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terça-feira, 26 de maio de 2026

A Igreja versus Mundo - Reflexão em Judas 1.23

 

“E salvai alguns, arrebatando-os do fogo; tende deles misericórdia com temor, aborrecendo até a roupa manchada da carne”.

Considerando o Reino de Deus versus mundo, a discussão se torna mais abrangente, pois se trata de uma oposição de princípios e valores que perpassa todas as esferas das atividades humanas. A Igreja não comporta o Reino de Deus, enquanto o Reino a comporta.

- Mundo - Sistema de valores contrários ao Evangelho de Cristo.

Paul Freston conceituou assim: “Sociedade humana caída, organizada sem Deus e contra Ele, mesmo em seus momentos religiosos”. 

- Carne – Refere-se à natureza pecaminosa, produto da queda no Éden.

- A expressão "detestando até a roupa contaminada pela carne" (RA):

a) É uma metáfora para exortar aos crentes terem compaixão pelos perdidos e ao mesmo tendo repulsa ao pecado, à corrupção moral, evitando qualquer contágio ou associação com comportamentos ímpios, mundanos.

b) A relação do cristão com o mundo requer preparo, prudência, testemunho exemplar para influenciar, evangelizar, ajudando livrarem-se da condenação que paira sobre a humanidade incrédula. Jesus foi contato entre os publicanos e pecadores. A Bíblia não recomenda se isolar da sociedade em geral. Vale frisar que Jesus não foi gerado com a natureza humana caída como nós. 

c) Odiar, detestar, indica uma aversão radical às influências do pecado, optando em buscar pureza espiritual.

d) É um alerta para separar o pecador (a quem se deve mostrar misericórdia) do pecado (que deve ser reprovado). 

e) Em Zc 3.3-10 – Na mesma linha de entendimento, roupas sujas simbolizam a iniquidade que precisa ser removida.

A santidade cristã é oposta aos costumes deste mundo gentio - Cabe ao cristão se despojar (despir-se) do velho homem que se corrompe pelas concupiscências e se renovar no espírito, revestidos do novo homem, segundo Deus, criado em verdadeira justiça e santidade (Ef 4.22-24).

Jesus fez clara distinção entre o mundo e a sua Igreja (Jo 15.18-19). E não podemos ser, em práticas, deste mundo como também Ele não é (Jo 17.16).

Jo 17.14 – “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo”.

Não se trata de discriminar as pessoas não cristãos e sim atestar a convicção de fé para vivermos em identidade com Cristo.

II Tm 2.19 - "...o Senhor conhece os que são seus e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade".

1.A amizade com mundo é inimizade contra Deus (Tg 4.4).

2.Amar ao mundo e o que nele há - Certamente levará o cristão ao naufrágio da fé, vai absorvendo seus valores e perde o amor de Deus (I Jo 2.15-17). Restará o que? Nada de temor, serviço e adoração ao Senhor!

Quanto à cultura dizia Theodore Williams – “A cultura é composta de língua, hábitos, idéias, crenças, costumes, organização social, invenções, processos tecnológicos e valores éticos e morais. Agora, toda cultura é manchada pelo pecado, seja ela americana, africana, britânica ou indiana”.

3.Não se conformar, não se amoldar ao mundo – Repudiar o estilo do mundo, é condição para sermos transformados pela renovação do entendimento (da mente), para andarmos na boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.2).

“Sede homens e mulheres no mundo, mas não sejais homens e mulheres mundanos”.  - Escrivá de Balaguer.

C S Lewis afirmou: “Quando o mundo inteiro corre em direção ao precipício, quem corre na direção oposta parece louco”.

4.Como sal e luz do mundo, devemos salgar e brilhar – O sal que se torna insosso, perder o sabor e função, para nada mais serve. Se aqueles que seguem a Cristo, perderem seu impacto transformador na sociedade, não servem mais para o propósito a que foram chamados. Brilhe a vossa luz diante dos homens e glorifique ao Pai que está nos céus (Mt 5.13-16).

Então, reflitamos:

“Não somos o caramelo da terra, somos o sal da terra, algo que o mundo tem vontade cuspir e não de engolir” (Charles Spurgeon).

O cristão pode se sentir em perigo quando está sob críticas, zombarias e perseguição do mundo. Porém, maior é o perigo quando aplaudido por ele.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 26/05/2026.

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