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sábado, 10 de janeiro de 2026

Deus, o Pai!

Mt 11.27c - “...Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.


Introdução

1.Quantas afirmações fazemos em torno do Deus da Bíblia, às vezes alguns chavões, será que realmente queremos aprender sobre a sua pessoa da divindade, Deus, o Pai?

2.É possível conhecermos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.

3.Ele é o único Deus verdadeiro (Dt 6.4), a legítima divindade, a qual age por meio do Filho e do Espírito. 

4.Ele é só Deus em três Pessoas coeternas, consubstanciais e distintas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Quantos tronos encontraremos no céu?

5.Deus Pai é o Criador, mantenedor de toda vida, seja na esfera espiritual e material. E por meio da fé, somos convidados a conhecer e nos relacionar com o Pai Celestial (Mt 6.9).

I. A Identidade de Deus, o Pai.

1.O Pai é o único Deus verdadeiro - O Pentateuco declara “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6.4).

a) No AT Deus se revela pelos seus nomes, pelos seus atributos e pelos seus atos (Horton, 1997, p.159).

b) O NT apresenta o Pai como Deus por excelência, identificado seis vezes com o título de “Deus Pai” (Jo 6.27; 1Co 15.24; Gl 1.1,3; Ef 6.23; I Pd 1.2).

2.Para os assembleianos, a nossa Declaração de Fé professa que Deus é o Supremo Ser, é Eterno, nunca teve começo, princípio e nunca terá fim (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo: “como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Isto fala da sua asseidade.

a) Ele é o Deus imutável, desde a eternidade, antes da fundação dos mundos (Sl 90.2; Ml 3.6; Tg 1.17; Hb 11.3).

b) Ele é o Criador do céu e da terra e de tudo que neles existe (Is 45.18; At 17.24).

c) Ele é o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20.31).

d) Ele é Espírito doador e mantenedor de toda a vida (Jó 33.4).

e) O Pai é a Primeira Pessoa divina da Santíssima Trindade, portanto, Ele é a origem e fonte eterna da divindade, de quem o Filho é gerado e de quem o Espírito procede (Jo 15.26; Hb 1.1-3).

Nota 1– Jesus, o Filho sempre esteve com o Pai, desde a eternidade, foi gerado para encarnar neste mundo (Jo 17.5; Hb 1.1-6; Cl 1.14-20; Ap 1.6-8), dentro do escopo da Redenção Humana.

f) A paternidade é o papel da primeira Pessoa da Trindade. Esta afirmação não implica inferioridade, mas expressa a maneira como as três Pessoas operam inseparavelmente, cada uma conforme sua distinção pessoal.

O Credo de Atanásio (Séc. V): “nenhuma das três pessoas é antes ou depois da outra; nenhuma é maior ou menor do que outra. Mas as três pessoas são coeternas e coiguais”.

Nota 2 – A subordinação entre as pessoas da Trindade, em termos funcionais e ontológicos é tema profundo e dissecado na Teologia de Deus, nas Escrituras.

II. O Pai revelado em Cristo. O apogeu da encarnação do verbo.

1.O Pai se revela aos humildes - Jesus exalta ao Pai acerca de uma profunda verdade espiritual: “...ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25).

Deus não tem satisfação a dar aos homens, nenhuma barganha pratica e assim se revelou na pureza de seu caráter moral e íntegro no mundo dos homens. Jesus, no evangelho de Mateus faz referência aos:

a) Sábios (gr. sophós) - são aqueles que detêm “inteligência e educação acima da média”.

b) Instruídos (gr. synetós) - são as pessoas com “cultura e instrução”. Pode estar apontando para os fariseus e os escribas, que se vangloriavam de sua formação privilegiada, mas que padeciam de cegueira espiritual.

c) Os mistérios do Reino de Deus não são revelados aos soberbos, aos que se consideram sábios aos próprios olhos (Pv 3.7). O Pai se dá a conhecer aos “pequeninos” (gr. népios), àqueles que possuem a humildade das crianças (Mt 18.2-4).

2. O Pai se faz conhecer pelo Filho - “ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27).

a) O Pai é um ser pessoal e relacional (Sl 46.10; Is 46.9);

b) Só é possível conhecer a Deus por meio do Filho, o único mediador entre Deus e os homens (Jo 14.6; I Tm 2.5);

c) Sem Cristo, qualquer tentativa de conhecer o Pai será incompleta ou distorcida, e fadada ao erro e a idolatria (Jo 10.30; Cl 1.15; 2.8,9).

Nota 3 - João 6.44,65, por exemplo, no ministério terreno de Jesus, desde o começo (Lc 4.18-21), constantemente Ele se declara na dependência do Pai, evangelizando, libertando, trazendo perdidos das trevas para luz. Não há contradição com o texto de Mt 11.27.

3.Quem vê o Filho vê o Pai - No diálogo com Filipe, Jesus revela outra verdade sublime: “quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9). Essa declaração ratifica à doutrina da unidade da Trindade. Jesus é a perfeita expressão do Pai: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3).

A unidade entre Pai e Filho é essencial e inseparável: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Não significa que são a mesma Pessoa, mas que compartilham a mesma natureza divina.

III. A Pessoa de Deus Pai.

1.Através dos atributos de Deus podemos aprender acerca da sua sublime pessoa.

Atributos exclusivos da divindade. Elas pertencem apenas ao Deus Pai (bem como ao Filho e ao Espírito), e não podem ser compartilhadas pelo ser humano. Os principais são:

Autoexistência - Deus existe por si mesmo, não depende de nada para existir (Êx 3.14; Jo 5.26);

Eternidade - Deus não tem começo nem fim, não está limitado pelo tempo (Sl 90.2; Is 57.15);

Imutabilidade - Deus não muda, Ele é sempre o mesmo, não requer correção (Ml 3.6; Tg 1.17);

Onipotência - Deus é Todo-Poderoso e nada pode frustrar seus desígnios (Jó 42.2; Lc 1.37);

Onisciência - Deus conhece perfeitamente o passado, o presente e o futuro (Sl 139.1-6; Hb 4.13);

Onipresença - Deus está, ao mesmo tempo, presente em todos os lugares (Sl 139.7-10; Jr 23.24).

Estes atributos, portanto, revelam que nosso Deus é absoluto e sem limitação alguma.

Atributos comunicáveis do Pai - São qualidades divinas que o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27), e mui especialmente, o verdadeiro cristão, com a ajuda do Espírito pode vivencia-las, ainda que de maneira limitada. São reflexos do caráter e da moral de Deus que podem ser percebidos, em grau menor, nos humanos. Dentre eles, destacam-se:

Santidade - Deus é Santo, e chama seus filhos a serem santos em toda maneira de viver (Lv 19.2; 1Pe 1.15,16);

Amor - Deus é amor em essência, e podemos amar a Deus e ao próximo como reflexo desse amor (Mt 22.37-39; 1Jo 4.8);

Fidelidade - Deus é sempre fiel, e também somos desafiados a ser fiéis (2Tm 2.13; Ap 2.10);

Bondade - Deus é bom em todo o tempo, e somos exortados a agir com bondade em nossa conduta diária (Sl 100.5; Gl 5.22).

3. Os nomes que revelam o Pai - Os nomes de Deus não tratam apenas de sua identificação, mas revelam sua natureza, obras e virtudes (Sl 9.10).

O nome Elohim (Gn 1.1) - Apesar do plural, reafirma o monoteísmo (Dt 6.4) e alude à pluralidade da Trindade (Gn 1.26);

El Shadday (Gn 17.1) - Revela Deus como o Todo-Poderoso (Gn 28.3; 35.11);

Adonai (Sl 8.1) e o grego Kyrios (At 2.36) - Manifestam sua autoridade como Senhor (Is 6.1; Fp 2.11);

O tetragrama pessoal YHWH - Revelado como “Eu Sou o Que Sou” (Êx 3.14; 6.13), enfatiza a eternidade e a imutabilidade de Deus (Sl 68.4; Ml 3.6).

Então, quando estudamos os atributos de Deus Pai, os seus nomes divinos identificam a primeira Pessoa da Trindade, sua soberania, poder e eternidade, aspectos fundamentais da doutrina cristã sobre a grandeza e a majestade de Deus.

Conclusão

1.Nesta lição, vimos que Deus, o Pai, é o Deus verdadeiro, eterno e soberano, revelado plenamente em Cristo (Jo 1.14,18).

2.Ele é o autor da Criação, doador e sustentador da vida, o planejador da redenção (Gn 3.15).

3.Para conhecer a Deus, a sua personalidade, o seu caráter requer do homem se reencontrar com Ele, por meio do Filho, e progredir em relacionamento com Deus.  Amém!

Fonte de pesquisa:

Lição EBD/CPAD – 1º trimestre de 2026.

Bíblia Sagrada.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 10/01/2026.

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