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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Deus, o Espírito Santo (lição 8 - Pneumatologia).

 


João 14.16 - “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.”

Introdução

1.Quem é o Espírito Santo? É a terceira Pessoa da Trindade, distinta do Pai e do Filho, plenamente divino e coigual ao Pai e ao Filho.

2.Aprenderemos o que não é o Espírito Santo - Ele não é uma força impessoal, mera influência, não é uma energia sem identidade.

3.Funções do Espírito Santo na Igreja: Consolador, Ensinador e Santificador.  

Estes três aspectos de Sua atuação (consolo, ensino e santificação) não estão restritos aos primeiros anos da igreja, mas se estendem às próximas gerações, até Jesus voltar.

4.Veremos também a atuação do Espírito Santo nos eventos da encarnação, ressurreição e santificação.

I – A pessoalidade do Espírito Santo - A Bíblia o apresenta como Pessoa divina, com mente, vontade e emoções.

a) Ele age com autonomia, exercendo funções próprias de uma Pessoa. Ele tem propósito, mente e consciência, o que comprova sua racionalidade (Rm 8.27).

b) Ele pode ser entristecido, o que envolve sensibilidade e emoções (Ef 4.30).

c) Ele ensina e faz lembrar, o que demonstra inteligência e comunicação consciente (Jo 14.26). Ele guia os crentes, função que exige entendimento e relacionamento (Jo 16.13).

d) Ele distribui os dons soberanamente, o que confirma sua vontade em ação (I Co 12.11).

e) Ele fala com clareza, chama pessoas e designa tarefas, que são ações de uma Pessoa divina (At 13.2). Negar sua Pessoa é mutilar a Trindade.

Assim sendo, o Espírito Santo compartilha da mesma natureza divina do Pai e do Filho, sendo plenamente Deus, Ele é uma Pessoa distinta dentro da unidade da Trindade (Tt 3.5).

2.Essa distinção do Espírito Santo é essencial para refutar heresias, como:

a) O modalismo - que ensina que Pai, Filho e Espírito são apenas “modos” sucessivos de uma única Pessoa divina;

b) O arianismo - que negava a divindade do Filho e do Espírito;

c) e os pneumatómacos - que negavam a deidade. Porém, as Escrituras ensinam que o Espírito é enviado pelo Pai e em nome do Filho, evidenciando seu papel distinto e sua missão específica (Jo 14.26). Em suma, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho, mas plenamente Deus (I Co 2.10-11).

3.A palavra “Consolador” é tradução do grego paráklētos – Significa:

a) “aquele que encoraja e conforta”; e, “Ajudador”, que auxilia na necessidade;

b) e, ainda “Advogado”, que intercede ou defende alguém perante uma autoridade.

c) O vocábulo paráklētos aparece cinco vezes nos escritos de João, referindo-se tanto ao Espírito Santo como a Cristo (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7; 1Jo 2.1).

d) O Espírito Santo é chamado de “outro Consolador”, isto é, alguém da mesma natureza que Jesus. E, portanto, aquele que assume o papel da presença permanente de Deus na vida dos crentes.

e) Ele é o Consolador prometido que procede do Pai e do Filho (Jo 14.25-31).

II. A Divindade do Espírito Santo

1.O debate “Filioque” - A expressão latina que significa ‘e do Filho’- Foi inserida no Credo Niceno-Constantino-politano para reafirmar o ensino bíblico que o Espírito procede do Pai e do Filho:

a) “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome” (Jo 15.26 — NAA);

b) “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9);

c) “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (Gl 4.6).

2.Todos os atributos divinos do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o Espírito Santo, tais como:

a) Onipotência - O Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (Lc 1.15; Rm 15.19);

b) Onisciência - Não existe nada além de seu conhecimento (At 5.3,4; 1Co 2.10,11).

c) Onipresença - Não há lugar algum onde se possa fugir da sua presença (Sl 139.7-10);

d) Eternidade - Ele não passou a existir no Pentecostes, pois estava presente no ato da criação (Gn 1.1-2; Hb 9.14).

E são atributos absolutos exclusivos da divindade. Tais virtudes são, de modo inequívoco, evidências da deidade do Espírito Santo. Essas características lhe são inerentes, não lhe foram agregadas nem conferidas. A Terceira Pessoa da Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.

3.Os símbolos do Espírito - Os principais símbolos representativos do Espírito Santo são:

a) Fogo - Utilizado para retratar o batismo no Espírito (At 2.3), simboliza pureza, a presença e o poder de Deus.

b) Água - O Espírito flui da Palavra como águas vivas que refrigeram o crente e o revestem de poder (Jo 7.37-39).

c) Vento - Refere-se à natureza invisível do Espírito (Jo 3.8). No Pentecostes é representado pelo som como de um vento (At 2.2).

d) Óleo - Usado para a luz e a unção, simboliza a consagração do crente para o serviço, e a iluminação para o entendimento das Escrituras (II Co 1.21,22; I Jo 2.20,27).

e) Pomba - O Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba (Mt 3.16), é símbolo da paz e da mansidão. Cada símbolo atua como figuras para a compreensão do caráter e da atuação do Espírito.

III. A Atuação do Espírito Santo

1.Na encarnação do Filho de Deus - Revela o papel do Espírito como o agente divino na concepção de Jesus: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá [...] o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O Espírito Santo, em união com o poder do Pai, atua de modo sobrenatural no ventre de Maria. O evento é uma ação trinitária: o Pai envia o Filho (Gl 4.4); o Filho assume a forma humana (Fp 2.7); e o Espírito realiza o milagre da geração e concepção (Mt 1.18,20).

Mq 5.2 – Fala da eternidade do Deus Filho, atemporal, não afirma haver sido gerado na eternidade. Aliás, na eternidade Ele é Deus juntamente com o Pai e Espírito Santo. 

Nota: Quando lemos que o Cordeiro de Deus foi morto antes da fundação do mundo, na presciência divina no conjunto dos eventos da redenção, não significa estar gerado na eternidade. Jesus foi gerado no momento da concepção, no mistério da encarnação, para tomar forma humana, como um de nós. Tornou-se homem, não deixou de ser Deus. E podemos afirmar ser Jesus plenamente homem, embora não 100% humano em razão da forma como foi gerado. Sendo Deus para aqui encarnar, foi gerado diferente dos humanos. Eis a causa de não ter a natureza humana caída. Do contrário, Jesus seria enquadrado em Rm 5.12. De modo que podemos crê e ratificar Hebreus 4.15.

2.Na Ressurreição de Jesus - A vida e o poder sobre a morte são atribuições exclusivas de Deus (Jo 5.21). Nesse sentido, a ressurreição de Cristo é uma obra da Trindade:

a) o Pai ressuscitou o Filho (At 2.24);

b) o Filho declarou possuir poder para dar a sua vida e retomá-la, Ele próprio é a ressurreição (Jo 10.18; 11.25);

c) e o Espírito Santo é o agente vivificador: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11).

Paulo atribui ao Espírito Santo a ação direta na ressurreição, e afirma que esse mesmo Espírito habita nos crentes, garantindo-lhes a ressurreição final, uma ação que apenas Deus é capaz de executar (Ef 1.13,14). A atuação do Espírito no evento da ressurreição comprova sua plena divindade.

3.No processo da Santificação – Como atua o Espírito Santo?

a) Convence-nos da pecaminosidade humana (Jo 16.8);

c) O Espírito Santo passa a habitar no crente desde a regeneração operando a santificação, até a glorificação;

b) Promove transformação (II Co 3.18). Deus nos escolheu, via fé em Cristo, para vivermos em santidade (Ef 1.4; II Ts 2.13).

A santificação possui duas dimensões:

a) Uma posicional - No momento da conversão (I Co 6.11). O que chamo de status de santo por causa da justificação pela justiça de Cristo, pelo que padeceu por nós e carimbou com a ressurreição  (Rm 4.25).

b) E outra progressiva – Como um processo contínuo de transformação. E devemos buscar a santificação (Hb 12.14).

d) No processo da santificação, requer a cooperação do crente. Paulo exorta: “andai em Espírito” (Gl 5.16), e adverte: “não entristeçais o Espírito” (Ef 4.30).

e) No entanto, não é resultado exclusivo do esforço humano, mas uma ação permanente do Espírito (I Pd 1.2). Essa ação atesta a deidade do Espírito e a necessidade da dependência do Espírito (Ez 36.26-27).

Conclusão/Aplicação

1.O Espírito Santo é plenamente Deus, distinto do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Ele nos guia em toda a verdade, transforma nosso caráter e nos fortalece na jornada cristã.

2.O Espírito habita em nós, é Deus se relacionando conosco; e realiza a santificação, na medida que damos lhe damos lugar.

3.Que levemos a sério o Espírito Santo, um companheiro inestimável e inseparável. Que vivamos diariamente sob a direção do Espírito Santo. Amém!

Fontes da pesquisa:

Lição EBD/CPAD – 1º trimestre de 2026. Comentário Douglas Batista.

Bíblia Sagrada.

Anotações de Estudos Pessoais.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 21/02/2026.

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