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domingo, 14 de março de 2021

Esperança versus Fé

Lamentações 3.26 - “Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR”. É importante frisar que o profeta Jeremias escreve logo após a destruição de Jerusalém pelos babilônicos (586-585 a.C) por causa da desobediência teimosa do povo, e diante do cenário incrédulo. Não era o momento maravilhoso na vida da nação de Israel.O que temos a aprender do texto bíblico ora lido?

Introdução: A esperança e a fé são da mesma natureza e substância? A esperança leva-nos a ter fé ou é o contrário? Sabemos que a fé ver o invisível, enquanto a esperança se alimenta de expectativas. Entre a esperança e a fé, quem sustenta quem? Convidamos aos que nos leem, ou nos ouvem para refletirmos em torno destas indagações.

A esperança é a virtude que a encontramos entrelaçada com a fé e o amor nas Escrituras (I Co 13.13). Precisamos ver a esperança é como uma chama de combustão para vida.

Cora Coralina (1889-1985, poetisa, contista e escritora goiana), declarou: “Digo o que penso, com Esperança. Penso no que faço, com Fé. Faço o que devo fazer, com Amor”.

Na poesia a esperança é vista no olhar, no sorriso da criança, no verde das campinas, estampada no azul do céu, na beleza das flores e no nascer de um novo dia, etc... Entretanto, quando olhamos para os lados, vemos rostos desesperados, e são poucos os exemplos de esperança a seguir; voltamo-nos para nossa retaguarda, contemplamos pessoas decepcionadas com poderes corrompidos, instituições falidas, a ética social rastejando. Esta é a dura realidade social, econômica e política, nos quatro canto da terra.

E quando a esperança se vai, com ela vai também o ânimo, a disposição da lide, o fervor da vontade de vencer e a possibilidade de ver a luz no fim do túnel, nas torrentes e caudalosas tempestades da existência humana.

Amados! Como está o nosso nível de esperança? Nós carecemos de manter acessa a luz da esperança, Emil Brunner disse:“O que o oxigênio significa para os pulmões, significa a esperança para o sentido da vida”.

Na perspectiva humana a esperança é o estado de esperar inerte ou agir para que algo venha acontecer, considerando expectativas, possibilidades de resultados positivos em torno dos eventos e circunstâncias da vida.  

Dizia o Padre português Antônio Vieira (1608-1697): “A mais doce de todas as companheiras da alma é a esperança”.

Em Rm 5.3-5, aprendemos que a esperança é produto da experiência e quem a conserva firme não entra em confusão, ou seja, tem referencial, não perde o rumo do alvo a alcançar, segue em frente.

Alguém afirmou que há três tipos de esperança:

1.O tipo que se restringe, é limitada a esta vida material.

Este tipo o Apóstolo Paulo reprovou mesmo contando com Jesus, em I Co 15.19 – “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.

2. A do tipo que só serve para o futuro, na outra vida. Então, viver aqui é sofrer, e se traduz no ideal ilusório de crenças e filosofias humanistas.

3. E o terceiro tipo de esperança é a que abarca esta vida temporal e a outra vida, a dimensão material e a espiritual.  

De modo que escreveu o apóstolo Paulo em Rm 8.24, acerca da redenção no porvir: “Porque, em esperança somos salvos”, referindo-se à dimensão futura do salvo em Cristo.

E ratificada com o escrito em Tito 1.2: “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos”. 

Na Bíblia, o Livro dos livros, a esperança do cristão se consagra em vários adjetivos: Ela é proposta, boa, consoladora, gloriosa, alegre, bem-aventurada, viva e racional (I Pd 3.15).

O determinante na ESPERANÇA é onde ela está focada, depositada e alicerçada. Salmistas judaicos assim se expressaram:

Salmos 39.7 – “Agora, pois, Senhor, que espero eu? A minha esperança está em ti”.

Salmos 62.5 – “Ó minha alma, espera somente em Deus, porque dele vem a minha esperança”.

Salmos 146.5 – “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está posta no SENHOR seu Deus”.

Quando lemos “o justo viverá da fé” em Rm 1.17; Gl 3.11 e Hb 10.38 está implícita a definição de fé no Antigo Testamento conforme Habacuque 2.4, isto é, a confiança em Deus. E nesta confiança, exercitemo-nos na esperança de que Deus nos mantém de cabeça erguida para vencer os desafios em dias tenebrosos. 

E as tempestades servem para testar a robustez das nossas raízes, se fracas ou resistentes.

Sl 40.1 - Testemunhou o salmista: “ESPEREI com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”. Atente! Deus é o Senhor! Não é pau mandado e muito menos o gênio da lâmpada de Aladdin.

Meus irmãos e amigos! Quando esperamos em Deus, como o SENHOR! Sem fantasias humanas e religiosas, renasce o vigor, o espírito imbatível, a crença de que Ele é poderoso para nos socorrer nas horas adversas. Façamos como o profeta Jeremias, em meio a destruição da cidade de Jerusalém e do templo, foram levados cativos, porém alimentava e mantinha na alma o que lhe dava esperança, e não perdeu a esperança, e declarou: “Quero trazer à memória o que pode me dar esperança” (Lm 3.21). Tinha foco nas promessas, na bondade e nas misericórdias de Deus (Lm 3.22-25).  

Quando pregamos o Evangelho Segundo Jesus Cristo, estamos plantando e regando a semente da maior das esperanças aos homens, alcançando e contagiando aqueles que estão a nossa volta cabisbaixos, precisando recomeçar...

Para os que têm compromisso com o Deus revelado nas Escrituras, persistem as suas promessas, e todo cristão é instruído em Rm 12.12: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”.

E qualquer que seja a situação adversa e sombria, façamos nossas as palavras de Pedro (João 6.68) - “...Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da Vida Eterna”. E assim afirmamos, até na morte, com Jesus somos vitoriosos, pois pela sua ressurreição matou a morte para todo aquele que nele crê (João 3.36;17.3).

Quando a esperança é viva, a noite é menos escura, a solidão menos ruidosa, o medo menos agudo. Desejada, cultivada, doce, empreendedora, alentadora seja a ESPERANÇA, pautada na fé, o firme fundamento do que se espera (Hb 11.1).

E, lembremo-nos das palavras do apóstolo Paulo em Rm 15.4:

“Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.

Concluindo, infeliz da mulher e do homem, miserável criatura quando nele e em que acredita se desvanece a esperança. Olhemos para o exemplo de Abraão, o pai da fé, em esperança, creu contra a esperança, porque foi firme na fé e nas promessas de Deus (Rm 4.18-22). Não eram de homens. Portanto, a fé em Deus é o suporte da Esperança nesta e para a outra vida. Amém!

Presb. Samuel Pereira de Macedo Borges

AD Candelária – Natal RN, 14/03/2021. Revisão em 28/06/2021.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Obediência a Deus

Texto: Ec 12.13

Introdução – Os homens têm satisfação a dar àquele que os criou? Tem o homem a obrigação de obedecer a Deus? E os que não creem em Deus? Até estes estão enquadrados na Bíblia, são os néscios, ou ignorantes no campo da fé.

Os homens têm, pelo menos, três motivos para se render a mensagem da Palavra de Deus: Por necessidade, por dever e por gratidão.

I – Ec 12.13 - Os homens têm, por NECESSIDADE PRIMÁRIA, obedecer a Deus, considerar os comandos divinos para ter vida significativa...com sentido e direção.

Jó 33.4 – Nas palavras de Eliú a vida provém de Deus: “Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida”.

Um adágio popular: “Deus sem o homem é Deus; E o homem, eu, você sem Deus é o que?”.

Em Lc 12.15 – A vida do homem não consiste na abundância do que ele possui.

Richard Sibbes - “Todas as coisas terrenas são como água salgada, fazem aumentar a sede, mas não satisfazem”.

II – Ec 12.13 - Todo homem, feitura das mãos de Deus (Gn 2.7) TEM O DEVER de temer a Deus e guardar os seus mandamentos.

Is 1.2 – Diz que o povo de Israel, faltou com este dever para com Deus. E foram pesadas as consequências.

Pv 10.27 – “O temor do Senhor aumenta os dias, mas os anos dos ímpios serão abreviados”.

Pv 29.1 - O HOMEM que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, de repente será destruído sem que haja remédio.

Jr 22.29 – Parafraseio as palavras do profeta Jeremias para esta geração: “Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor!”.

Afirmou Tomaz de Aquino: “O homem nasceu para Deus e só se realiza em Deus”.

Apóstolo Paulo falando da natureza humana caída, dizia: “Nele não havia bem algum, e praticava o mal que não queria fazê-lo”.

Lutero – “Eu desisti da ideia de que há algo de bom em mim. Eu só posso me agarrar a Cristo e dizer: Ele é a minha justiça”.

III – Ao homem se requer obedecer a Deus por GRATIDÃO.

Sl 130.1 – O salmista em oração introspectiva declara: “Bendize, ó minha alma ao Senhor, e tudo que há em mim, bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios”.  

I Sm 15.22 – Deus espera do homem uma obediência voluntária, grata e não sacrifícios de tolos. Deus não chama ao homem à obediência por imposição.

Pv 28.13 – “O que encobre suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessas e deixa alcançará misericórdia”.  E quanto maior a dívida perdoada, maior a gratidão.

Sl 34.18 – “Perto está o Senhor dos que têm coração quebrantado e salva os contritos de espírito”.

I Co 10.31 – “Porquanto, quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus”.

Concluindo, como mensageiros de Deus, recomendamos solenemente:

1.Hb 10.39 – Fala-nos de dois grupos de pessoas: Daqueles que se retiram para perdição, rejeitando a Palavra da Vida, e o grupo daqueles que crêem para conservação da alma. Qual dos dois queres fazer parte?

2.Is 55.6-7 - “Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar”.

John Stott: “A fé que confessa a Cristo deve ser acompanhada pelo arrependimento que rejeita o pecado”.

3.Os homens são chamados a provar a bondade de Deus: “Provai e vede que o Senhor é bom” (Sl 34.7-8). Vivamos a obediência alegre!!!

“Não fujas de Deus por causa do pecado; Fujas do pecado para Deus”.  Vem para Deus, por Jesus Cristo. Hoje é dia de reencontro. Amém!


Presb. Samuel P M Borges

AD Natal RN - 24/02/2021



 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

A “Teologia Coaching”

 

Segundo o IBC – Instituto Brasileiro de Coaching – “Coaching é um processo, uma metodologia, um conjunto de competências e habilidades que podem ser aprendidas e desenvolvidas por absolutamente qualquer pessoa para alcançar um objetivo na vida pessoal ou profissional, até 20 vezes mais rápido, comprovadamente”.

Então, temos o Coach – Aquele que instrui, uma espécie de mentor facilitador, e o Coachee, o cliente, o aprendiz.

As melhores e mais utilizadas ferramentas de coaching para aplicar no coachee

Metas SMART - Essa ferramenta busca a elaboração de metas neurologicamente corretas. Pontos chaves:

Específicas – Quando, com quem, onde, e prazo para ser cumprida.

Desafiadora – Ao ponto de motivar o coachee.

Positivas – Com expressão positiva e algo a fazer.

Ecológicas – Trazer benefícios para o coachee e pessoas ao redor.

Estar no controle – O responsável pelas ações é o coachee.

Perguntas Poderosas de Sabedoria (PPS) – Tem vários objetivos, como levar o coachee refletir sobre a sua vida, mudar posturas e fazer do apurado das reflexões o seu estilo de vida, de forma consciente.

Ganhos e Perdas – o Coach utiliza quando o Coachee estiver em dificuldade de tomar decisões mais sérias, no andamento das sessões. A vida é assim, tem ganhos e perdas.

Grade de Metas - Essa é uma ferramenta cognitiva que tem como objetivo fazer com que o coachee (cliente) aja de forma assertiva em direção dos objetivos. Aplica-se com o conhecimento da Metas Smart.

MAAS – O MAAS corresponde a um gráfico que busca entender em quais pontos alguém está mais satisfeito com as próprias conquistas.

Utilizando as ferramentas, o coach vai  desenvolver habilidades no coachee, ampliar sua consciência, tirá-lo da zona de conforto e expô-lo a um mundo de possibilidades.

Fonte: www.Febracis.com – pesquisa em 15/02/2021.

No meio evangélico brasileiro, na visão de algumas lideranças, observar-se pregadores, ensinadores, palestrantes cristãos utilizando-se de métodos e competências de coaching em suas ministrações. Dessa realidade, surge o termo a Teologia do Coaching. Para outros, é a Teologia da Prosperidade com uma nova face, ou mais um modismo no meio da Igreja Evangélica Brasileira - IEB.

Prefiro chamar de Teoria de Coaching aplicada ao corpo de Cristo, seja por falta de conteúdo bíblico dos ministrantes, mensagens que agradam aos ouvintes, ou com a intenção de apresentar "algo novo" e pode também ocultar interesses escusos de determinados dirigentes eclesiásticos.

Gradativamente, vai desvirtuando e corrompendo a Igreja. Então, ao invés de ministrantes das Escrituras, temos os coachs, debulhando e distribuindo, na verdade, teorias administrativas secularistas, com linha humanista, antropocêntrica, pondo de lado a graça de Deus, a ajuda do alto, enfatizando a autoajuda para satisfação do indivíduo. É um desserviço ao Reino de Deus.

O que se observou na Igreja Evangélica Brasileira nos últimos 50 anos? Foi uma desastrosa contaminação da fé cristã, em razão da Teologia da Prosperidade, que hoje podemos nominá-la de Ideologia da Prosperidade, com um crescimento desordenado, ou inchaço, crises na liderança, rompimentos denominacionais, igrejas midiáticas, megas-igrejas com gestão empresarial, pessoas nos púlpitos com pouco ou  nenhum preparo teológico, ensinando ora heresias, ora infantilidades, um evangelho místico e grosseiro etc., ao ponto de uns indicarem que houve um Apagão Teológico na IEB. E nesse contexto, surgem os desigrejados, ou como queiram chamar “ovelhas sem pastor”.

De modo que alguns segmentos evangélicos perderam ou nunca tiveram a centralidade nas Escrituras. E assim abriu-se a porta para o hedonismo, secularismo e o materialismo. Púlpitos viraram palcos, ambiente de show.

A “Teologia Coaching” trouxe uma reação nos meios reformados da IEB, no tocante a doutrina da depravação total do homem (um dos pilares do calvinismo), uma vez que ensinam a total incapacidade humana, por si mesmo, para reagir, sair do quadro desolador da queda no Éden, pois nele não há nenhuma bondade. E a Teoria do Coaching ensina que o homem tem potencialidades, habilidades internas e pode se  autodesenvolver. O ponto forte é a relação Coach e o seu cliente, via mentoria individual ou grupal. E deixa Deus em segundo plano ou bane Deus da existência humana, para o sucesso. 

Em consequência de fatores citados, nos últimos 50 anos na IEB, existem lideranças de denominações tradicionais que, por exemplo, se acham no direito de ter um salário mensal de 100 (cem) salários-mínimos, com desdobramentos financeiros no tesouro da Igreja, para membros da família e da sua Diretoria e alguns pastores chaves de sua base eclesiástica.  Igrejas estão sendo geridas como empresas familiares e o Sacerdócio Araônico Judaico serve de modelo para perpetuação no Poder e na Sucessão Eclesiástica nos dias atuais. Biblicamente não sustentável. Todavia, no geral, só tem revelado o antropocentrismo na Igreja. 

Parece dura e inadequada a citação supra, mas é como disse John Macarthur – “Nunca suavize o evangelho. Se a verdade ofende, então deixe que ofenda. As pessoas passam toda sua vida ofendendo a Deus; Deixe que se ofendam por um momento”.

Pelo menos duas perguntas que não nos deixam calar: O evangelho de Jesus é insuficiente para proporcionar ao que crê, nova vida vitoriosa em Cristo Jesus? A Igreja contemporânea precisa da Teoria Coaching na formação da liderança na Igreja Organização? Certamente, não.

Temos várias razões, enquanto Igreja Cristã, para rejeitar e dispensar a “Teologia  Coaching” no contexto cristão.

No contexto secular poderá ter algum proveito em que pese algumas utopias embutidas e pressão sob pressão.

Augustus Nicodemus – parafraseado, a Teoria Coaching visa o que? Desenvolver o potencial e as aptidões humanas em si mesmas. E, portanto, antropocêntrica.

Deus é desconfigurado, pois quando apresentado é apenas como um potencializador do ser humano. O alvo final é a vitória do homem, sem Deus ser glorificado.

No Coaching aplicado na Igreja o pecado é apenas um obstáculo que atrapalha o desenvolvimento do potencial do homem.

No seio da juventude atual, em regra, vivemos uma geração mimados, a qual gosta de alisamento do ego, rica em belas imagens, rumo à superação dos desafios. Porém, de travesseiros encharcados. Essa é uma realidade que as redes sociais não mostram. 

Um entrevistado disse: Trata o seu ego como o dedão do seu pé. Ele nos ajuda dá base juntamente com o pé. Mas, no seu devido lugar.

Os Coachs trazem uma mensagem básica: Palavras psicologizadas, encorajadoras, tais como: Descubra e desenvolva o seu potencial: Vai que você pode! você consegue! você é o cara! São uns sofistas, muita retórica e coloca as pessoas num patamar de homem bom, quando temos a problemática do pecado a resolver, do homem perante Deus. De nada adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma.

Segundo o Pr Augustus Nicodemus, a igreja tem o papel de contribuir na preparação dos santos em todas as áreas da vida, inclusive é uma ideia interessante o cristão onde estiver inserido, dá o melhor de si. Agora, não é a missão principal da igreja. A beleza do evangelho é proporção de suas partes, assim como é a beleza de Deus. 

Conclusão

A confissão positiva, a autoajuda na Teoria Coaching declara que o homem tem dentro dele os recursos para se desenvolver, se auto realizar e ser um formidável vencedor. Observe que, sendo uma teoria humana, do mundo empresarial, “funciona para crentes e ateus”. Deus está posto de lado. É o mesmo germe motivacional ensinado pelo encardido a Eva lá no Éden (Gn 3.1-6).

A Teoria Coaching tem a presunção de que o homem pode ser um vencedor nesta vida, pelas suas potencialidades intrínsecas, pela inteligência emocional desenvolvida, etc., sem a intervenção da graça de Deus. Na verdade, contraria Tg 4.13-15.

Na sociedade capitalista, competitiva, se ensina que nela vale a Lei do Mais Forte. E segundo, o psiquiatra cristão Paul Tournier, no livro Mitos e Neuroses – desarmonia da vida moderna, este é o x da questão: Aplicaram a Teoria da Evolução dos animais irracionais, aos homens racionais. Quem for mais forte, quem mais se capacitar, quem se superar dos altos e baixos, este é o vencedor. Na cadeia alimentar animal o mais forte pode comer o mais fraco vivo, naturalmente.

O marxismo não relaciona o homem ao seu semelhante, ser moral, intelectual e espiritual, criado à imagem de Deus. Pelo contrário, montou um arcabouço teórico para justificar a luta entre o capital e trabalho e Deus foi excluído. Só conta a matéria, ou seja, realidade material em sociedade. Religião e fé são o ópio do povo.

Onde quero chegar? A Teoria Coaching vende mitos, visando maximizar, proporcionar lucros, crescimento no mundo dos negócios, incentiva aos colaboradores, funcionários, atiçando-os a descobrirem suas potencialidades, inserindo utopias no conteúdo, pondo todos num patamar de capacidade e ideais lineares, o que não corresponde à realidade humana. Somos seres diferentes em múltiplos aspectos com um ponto em comum: A queda e a mancha do pecado no Éden.

Nos dias atuais, temos pregadores, palestrantes dizendo aos seus ouvintes que eles são tão dignos quanto Jesus. Ou seja, são homens-deuses. Aconselho-os a estudar a Doutrina de Cristo.

Enfim! Está ocorrendo em alguns púlpitos evangélicos, uma mistureba de teorias administrativas e RH, psicologizadas, de como o homem pode vencer, em meio as promessas de Deus e suas potencialidades, cujas mensagens exaltam mais ao homem do que a Deus. Arrependimento, correção de caráter, bom testemunho, a comunhão, deixar o pecado não são fundamentais. Importa ao homem encontrar e desenvolver "o propósito" de Deus na sua vida. O engodo é que este tal propósito sobrecarrega-o toma mais tempo no material, no passageiro, do que levar ao homem a pensar nos valores que são de cima, e portanto, eternos (Cl 3.1-2).

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia 

AD Natal – RN, 16/02/2021.

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