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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Jesus, como o Verbo de Deus.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Introdução

1.O Evangelho de João apresenta o Verbo eterno como Deus, Criador e Revelador.

2.Ele se fez carne e revelou de forma plena a glória do Pai, cheio de graça e de verdade.

3.Jesus, o verbo divino, é o clímax da revelação do Pai, onde o invisível se tornou visível aos homens, o eterno entrou no tempo e o insondável foi manifestado.

Metas do Estudo:

I) Explicar a preexistência e a divindade do Verbo;

II) Mostrar a atuação do Verbo na Criação e como fonte de vida e luz;

III) Ressaltar que o Verbo encarnado é a plena revelação do Pai.

I. O Verbo como o Eterno Deus

O Verbo preexistente - A expressão “Verbo” (gr. lógos) designa Deus, referindo-se à divindade do Filho.

a) Os gregos - Pensavam ser um princípio racional, impessoal, não como pessoa divina;

b) Os gnósticos - O via como um ser intermediário, negando o mistério da encarnação;

c) No Arianismo - O verbo é um ser criado, superior, não eterno com a mesma substância do Pai;

d) No Modalismo – O verbo não é uma pessoa distinta, mas uma forma temporária do Pai, sem diferença real;

e) Na visão agnóstica (século XIX) - O verbo é apenas um símbolo, uma ideia religiosa, sem realidade divina objetiva.

Distinções entre o cético, o agnóstico e o ateu:

“Cético: Questiona todas as afirmações. Agnóstico: Não tem conhecimento se Deus existe ou não. Ateu: Não acredita que Deus existe” (IA Google).

Notas Bíblicas:

a) João apresenta o Logos como o próprio Deus Eterno - Jesus Cristo, o Filho Unigênito do Pai (Jo 1.14; 3.16). Antes de tudo o que existe, o Verbo já existia. Jesus não começou a existir em Belém, pois Ele é Eterno, coexistente com o Pai desde o princípio (Cl 1.17).

b) João afirma que “o Verbo estava com Deus” (Jo 1.1b) - A expressão grega pros ton Theon (com Deus) comunica relacionamento face a face, ou seja, comunhão pessoal e eterna entre o Verbo (Filho) e Deus (Pai). Indica uma distinção de Pessoas dentro da unidade da Trindade (Dt 6.4; 1Jo 5.7). O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são formas sucessivas da Deidade aparecer, mas são Pessoas coexistentes desde “o princípio” (Jo 1.2; 17.5).

c) O Verbo é da mesma essência do Pai (Jo 10.30; 14.9) - João revela “o Verbo era Deus” (Jo 1.1c). A palavra grega para Deus (Theós) aparece sem o artigo definido. Na estrutura grega, a ausência do artigo não implica indefinição ou inferioridade. Essa construção enfatiza a qualidade ou a natureza do sujeito, não um deus diminuto.

Portanto, o Verbo é como o Pai: eterno (Jo 1.2) e criador (Jo 1.3). A expressão “o Verbo era Deus” ensina que Jesus é da “mesma substância” do Pai, isto é, Deus em sua totalidade (Cl 1.15; 2.9).

II. O Verbo Como Criador

1.Agente da Criação - A Bíblia declara que “no princípio, criou Deus” (Gn 1.1a). A expressão “criou” traduz a palavra hebraica ‘bārā’, afirma que o universo foi criado por Deus a partir do nada — do latim ex nihilo (Hb 11.3).

A doutrina de Deus como Criador possui fundamentos tanto no Antigo Testamento (Sl 33.6; Is 45.12; Ne 9.6) quanto no Novo Testamento (At 17.24; Rm 1.20; Ap 4.11).

João no seu Evangelho, apresenta Jesus também como Criador: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Este versículo enfatiza a divindade do Verbo, uma vez que a criação é obra exclusiva de Deus (Cl 1.16,17). Desse modo, o Filho é o agente ativo na Criação do universo (Hb 1.2).

A fonte da vida - O apóstolo João enfatiza com clareza que “nele, estava a vida” (Jo 1.4a), referindo-se ao Verbo eterno — Jesus Cristo. O logos divino é a fonte absoluta e originária de toda forma de vida, tanto física quanto espiritual e eterna (Jo 3.36; 1Jo 5.11,12).

a) Denota a autossuficiência do Verbo, uma característica específica da Divindade (At 17.25). Jesus não depende de nada ou ninguém para viver. Trata-se da Asseidade de Deus.

b) Ele compartilha da mesma substância divina: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Essa verdade afirma que a vida, eterna e imutável, que está no Pai está igualmente no Filho, apontando para a mesma essência dentre as Pessoas da Trindade (Jo 10.30; 14.9; 17.5).

A luz dos homens - “a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1.4b,5). A metáfora da Luz simboliza o caráter de Deus, porque nEle não há trevas alguma (I Jo 1.5).

a) Jesus é apresentado como a Luz verdadeira (Jo 1.9). Ele não apenas possui luz; Ele é a própria Luz (Jo 8.12). Ele dissipa as trevas, ilumina os perdidos e revela o pecado (Mt 4.16; Jo 3.19).

b) A declaração “as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5 — NAA) mostra que as forças do mal não têm poder sobre Cristo. O verbo grego katalambánō pode ser traduzido como “compreender”, “apoderar” ou “dominar”, e nesse caso expressa que as trevas do pecado não podem resistir à Luz do Filho de Deus (Rm 13.12).

Subsídio - “A Vida Era a Luz dos Homens”.

1) A vida (gr. zōē) é um dos temas centrais do Evangelho de João, aparecendo 36 vezes. Jesus é descrito como:

a) O Pão da Vida (Jo 6.35,48) e a Água da Vida (Jo 4.10,11; 7.38). Suas palavras são palavras de vida eterna (Jo 6.68). Ele é quem dá a vida (Jo 6.33; 10.10), e essa vida é um dom de Cristo (Jo 10.28). Na verdade, Cristo é a vida (Jo 14.6). Em outras palavras, a verdadeira vida encontra-se em Cristo e é experimentada por meio de um relacionamento pessoal com Ele (Jo 17.3). 

Em Jesus também podemos tornar-nos filhos da luz (Jo 12.36) e andar na luz (I Jo 1.7). 

III. O Verbo Como Revelação do Pai

1.A encarnação do Verbo - João também apresenta o Verbo como o supremo meio de autorrevelação do Pai: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14a). Esta afirmação marca o ponto culminante da revelação divina: o Verbo se tornou homem sem deixar de ser Deus (Fp 2.6-8). Deus é imutável, não altera sua natureza nem o caráter.


2.A plenitude da graça e da verdade - João, testemunha ocular da encarnação do Verbo, declara ser a “glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b). A palavra “glória” (gr. dóxa) remete ao conceito da shekinah — a presença gloriosa de Deus entre o seu povo (Êx 40.34,35). Porém, enquanto a glória na Antiga Aliança se manifestava parcialmente, em Cristo ela se mostra plenamente (Jo 2.11; 17.1-5).

3.O revelador do Deus invisível - João afirma: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18). Aqui, o apóstolo enfatiza que Deus é invisível e inacessível (Êx 33.20; I Tm 6.16). No entanto, o Verbo o revelou de forma plena e perfeita. 

Cristo é a autorrevelação completa do Pai: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9).

Conclusão

1.Jesus Cristo é o Unigênito que revela o Pai, sua glória, cheio de graça e de verdade (Jo 1.14).

2.A encarnação do Verbo não é uma doutrina essencial da fé cristã, e nos chama à adoração e proclamação daquEle que é a imagem visível do Deus invisível.

3.O Senhor Jesus é o clímax, a perfeita revelação do Pai à humanidade.

Fontes da Pesquisa:

Lição EBD/CPAD – 1º trimestre de 2026.

Bíblia Sagrada.

Anotações Pessoais.

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 08/02/2026.

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