“Voltei-me e vi debaixo do
sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes, a peleja, nem tampouco
dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes o
favor, mas que o tempo e a sorte pertencem a todos” (ARC).
O homem pelo homem é um amontoado de glórias e misérias.
Remete-nos à visão de que somos “uma complexa união de matéria e espírito,
um "caniço pensante", segundo Blaise Pascal, matemático, físico,
filósofo francês ((1623-1662), ou um "amontoado de células" (série
britânica Black Mirror - ficção), refletindo nossa condição de seres frágeis e,
ao mesmo tempo, conscientes, racionais e cheios de contradições, buscando
significado e felicidade”.
É assim mesmo, até que se
reencontre com o seu Criador (Rm 6.23).
O que o pregador, Salomão queria transmitir aos
seus leitores?
Salomão (seu nome significa
pacífico), terceiro rei de Israel (40 anos entre 970-930 a.C.), filho de Davi
com Bateseba, viveu +-990-930 a.C., entre glórias, vaidades e fracassos.
a) Nem sempre os mais fortes,
os mais preparados vencem;
b) Sabedoria, só filosofar não
garante o pão, a manutenção diária;
c) Não se enrica somente com
inteligência, há outros fatores;
d) Só a capacidade pessoal não
leva ao topo nem a galgar altas posições. Requer-se humildade, dependência do alto.
e) Na experiência da jornada
humana as virtudes se complementam.
f) E em algum grau de ação, o
Criador, age, atua quando a porta da oportunidade se abre e quando se fecha.
“...Ele é benigno até com os ingratos e maus” (Lc 6.35). Faz o sol brilhar e cair
a chuva sobre justos e injustos (Mt 5.45). Os textos revelam providência, bondade
e a misericórdia divina para com a sua Criação. Não é complacência com o pecado.
Aplicações pedagógicas:
1.É enganoso confiar excessivamente
no esforço e nas aptidões individuais.
2.No tecido social, na massa
de humanos, somos complementares, fomos feitos interdependentes, não
independentes.
3.Estamos no mesmo barco. Como
estamos navegando? Ora o mar está calmo, ora revolto. Existem embarcações que
sofrem avarias, mas chegam; outros naufragam, alguns tripulantes perdem a vida,
outros se salvam; outras embarcações, chegam ao destino sã e salvas. O segredo
parece estar em quem permitimos subir no barco conosco, o tamanho da carga e
quem é o comandante da tribulação.
4.Alguns falam da Lei do
Retorno; outros creem que tudo depende do destino e dá entender que o destino é
o próprio senhor. Na Bíblia a Lei da
Semeadura não é alheatória, aponta para o Deus Criador e pessoal a quem
prestaremos contas (Rm 14.11-12; Gl 6.7).
Ec 7.17 – Afirma que o homem
ímpio pode morrer antes do tempo de sua existência terrena. É falso o discurso
de que o indivíduo morre quando tem que morrer (Pv 10.27; Jó 15.31-32).
5.É importante considerar o
contexto onde nascemos e do qual nos tornamos parte, inseridos. E olhar para as
velas e os ventos do barco da vida e dá a direção, se não assertiva, ao menos a
ideal.
6.Diz o pregador, o tempo e a
sorte pertencem a todos. O tempo vai e não volta, é um bem precioso e muito
mais, a própria vida. Sorte nas Escrituras tem o sentido de oportunidade. Todos
a temos na vida, seja em maior ou menor escala. Uns aproveitam as portas
abertas; outros as perdem de vista; tem os que as otimizam; E os que as fecham diante
dos desafios.
7.Indivíduos nasceram na
miséria e se levantaram, conquistaram sonhos. Outros, de berço de ouro, tinham
elementos para serem vencedores, foram à ruína, derrotados. Não cuidaram, não cuidam nem de
si mesmos. Tem a ver com a responsabilidade familiar na formação do caráter, a
visão de mundo, valores e princípios herdados, e se aplicados à vida pelo indivíduo,
ou não.
8.Obedecer a Deus é
consequência, reflexo do amor devotado a Ele. Amar ao próximo como a nós mesmos
é regra de ouro, divina para combater persistentemente o egoísmo humano. Que
Humanidade seríamos, se essa regra fosse cumprida com regularidade?
9.A proposta divina de amar
até aos inimigos, na sua essência nos ensina a não pagar mal por mal, injustiça
por injustiça, uma vez que olho por olho, a Humanidade terminaria toda cega (Mt
5.39-46).
10.Salomão também deixou escrito
nas sagradas letras (Ec 7.29): “...Deus fez o homem reto, mas ele buscou muitas
invenções”. A vida é simples, por que complicá-la?
11.O profeta Jeremias que viveu
entre 650-580 a.C., disse: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se
cada um dos seus pecados” (Lm 3.39). Todavia, há esperança.
Pv 28.13-14 – “Quem esconde os seus pecados não
prospera, mas quem os confessa e abandona encontra misericórdia. Bem-aventurado
o homem que é constante no temor de Deus! Mas quem endurece o coração cairá na
desgraça” (NVI).
Ec
12.13 – “De tudo o que foi dito, a conclusão é esta: tema a Deus e obedeça aos
seus mandamentos porque foi para isso que fomos criados” (NTLH). E sendo assim,
amor a Deus em primazia, disciplinado, não comporta exceção.
12.Portanto, a trajetória da vida
tem seus altos e baixos, suas imprevisibilidades em razão de não sabermos o amanhã,
sérias consequências da desobediência humana desde o Éden, o homem não vai
muito longe em si mesmo e o maior segredo da vida é temor a Deus e humildade. Só
determinação não basta. A vida aqui é como um sopro, passageira. E levamos a certeza
de que não temos as respostas para todas as perguntas existenciais. Amém!
Por Samuel Pereira de Macedo Borges
Bacharel em Direito e Teologia
Natal/RN, 19/12/2025.


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