Mt 11.27c - “...Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
1.Quantas
afirmações fazemos em torno do Deus da Bíblia, às vezes alguns chavões, será
que realmente queremos aprender sobre a sua pessoa da divindade, Deus, o Pai?
2.É
possível conhecermos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio
da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.
3.Ele
é o único Deus verdadeiro (Dt 6.4), a legítima divindade, a qual age por meio
do Filho e do Espírito.
4.Ele
é só Deus em três Pessoas coeternas, consubstanciais e distintas — o Pai, o
Filho e o Espírito Santo. Quantos tronos encontraremos no céu?
5.Deus
Pai é o Criador, mantenedor de toda vida, seja na esfera espiritual e material.
E por meio da fé, somos convidados a conhecer e nos relacionar com o Pai
Celestial (Mt 6.9).
I. A Identidade de Deus, o
Pai.
1.O
Pai é o único Deus verdadeiro - O Pentateuco declara “Ouve, Israel, o Senhor
nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6.4).
a)
No AT Deus se revela pelos seus nomes, pelos seus atributos e pelos seus atos
(Horton, 1997, p.159).
b)
O NT apresenta o Pai como Deus por excelência, identificado seis vezes com o
título de “Deus Pai” (Jo 6.27; 1Co 15.24; Gl 1.1,3; Ef 6.23; I Pd 1.2).
2.Para
os assembleianos, a nossa Declaração de Fé professa que Deus é o Supremo Ser, é
Eterno, nunca teve começo, princípio e nunca terá fim (Dt 33.27), pois Ele
existe por si mesmo: “como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao
Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Isto fala da sua asseidade.
b) Ele é o Criador do céu e da terra e de tudo que neles existe (Is
45.18; At 17.24).
c) Ele é o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20.31).
d) Ele é Espírito doador e mantenedor de toda a vida (Jó 33.4).
e) O Pai é a Primeira Pessoa divina da Santíssima Trindade, portanto,
Ele é a origem e fonte eterna da divindade, de quem o Filho é gerado e de quem
o Espírito procede (Jo 15.26; Hb 1.1-3).
Nota 1– Jesus, o
Filho sempre esteve com o Pai, desde a eternidade, foi gerado para encarnar neste mundo (Jo 17.5; Hb 1.1-6; Cl 1.14-20; Ap 1.6-8), dentro do
escopo da Redenção Humana.
f) A paternidade é o papel da primeira Pessoa da Trindade. Esta
afirmação não implica inferioridade, mas expressa a maneira como as três
Pessoas operam inseparavelmente, cada uma conforme sua distinção pessoal.
O Credo de Atanásio (Séc. V): “nenhuma das três pessoas é antes ou depois da outra; nenhuma é maior ou menor do que outra. Mas as três pessoas são coeternas e coiguais”.
Nota 2 – A
subordinação entre as pessoas da Trindade, em termos funcionais e ontológicos é
tema profundo e dissecado na Teologia de Deus, nas Escrituras.
II. O Pai revelado em Cristo. O apogeu da encarnação do verbo.
1.O
Pai se revela aos humildes - Jesus
exalta ao Pai acerca de uma profunda verdade espiritual: “...ocultaste estas
coisas aos sábios e instruídos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25).
Deus
não tem satisfação a dar aos homens, nenhuma barganha pratica e assim se
revelou na pureza de seu caráter moral e íntegro no mundo dos homens. Jesus, no
evangelho de Mateus faz referência aos:
a)
Sábios (gr. sophós) - são aqueles que detêm “inteligência e educação acima
da média”.
b) Instruídos (gr. synetós) - são as pessoas com “cultura e
instrução”. Pode estar apontando para os fariseus e os escribas, que se
vangloriavam de sua formação privilegiada, mas que padeciam de cegueira
espiritual.
c)
Os mistérios do Reino de Deus não são revelados aos soberbos, aos que se
consideram sábios aos próprios olhos (Pv 3.7). O Pai se dá a conhecer aos
“pequeninos” (gr. népios), àqueles que possuem a humildade das crianças
(Mt 18.2-4).
2.
O Pai se faz conhecer pelo Filho - “ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho
o quiser revelar” (Mt 11.27).
a) O Pai é um ser pessoal e relacional (Sl 46.10; Is 46.9);
b) Só é possível conhecer a Deus por meio do Filho, o único mediador
entre Deus e os homens (Jo 14.6; I Tm 2.5);
c) Sem Cristo, qualquer tentativa de conhecer o Pai será incompleta ou
distorcida, e fadada ao erro e a idolatria (Jo 10.30; Cl 1.15; 2.8,9).
Nota
3 - João 6.44,65, por exemplo, no ministério terreno
de Jesus, desde o começo (Lc 4.18-21), constantemente Ele se declara na
dependência do Pai, evangelizando, libertando, trazendo perdidos das trevas
para luz. Não há contradição com o texto de Mt 11.27.
3.Quem
vê o Filho vê o Pai - No diálogo com
Filipe, Jesus revela outra verdade sublime: “quem me vê a mim vê o Pai” (Jo
14.9). Essa declaração ratifica à doutrina da unidade da Trindade. Jesus é a
perfeita expressão do Pai: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a
expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3).
A
unidade entre Pai e Filho é essencial e inseparável: “Eu e o Pai somos um” (Jo
10.30). Não significa que são a mesma Pessoa, mas que compartilham a mesma
natureza divina.
III.
A Pessoa de Deus Pai.
1.Através
dos atributos de Deus podemos aprender acerca da sua sublime pessoa.
Atributos
exclusivos da divindade. Elas
pertencem apenas ao Deus Pai (bem como ao Filho e ao Espírito), e não podem ser
compartilhadas pelo ser humano. Os principais são:
Autoexistência - Deus existe por si mesmo, não depende de nada
para existir (Êx 3.14; Jo 5.26);
Eternidade - Deus não tem começo nem fim, não está limitado
pelo tempo (Sl 90.2; Is 57.15);
Imutabilidade - Deus não muda, Ele é sempre o mesmo, não requer
correção (Ml 3.6; Tg 1.17);
Onipotência - Deus é Todo-Poderoso e nada pode frustrar seus
desígnios (Jó 42.2; Lc 1.37);
Onisciência
- Deus conhece perfeitamente o passado, o presente
e o futuro (Sl 139.1-6; Hb 4.13);
Onipresença - Deus está, ao mesmo tempo, presente em todos os
lugares (Sl 139.7-10; Jr 23.24).
Estes
atributos, portanto, revelam que nosso Deus é absoluto e sem limitação alguma.
Atributos
comunicáveis do Pai - São qualidades
divinas que o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27), e
mui especialmente, o verdadeiro cristão, com a ajuda do Espírito pode vivencia-las,
ainda que de maneira limitada. São reflexos do caráter e da moral de Deus que
podem ser percebidos, em grau menor, nos humanos. Dentre eles, destacam-se:
Santidade - Deus é Santo, e chama seus filhos a serem santos
em toda maneira de viver (Lv 19.2; 1Pe 1.15,16);
Amor - Deus é amor em essência, e podemos amar a Deus e
ao próximo como reflexo desse amor (Mt 22.37-39; 1Jo 4.8);
Fidelidade - Deus é sempre fiel, e também somos desafiados a
ser fiéis (2Tm 2.13; Ap 2.10);
Bondade - Deus é bom em todo o tempo, e somos exortados a
agir com bondade em nossa conduta diária (Sl 100.5; Gl 5.22).
3.
Os nomes que revelam o Pai - Os nomes
de Deus não tratam apenas de sua identificação, mas revelam sua natureza, obras
e virtudes (Sl 9.10).
O
nome Elohim (Gn 1.1) - Apesar do
plural, reafirma o monoteísmo (Dt 6.4) e alude à pluralidade da Trindade (Gn
1.26);
El
Shadday (Gn 17.1) - Revela Deus
como o Todo-Poderoso (Gn 28.3; 35.11);
Adonai
(Sl 8.1) e o grego Kyrios (At 2.36) - Manifestam sua autoridade como Senhor (Is 6.1; Fp 2.11);
O
tetragrama pessoal YHWH - Revelado
como “Eu Sou o Que Sou” (Êx 3.14; 6.13), enfatiza a eternidade e a
imutabilidade de Deus (Sl 68.4; Ml 3.6).
Então,
quando estudamos os atributos de Deus Pai, os seus nomes divinos identificam a
primeira Pessoa da Trindade, sua soberania, poder e eternidade, aspectos
fundamentais da doutrina cristã sobre a grandeza e a majestade de Deus.
Conclusão
1.Nesta lição, vimos que Deus, o Pai, é o Deus
verdadeiro, eterno e soberano, revelado plenamente em Cristo (Jo 1.14,18).
2.Ele é o autor da Criação, doador e
sustentador da vida, o planejador da redenção (Gn 3.15).
3.Para conhecer a Deus, a sua personalidade, o
seu caráter requer do homem se reencontrar com Ele, por meio do Filho, e progredir
em relacionamento com Deus. Amém!
Fonte
de pesquisa:
Lição
EBD/CPAD – 1º trimestre de 2026.
Bíblia
Sagrada.
Por
Samuel Pereira de Macedo Borges
Natal/RN,
10/01/2026.


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