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segunda-feira, 22 de julho de 2024

O Ano da Remissão Hebreu (Dt 15.1-15)

 

1.Apregoado e praticado a cada 7 anos em Israel.

2.Emprestou, não recebeu do seu próximo em sete anos, davam a quitação.

3.Era prática entre os filhos de Israel. Do estranho era exigida a quitação do débito.

4.A finalidade: “Para que entre ti não haja pobres”.

5.Visava corrigir distorções socioeconômicas acumuladas (Dt 15.4,11ª).

6.Quem o praticava tinha a promessa da bênção divina (Dt 15.4-5).

7.Cada um cuidasse em guardar seu coração de omissão e usar da misericórdia.

8.Quem se vendia ao irmão era liberado no ano da remissão e não seguia vazio (Dt 15.12-14).

9.Aquele que não quisesse ser livre ficava servo para sempre (Dt 15.16-17). Entretanto, não podia ser tratado como escravo (Lv 25.39-40).

10.O servo ganhava a metade do salário de um trabalhador normal (Dt 15.18). Ou seja, o regime de servo na comunidade judia era diferente da escravidão entre os pagãos/gentios.

11.Nas celebrações do Ano da Remissão era lida a Lei para todo o povo ouvir (Dt 31.9-12).

O Ano do Jubileu - Ano seguinte a cada 49 anos

1.Lv 25.8-13 - O quinquagésimo ano era santificado e apregoada liberdade a todos os moradores da terra.

2.Lv 25.23 – A terra não podia ser vendida perpetuamente, pois o verdadeiro proprietário era Deus, ao povo devia se portar como estrangeiros e peregrinos com Ele neste mundo.

3.Lv 25.24-28 – Quem havia vendido sua possessão, tinha a oportunidade de resgatar pelo resgatador, ou conforme pudesse pagar.  E se empobrecido, retornava as suas mãos no Ano do Jubileu, restituída pelo que a adquiriu. E este usufruíra dos frutos/produção da terra enquanto esteve com a posse.

4.Lv 25.39-40 - O irmão que se vendera, pela necessidade, não podia ser tratado como escravo, mas como um trabalhador.

5.Lv 25.41 - No Ano do Jubileu cada um retornava com seus filhos à sua família e às posses dos pais.

 

Por Samuel Pereira Macedo Borges

Natal/RN, 22/07/2024.

Lição 4 – O encontro de Rute com Boaz

 

Introdução

1.Na lição 3 tivemos a oportunidade de estudar as qualidades encontradas em Rute e em Noemi sua sogra.

2.Rute se destacou pela firme decisão de permanecer em lado da sua sogra, apesar das circunstâncias, ocasião em que declarou fé no Deus de Israel, diferente de Orfa, a outra nora a qual retornou aos familiares e seus deuses.

3.A presença de Rute foi percebida nos campos por Boaz e ao descobrir quem era toma atitudes para ajudá-la. Rute estava começando a colher o bem pelo seu comportamento altruísta para com Noemi.

4.Então, veremos a mão de Deus agindo em favor de uma mulher que não pensava só em si. E vai também se descortinando o propósito divino mais amplo, para perpetuar gerações, tendo em vista a Redenção da Humanidade pela linhagem Davídica.

I – Boaz, o remidor

1. Quem era Boaz? Um parente do Elimeleque, esposo falecido de Noemi. Tinha posses, um produtor rural bem-sucedido, respeitado por todos, de caráter íntegro e veio a ser o remidor de Rute.

2.Chama a atenção, o relacionamento com os seus empregados: Demonstrava temor a Deus.

3.A sua saudação aos empregados “O Senhor seja convosco” e tinha um retorno positivo dos segadores: “O Senhor te abençoe” (Rt 2.4).

4. Boaz reunia condições de ser o parente remidor de Rute. Tanto de resgatador como de remidor, vejamos:

a) O resgatador na Lei mosaica - Quando um judeu ficava pobre e vendia suas posses, o parente mais próximo tinha o dever de comprá-las de volta e lhe restituir;

b) E se um hebreu fosse comprado como escravo por um estrangeiro, um parente tinha o dever de resgatá-lo (Lv 25.25-28; 47-59).

c) Na lei do levirato (levir – cunhado) - Previa que o irmão do falecido casasse com a viúva e suscitasse a descendência do morto (Dt 25.5-10; Mt 22.24-48).

d) Esses costumes sociais, com um condão de justiça social, no meio hebreu foram ampliados, visando maior alcance.

e) Como Boaz não era irmão do falecido esposo de Rute e havia um remidor mais chegado, ele teve que tratar do caso com ele (Rt 3.12; 4.1-12).

II – O carinho de Boaz para com Rute

1.Rute foi percebida por Boaz quando colhia os respigos na sua plantação.

Rute 2.11 - Informado de quem era e o que fez, passou a tratá-la com carinho, chamando-a de filha.

2.Para sua segurança deu ordem para que não a tocassem (Rt 2.9).

3.Era crítica a situação de uma mulher viúva em tempos primitivos – Se não tivesse a quem recorrer o destino era: Fome, escravidão ou prostituição.

Subsídio - A  escravidão e o mercado de trabalho:

Para nossa vergonha nas américas o Brasil foi o último a abolir a escravidão, com a Lei áurea em 13/05/1888. E no final do século XX, em 1981, a Mauritânia foi o último país do mundo a aboli-la oficialmente.  

Entretanto, clandestinamente, na atualidade, infelizmente ainda tem pessoas escravizadas, subjugadas em trabalhos forçados.

O mercado de trabalho pós-moderno - O assédio moral e o sexual.

Assédio moral visa a eliminação da vítima do mundo do trabalho pelo terror psicológico.

Assédio sexual é caracterizado pela conduta que objetiva o prazer sexual de várias formas, causando constrangimento e afetando a dignidade da vítima. A ação ativa decorre do superior hierárquico para com o empregado subordinado ou pela ascendência inerente ao exercício do cargo, emprego ou função.

4.A postura de Boaz – Um cavalheiro educado com todos - Aprendemos que um viver justo, santo no temor de Deus não exige ser rude nem respirar ar de superioridade.

Há quase dois milênios consta nas Escrituras como devem patrões e empregados devem se comportar nas relações de trabalho (Ef 6.5-9; Cl 3.22; 4.1). E o apóstolo Paulo não precisou fazer uma revolução a respeito. Mas, aos cristãos deixou orientações incontestáveis com um profundo senso de justiça social.

5.Rute e o agir de Deus – Rute sendo uma estrangeira, pobre, vulnerável, tinha tudo para ser desrespeitada e explorada.

Rt 2.3 – “...e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz...”. Significa a oportunidade e Rute sob aproveitar sabiamente (Ec 9.11).

Há um ditado que diz: “Nunca foi sorte, foi Deus”.

Ela tinha educação e discrição (Rt 2.7). Ela possuía compostura e o bom testemunho abre portas (Rt 2.11).

Minha mãe nos ensinou sobre a humildade. Porém, também falava de um provérbio popular: “Quem muito se abaixa mostra o fundo das calças”.

6.A visão de Boaz – Para ele o Deus dos hebreus não estava limitado a barreiras geográficas nem de etnias.

Rute 2.12 – foram palavras expressas por Boaz – “O Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar”.

Um preconceituoso jamais diria tamanha promessa para com uma gentia.

Enfim, Boaz tinha firmeza moral, sensibilidade, ternura e espiritualidade. Que exemplo a seguir!

III – A colheita de Rute e a sua sobrevivência

1.Rute decidiu servir ao Deus de Israel e fez confissão pessoal perante Noemi. Deixou para trás Quemós, o deus dos moabitas, cuja adoração incluía sacrifício de crianças (Nm 21.29; I Rs 11.7; II Rs 3.26-27).

2.A lei da semeadura funciona integralmente – Seja para juízo, seja para bênçãos (II Co 9.6; Gl 6.7).

3.O Mundo dos Homens versus Governo de Deus:

a) No primeiro impera a incredulidade, a desobediência e a ira divina; no segundo é onde Deus age mediante a fé e se relaciona amorosamente com seus filhos e adoradores. E a Igreja é a sua expressão maior na terra. Deus não governa no mundo incrédulo. É um desvio das verdades bíblicas. Ele pode intervir quando julgar necessário.

b) O Deísmo ensina que Deus fez o homem e o colocou no mundo e entregou a sua própria sorte. É heresia.

c) O Teísmo bíblico ensina acerca de um Deus pessoal e que de várias formas tem se revelado aos homens, visando relacionar-se com eles. Já o Teísmo Aberto, a  Teologia do Processo está contaminado de heresias.

d) Deus sustenta a sua Criação por Leis Universais estabelecidas pelo seu próprio poder. independe de fé. Porém, não governa político e economicamente o mundo (Humanidade). Esse domínio foi dado ao homem, desde o Éden. E o que complicou seriamente o governo humano na terra foi a queda espiritual e o diabo aprontando onde achar lugar (Ef 4.27).

e) Um é o status de criatura de Deus; outro é o status de filhos de Deus. A Bíblia faz clara distinção entre o que serve a Deus e o que não o serve.

f) Os monergistas dividem a Humanidade em dois grandes grupos: Dos eleitos para salvação e os não eleitos para perdição, e exclusivamente por decisão e determinação divina. Torna o Deus de amor e de misericórdia da Bíblia num carrasco descomunal.

g) Rm 8.28 - O decreto divino é o chamamento à salvação, mediante o arrependimento e a fé. Quando a Bíblia diz que tudo contribui para o bem dos que amam a Deus, logo refere-se aos filhos da obediência, conforme Jesus ensinou: Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. Aliás, Paulo estava escrevendo aos salvos em Cristo Jesus, na cidade de Roma. E nada nos separará do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.39). A núcleo da exegese soteriológica do texto precisa estar em Cristo, não nos eleitos. Do contrário, cristãos irão professar uma fé egoísta, narcisista.

h) No livro de Rute, era um contexto histórico teocrático, em meio a um povo com chamada divina específica. E ali Deus prosseguia com o seu propósito de trazer a salvação a todas as gentes. Deus soberanamente quando necessário intervém no mundo dos homens, todavia não se relaciona com o mundo pagão cujo deus é o diabo. Jesus rogou pelos seus discípulos, coletivamente representavam a Igreja (Jo 17.9-10). O mundo incrédulo deixou de lado, porque esse sistema de valores jaz no maligno.

i) O chavão genérico “Deus está no controle de tudo” não aumenta a soberania de Deus, depõe contra Deus, tirando a responsabilidade humana de suas ações e omissões. A soberania de Deus não sofre oscilação para mais ou para menos em tempo nenhum. Ela está sempre intacta, independente das circunstâncias e dos acontecimentos no mundo, seja na sua Criação, seja no mundo dos homens.

Quem desejar lê mais a respeito veja no https://samuca-borges.blogspot.com/2022/06/deus-esta-no-controle-de-tudo-e-de-todos.html

Conclusão

1.Não existe acaso e nem desgoverno onde Deus atua e reina. Precisa haver fé e obediência para com Ele num só feixe no que tange a sua vontade moral.

2.Quanto à colheita de nossas ações, há frutos colhidos de imediato. Outros só serão colhidos no seu devido tempo.

3.No aspecto prático, a colheita de Rute garantiu a sua sobrevivência e da sua sogra. E com fé, iniciativa e trabalho árduo.

4.Uma colheita maior e mais expressiva seria no tempo oportuno, o seu casamento com Boaz (Rt 4.1-22).

5.Is 64.4 – O Deus a quem servimos é aquele que trabalha por aqueles que nele espera. Rute passou a esperar em Deus e Ele honrou a sua fé. Louvado seja o seu santo nome. Amém!

 

Fontes da Pesquisa:

Lição EBD/CPAD – 3º trimestre de 2024.

Bíblia Sagrada.

Jusbrasil.com.br.

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 22/07/2024.

domingo, 21 de julho de 2024

As Zebras e o Ódio

 

Uma citação inteligente em linhas cômicas!

Na verdade, Deus deu ao homem o governo político-econômico da terra (Gn 1.26-31; Sl 8.4-9). O agravante foi a queda, o distanciamento do homem de Deus, pela problemática do pecado (Gn 3.1-24; Rm 5.12). O que Deus não deu ao homem foi o domínio sobre outro homem (Gn 1.26). Deus estabeleceu hierarquias por áreas e as suas responsabilidades quando constituiu as autoridades civis e espirituais (Rm 13.1-7; Ef 6.1-9; Ef 4.6-16): Os pais nos lares, o prefeito na Prefeitura, o delegado na Delegacia, o médico no hospital, o pastor na Igreja, etc. Então, a Humanidade vive sob a maldade do encardido (Jo 8.44;10.10; I Jo 5.19) e a do homem (Jr 17.5,9; Rm 7.15-20), com sua imagem e semelhança com o Criador desconfigurada. Jesus veio para restaurar o homem e levá-lo de volta ao Pai. "Ele veio buscar e salvar o que se havia perdido" (Lc 19.10).

E sendo assim, há esperança em Jesus Cristo:

João 10.10 – “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

João 12.46-48 – Disse Jesus: “Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo. Porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que falei, essa o julgará no último dia”.

João 8.31-32 – “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

João 8.36 – “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres”.

João 3.16 – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

II Co 5.17 - “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.

 

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN – 21/07/2024.

domingo, 26 de maio de 2024

O Perdão em Discussão!


A cultura cristã está impregnada de certa generalidade em torno do amor e o perdão incondicionais, seja de Deus para com os homens, como também entre os homens. E acredito ser uma consequência da disseminação da literatura calvinista, “filha do monergismo”. E acontece com certa frequência, cristãos que não são monergistas (amor, perdão, salvação, dependem exclusivamente de Deus) e sim sinergistas (Deus e o homem cooperam para salvação), no embalo pregam, ensinam acerca do amor e do perdão incondicionais, sem considerar outros requisitos no processo da aplicação do perdão na Teologia da Cruz e na convivência humana. 

Em Coríntios 13 destaco duas características do amor ágape:

Não é leviano (I Co 13.4). Não é indecente (I Co 13.5). O tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta de I Co 13.7, significa aceitar tudo? Creio que não, pautado em I Co 13.4-5.

“Ser leviano é proceder sem bases verdadeiras, é ser hipócrita, maldoso e irresponsável, é aquele que tem comportamento volúvel, que age com insensatez. O indivíduo leviano é uma pessoa fútil, medíocre, não tem noção do que é prudência, sabedoria e ponderação, transmitindo a imagem de pessoa irresponsável” (www.significados.com.br – Pesquisa em 23/03/2024).

“O indecente age sem pudor moral; oposição aos bons costumes; falta de respeito. Obscenidade; comportamento ou dito obsceno, vulgar, sem moral ou decência” (www.facebook.com.br – Pesquisa em 23/03/2024).

Um amor que nada exige, sem condição nenhuma, é um amor fútil, ordinário e sem valor. E certamente esse não é o amor de Deus.

Uma característica marcante do perdão - É ser terapêutico, restaurador, e via de regra, passa pelo caminho da confissão, do arrependimento, da reconciliação e mudança comportamental.

O perdão é a ponte em construção por onde passaremos. Todos nós carecemos de perdão e liberar perdão.

O modo de perdoar é como Deus nos perdoou em Cristo (Ef 4.32), sem reservas e não lança em rosto o passado.

Deus é perdoador e nos exorta, confronta-nos a perdoar (Mt 6.12,14-15). Ele perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos aos nossos devedores. Veremos que há situações de natureza tácita.

A misericórdia de Deus é de eternidade a eternidade sobre aqueles que o temem, e sua justiça sobre os filhos dos seus filhos (Sl 103.17-18). Logo, de certa forma, não é genérica.

Pv 28.13 – “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”.

Níveis do Perdão

De Deus para com o homem – É pela graça de Deus, a base é o sacrifício de Jesus na cruz. Está condicionado ao arrependimento e a fé humana (Mc 1.15; Ef 1.13; Hb 4.2). A graça de Deus atua desde o convencimento pelo Espírito no ato humano de atentar para ouvir a voz de Deus. Mas, o indivíduo precisa ouvir com interesse e atenção (Jo 7.37-39).

I Jo 1.9 – “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.

Certo pensador afirmou: “O filho pródigo perdeu tudo, menos o pai”.

Entretanto, que fez ele para não perder o pai?

1.Caiu em si, viu a besteira que fez.

2.O pai não foi atrás dele. Ele arrependido voltou para casa.

3.Veio humilhado. Queria ser pelo menos um trabalhador do pai.

4.O pai o restaurou e o outro irmão não compreendeu o amor do pai.

5.O filho que estava em casa com o pai é o exemplo de quem tinha de tudo e não sabia usufruir do que possuía, não sabia ser grato, nem comemorava as vitórias, via no pai um patrão, não um pai amoroso.

6.E nessa parábola, como o pai é uma figura de Deus, é o texto bíblico onde encontramos "Deus correndo" para acolher e restaurar.

7.Assim é o amor de Deus para com a Humanidade. Chama-a ao arrependimento para restaurar, mudar o viver, redimi-la.

O perdão entre irmãos – Depende de reconhecimento da ofensa pelo culpado (Mt 18.15-17). E perdoar quantas vezes for necessário (Mt 18.21-22), havendo mudança de atitudes. O mundo incrédulo pouco ou nada entende do perdão bíblico.

O perdão em família, entre cônjuges – Por exemplo da infidelidade conjugal, depende do reconhecimento de quem causou e se ajustar, deixar o proceder reprovável. Há uma queda moral no embrolho.

Há casos no meio cristão, onde são até aconselhados a aguentar traições maritais, violência doméstica e por anos, sem arrependimento do ofensor e infiel, na esperança de recuperar o casamento.

Diz o ditado: “Pimenta nos olhos do outro é refresco”.

Como a sociedade é machista, dificilmente vai se aconselhar o homem para com o cônjuge feminino que traiu, nos termos acima.

Em que pese testemunhos de restauração, parece-me mais falta de amor-próprio, de dignidade, casos de dependência material subjugante, a vida real espiritualizada por profetadas, etc.

Nas Escrituras não encontramos respaldo para manter, sustentar a aliança matrimonial de qualquer jeito. E mais complexo é identificar quem faz jus a um novo casamento. Mas, é outra discussão.

Se lutar pela união conjugal que o faça por fé e com dignidade, não como preso a uma masmorra de humilhação e lágrimas. Todavia entendamos, também passa uma decisão pessoal, sentimentos de perdas recíprocas.

Há sim casos em que se permite o desenlace e o novo casamento. Seja por infidelidade, morte do cônjuge, abandono do lar (é violência doméstica em espécie – I Co 7.12-15) e tantas outras formas de violência e abusos no lar. Os casos que Paulo listou não foram exaustivos.

Em matrimônios destruídos, há também os aspectos subjetivos da culpa, outros de foro íntimo, erros na escala de valores que não me cabe levantar.

E em se tratando do perdão, nessa seara, é impraticável sem arrependimento e mudança sincera.

Um caso experimental narrado - Conta-se também um episódio de um membro da igreja, que levou ao seu pastor uma infidelidade no casamento e arrependeu-se, mas a esposa optava pelo divórcio. Depois do aconselhamento pastoral em conjunto, ela declarou o perdão ao esposo. Porém, o marido iria experimentar da mesma dor e do veneno da traição. O pastor reiterou a necessidade do verdadeiro perdão e foram para casa. O pastor foi orar pelo casal. E Deus lhe revelou que iria recolhê-la, pois ela havia desrespeitado a sua autoridade espiritual implícita no pastoreio. O pastor insistiu na intercessão. Dias passarem, aquela jovem senhora, adoeceu e partiu.

Hb 12.5-11 - Pais complacentes em demasia – Não é uma questão de perdão e sim de disciplina – Pais que não disciplinam os filhos, passam a mão por cima dos seus erros e pecados, praticando uma dissimulação fajuta e desleixada. E as vezes se tornam cúmplices de seus pecados. E pagam alto preço. É bíblico: O mundo espiritual prevalece sobre a realidade da dimensão material e temporal.

O exercício da misericórdia. É bíblico que pela graça de Deus, recebemos o que não merecíamos, mediante a fé, para salvação. E pela sua misericórdia, Ele evitar cair sobre nós o que merecíamos, entre tantas fraquezas e erros. De modo que, o exercício do perdão entre irmãos e o próximo (Lv 19.18) tem relação com a prática da misericórdia no cotidiano (Mt 6.14-15;18.18-35; Tg 2.12-13).

Mateus 7.2 – “Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos” (NAA).

O perdão tácito para com o próximo - Está implícito, subentendido, não foi expresso diretamente por palavras, mas que pode ser deduzido através de comportamentos, circunstâncias ou silêncio - Houve um fato (uma briga de trânsito, um aborrecimento qualquer...), ocorreu a ofensa e tanto o ofendido como quem ofendeu seguiram na vida, não há uma convivência permanente. Nesse caso se libera o perdão, deixando para trás aquela experiência negativa, não fica preso ao passado, joga fora a farpa da alma, a ofensa fica com o ofensor diante de Deus (Mc 11.25-26). Não é de difícil aplicação. Entretanto, alcança o fim terapêutico como nos demais níveis do exercício do perdão. E atende o preceito bíblico para não juntarmos na alma raízes de amarguras (Ef 4.31-32; Hb 12.15).

É verdade de fato – As pessoas mais suscetíveis de nos ferir, magoar, decepcionar mais profundamente, são as que estão próximas de nós no dia a dia, a quem amamos e temos uma relação de confiança estreita.  

O perdão no Ofício Ministerial – É uma situação em particular, pois vai depender da gravidade de cada caso. E em verdade, pelas Escrituras, há pecados mais gravosos que outros. E inclusive no efeito e na dimensão do escândalo que gerar. Os que lideram na prestação de contas terão juízo mais severo (Tg 3.1).

Aqui é relevante ressaltar o ditado “dois pesos e duas medidas”. É uma expressão que indica um ato injusto e desonesto, algo feito parcialmente. Ou seja, está relacionada com situações similares tratadas de formas completamente diferentes, seguindo critérios diferentes e à mercê da vontade das pessoas que as executam.

Enfim, vimos que existem níveis na aplicação do perdão bíblico, seja na esfera divina ou humana.

A Psicologia moderna nessa área pouco ajuda na medida em que busca a parcialidade do homem consigo mesmo. Apresentam-se “n” justificativas sociais e psíquicas, menos os humanos assumirem seus atos, seja de responsabilidades ou de irresponsabilidades.  

William Saroyan: “Todos os homens são bons, num mundo mau – como aliás cada um de nós sabemos muito bem”.

O propósito dessa postagem é para refletirmos nas ministrações em torno do perdão bíblico, onde ele é enfatizado e o modo como perdoar. Entretanto, fica um tanto “romantizado” enquanto omite a necessidade da confissão, arrependimento, correção de conduta do ofensor, quem feriu para que ocorra restauração e reconciliação.

Que o Senhor nos conceda mais graça e misericórdia no exercício do perdão. Amém!

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Bacharel em Direito e Teologia

Natal/RN, 26/05/2024. (revisão em 25/06/2026).

domingo, 19 de maio de 2024

Chica da Silva

Chica da Silva (1732-1796) foi uma escrava brasileira alforriada que ficou famosa pelo poder que exerceu no arraial do Tijuco, hoje a cidade mineira de Diamantina. Manteve uma relação de concubinato com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira.

Chica da Silva foi uma negra que se tornou uma das mulheres mais importantes da sociedade colonial elitista de Minas Gerais do século XVIII.

Francisca da Silva nasceu no Arraial do Tijuco, atual cidade de Diamantina, Minas Gerais, em 1732, época em que o Brasil se tornou grande produtor de diamantes. Filha do português, capitão das ordenanças, Antônio Caetano de Sá e da africana Maria da Costa, foi escrava de um proprietário de lavras, o sargento-mor Manoel Pires Sardinha, com quem teve um filho chamado Simão Pires Sardinha, que alforriado pelo pai, recebeu seus bens em testamento.

Alforria e Luxo

Com 22 anos, Chica da Silva foi comprada pelo rico desembargador João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes, que chegou ao Arraial do Tijuco em 1753. Depois de alforriada, passou a viver com o contratador mesmo sem matrimônio oficial. Chica da Silva passou a ser chamada oficialmente Francisca da Silva de Oliveira. O casal teve 13 filhos e todos receberam o sobrenome do pai e boa educação.

Chica da Silva, mulata, frívola e prepotente, impôs-se de tal forma que o rico português atendia a todos os seus caprichos. O maior deles, como não conhecia o mar, pediu ao marido para construir um açude, onde lançou um navio com velas e mastros, igual às grandes embarcações.

Chica da Silva vivia em uma magnífica casa construída nas encostas da serra de São Francisco, onde promovia bailes e representações. Era dona de vários escravos que cuidavam das tarefas domésticas de sua casa. Só ia à Igreja ricamente vestida e coberta de joias, seguida por doze acompanhantes. Consta que muitas pessoas se curvavam à sua passagem e lhe beijavam as mãos.

Fim da União

João Fernandes de Oliveira foi acusado de contrabandear diamantes, chegou a ser preso e perdeu parte de seus bens. Mesmo assim, possuía uma das maiores fortunas do Império Português. A união do casal, que durava 15 anos, foi interrompida, em 1770, quando João Fernandes retornou a Portugal, depois da morte de seu pai, a fim de resolver questões de herança familiar, levando com ele os quatro filhos homens que teve com Chica da Silva. Lá, adquiriram educação superior e alcançaram cargos importantes na administração do reino.

Chica da Silva ficou no Brasil com as filhas e a posse das propriedades do marido, o que lhe permitiu continuar vivendo no luxo. Suas filhas estudaram prendas domésticas e música. Mesmo sem viver com João Fernandes pelo resto de sua vida, Chica da Silva conseguiu distinção social e respeito na sociedade elitista de Minas Gerais do século XVIII.

Chica da Silva convivia com a elite branca local. Em seu testamento, doou parte de seus bens às irmandades religiosas do Carmo e de São Francisco, que eram exclusivas de brancos, às das Mercês, exclusivas dos mestiços, e a do Rosário dos Pretos, que eram reservadas aos negros.

Chica da Silva faleceu em Serro Frio, Minas Gerais, no dia 15 de fevereiro de 1796. Foi sepultada na irmandade religiosa de São Francisco de Assis, exclusiva dos brancos.

Por Dilva Frazão - Biblioteconomista e professora

Fonte: www.ebiografia.com – Pesquisa em 19/05/2024.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

O perigo da murmuração


Texto: I Co 10.10 – “E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor”.

Introdução

1.Ao deixar o Egito através de tantos sinais poderosos, ao invés de crescer na confiança em Deus, Israel temeu diante dos moradores de Canaã e murmurou, reclamou contra Moisés, Arão e contra o Senhor Jeová.

2.A murmuração não agrada a Deus e sua prática é danosa à vida espiritual e emocional do murmurador.

3.É muito sério questionar os planos e a fidelidade de Deus.

I – A murmuração na Bíblia

Do hebraico, o verbo liyn – resmungar, reclamar e murmurar (Nm 14.36).

Do grego, o verbo goggúzô – murmurar, resmungar, queixar-se, dizer algo contra alguém em tom baixo.

Segundo o dicionário Houaiss, a palavra murmuração significa: “ato ou efeito de murmurar, murmúrio, rumor infundado, boato, falatório depreciativo, detração, maledicência” (2011, p. 1982).

Segundo o comentarista da lição, Pr Osiel Gomes:

a) O murmurador é um insatisfeito, ingrato, queixoso e opositor.

b) O murmurar é um mal que revela comportamento inconveniente, temperamento inquieto e as vezes, sarcástico (crítico).

c) Muito cuidado com insatisfação doentia. Ela azeda a alma.

Depurando a Insatisfação - Num cenário de insatisfação definir o problema é o problema.

1.Descobrir sua causa. Nem sempre está explícita.

2.Será uma consequência do egoísmo inato?

3.Ela é justificável ou injustificável?

4.Vai construir? Levar-nos-á a desafios e mudanças de que precisamos?

5.Ela está sob controle ou dominando?

6.Tenha a sua lista de gratidões. Não seja um reclamão.

7.Entre defeitos e virtudes das pessoas, o que mais vejo?

8.Como está a qualidade de vida, a começar do homem interior?

9.Combata o vício social de estar se comparando aos outros. Avalie-se em torno de seus ideais. Compare, então, o eu de ontem com o eu de hoje.

10.Portanto, reflitamos diante da insatisfação antes de agirmos.

II – A Murmuração de Israel no deserto – Impedida a entrada da 1ª geração na Canaã prometida

O fato ocorreu após o retorno dos espias à terra de Canaã (Nm 13-1-33; 14.1-2).

Queixaram-se de Moisés e Arão, Deus tomou para si (Nm 14.2;27).

O foco na dificuldade e a incredulidade do povo deixou Deus indignado (Nm 14.11).

Moisés foi provado na vaidade de líder por Deus. E apontou para o cuidado com a glória de Deus. Deus disse que podia fazer dele um outro povo. Moisés rogou perdão pelo povo (Nm 14.12-20).

Lição: O medo e a ausência de fé em Deus limitam a visão de enxergar as suas ações em nossas vidas e no contexto onde estivermos inseridos.

Rm 15.4 – “Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.

III – Murmuração – Um comportamento que atrelado à incredulidade, pode atrapalhar a entrada na Canaã Celestial

O fim dos murmuradores – A pedido de Moisés, Deus perdoou o povo (Nm 14.20). Porém, só as sementes de Josué e Calebe herdaria a terra de Canaã (Nm 14.24;14.38). Os murmuradores acima de 20 anos, ficariam prostados na peregrinação do deserto (Nm 14.29-35).

Os quarenta dias espiando a terra, Deus transformou em 40 anos de peregrinação no deserto (Nm 14.34).

Reflexão: O deserto, via de regra, é necessário na jornada. A peregrinação depende de nossas atitudes.

Os dez espias que infamaram a terra e fez murmurar a congregação, sobre eles veio uma praga e morreram perante o Senhor (Nm 14.36-37).

Murmuração não é relato de fatos, é mero queixume – Na Igreja local a murmuração pode trazer muitos males: desânimo espiritual, contendas, rebeldias, desvios da fé e divisões. E pode resultar em:

Difamar - Atribuir fato negativo que não seja crime;

Injuriar - Atribuir palavras ou qualidades negativas, é o xingar;

Caluniar - É dizer de forma mentirosa que alguém cometeu crime.

IV - A murmuração no Novo Testamento

Em João 5.16-47, Jesus havia se declarado Filho de Deus, enviado do Pai e igual ao Pai e tinha curado um homem no sábado, por isso fariseus e os principais dos sacerdotes queriam matá-lo, contrariando a Lei (Jo 7.19). E mandaram guardas do templo para o prender (Vv. 32). E voltaram sem o prender e extasiados, perplexos, cativados com o discurso de Jesus (Jo 7.46) – “...Nunca homem algum falou assim como este homem”.

João 7.12,32 - No contexto o murmurar eram comentários da multidão dividida em torno da identidade de Jesus. Quem realmente era Ele? Jesus subiu em oculto a festa, no meio do evento ensinava no templo (Jo 7.14-16). E no último dia, o grande dia da festa clamou dizendo: “Se quem tem sede, que venha a mim e beba (Jo 7.37).

E, portanto, outras traduções preferem usar variantes linguísticas.

João 7.32 - “Quando os fariseus ouviram que as multidões sussurravam essas coisas, eles e os principais sacerdotes enviaram guardas do templo para prendê-lo” (NVT).

João 7.32 – “Os fariseus ouviram a multidão comentando essas coisas sobre Jesus, e por isso eles e os chefes dos sacerdotes mandaram guardas para o prenderem” (NTLH).

Atos 6.1-7 – A murmuração (queixa) dos gregos aos hebreus foi na verdade uma crítica justa, em razão do desprezo às viúvas no nascedouro da Igreja. E os apóstolos tiveram a humildade de recebê-la e tomaram providências. 

Do tema em estudo, precisamos tirar lições para não cairmos no erro e pecados de Israel no AT e assim Paulo nos exorta em I Co 10.10.

Pontos chaves - Deus, o homem e a murmuração:

a) Deus nada deve aos homens - O que dele recebemos é pelo seu amor, graça e misericórdia. Quem somos nós para se queixar, murmurar contra Deus?

Murmurar contra Deus é uma insanidade humana (Jó 9.4). 

Lm 3.39 – “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados”.

b) Para o cristão é importante se autoexaminar, identificar a motivação de estar reclamando, queixando-se, porque pode estar doente na alma. A insatisfação pode ser justa ou não cabível, pode estampar ingratidão e precisa ser tratada e corrigida.

Lm 3.26 – “Bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor”. Ao invés de se portar com resmungos e reclamações.

c) Em relação à liderança na Igreja - Muito cuidado com o que diz, fala e as atitudes, pois pode estar causando danos no Reino de Deus. E não respeitando as autoridades delegadas por Deus.

d) As autoridades delegadas por Deus são humanos e podem falhar, errar e até pecar. Diferente de murmurar, o cristão maduro pode discordar, dá sugestões, feedback, um conselho bíblico, em clima fraterno e respeitoso, sem ironias ou chacotas, sempre visando edificação no corpo de Cristo. E que o líder tenha humildade, seja acessível para ouvir. 

Conclusão

1.A murmuração é prejudicial tanto da vida espiritual de quem pratica como no meio do povo de Deus.

2.Ao invés da murmuração, queixas, havendo espaço e oportuno, faça sugestões, apresente ideias, seja cooperativo. E estando de pé, cuide para que não caia (I Co 10.12).

3.Enfim, Deus não nos dá provação além das nossas forças, antes dá também o escape, lutas na jornada do crente jamais justifica a murmuração (I Co 10.13).

Fontes da pesquisa:

Lição EBD/CPAD – 2º trimestre de 2024.

Bíblia Sagrada.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 19/05/2024 (revisão).

As Armas Espirituais do Cristão

 

Texto Áureo – II Co 10.4 - “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas”.

Verdade Prática - Diante da batalha espiritual, temos poderosas armas espirituais a nossa disposição: a Palavra de Deus, a oração e o jejum.

Introdução

1.Na Batalha Espiritual lutamos com armas espirituais contra principados e potestades no mundo espiritual (Ef 6.12).

2.Quando usamos armas humanas na Batalha Espiritual? Quando a natureza do problema é espiritual, não humana. Faz-se necessário discernimento.

3.As armas espirituais em relação ao Mundo e Carne (fatores humanos) – Podem ser usadas, claro, uma vez que não são letais nem mecanismos de agressão e violência às pessoas. E num contexto todo no maligno (I Jo 5.19).

Nota: A expressão “armas espirituais” não elimina os meios civilizados, canais humanos e cristãos competentes na solução de conflitos, enfrentamentos do cotidiano, como: Diálogo, amar, perdoar, conciliar, exercitar a cidadania perante pessoas comuns, autoridades, órgãos e instituições. As vezes somos frouxos, covardes e omissos. E esperamos ou queremos que a vitória caia do céu.

Jesus, o modelo perfeito:

Na convivência social – No caso do tributo, Jesus foi direto e objetivo: Dai a César o que é de César; e a Deus o que é de Deus.

O mundo é condenável porque os homens amaram mais trevas do que a luz (Jesus), e portando seu estilo e práticas são más (Jo 3.19-21).  Jesus foi odiado pelo mundo, sistema de valores alienado de Deus, porque testificou de sua má conduta (Jo 7.7).

Na peleja espiritual - No decurso do seu ministério, orava e jejuava e conhecia a Palavra. Próximo a sua partida para o Pai, fez a célebre oração sacerdotal pela sua Igreja. Então, aplicando armas espirituais.

I – As armas do Cristão

1.A Batalha Espiritual é real e só terá fim com o Arrebatamento da Igreja.  

Numa analogia, existem as armas de ataque e de defesa.

De ataque são - espada (I Sm 17.45), vara (Sl 23.4), funda (I Sm 17.40), arco e flecha (II Rs 13.15), lança (Js 8.18) e dardo (II Sm 18.14).

As de defesa são - escudo (Ef 6.16), capacete (I Sm 17.5), couraça (I Sm 17.5) e caneleiras (I Sm 17.6). Contudo, “armas” tem sentido figurado, não literal.

2.Na perspectiva da lição 6, o foco é a luta contra o mal encabeçado pelo diabo e seus demônios, que se valem do Mundo e da Carne.

Russel Shedd afirmou: “...O mundo faz parte do espólio do diabo e por ele luta fortemente para manter cativo o que conquistou na queda”.

Aqui perguntamos, o mal humano existe? É real? Sim. O mundo e a carne não são inimigos neutros, como vimos na lição 5.  

Entretanto, jamais devemos tratar as pessoas como inimigas e sim visar a salutar convivência social, respeitando aos nossos semelhantes, contudo sem comungar com a pecaminosidade alheia.

Ef 5.11 – “E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”.

O Mundo e a carne, a natureza humana caída, envolvem pessoas - Num contexto de injustiças, conflitos sociais, exploração de mercado, corrupção pública, cidadãos desassistidos à margem da sociedade, nervos na flor da pele. Nesse ponto a luta contra o mal requer equilíbrio, bom senso e discernimento.

O Mundo e suas obras – E nele atores físicos são reais e têm responsabilidades (Jo 3.19-21). E para tanto, temos direitos e deveres no tecido social, sejam autoridades, sejam cidadãos comuns. 

Então, cada batalha com suas armas, no bom sentido do termo. Combatamos o egoísmo, as vaidades, a corrupção humana por um mundo menos injusto, pregando o evangelho de Jesus, enquanto aguardamos Jesus voltar.

Ef 6.12 – Realça a batalha frente ao arqui-inimigo - “Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

Com o mundo somos opostos - O cristão não pode amá-lo nem alimentar amizade com ele (I Jo 2.15; Tg 4.4). E ao mesmo tempo vigiar contra tendência de ir de encontro às pessoas ao invés de buscar solução dos males espirituais e sociais, de forma legal, justa, civilizada, educada e sábia.

Jz 2.12;3.5-8 - Israel falhou na medida em se misturou com os povos gentios:

Sl 106.35: “Antes se misturaram com os gentios e aprenderam as suas obras”.

3. As estratégias do Inimigo. É vital conhecermos os inimigos. Quanto ao diabo, o NT revela o que ele é capaz de fazer para.

a) ludibriar as pessoas: arrebatar a boa Palavra do coração (Mt 13.19), buscar altas posições com mentiras (At 5.3), usar pessoas para trair (Lc 22.3,4), escravizar (II Tm 2.26), enfraquecer a fé do crente (Lc 22.32) e enganar com doutrinas demoníacas (I Tm 4.1).

4.E a estratégia da Igreja? “O exército de Deus deve avançar atacando” (Russell Shedd, do livro o Mundo, a Carne e o diabo).

Quatro petições pela Igreja, da Missionária Glenda do Amaral:

“Senhor conscientiza a tua Igreja da batalha espiritual”.

“Senhor conscientiza a tua Igreja da sua beleza”.

“Senhor conscientiza a tua Igreja da sua autoridade”.

”Senhor conscientiza a tua Igreja da responsabilidade e da sua missão na terra".

Sl 90.1 – E o Senhor tem sido o nosso refúgio de geração a geração.

II. As Três Armas Espirituais do Cristão

1. A Palavra de Deus. O Senhor Jesus disse que não vivemos apenas de pão, mas de toda a Palavra de Deus (Mt 4.4).

a) O estudo sistemático, perseverante da Palavra de Deus vai gerar em nós crescimento espiritual (I Pd 2.2).

b) Uma vez nutrido e solidificado na Palavra - Estamos firmados em Deus para resistir às influências malignas, às armadilhas de Satanás e demais estratégias neste mundo mal (Mt 7.24,25). 

2.A oração. Aliada ao estudo da Palavra, a oração é uma das mais importantes armas espirituais que o crente tem ao longo de sua jornada para o Céu (Sl 55.17).

Reconheçamos, precisamos levar a sério a oração, uma disciplina espiritual.

“Nenhum espírito maligno receia orações mecânicas, sem ardor e pujança”.

Ef 6.18 - “Orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito”.

Certo escritor, disse acerca da oração no Espírito:

Em primeiro lugar significa reconhecer a nossa infantilidade no que diz respeito à oração;

Em segundo lugar, orar no Espírito implica em evitar apagar ou entristecer o Espírito (I Ts 5.19; Ef 4.30);

Em terceiro lugar, orar em Espírito é suplicar sob a direção do Espírito;

Em quarto lugar, orar em Espírito dinamiza a oração, o poder vem sobre nós (At 1.8).

Enfim, a oração no Espírito é o segredo da comunicação eficaz e ousada com Deus (Hb 10.19; Ef 3.12).

Hb 10.19-20 – “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne”.

3.O jejum. Aliado à Palavra de Deus e à oração, a prática do jejum é uma terceira arma espiritual do crente durante a jornada para o Céu. Tanto no Antigo quanto no NT, o jejum é uma prática presente. O Senhor Jesus jejuou (Mt 4.1-4) e disse que seus discípulos também o fariam (Mt 9.14-17; Lc 5.33-39).

Entretanto, o jejum bíblico deve, precisa ter propósitos espirituais, com começo, meio e fins. Se fizer para se vangloriar, tempo perdido.

III. Jesus Cristo: O Nosso Maior Modelo

1.Venceu o Diabo com a Palavra. O Senhor Jesus venceu o Tentador pela autoridade da Palavra de Deus (Lc 4.4,8).

2.Ele venceu o mundo, o tratou como seu inimigo (Jo 16.33).

3.Vivendo em oração - Jesus se retirava para os lugares desertos para orar (Lc 5.16; 6.12; 9.28). Ou seja, desenvolveu o seu ministério na prática da oração. Como homem, revelou dependência do Pai.

4.Vivendo em jejum - Além de meditar na Palavra e perseverar em oração, o Senhor Jesus jejuava (Lc 4.2). Ora, Ele também espera que o imitemos, orando e jejuando.

5.Jesus como homem, em tudo foi tentado, mas sem pecado.

Hb 4.15 – “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”.

Conclusão

1.Que usemos as armas espirituais com discernimento na Batalha Espiritual, sem ignorar o sistema de valores oposto a Deus, bem como a velha natureza humana caída, seus muitos males e os atores responsáveis.

2.Discute-se quem é o nosso maior inimigo. Para os teóricos de autoajuda o homem é o seu maior inimigo.

3.Pelas Escrituras o diabo é o arqui-inimigo. Por enquanto com a cabeça ferida, mas, breve será esmagada. E lançada no lago de fogo a trindade satânica.

4.E em Cristo, temos o modelo por excelência para o cristão nas batalhas em toda a sua jornada até o céu. Amém!

Fontes da Pesquisa:

Lição CPAD/EBD – 2º trimestre de 2024.

Bíblia Sagrada.

Por Samuel Pereira de Macedo Borges

Natal/RN, 29.04.2024.

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