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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A Vontade de Deus versus Retratos Distorcidos de Deus.

 Introdução


1.Por causa da ignorância e em razão de ensinos, citações, mensagens que não espelham o que a Bíblia diz sobre Deus, muitos têm ideias, conclusões erradas acerca dele, do que Ele é, faz ou deixa de fazer para com nós humanos.

2.Será que é tão difícil saber a vontade de Deus? Ou é mais difícil deixar a nossa de lado para lhe obedecer. Precisamos renunciar o homem velho para vivermos sob a vontade de Deus (Ef 4.22-32).

3.O cristão que anda segunda a Palavra de Deus, deduz-se que não está, não vive em confronto com a vontade moral de Deus, padrão de conduta para os homens.

4.Quando tratamos da Pessoa de Deus, diz muito a respeito do seu caráter: Além de atributos exclusivos, Ele é Misericordioso, benigno, santo, gracioso, longânimo, amoroso...bastante diferente dos deuses pagãos – suas características:

Injustos - Requeriam e aceitavam sacrifícios humanos, como a Moloque.

Mutáveis - Tem várias caricaturas para proceder com engano. O Deus da Bíblia é imutável!

Iracundos - Os pagãos assim os reconheciam. O altar ao deus desconhecido em Atenas, era por medo da ira dos deuses que não tivessem um altar especificamente erguido.

Vingativos - Uma má qualidade muito presente nas mitologias grega e romana.

Podridão Mórbida - Eram adorados em festas com prostituição, bacanais e todo tipo de impureza carnal e espiritual.

I – Aspectos da Vontade de Deus – A incompreensão de doutrinas bíblicas fundamentais, como as doutrinas da salvação, livre arbítrio, soberania divina, mordomia cristã..., é causa de confusão no entendimento de aspectos da vontade de Deus.

a) No Aspecto Soberano – Deus trabalha no macro, com sua Criação, com leis universais estabelecidas, seja com os cosmos, a natureza e os homens. Nada, ninguém intervém na sua soberania. Ela é inviolável. Não importa o que digam os homens, acreditem ou não, a sua soberania nem aumenta, nem diminui. Está sempre intacta e onipotente. Deus como soberano não é um determinista inconsequente. A sua soberania não o impede de ter um relacionamento pessoal com toda aquele que dele se aproxima por fé. Ele é imanente (não está longe do homem que o criou à sua imagem e semelhança), e transcendente (a sua Deidade, a natureza divina, está além da dimensão física, adentra à eternidade).

No Plano Criador e Redentivo – Será realizado todo o seu conselho de Deus, será cumprida toda sua vontade (Is 46.10b; Ef 1.3-6).

Ap 5.9-10 – “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra”.

b) No Aspecto Permissivo – Tudo de bom e de ruim que ocorre, seja no mundo material ou na dimensão espiritual, afirma-se: Foi permissão de Deus ou se diz o chavão “Deus no controle”. Não ponderamos:

1.Deus atua onde existe fé (Gn 15.6; Hc 2.4; Rm 5.1; Ef 2.8; Hb 11.6).

2.Deus não se relaciona com o mundo no pecado. Intervém quando necessário. Do pecador indivíduo, Deus nem ouve a sua oração. Faz-se necessário temor ao Senhor e o mediador legítimo. No AT eram facetas da revelação de Deus aos homens, até que Ele se revela finalmente na pessoa de seu Filho Jesus. Quem é guiado pelo Espírito de Deus, atesta sua filiação (Rm 8.14).

3.Deus fez o homem e o colocou no governo político-econômico da Humanidade. A queda no Éden complicou drasticamente o seu governo, o afastou de Deus (morte espiritual, física e eterna), manchado a imagem de Deus no homem, não aniquilou, não destruiu o livre arbítrio. Se ele perdeu a capacidade de decisões e escolhas pessoais, seja no âmbito material ou espiritual, não se pode falar em responsabilidade humana, virou um fantoche. Daí, o erro genérico de se atribuir tudo a permissividade, portanto, tudo na responsabilidade de Deus. E os atos humanos sem consequências boas ou más.

4.No contexto da Igreja Cristã, onde é Reino de Deus, observamos ações de impedimentos e permissivas divinas, de sim ou não - Com propósitos diretivos (At 16.6-7; Hb 6.3 [se houver tempo]; I Co 16.7 [se Deus conceber tempo]). Devemos estar atentados às diretivas divinas.

5.Tiago 4.13-17 – É o texto bíblico mais objetivo cujo teor trata da permissão de Deus acerca do amanhã, do futuro em relação à falibilidade dos planos e projetos humanos. Daí, ser justificada a expressão “se Deus quiser faremos isso ou aquilo”. Usar esse texto para respaldar, explicar tudo que acontece no existencial dos homens por permissão de Deus é uma aberração teológica e depõe contra Ele. E o escritor sagrado termina, precisamente chamando-nos à responsabilidade de fazer ou deixar de fazer o bem.

c) No Aspecto Vontade/desejo Pleno – Como Deus, o eterno, está presente infinitamente, no plano redentivo Ele quer que “todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (I Tm 2.3-4). Porém, depende da resposta humana positiva à pregação do Evangelho (Mc 16.15-16; Ef 1.13; Hb 4.2). E nele permanecer (Jo 8.31;15.9-10; I Co 10.12).

d) E a Vontade de Deus no Aspecto Moral – É o padrão divino de obediência para toda criatura, homem ou mulher. Somos chamados amorosamente para mudar de rota, voltar-se para Deus, renunciando o velho eu, submeter-se ao senhorio de Cristo. Deus não é coercitivo, não força, não violenta a decisão humana de crê nele ou não. A graça de Deus é resistível (Mt 21.28-32;23.37; At 7.31). Seus mandamentos não são pesados, são laços de misericórdia, muros de proteção para evitar danos aqui e a perdição eterna. Creio que é esse aspecto da vontade de Deus de que trata João, em I Jo 5.14-15.

A vontade moral de Deus é o aspecto rejeitado, negado, vilipendiado e violado pela maioria dos homens. E leva-os à condenação. Por isso disse Jesus: “Larga é porta e espaço o caminho que conduz à perdição”. Muitos entrarão por ela. É falsa a premissa grega dos sofistas de que “o homem é a medida de todas as coisas”. O homem degenerado, escravo do pecado, distante de Deus não serve de paradigma para si mesmo. Apóstolo Paulo convicto de que nascera de novo, pôde dizer: “Sede meus imitadores como sou de Cristo”.

Considerando os aspectos citados, por que há tantas dúvidas no meio cristão? Se está dentro ou fora da vontade de Deus. Se faz ou deixa de fazer; se vai, se fica, se continua ou entrega, etc.

Mt 7.7-8,11; Ef 3.20 - Pautado na bondade de Deus, o cristão pode buscar, pedir direção, discernimento para tomar decisões assertivas, em qualquer área da vida, seja negócios, pessoal, familiar, serviço secular ou no Reino de Deus. Com amadurecimento espiritual (fator determinante), é possível deixarmos de nadar tanto na subjetividade e sermos mais objetivos em nossas orações, nas relações humanas e na relação com Deus. Estamos sensíveis para ouvir a voz de Deus? Distinguir quando Ele fala, quando não é Ele quem fala?

Infelizmente, muitos têm uma visão, um entendimento troncho, concepções erradas acerca de Deus e da sua vontade. Aliás, existe o grupo que pensa e crê que a vontade de Deus é só a soberana. Vejamos retratos distorcidos de Deus: 

1.Policial Onipresente – Autoridade máxima que nos vigia e pronto para nos punir, prender, aguardando um passo em falso e meter a vara. É um deus tirano.

Ez 18.23 - Deus não tem prazer da morte do ímpio, do errado em seus pecados.

Será que tem crente que deseja como se deu com Ananias e Safira na Igreja primitiva, ocorra também com alguns de seus irmãos?

2.Deus como uma projeção psicológica do pai terreno – Se o indivíduo teve um bom pai, Deus é legal, bacana, amigo. Se o pai terreno era mau, tende a projetar em Deus, o ser mal-humorado, iracundo, castigador...

Mt 7.11 – “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?”.

Lc 6.35 – “...Ele é benigno até com os ingratos e maus”. Não significa dizer que não haverá um acerto de contas do homem com Deus (Rm 14.11-12).

3.O velho lá de cima – Um deus ultrapassado, antiquado. Agiu poderosamente no passado...como bom velhinho não ouve bem as orações, não interfere na história...

Isaías 46.9-10: “Lembrem-se das coisas passadas, das coisas da antiguidade:  que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim. Desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade revelo as coisas que ainda não sucederam. Eu digo: o meu conselho permanecerá em pé, e farei toda a minha vontade”.

4.O manso e suave – É o Deus de paz e amor – viva como quiser! Um deus açucarado...ele não corrige nem condena ninguém. É um deus light, do movimento progressista, do cósmico, do Universalismo Racional.

Hebreus 10.31 – “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”.

A destruição de Jerusalém, o templo e seus muros - O profeta Ezequiel profetizou sua queda quando já se encontrava entre os exiliados da primeira leva de prisioneiros, antes da derrota final se abater sobre Jerusalém. No seu livro cerca de 60 vezes está mencionado que Deus executaria juízo sobre o seu povo rebelde e que insistira na desobediência, quebrando a Aliança com Ele.

Mt 11.28 - O Jesus manso e suave também nos chama à comunhão para ser o Senhor sobre nós e em nosso favor. Usou o chicote por zelo do ambiente do Templo.

5.O Deus capturado – Ele só se manifesta na minha igreja, no meu clube, cativo da nossa doutrina e da Teologia que defendemos...encaixotado e amarrado, temos uma patente sobre Deus....É um deus provinciano, uma idealização de nossas crenças pessoais, institucionais, limitadas no tempo e no espaço.

6.O Deus Diretor ou Senhor do universo – É o Deus do deísmo, Criador do Universo e nos entregou à própria sorte. Não liga para detalhes, particularidades de nossas vidas, as coisas apequenadas...Depende! Também não é capacho (puxa-saco, servil, humilde demais, como quem nos deve algo...).

Conclusão

1.Em síntese: Para muitos o Deus do AT é o deus da guerra. Do NT é o deus que só tem amor, porém não executa juízo. Da Idade Média é o deus pagão punitivo. E o da atualidade é o deus customizado, cada um descreve e o define pelas suas crenças e particularidades.

2.O Deus da Bíblia é Deus é Deus de longe e de perto. A sua mão não está encolhida para que não possa salvar, nem o seu ouvido agravado para não poder ouvir (Is 59.1).

3.Jesus disse que quem obedece ao Pai, eu e meu Pai, viremos para ele e nele faremos morada. Isto é comunhão, relacionamento com Deus, de Pai para filho, de filho para Pai. E tem tudo a ver com o negar-se a si mesmo e seguir a Cristo. Amém!

Fontes da Pesquisa:

Bíblia Sagrada.

Anotações estudos bíblicos.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 17/02/2026.

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