Nós, cristãos contemporâneos, estamos conseguindo passar o
bastão para as próximas gerações? É uma indagação de um pregador de nossa época
e oportuna.
A corrida está em curso e enquanto corremos, precisamos
criar, educar, formar, contribuir com o crescimento de filhos, futuros
cidadãos, discípulos, profissionais, lideranças no lar, na sociedade e na
Igreja.
A Igreja Cristã começa no lar. Nas Escrituras vamos encontrar
princípios fundamentais para criar, fazer discípulos e formar lideranças na
Casa de Deus. Eis um dos princípios bíblicos para liderança observar, além das qualidades
exigidas para o episcopado.
II Timóteo 2.2 - “E as coisas
que ouviu de mim diante de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam
também capazes de ensinar a outros.”
O processo não é uniforme, há variáveis estruturais de governos,
sistemas eclesiásticos, visões e percepções humanas. E cada época apresenta suas
problemáticas.
Então, a pergunta levantada é será que estamos tendo êxito
neste dever-ser pedagógico? Em meio a tantos percalços, distrações, interesses
intercambiáveis e os desafios que nos cercam?
No âmago dessa discussão, precisamos refletir não limitados a
quatro paredes do “nosso sistema religioso”. Pensemos Igreja no macro. É
necessária humildade na Igreja Organização para ouvir, receber críticas, se
corrigir, considerando suas imperfeições e erros. Falar em nome de Deus, não os
eliminam.
O que aconteceu com o declínio da Igreja na Europa? Qual a
cara da Igreja Evangélica Brasileira em suas múltiplas bandeiras de fé que
observamos? Como se encontram as famílias que compõem o corpo de Cristo na
atualidade? Inteiras, bem estruturadas, aos frangalhos? Muitas já destruídas. E
afeta a Igreja.
Vejamos alguns pontos que nos ajudam levantar a resposta que
buscamos:
1. Pais identificados com Cristo - tem um papel preponderante na
missão de passar o bastão para as primeiras e segundas gerações (Dt 6.1-9; Pv
22.6). Pode até ocorrer filhos não professarem a Cristo na mesma denominação,
todavia que sejam verdadeiros discípulos de Jesus. Afirmar identidade com
Cristo não significa ser uma cópia dos pais.
2. O papel dos Departamentos Infantis na Igreja - Há anos que observo um número
bastante reduzido de crianças nestes departamentos, mesmo considerando os
avanços, preparação docente etc. Fui
diretor de EBD algumas vezes, qual será o futuro dessas Igrejas, com o quantitativo
de crianças instruídas em relação à sua membresia? E pior, existem templos sem espaço
para esse fim. Pastores com uma visão míope a respeito...
3. Modelos eclesiásticos – Que estilos têm alcançado objetivos, em maior escala,
para formar e desenvolver lideranças no bojo dessa discussão? Sem descuidar de
dar o devido lugar a ação do Espírito Santo na Igreja. Jesus ascendeu ao céu e
deixou Ele com a Igreja. É verdade que de uma maneira ou de outra, a Igreja
será espiritualmente vencedora. Quanto a aspectos sociais na carreira
eclesiástica, poderá ser justa ou injusta, a depender se praticou ou não justiça
social.
4. Motivações no Ofício Pastoral - A chamada é de Deus, mas pastores
em exercício, quantos deles têm convicções motivadas para incentivar filhos,
companheiros ao ministério cristão, transmitir o legado às próximas gerações?
Ou não desejam que eles passem pelo que têm passado, como trabalhadores do
Evangelho? Ou apenas que sirvam enquanto Igreja, sem compromisso ministerial? São
perguntas que não temos respostas prontas. É óbvio que ministério é ofício de
servir, envolve renúncia e abnegação sacrificial em certa medida.
5. Pastores discipulando pastores – Um tema atual na
percepção de que pastores e suas famílias precisam de cuidados - alguns só percebem quando se esgotam espiritual
e psiquicamente. E tudo em razão da carga de trabalho emocional e espiritual
que carregam. Outros se acham insubstituíveis, não respeitam data para
jubilamento, não se planejaram para velhice ou não a aceita.
É relevante frisar que transição é um processo que exigirá
humildade, maturidade emocional e espiritual entre líderes e liderados. Não é
um descarte.
(Algumas denominações tem um fundo previdenciário privado
para remuneração mínima aos pastores jubilados, além da parte dele junto ao
INSS. É outra discussão que envolve decisões convencionais e estatutos
eclesiásticos).
Portanto, passar o bastão, faz-se necessário para que não
haja descontinuidade no avanço do Reino de Deus. E que se faça mantendo as
conquistas na Causa Cristo, não retrocedendo. Que possamos dizer como disse o
apóstolo Paulo, consciente da proximidade da partida: “Combati o bom combate,
acabei a carreira, guardei a fé”. E seguro de que lhe aguardava galardões nas
mansões celestiais. Amém!
Por Samuel Pereira de Macedo Borges
Natal/RN, 27/10/2026.

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