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sábado, 20 de dezembro de 2025

A Precária Autossuficiência Humana em Eclesiastes 9.11

 

“Voltei-me e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes, a peleja, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes o favor, mas que o tempo e a sorte pertencem a todos” (ARC).  

O homem pelo homem é um amontoado de glórias e misérias. Remete-nos à visão de que somos “uma complexa união de matéria e espírito, um "caniço pensante", segundo Blaise Pascal, matemático, físico, filósofo francês ((1623-1662), ou um "amontoado de células" (série britânica Black Mirror - ficção), refletindo nossa condição de seres frágeis e, ao mesmo tempo, conscientes, racionais e cheios de contradições, buscando significado e felicidade”. 

É assim mesmo, até que se reencontre com o seu Criador (Rm 6.23).

O que o pregador, Salomão queria transmitir aos seus leitores?

Salomão (seu nome significa pacífico), terceiro rei de Israel (40 anos entre 970-930 a.C.), filho de Davi com Bateseba, viveu +-990-930 a.C., entre glórias, vaidades e fracassos.

a) Nem sempre os mais fortes, os mais preparados vencem;

b) Sabedoria, só filosofar não garante o pão, a manutenção diária;

c) Não se enrica somente com inteligência, há outros fatores;

d) Só a capacidade pessoal não leva ao topo nem a galgar altas posições. Requer-se humildade, dependência do alto.

e) Na experiência da jornada humana as virtudes se complementam.

f) E em algum grau de ação, o Criador, age, atua quando a porta da oportunidade se abre e quando se fecha. “...Ele é benigno até com os ingratos e maus” (Lc 6.35). Faz o sol brilhar e cair a chuva sobre justos e injustos (Mt 5.45). Os textos revelam providência, bondade e a misericórdia divina para com a sua Criação. Não é complacência com o pecado.

Aplicações pedagógicas:

1.É enganoso confiar excessivamente no esforço e nas aptidões individuais.

2.No tecido social, na massa de humanos, somos complementares, fomos feitos interdependentes, não independentes.

3.Estamos no mesmo barco. Como estamos navegando? Ora o mar está calmo, ora revolto. Existem embarcações que sofrem avarias, mas chegam; outros naufragam, alguns tripulantes perdem a vida, outros se salvam; outras embarcações, chegam ao destino sã e salvas. O segredo parece estar em quem permitimos subir no barco conosco, o tamanho da carga e quem é o comandante da tribulação.

4.Alguns falam da Lei do Retorno; outros creem que tudo depende do destino e dá entender que o destino é o próprio senhor. Na Bíblia a Lei da Semeadura não é alheatória, aponta para o Deus Criador e pessoal a quem prestaremos contas (Rm 14.11-12; Gl 6.7).

Ec 7.17 – Afirma que o homem ímpio pode morrer antes do tempo de sua existência terrena. É falso o discurso de que o indivíduo morre quando tem que morrer (Pv 10.27; Jó 15.31-32).

5.É importante considerar o contexto onde nascemos e do qual nos tornamos parte, inseridos. E olhar para as velas e os ventos do barco da vida e dá a direção, se não assertiva, ao menos a ideal.  

6.Diz o pregador, o tempo e a sorte pertencem a todos. O tempo vai e não volta, é um bem precioso e muito mais, a própria vida. Sorte nas Escrituras tem o sentido de oportunidade. Todos a temos na vida, seja em maior ou menor escala. Uns aproveitam as portas abertas; outros as perdem de vista; tem os que as otimizam; E os que as fecham diante dos desafios.

7.Indivíduos nasceram na miséria e se levantaram, conquistaram sonhos. Outros, de berço de ouro, tinham elementos para serem vencedores, foram à ruína, derrotados. Não cuidaram, não cuidam nem de si mesmos. Tem a ver com a responsabilidade familiar na formação do caráter, a visão de mundo, valores e princípios herdados, e se aplicados à vida pelo indivíduo, ou não.

8.Obedecer a Deus é consequência, reflexo do amor devotado a Ele. Amar ao próximo como a nós mesmos é regra de ouro, divina para combater persistentemente o egoísmo humano. Que Humanidade seríamos, se essa regra fosse cumprida com regularidade?

9.A proposta divina de amar até aos inimigos, na sua essência nos ensina a não pagar mal por mal, injustiça por injustiça, uma vez que olho por olho, a Humanidade terminaria toda cega (Mt 5.39-46).

10.Salomão também deixou escrito nas sagradas letras (Ec 7.29): “...Deus fez o homem reto, mas ele buscou muitas invenções”. A vida é simples, por que complicá-la?

11.O profeta Jeremias que viveu entre 650-580 a.C., disse: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lm 3.39). Todavia, há esperança.

Pv 28.13-14 – “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e abandona encontra misericórdia. Bem-aventurado o homem que é constante no temor de Deus! Mas quem endurece o coração cairá na desgraça” (NVI).

Ec 12.13 – “De tudo o que foi dito, a conclusão é esta: tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos porque foi para isso que fomos criados” (NTLH). E sendo assim, amor a Deus em primazia, disciplinado, não comporta exceção. 

12.Portanto, a trajetória da vida tem seus altos e baixos, suas imprevisibilidades em razão de não sabermos o amanhã, sérias consequências da desobediência humana desde o Éden, o homem não vai muito longe em si mesmo e o maior segredo da vida é temor a Deus e humildade. Só determinação não basta. A vida aqui é como um sopro, passageira. E levamos a certeza de que não temos as respostas para todas as perguntas existenciais. Amém!

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 19/12/2025.

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