João 14.16 - “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.”
Introdução
1.Quem é o Espírito Santo? É a
terceira Pessoa da Trindade, distinta do Pai e do Filho, plenamente divino e
coigual ao Pai e ao Filho.
2.Aprenderemos o que não é o
Espírito Santo - Ele não é uma força impessoal, mera
influência, não é uma energia sem identidade.
3.Funções do Espírito Santo na
Igreja: Consolador, Ensinador e Santificador.
Estes três aspectos de Sua
atuação (consolo, ensino e santificação) não estão restritos aos primeiros anos
da igreja, mas se estendem às próximas gerações, até Jesus voltar.
4.Veremos também a atuação do
Espírito Santo nos eventos da encarnação, ressurreição e santificação.
I – A pessoalidade do Espírito
Santo - A Bíblia o apresenta como Pessoa divina, com mente,
vontade e emoções.
a) Ele age
com autonomia, exercendo funções próprias de uma Pessoa. Ele tem propósito,
mente e consciência, o que comprova sua racionalidade (Rm 8.27).
b) Ele pode
ser entristecido, o que envolve sensibilidade e emoções (Ef 4.30).
c) Ele
ensina e faz lembrar, o que demonstra inteligência e comunicação consciente (Jo
14.26). Ele guia os crentes, função que exige entendimento e relacionamento (Jo
16.13).
d) Ele
distribui os dons soberanamente, o que confirma sua vontade em ação (I Co
12.11).
e) Ele fala
com clareza, chama pessoas e designa tarefas, que são ações de uma Pessoa
divina (At 13.2). Negar sua Pessoa é mutilar a Trindade.
Assim
sendo, o Espírito Santo compartilha da mesma natureza divina do Pai e do Filho,
sendo plenamente Deus, Ele é uma Pessoa distinta dentro da unidade da Trindade
(Tt 3.5).
2.Essa
distinção do Espírito Santo é essencial para refutar heresias, como:
a) O
modalismo - que ensina que Pai, Filho e Espírito são apenas “modos”
sucessivos de uma única Pessoa divina;
b) O
arianismo - que negava a divindade do Filho e do Espírito;
c) e os
pneumatómacos - que negavam a deidade. Porém, as Escrituras ensinam que o
Espírito é enviado pelo Pai e em nome do Filho, evidenciando seu papel distinto
e sua missão específica (Jo 14.26). Em suma, o Espírito Santo é distinto do Pai
e do Filho, mas plenamente Deus (I Co 2.10-11).
3.A palavra “Consolador” é
tradução do grego paráklētos – Significa:
a) “aquele que encoraja e
conforta”; e, “Ajudador”, que auxilia na necessidade;
b) e, ainda “Advogado”, que
intercede ou defende alguém perante uma autoridade.
c) O vocábulo paráklētos aparece
cinco vezes nos escritos de João, referindo-se tanto ao Espírito Santo como a
Cristo (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7; 1Jo 2.1).
d) O Espírito Santo é chamado
de “outro Consolador”, isto é, alguém da mesma natureza que Jesus. E, portanto,
aquele que assume o papel da presença permanente de Deus na vida dos crentes.
e) Ele é o Consolador prometido que procede do Pai e do
Filho (Jo 14.25-31).
II. A Divindade do Espírito
Santo
1.O debate “Filioque” - A
expressão latina que significa ‘e do Filho’- Foi inserida no Credo Niceno-Constantino-politano
para reafirmar o ensino bíblico que o Espírito procede do Pai e do Filho:
a) “o Espírito Santo, que o
Pai enviará em meu nome” (Jo 15.26 — NAA);
b) “se alguém não tem o
Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9);
c) “Deus enviou aos nossos
corações o Espírito de seu Filho” (Gl 4.6).
2.Todos os atributos divinos
do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o Espírito Santo, tais
como:
a) Onipotência - O
Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (Lc 1.15; Rm 15.19);
b) Onisciência - Não
existe nada além de seu conhecimento (At 5.3,4; 1Co 2.10,11).
c) Onipresença - Não há
lugar algum onde se possa fugir da sua presença (Sl 139.7-10);
d) Eternidade - Ele não
passou a existir no Pentecostes, pois estava presente no ato da criação (Gn 1.1-2;
Hb 9.14).
E são atributos absolutos exclusivos
da divindade. Tais virtudes são, de modo inequívoco, evidências da deidade do
Espírito Santo. Essas características lhe são inerentes, não lhe foram
agregadas nem conferidas. A Terceira Pessoa da Trindade possui a mesma essência
do Pai e do Filho.
3.Os símbolos do Espírito - Os principais símbolos representativos do Espírito
Santo são:
a) Fogo
- Utilizado para retratar o batismo no Espírito (At 2.3), simboliza pureza, a
presença e o poder de Deus.
b) Água
- O Espírito flui da Palavra como águas vivas que refrigeram o crente e o
revestem de poder (Jo 7.37-39).
c) Vento
- Refere-se à natureza invisível do Espírito (Jo 3.8). No Pentecostes é
representado pelo som como de um vento (At 2.2).
d) Óleo -
Usado para a luz e a unção, simboliza a consagração do crente para o serviço, e
a iluminação para o entendimento das Escrituras (II Co 1.21,22; I Jo 2.20,27).
e) Pomba
- O Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba (Mt 3.16), é símbolo da paz e
da mansidão. Cada símbolo atua como figuras para a compreensão do caráter e da
atuação do Espírito.
III. A Atuação do Espírito
Santo
1.Na encarnação do Filho de
Deus
- Revela o papel do Espírito como o agente divino na concepção de Jesus:
“Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá [...] o
Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O
Espírito Santo, em união com o poder do Pai, atua de modo sobrenatural no
ventre de Maria. O evento é uma ação trinitária: o Pai envia o Filho (Gl 4.4);
o Filho assume a forma humana (Fp 2.7); e o Espírito realiza o milagre da geração
e concepção (Mt 1.18,20).
Mq 5.2 – Fala da eternidade do Deus Filho, atemporal, não
afirma haver sido gerado na eternidade. Aliás, na eternidade Ele é Deus
juntamente com o Pai e Espírito Santo.
Nota: Quando lemos que o Cordeiro de Deus foi morto antes da fundação do mundo, na presciência divina
no conjunto dos eventos da redenção, não significa estar gerado na eternidade. Jesus foi gerado no momento da concepção, no mistério da encarnação, para tomar forma
humana, como um de nós. Tornou-se homem, não deixou de ser Deus. E podemos
afirmar ser Jesus plenamente homem, embora não 100% humano em razão da forma
como foi gerado. Sendo Deus para aqui encarnar, foi gerado diferente dos
humanos. Eis a causa de não ter a natureza humana caída. Do contrário, Jesus
seria enquadrado em Rm 5.12. De modo que podemos crê e ratificar Hebreus 4.15.
2.Na Ressurreição de Jesus - A
vida e o poder sobre a morte são atribuições exclusivas de Deus (Jo 5.21).
Nesse sentido, a ressurreição de Cristo é uma obra da Trindade:
a) o Pai ressuscitou o Filho
(At 2.24);
b) o Filho declarou possuir
poder para dar a sua vida e retomá-la, Ele próprio é a ressurreição (Jo 10.18;
11.25);
c) e o Espírito Santo é o
agente vivificador: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a
Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também
vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm
8.11).
Paulo atribui ao Espírito
Santo a ação direta na ressurreição, e afirma que esse mesmo Espírito habita
nos crentes, garantindo-lhes a ressurreição final, uma ação que apenas Deus é
capaz de executar (Ef 1.13,14). A atuação do Espírito no evento da ressurreição
comprova sua plena divindade.
3.No
processo da Santificação – Como
atua o Espírito Santo?
a) Convence-nos
da pecaminosidade humana (Jo 16.8);
c) O Espírito
Santo passa a habitar no crente desde a regeneração operando a santificação, até
a glorificação;
b) Promove
transformação (II Co 3.18). Deus nos escolheu, via fé em Cristo, para vivermos
em santidade (Ef 1.4; II Ts 2.13).
A
santificação possui duas dimensões:
a) Uma
posicional - No
momento da conversão (I Co 6.11). O que chamo de status de santo por causa da
justificação pela justiça de Cristo, pelo que padeceu por nós e carimbou com a ressurreição
(Rm 4.25).
b) E
outra progressiva –
Como um processo contínuo de transformação. E devemos buscar a santificação (Hb
12.14).
d) No processo
da santificação, requer a cooperação do crente. Paulo exorta: “andai em
Espírito” (Gl 5.16), e adverte: “não entristeçais o Espírito” (Ef 4.30).
e) No
entanto, não é resultado exclusivo do esforço humano, mas uma ação permanente
do Espírito (I Pd 1.2). Essa ação atesta a deidade do Espírito e a necessidade
da dependência do Espírito (Ez 36.26-27).
Conclusão/Aplicação
1.O Espírito Santo é
plenamente Deus, distinto do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e
glória. Ele nos guia em toda a verdade, transforma nosso caráter e nos fortalece
na jornada cristã.
2.O Espírito habita em nós, é
Deus se relacionando conosco; e realiza a santificação, na medida que damos lhe
damos lugar.
3.Que levemos a sério o
Espírito Santo, um companheiro inestimável e inseparável. Que vivamos diariamente
sob a direção do Espírito Santo. Amém!
Fontes da pesquisa:
Lição EBD/CPAD – 1º
trimestre de 2026. Comentário Douglas Batista.
Bíblia Sagrada.
Anotações de Estudos Pessoais.
Por Samuel Pereira de
Macedo Borges
Natal/RN, 21/02/2026.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
INCLUIR COMENTÁRIO!