano.

Germânicos

A crise econômica resultou na diminuição do contingente militar romano e, assim, as fronteiras tornaram-se vulneráveis aos ataques estrangeiros. As fronteiras sempre foram ameaçadas por povos estrangeiros, mas, a partir do século II, essa ameaça acentuou-se e, no século V, tornou-se insustentável com o fluxo migratório dos germânicos.

Os povos germânicos eram chamados de “bárbaros” pelos romanos por não compartilharem a mesma cultura e por não falarem latim. Eles habitavam regiões ao norte e leste das fronteiras do império, que eram chamadas de Germânia pelos romanos. Além disso, parte dos povos germânicos – em sua maioria, pagãos – converteram-se ao cristianismo arianista, que havia sido condenado pela Igreja Católica como heresia. Isso contribuiu para que a rivalidade entre romanos e germânicos aumentasse. O arianismo era uma interpretação teológica do Cristianismo que negava a divindade de Jesus Cristo.

As invasões germânicas, em geral, são explicadas pelo resfriamento climático e pelo aumento populacional, o que criou uma necessidade por melhores terras para garantir a sobrevivência. Por essa razão, partes do Império Romano (Gália e Península Ibérica) já haviam sido invadidas desde o século III.

O principal motivo levantado pelos historiadores para explicar a grande migração germânica do século V foi a chegada dos hunos – um povo nômade que havia migrado desde as estepes da Ásia Central. Por onde chegavam, os hunos traziam pânico, e muitos povos escolhiam fugir da presença huna. A chegada dos hunos causou a migração de dois povos para as terras ocidentais do Império Romano: ostrogodos e burgúndios.

Em 410, a cidade de Roma foi saqueada pelos visigodos e, a partir daí, uma sucessão de povos invadiu as terras romanas: alanos, suevos, vândalos, alamanos, jutos, anglos, saxões, hunos, francos etc. Todos esses povos, ao perceberem o enfraquecimento da parte ocidental do Império Romano, instalaram-se nas terras e criaram novos reinos. Muitos deles foram absorvidos por outros a partir da guerra.

O Império Romano do Ocidente agonizou até 476, quando a cidade de Roma foi invadida pelos hérulos e o último imperador romano foi destituído. O estabelecimento dos povos germânicos nas antigas terras romanas levou ao surgimento de novos reinos, que originaram as nações modernas da Europa. As transformações que aconteceram nesse processo resultaram na formação das características que definiram a Europa no auge do período medieval.


SILVA, Daniel Neves. "Queda do Império Romano"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/queda-imperio-romano.htm. Acesso em 08 de junho de 2020.


O que foi o Império Bizantino?


O Império Bizantino, que também ficou conhecido como Império Romano do Oriente, foi uma das organizações políticas mais importantes e duradouras do mundo antigo e medieval, já que durou de 395 a 1453 d.C.


A história do império bizantino começou com a fundação da cidade de Constantinopla sobre o que havia sido até então Bizâncio – uma antiga colônia grega, fundada em 657 a.C. O fundador de Constantinopla, Constantino, o Grande, filho de Constâncio Cloro, foi aclamado um dos imperadores romanos em julho de 306 d.C., após a morte de seu pai, Constâncio Cloro.

Divisão do Império Romano e guerras civis

Nessa época, toda a extensão do Império Romano estava vulnerável ao ataque de bárbaros do Norte e também de povos do Oriente, como a dinastia sassânida da Pérsia.

No ano de 285, o imperador Diocleciano dividiu o império em duas partes, a oriental e a ocidental. Cada parte passaria a ser governada por duas autoridades, um Augustus e um César (sucessor automático do primeiro), tendo o império, portanto, quatro chefes de Estado. Constâncio Cloro era um dos césares e governava as regiões da Hispânia, Gália e Britânia. Quando um césar morria, sucedia-o geralmente o herdeiro de sangue. Foi o que ocorreu em 306, com Constantino ascendendo ao poder na parte Ocidental.

Entretanto, o então Augustus da mesma parte, Maxêncio, declarou-se único imperador, desautorizando Constantino. Isso levou à primeira leva de guerras civis que marcaria os anos seguintes. Constantino venceu Maxêncio em outubro de 312, na batalha de Mílvio. Foi nessa ocasião que os soldados de Constantino apareceram com o símbolo da cruz e das letras gregas “Chi” e “Rô” (iniciais de Christos) em seus escudos.

O uso desses símbolos nessa batalha tem a ver com o famoso sonho que Constantino teria tido, no qual Cristo apareceu a ele e lhe disse que com aquele sinal (a Cruz) ele venceria. O fato é que o jovem césar venceu e apossou-se da cidade de Roma. No ano seguinte, publicou o Édito de Milão, que declarava oficialmente a tolerância a qualquer credo religioso – uma forma de inibir qualquer perseguição aos cristãos.

O lado oriental do Império, a essa altura, havia sido unificado pelo cunhado de Constantino, Licínio. Todavia, já em 314 os dois imperadores tiveram seu primeiro conflito, do qual Constantino saiu com importantes vantagens, como a posse de regiões como a Macedônia e a Grécia. As rusgas entre um e outro imperador duraram dez anos até que, em 324, Constantino subjugou definitivamente Licínio na Batalha de Crisópolis.

Constantinopla, a “Nova Roma”

Com a vitória sobre Licínio, Constantino conseguiu novamente reunificar as duas partes do Império Romano, divididas por Diocleciano. Mas, apesar de teoricamente dar continuidade ao legado tradicional latino (incluindo seus aspectos culturais e institucionais), Constantino anunciava também elementos novos. O principal desses elementos era a fundação de uma nova capital imperial no Oriente.

A fundação de uma nova capital tinha um papel estratégico, já que havia uma pressão enorme das hordas de bárbaros sobre a velha Roma, e outras cidades do Ocidente também poderiam ser alvos fáceis desses ataques. Mas havia também um elemento de inauguração de uma nova era. A cidade escolhida foi Bizâncio, onde confluíam as tradições intelectuais helenísticas – em que o grego era o idioma principal – e as tradições institucionais romanas. Além disso, estar situada na Anatólia (Ásia Menor), um dos berços da expansão cristã primitiva, fazia de Bizâncio um lugar para dar seguimento a uma espécie de “política cristã” com os bispos da Igreja – que já possuíam autoridade intelectual e espiritual bastante forte à época.

Bizâncio foi, de 326 a 331, inteiramente reformada e preparada para ser a “nova Roma”. Ao fim dessa preparação, foi renomeada, passando a se chamar Constantinopla, em homenagem ao imperador.

Constantino faleceu em 337. Sucedeu-o seu filho, Constantino II, e a este se seguiram mais seis imperadores até a ascensão de Teodósio I, que finalmente tornou o Cristianismo a religião oficial do Império Bizantino por meio de um decreto, em 380. Em 391, o paganismo foi completamente proibido nas extensões do Império Romano. 

Com a morte de Teodósio, em 395, o Império foi novamente dividido. Seus dois filhos, Arcádio e Honório, ficaram cada um com uma parte, a Oriental e a Ocidental, respectivamente.


Desenvolvimento do Império Bizantino

Nos séculos seguintes, o Império Bizantino, concentrado apenas na parte oriental dos antigos domínios romanos, acabou por desenvolver alguns elementos que lhe seriam característicos e o distinguiriam da tradição ocidental.

Entre esses elementos, estavam:
a) a oficialização da língua grega em detrimento do latim;
b) e o cesaropapismo, isto é, a convergência do poder político e do poder espiritual na pessoa do imperador.

Entre os grandes imperadores que o Império Bizantino teve, Justiniano foi um dos mais célebres. Foi esse imperador que, durante o século VI, confrontou os persas sassânidas a Oeste, conseguindo retomar pontos importantes do império; lutou contra a heresia ariana (que tinha muita força política dentre do império), ergueu o templo da Hagia (Santa) Sofia – até hoje de pé, na atual Istambul; solidificou as instituições imperiais, entre outros pontos.

O Império Bizantino também entrou em diversos conflitos com os cristãos ocidentais – como foi o caso da Quarta Cruzada – e contra os muçulmanos, que passaram a empreender uma agressiva expansão a partir do século VII. Foram esses últimos que, em 1453, sob o comando do sultão Mehmet II, conseguiram subjugar Constantinopla e dar fim ao Império Bizantino.

NOTAS
[1] CLINE, E. H.; GRAHAM, M. W. Impérios Antigos: da Mesopotâmia à origem do Islã. São Paulo: Madras, 2012. p. 370.

Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/ - Pesquisa em 08/06/2020.

Queda de Constantinopla em 1453


O acontecimento conhecido como “Queda de Constantinopla”, ocorrido em 29 de maio de 1453, é tão importante para a história mundial que foi eleito por historiadores do século XIX como aquele que encerrava o período histórico da Idade Média e, por conseguinte, dava início à Idade Moderna. Constantinopla foi conquistada e subjugada pelo sultão otomano Mehmed II, que ficou conhecido pela alcunha de “O Conquistador”. Para compreendermos esse episódio, é necessário nos determos em alguns detalhes do contexto que o envolveu.
                      Tomada de Constantinopla por Mehmed II

Sabemos que Constantinopla, antes do século IV d.C., chamava-se Bizâncio e já era uma importantíssima cidade grega, fundada na Anatólia, no século VII a.C. Essa cidade tornou-se bastante influente na época do Império Alexandrino, destacando-se como um dos grandes polos da cultura helenística. Quando, no século I a.C., sobreveio o domínio do Império Romano sobre os antigos territórios helenísticos, Bizâncio tornou-se a referência central do lado oriental do Império – apesar de haver sofrido um ataque de Roma em 196 a.C. Com as crises sucessivas em Roma, no século IV d.C, dadas as invasões bárbaras, um dos chefes políticos mais proeminentes da época, Constantino, mudou a sede do Império Romano para Bizâncio e, em 330, trocou o nome da cidade por Constantinopla.

Constantino logo se converteu ao cristianismo, religião que a essa altura já tinha raízes profundas na região da Anatólia e em todo o Império Romano do Ocidente. Aos poucos o Império Bizantino caracterizou-se pela fusão entre a cultura grega (helenística) e a judaico-cristã e também se tornou um dos mais prósperos impérios da Idade Média. Constantinopla foi a mais cobiçada cidade a ser hostilizada por hordas de bárbaros, como os hunos, que tentaram transpor suas muralhas por diversas vezes.

Os reinos cristãos ocidentais também tiveram seus estranhamentos com os bizantinos ortodoxos. O ponto alto das divergências entre Ocidente e Oriente europeu nessa época foi a Quarta Cruzada, de 1202, que resultou na invasão e saque de Constantinopla e na criação do chamado Império Latino, que só foi desmantelado pelos bizantinos em 1261.

Com esses ataques frequentes, Constantinopla passou a ficar cada vez mais isolada, com domínios territoriais mais escassos e com as suas defesas fragilizadas. Essa vulnerabilidade foi bem aproveitada pelo mais poderoso império que havia despontado no mundo islâmico, o Império Otomano. Os otomanos eram, inicialmente, cavaleiros nômades da Ásia central que se converteram ao islamismo no século IX. Eles entraram na Europa, pelo Estreito de Dardanelos, em 1345, a convite de um imperador bizantino, João V Paleólogo, que precisava de guerreiros para combater um usurpador. Todavia, os otomanos, com o tempo, não se contentaram em apenas receber o soldo dado pelo imperador, mas começaram a conquistar cidades importantes sob a influência bizantina, como Galípoli.

João V Paleólogo chegou a oferecer aos reis ocidentais o fim do Cisma entre a Igreja Católica e a Ortodoxa se o ajudassem contra os otomanos. O problema foi parcialmente resolvido depois de uma negociação com o sultão Murad I, em 1371, na qual foi oferecida uma relação de suserania. Nas décadas que se seguiram, as relações entre bizantinos e otomanos passaram a ficar cada vez mais tensas, haja vista o espaço que esses últimos já haviam conquistado ao longo da Península Balcânica. Quando Mehmet II marchou com suas tropas para Constantinopla, em 1453, não estava disposto a negociar acordos como fizeram os sultões que o antecederam. Seu objetivo era claro: tomar a cidade e fazer dela o centro de um império ainda mais vasto para os otomanos, como descreve o historiador Alan Palmer:

Logo depois do amanhecer de terça-feira, 29 de maio de 1453, as tropas do Sultão conseguiram penetrar por um pequeno portão nas inexpugnáveis muralhas em Kerkoporta. Ao cair do sol, o que restava da cidade saqueada estava em suas mãos. Constantino XI Dragases, octogésimo sexto imperador dos gregos, morreu combatendo nas ruas estreitas sob as muralhas de oeste. Depois de mais de mil e cem anos, não restava um só imperador cristão no Oriente. [1]

A ocupação da cidade foi rápida e uma das primeiras ações do sultão foi descaracterizar a basílica de Hagia Sofia (Igreja Cristã Ortodoxa bizantina) e transformá-la em Mesquita, como atesta também Alan Palmer:

Quando o sultão Mehmed II entrou em Constantinopla em seu portilho naquela tarde de terça-feira, foi primeiro a Santa Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, e pôs a basílica sob sua proteção antes de ordenar que fosse transformada em mesquita. Cerca de sessenta e cinco horas mais tarde, retornou à basílica para as preces rituais do meio-dia da sexta-feira. A transformação era simbólica para os planos do Conquistador. O mesmo aconteceu quando insistiu em investir com toda a solenidade um erudito monge ortodoxo no trono patriarcal, então vago. Mehmed visava a continuidade. Para ele, o “terrível acontecimento” não era o fim definitivo de um império de expressão mundial e tampouco um novo começo para o sultanato. Queria ir além de simplesmente se apropriar de altares cristãos para colocá-los a serviço do Islã. [2]

Essa pretensão de continuidade de elementos da cultura bizantina facilitaria para Mehmed e seus sucessores a conquista de boa parte do mundo cristão ortodoxo daquela região. O Império Otomano, que depois mudaria o nome de Constantinopla para Istambul, chegou ao seu apogeu nos três séculos seguintes.

*Créditos da imagem: Shutterstock e Lestertair

Fonte:
FERNANDES, Cláudio. "Queda de Constantinopla em 1453"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/queda-constantinopla-1453.htm. Acesso em 08 de junho de 2020.





segunda-feira, 1 de junho de 2020

Seja a sua casa um lar


Texto: Salmos 127.1- “SE o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”.

a) O que é um lar? Qual o seu sentido na vida social?

1.É um lugar de paz, de descanso, de tranquilidade, ambiente de segurança -  lugar para onde se deseja retornar, o nosso “porto seguro” para estar. Chamado também de doce lar, o ninho. Não é a casa física em si mesma. Luzes, móveis, decorações pouco ajudam.

O termo lar tem conotação sentimental, de carinho, proteção, cuidado, cumplicidade entre os membros da família...onde se soma, multiplica-se as forças para enfrentamento dos desafios que a vida nos impõe....Um lar feliz se traduz em bem-estar...

A casa é de cimento, areia e tijolos. O lar se constrói com valores, princípios, respeito, compromisso, cooperação, e tudo em amor.

3. Você construiu uma casa ou um lar? Famílias desajustadas é uma realidade social, onde pessoas vivem em constante conflitos, disputas, se tratam asperamente, e estão fora da vontade divina para a família. Deus, a partir do matrimônio consumado, não criou a família para que ela fosse uma arena de gladiadores, e sim com finalidades nobres na composição humana em sociedade.

4.Um sintoma social extremo – É ver crianças e adolescentes preferirem viver nas ruas do que debaixo de um "teto familiar"... certamente existem famílias perderam os requisitos de um habitar familiar, ao contrário é um campo de batalha, medos, pavor, abusos de toda ordem, em nada se parece com o propósito de Deus para a família.

5.A Pandemia e a quarentena - Uma triste constatação - Nestes dias com maior aproximação entre os membros da família, mais tempo juntos, ficou em evidência a ausência de laços de relacionamentos em muitas famílias. Infelizmente, no RN o aumento da violência doméstica subiu em 258%, nos últimos três meses.

6. Lares desestruturados -  Vemos que lares sem Deus, nem de longe, conseguem cumprir o seu papel de ser a âncora, o porto seguro daqueles que o compõe: Pais e filhos, via de regra.

b) Famílias ajustadas, sadias, amadurecidas numa convivência harmônica, embora não isentos de problemas, observa-se:

1.Sl 127.1, nos remete a Deus no centro – O edificador da casa, da família, cuja finalidade é suprir, manter as necessidades físicas, emocionais e espirituais. E ao tempo que é adorado, cultuado no lar.

2.Lares pautados numa boa educação – Tendo por base princípios cristãos ou ainda que não professam a fé nos valores judaico-cristãos, se formos checá-los veremos que, em geral, combinam com princípios cristãos para a família – Projeto de Deus.

3.Reconhecimento e gratidão (Sl 103.1-2) - Pela paz, pela providência divina em nosso caminhar em família, onde Deus tem cuidado de nós e nós nos assistimos. No lar vivem cônjuges e a prole, via de regra, e nos altos e baixos, se apoiam e vencem juntos.

4.Famílias intercessoras (Ef 6.18; I Tm 2.1-3,8) – Na medida que prezamos, trabalhamos por lares felizes, intercedamos também por aqueles que se encontram arruinados, sem paz e em desamor, infelizes. Existe uma batalha invisível, espiritual, porém, real contra a igreja e afeta a família (Mt 16.18; Jo 10.10; Tg 4.7; I Pd 5.8-9).

c) concluindo, destacamos:

1.A instrução bíblica na família - É oportuno lançar um desafio aos que não tem procurado aprender da Palavra de Deus ou não o levam a sério na vida em família (Dt 6.4-9; Pv 22.6). A Bíblia tem conteúdo e autoridade para nos ensinar, exortar e corrigir em todas as áreas da vida (Sl 127;128; II Tm 3.16-17).

2.Veja ou reveja a valorização dos da sua casa – Existem pessoas que dão mais valor, atenção aos de fora, trata-os na palma da mão? Mas, os de casa são maltratados, muitas vezes menosprezados. Nem aos pais respeitam, não os honram (Ef 6.1-2). Se é o seu caso, vire a face dessa moeda. Está escrito: “Se não tens cuidados dos seus, negou a fé, e é pior do que um infiel”.

Disse certa vez em entrevista, o renomado evangelista americano, Billy Graham, o que ele faria diferente se voltasse no tempo, ao que respondeu: Dedicaria mais tempo a sua família.

3.Não basta ter uma religião – A nossa formação precisa ter mais do que um condão religioso. Importe sim, considerar a Deus na vida pessoal e familiar. Coloque-o como o Senhor, o que comanda o nosso viver. Estas atitudes têm a ver com a prática do que temos ouvido e aprendido. Sejamos como o homem que edificou a sua casa na rocha, e vieram ventos, tempestades e a casa não caiu (Mt 7.24-27).

4.Se não é, a sua casa pode ser um lar de bênção – Lugar de refrigério e aconchego, onde o amor vence todas as batalhas, e Deus vai suprindo todas as necessidades materiais, emocionais e espirituais, e em especial salvar a toda a família (At 16.30-31).

5.Será a sua casa um destroço, sem direção, um vexame de intrigas e conflitos?  Digo-lhe Deus pode reverter esse quadro lamentável, para um novo tempo. Ele pode reparar vidas, mudar seus dias, clame a Ele, peça o seu socorro, em nome de Jesus. Amém!

Pb. Samuel P M Borges
Natal/RN – Junho/2020.


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